As quatro universidades estaduais da Bahia - Uneb (Universidade do Estado da Bahia), Uefs (Universidade Estadual de Feira de Santana), Uesc (Universidade Estadual Santa Cruz) e Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), estão com as aulas suspensas nesta quarta-feira (19) em razão de uma paralisação de 24 horas realizada por professores e servidores administrativos, com o apoio dos estudantes.

Eles reivindicam melhores condições de trabalho e contratação de mais professores, entre outros itens. Juntas as quatro instituições possuem mais de 60 mil estudantes de graduação e de pós-graduação distribuídos por cerca de 120 cursos.

Neste início de tarde, membros da Aduneb (Associação dos Docentes da Universidade do Estado da Bahia) reúnem-se em frente à sede da Secretaria Estadual de Educação, no CAB (Centro Administrativo da Bahia), na tentativa de entregar ao secretário Oswaldo Barreto uma pauta emergencial, para evitar que os professores entrem em greve.

Oswaldo Barreto assumiu a pasta da Educação na Bahia no dia 11 deste mês substituindo Adeum Sauer, que foi demitido em razão da publicação, em uma revista distribuída a professores estaduais, de um tirinha contendo palavras de baixo calão proferidas pelo personagem Chico Bento.

Na pauta constam reivindicações como abertura imediata de concurso para docentes e servidores técnico-adminsitrativos, revogação da Lei 7176/97, respeito à autonomia universitária, cumprimento da solicitação orçamentária para as universidades estaduais do Estado para 2009 e rubrica específica para implementação de Política de Permanência Estudantil.

Negociações

Para Maria do Socorro, diretora da Associação de Professores da Uneb, desde a última paralisação, ocorrida no dia 4 de junho, não houve avanço nas negociações com o governo. Na ocasião, representantes dos professores foram recebidos pelo secretário das Relações Institucionais, Rui Costa. "Iremos, hoje, apresentar mais uma vez a nossa pauta emergencial. Queremos concurso público e mais verbas", disse, acrescentando que o movimento terá a duração de 24 horas, mas a categoria permanecerá mobilizada e poderá voltar a suspender as aulas a qualquer momento.

Conforme Maria do Socorro, há um problema crônico de falta de professores que vem se agravando na Bahia. "Apenas na Uneb faltam 775 docentes", afirmou. Disse também que cursos como fisioterapia, no campus de Salvador, e História, na cidade de Eunápolis, sul do Estado, não têm nenhum professor efetivo ou concursado. "Parece que o governo vê as universidades como instituições onerosas, coisa que não aceitamos porque desenvolvem papéis importantíssimos na sociedade", defende.

De acordo com a sindicalista, faz mais de dez anos não há aumento no número de vagas, o que impede a promoção dos docentes com especialização.

Segundo a também diretora da Aduneb, Tatiana Varjão, a Saeb (Secretaria de Administração do Estado da Bahia) é o órgão que está tomando as decisões relativas às universidades no Estado, o que, para os professores, "é um absurdo". "Entendemos que os nossos pleitos devam ser analisados pela Secretaria de Educação", reclamou.

A assessoria de Comunicação da Secretaria de Educação informou que o secretário se manifestará ainda hoje sobre a paralisação.