O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu a substituição dos petistas no Conselho de Ética, que querem evitar o desgaste de beneficiar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Segundo Jucá, o colegiado não pode ser partidarizado e as decisões devem ser individuais.

"O Conselho de Ética não é partidário. É um júri individual. Não se pode puxar para o PT a decisão. O conselho deveria ter gente de vários partidos" disse.

Jucá afirmou que está disposto a ocupar uma das vagas do PT no colegiado. O Conselho de Ética se reúne amanhã para avaliar os recursos contra o arquivamento de 11 acusações que pesam sobre Sarney. "Não estou me oferecendo, mas estou a disposição do governo para qualquer missão", afirmou.

O líder do governo afirmou ainda que espera que o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), permaneça no cargo. Mercadante disse a interlocutores nesta terça-feira que está disposto a deixar o comando da bancada petista porque não fará trocas.

Duas das três cadeiras de titulares do bloco do governo, que inclui o PT estão vagas no Conselho de Ética. Os senadores Ideli Salvatti (PT-SC) e Delcídio Amaral (PT-MS), que são suplentes, resistem em assumir as cadeiras como titulares. Os dois não estão dispostos a votar como titulares e assumir a posição pró-Sarney, sofrendo desgaste junto à opinião pública.

O PT é considerado pela oposição como o "fiel da balança" no julgamento das ações contra Sarney. Se os três petistas votarem com a oposição, os processos contra o presidente do Senado podem ser instalados.

Uma das alternativas em análise pelos petistas é deixar que uma das suplências do partido seja repassada para outra legenda do bloco --que ainda é formado por PR, PSB, PC do B e PRB. Pelo quebra-cabeça dos petistas, a vaga poderia ser entregue ao senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB) ou ao líder do governo no Senado, que estariam dispostos a votar pró-Sarney no conselho.

Recursos

O presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), marcou reunião nesta quarta-feira para colocar em votação os 11 recursos apresentados pela oposição contra o arquivamento sumário das acusações que envolvem Sarney. No mesmo dia, o conselho também vai analisar recurso do PMDB contra o arquivamento de denúncia que acusa o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) de quebra de decoro parlamentar.

As representações contra Sarney que foram arquivadas tratam do suposto envolvimento do senador com a edição de atos secretos no Senado, da suspeita de que teria interferido a favor de um neto que intermediava operações de crédito consignado para servidores da Casa e de ter supostamente usado o cargo em favor da fundação que leva seu nome e mentido sobre a responsabilidade administrativa pela fundação.