A Justiça de Atibaia, no interior de São Paulo, determinou na terça-feira (11) a revogação da prisão preventiva do pedreiro Cosme Luis de Lima, que estava preso há 46 dias no Centro de Ressocialização da cidade.
Morador e suplente de vereador em Engenheiro Coelho, a 129 km de São Paulo, Lima afirma que foi vítima de uma confusão, provocada pela clonagem de sua cédula de identidade em 2003.
O juiz que determinou a liberdade afirma em sua decisão que as testemunhas da ocorrência não reconheceram o pedreiro como o homem que assaltou um ônibus em Atibaia em 2006.
"A defesa esclareceu que o indivíduo preso teve seus documentos clonados e que não é o autor do delito. Foram juntados, aos autos, o auto de reconhecimento negativo de duas das testemunhas", informou o juiz em seu despacho.
Lima também se submeteu a um exame grafotécnico
para provar que a sua assinatura não bate com a do homem
suspeito de ter cometido o assalto que prestou depoimento
na delegacia de Atibaia quatro dias após o crime. O resultado
ainda não foi divulgado. Apesar de ser colocado em liberdade,
Lima continuará respondendo ao processo até a sentença final.
Procurado
Quando o prenderam, em 25 de junho, policiais civis estavam à procura de um homem condenado pela Justiça por uma assalto a um ônibus ocorrido em 2006. À época do crime, o suspeito foi reconhecido por testemunhas e levado à delegacia de Atibaia, onde apresentou uma cédula de identidade idêntica a do pedreiro. Como era apenas um suspeito, a polícia não registrou foto e nem digitais do homem, liberado após a assinatura de uma declaração.
O homem que esteve na delegacia deixou endereço falso e naturalmente não foi localizado em Atibaia. As investigações levaram os policiais a Lima, preso enquanto trabalhava em uma obra em Engenheiro Coelho.
Libertação
Lima conta que foi solto por volta das 19h de terça-feira (11).
"Procurei um orelhão e liguei para a minha esposa, que
chamou meu irmão para me buscar", afirmou.
O pedreiro chegou a sua casa por volta das 22h de
terça-feira. Mulher de Lima, a colhedora de laranjas Taciana
Lopes dos Santos afirma que ninguém chorou, mas os filhos dele,
Juliane, de 11 anos, Cassiane, de 8 anos, e Carlos Eduardo, de 6
anos, pularam de alegria. Durante toda a entrevista, as crianças
permaneceram agarradas ao pai.
"Fui dormir tarde, mas com o espírito
aliviado", afirma Lima, para quem as lembranças da prisão
vão custar a sumir. "Isso marca a gente para sempre",
afirmou.
Na primeira manhã livre, ele cortou o cabelo para
voltar ao visual de antes da prisão. "Ele é vizinho da
gente, sempre foi trabalhador. Quando foi preso, nem
acreditei", disse o cabeleireiro Ilvando Antunes dos Anjos.
Lima afirma que vai retomar a obra em que
trabalhava com o irmão antes de ser preso e fazer o que for
possível para corrigir a clonagem de sua cédula de identidade.
"Eu não sei como funciona, mas vou fazer o possível para
mudar isso", afirmou. Suplente de vereador, ele está
preocupado com a repercussão do caso em sua carreira política.
O pedreiro, que pediu dinheiro emprestado a amigos
para pagar advogados, disse que terá de vender parte do
patrimônio para saldar dívidas, mas não perdeu o bom humor.
Ao apontar o velho Kadett estacionado na garagem,
brincou: "Levei ao mecânico porque achei que o motor estava
batendo, mas ele me disse que, na verdade, está apanhando."