O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, visitou no final da manhã desta quinta-feira, 20, a Central Nuclear de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Teotonio Vilela estava acompanhado do presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva; do secretário de Estado, do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otávio Gomes; dos deputados estaduais, Fernando Toledo e Alberto Sextafeira; e do senador da República João Tenório.

Logo após assistir à apresentação da empresa, feita pelo presidente da Eletronuclear, o governador Teotonio Vilela falou para a sua comitiva e para executivos da Eletronuclear justificando o fato de ser o primeiro governador nordestino da região apontada como a preferencial para a instalação das duas novas usinas nucleares brasileiras, até 2030, a se manifestar oficialmente ao ministro de Minas e Energia sobre a necessidade do Estado em abrigar o projeto.

Preconceito — “Confesso que tinha preconceito em relação à energia nuclear. Até que, como presidente da subcomissão de Minas e Energia, no Senado Federal, fiz uma visita às usinas alemãs”, descreveu o governador Teotonio Vilela.

Segundo o governador, ele mesmo virou um entusiasta da energia nuclear. “Mas as pessoas ainda têm medo. A sociedade alagoana precisa conhecer esse processo sem camuflagens, de forma escancarada. Temos que conscientizar os alagoanos da importância das usinas”, disse Teotonio Vilela.

Porque Alagoas precisa de energia nuclear - “Temos o Índice de Desenvolvimento Humano mais baixo do Brasil. Precisamos de investimentos em tudo: saneamento, educação, saúde”, lembrou o governador Teotonio Vilela. Ele utilizou como exemplo, a experiência da Bahia (um dos estados cotados para a instalação das usinas) este investimento somente fará cócegas, disse o governador. “Mas em Alagoas, é uma diferença brutal. É um ato de humanidade. O Estado precisa muito. Uma central nuclear instalada no Estado poderia adotar a caatinga ou a Mata Atlântica. É de um benefício ambiental que, hoje, não temos condições de dar”, ressaltou.

Teotonio Vilela afirmou ainda que a sociedade precisa entender que não está ameaçada pela energia nuclear. “Serão 4 mil empregos de início, mais renda, mais impostos, royalties”, ressaltou.

Costura política — “Desde que tecnicamente haja viabilidade, precisaremos costurar politicamente, abrir uma trincheira de trabalho político”, falou o governador.

Os dois vice-prefeitos de Angra dos Reis e de Paraty, José Essiomar Gomes e Valdecir Ramiro, também pediram a palavra. Essiomar respondeu à pergunta do governador Teotonio Vilela sobre o comportamento dos políticos em relação à Central Nuclear dizendo: "Há quinze anos alguns políticos participavam do movimento Hiroshima nunca mais e deitavam-se na estrada. Hoje, 90% dos candidatos fazem campanha eleitoral citando a importância da empresa. Não há mais a impressão de que a usina vai contaminar. Não existe mais preconceito", completou.

Essiomar ainda falou das contrapartidas que o município de Angra dos Reis receberá por conta da construção da Usina Angra 3 (R$ 150 milhões), da parceria da empresa na construção de uma unidade do Centro Federal de Ensino Tecnológico (Cefet) para a formação de mão de obra especializada na região, do transporte dos universitários, que a empresa financia, e da localização estratégica do Hospital de Praia Brava, mantido pela Fundação Eletronuclear de Assistência Médica.

Já o prefeito de Paraty disse: " A gente não tem como ser contra. Eles têm o cuidado de contratar mão de obra local. Somos parceiros. Temos um bom relacionamento", disse.

Ainda fizeram parte da comitiva do governador Teotonio Vilela, a reitora da Ufal, Ana Deyse Dórea, a presidente do Ibama, em Alagoas, Sandra Menezes; e empresários locais.