Escolas, hospitais, igrejas, clubes, bares, lan houses, nada foge aos olhares atentos das ‘wiki-repórteres’. Um celular com GPS, câmera e acesso a internet é a principal ferramenta para que elas registrem, cataloguem e coloquem no ar cada cantinho de suas comunidades, usando como base um mapa do Google Mapas.
“As favelas não estão no mapa e isso só reforça essa exclusão que já existe no cotidiano”, diz a gerente do projeto, Patrícia Azevedo. “Elas vão andando pela comunidade e mapeando. Em algumas quase não tem rua mapeada, e elas têm que criar essa parte geográfica também”, completa. Estudantes do 3º ano do ensino médio, elas concorrem a uma bolsa de estudos numa faculdade de comunicação.
Correios e desapropriação
“Aqui tem muita gente que está sendo desapropriada e ficava com
medo. Depois eles entendem que é a inclusão das favelas num mapa
virtual”, conta a ‘wiki-repórter’ Alini dos Santos, de 28 anos,
moradora do Cantagalo, beneficiada por obras do PAC.
Dissociar a imagem das favelas da violência é um
dos objetivos do projeto. “É bom pra poder melhorar a imagem da
comunidade, que não é muito bem vista lá fora e para passar
informações pra quem mora aqui”, explica a ‘wiki-repórter’
Dandara Couto, de 20 anos, que já descobriu uma biblioteca
pública na Maré.
“As pessoas na comunidade ficam de mãos atadas. Se
a gente incluir as ruas no mapa do correio, por exemplo, não
vamos precisar ir lá buscar a correspondência”, exemplifica ela.
Mapas via telefone e internet
Quando não atualizam o site pelo telefone, os acréscimos são feitos pela internet. “Qualquer pessoa pode mapear qualquer comunidade. É só se cadastrar e baixar o aplicativo”, explica Patrícia. A ferramenta permite ainda que internautas denunciem se o estabelecimento não existir, tiver fechado ou ficar em outro lugar.Para facilitar a integração, o projeto, da ONG Rede Jovem, conta com parcerias de 135 instituições comunitárias e pretende fazer oficinas de capacitação para ensinar moradores a usar o mapa e se familiarizar com a ferramenta.