Apesar de o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ter se defendido em Plenário nesta segunda-feira das novas denúncias contra ele, parte dos senadores que acompanharam o discurso avaliam que sua fala não é suficiente. Na visão de parlamentares, a exemplo do que ocorreu em seu primeiro discurso feito no início da crise do Senado, Sarney se ateve em falar hoje da sua história e de como está sendo injustiçado, em vez de defender investigações.

Sarney disse que é vítima de um processo "nazista" com o único objetivo de denegrir a sua imagem e criticou o jornal O Estado de S. Paulo, que divulgou novas denúncias contra ele. Segundo a publicação, a empreiteira Aracati Construções, Assessoria e Consultoria Ltda, teria comprado há três anos dois imóveis em São Paulo para uso da família do presidente do Senado. Em um dos imóveis, de acordo com a reportagem, moraria um neto do peemedebista, enquanto o outro seria utilizado para abrigar assessores e convidados dos Sarney, mas também hospeda a família.

Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS), ainda que a reportagem do jornal seja "mentirosa", cabe ao presidente da Casa defender publicamente que os fatos sejam amplamente apurados, para provar sua inocência.

"A matéria é mentirosa? Tomara Deus que seja! Mas e as outras matérias que vêm se repetindo e se repetindo e se repetindo e se repetindo? Será que a fórmula é falar, alguém falar da tribuna e encerrar o assunto? Por que não permitir que o Conselho de Ética faça o levantamento?", questionou Simon.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) saiu em defesa do presidente de seu partido, senador Sérgio Guerra (PE), que foi criticado por Sarney por ter defendido as investigações. "As denúncias formuladas devem ser esclarecidas. É a responsabilidade da função que exerce o presidente do Senado Federal. Portanto, pedir investigação não é prejulgar", afirmou.

Sarney é acusado de cometer uma série de irregularidades na administração do Senado, como empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por uma fundação que leva o seu nome. Onze pedidos para investigar as denúncias contra ele foram apresentados no Conselho de Ética do Senado, mas todos foram arquivados pelo presidente do órgão e aliado de Sarney, Paulo Duque (PMDB-RJ).