Milhares de peixes apareceram mortos no município de Candeias, na região metropolitana de Salvador. O Instituto do Meio Ambiente já esteve no local e diz que, por enquanto, não há como afirmar se as mortes foram causadas por produtos químicos ou fenômenos naturais. Pescadores e marisqueiras estão desesperados.

A área atingida pela mortandade de peixes, que começou na sexta-feira, vai do distrito de Passé, a 60 quilômetros de Salvador, já no município de Candeias, à Ilha de Maré. Pela manhã, a comunidade de pescadores recolheu cerca de 400 quilos de mariscos e peixes, como arraias e robalos, mortos.

Pelo Rio São Paulinho, muitos filhotes ainda eram encontrados boiando e, nas margens da vegetação do mangue, havia muitos peixes que vêm do mar para desovar no rio. Segundo os moradores de Passé, as mortes estão relacionadas a resíduos de uma indústria química despejados por um tubulação.

De acordo com os pescadores, para o trecho do Rio São Paulinho voltar a oferecer a mesma quantidade de peixes, serão necessários entre seis e doze meses de espera.

- Ele vai dar cria, dá a desova deles... Nós vamos pegar os maiores e os menores vão dar cria novamente. Agora morreu tudo, pequeno, grande, tudo. E agora? - questiona o pescador Genival Chagas.

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) começou na sexta-feira a coletar água, areia do leito do rio e peixes para descobrir a presença de algum produto químico relacionado às mortes. O laboratório contratado pelo Instituto vai divulgar um laudo na próxima terça-feira, dia 25 de agosto.

- A gente não está associando a nenhuma empresa ainda. A gente está analisando se é por uma poluição química ou uma proliferação de algas - afirma Anderson Carneiro, técnico do IMA.

Durante a inspeção dos técnicos, os pescadores pediram uma explicação. Marisqueira há 40 anos, dona Clarice Chagas já prevê tempos difíceis.

- O pescador, coitado, pesca tudo aí dentro do rio. Agora o que será da gente aqui? Marisco, a gente não pode comer. Peixe não pode comer. Vai comer o quê? Não tem dinheiro para comprar nada - diz Clarice