A oposição na Câmara divulgou nota nesta terça-feira em apoio aos 12 integrantes da cúpula da Receita Federal que entregaram seus cargos após a exoneração de servidores do órgão ligados a ex-secretária da Receita Lina Vieira. No documento, DEM, PSDB e PPS afirmam que as demissões "configuram uma séria ameaça" aos princípios do serviço público.

Para a oposição, a demissão dos servidores confirma a versão de Lina, de que durante um suposto encontro com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) teria recebido a orientação para agilizar as investigações do órgão sobre as empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

"Os motivos que levaram à demissão de vários e graduados servidores da Receita Federal configuram uma séria ameaça aos princípios de impessoalidade, ética, autonomia e transparência desta importante instituição do Estado. O Democratas, o PPS e o PSDB vem a público se solidarizar com esses servidores, que colocaram seus cargos à disposição, em gesto que só confirma as denúncias da sra. Lina Vieira de ingerência política na administração do fisco federal", afirma o documento.

A oposição discute nos bastidores a melhor estratégia para conseguir que os servidores que entregaram os cargos prestem esclarecimentos no Congresso. Os oposicionistas esperam que eles confirmem a versão de Lina sobre o encontro.

A oposição espera que os dirigentes confirmem a versão de Lina sobre a suposta interferência de Dilma em investigações da Receita sobre familiares do presidente do Senado. A ex-secretária sustenta que a ministra lhe pediu, em encontro reservado, para agilizar as investigações sobre os parentes do senador --o que foi interpretado por Lina como um pedido para encerrar as investigações.

Dilma nega o encontro e afirma que nunca fez qualquer pedido à ex-secretária relacionado a Sarney. O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República também não acatou pedido da oposição para enviar ao Congresso imagens do circuito interno de TV da Casa Civil que poderiam comprovar que Lina esteve no prédio no final do ano passado para o encontro com Dilma.

Doze integrantes da cúpula do órgão entregaram os cargos ontem em resposta às exonerações de funcionários ligados à ex-secretária Lina Vieira --como Alberto Amadei Neto e Iraneth Maria Dias Weiler. Iraneth foi chefe de gabinete de Lina e teria confirmado o suposto encontro entre a ministra e Lina.

"A secretária Lina ofereceu sua versão. O senador Eduardo Suplicy [PT-SP] concorda que o encontro houve. Antes, nós tínhamos a versão da Dilma com a Lina. Agora, temos funcionários graduados da Receita que se demitem. Cada um se soma à Lina na argumentação de que a Receita está sendo usada para fins políticos", disse o líder do DEM, José Agripino Maia (RN).