O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou nesta segunda-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria "calar a boca" ao invés de ficar fazendo comentários sobre a denúncia feita pela ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira. Segundo ela, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a teria mandado apressar uma investigação que vinha sendo feita nas empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

"O Lula deveria calar a boca, ele está falando demais. Faz uns 15 dias que ele está sendo o maior adversário da Dilma", disse. O presidente Lula disse hoje que está havendo um exagero diante desta história e que seria facilmente apurado se houve ou não este encontro entre as duas apenas se checando na agenda da ex-secretária.

"Seria tão mais simples e tão mais fácil que a secretária mandasse a agenda que ela encontrou com a Dilma. Não faria nem gastar dinheiro, pagar passagem ou ir para o Congresso. É só pegar as duas agendas e ver o que aconteceu", disse Lula, que classificou a atenção dada ao episódio como "um carnaval em coisa que não dá samba".

Lina Vieira afirma que no encontro Dilma Rousseff pediu que fossem agilizadas as investigações contra empresas da família do presidente José Sarney, controladas pelo filho do parlamentar, Fernando Sarney. De acordo com Lina, ela interpretou a ordem como um apelo para que fossem "encerradas" as apurações que o Fisco fazia nas empresas.

Desgastado por uma série de escândalos, José Sarney se mantém no comando do Senado com o apoio da Presidência da República. Dilma disse em diversas ocasiões que há uma tentativa de "demonizar" o peemedebista.

Na visão de Simon, o próprio Lula deve ter pedido para que Dilma entrasse na história em defesa de Sarney. "Ele deve ter mandado a Dilma pedir", afirmou. O senador fez um alerta de que, se amanhã, no depoimento de Lina à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a chamada "tropa de choque" composta por senadores da base for ao Plenário pressionar a ex-secretária, haverá reação. "Se houver tropa de choque amanhã, haverá resposta. Ela (Lina) tem que ser respeitada", desafiou.