A Petrobras deslocou até agora cerca de 40 de seus empregados, inclusive executivos das principais áreas, para se dedicarem exclusivamente à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a empresa.

Essa tropa deve ser usada para atender as necessidades que surgirem durante a CPI, que iniciou seus trabalhos na quinta-feira (6) e investigará supostas manobras contábeis, entre outras acusações. A companhia tem hoje em torno de 74 mil funcionários.

Segundo a assessoria de imprensa, "esse grupo é formado por uma equipe que reproduz a organização da companhia".

O presidente da petrolífera, José Sergio Gabrielli, afirmou ao UOL (leia entrevista abaixo) que as atividades normais da Petrobras podem ser prejudicadas pela investigação, mas há um esforço para evitar isso.

"O ritmo das atividades da empresa poderá ser impactado. Estamos tentando separar bem os empregados que estão se dedicando integralmente à CPI do restante, para que as operações da empresa sejam preservadas e continuem da forma prevista", declarou.

Gabrielli prevê que, durante as investigações, a CPI pode "afetar a reputação da Petrobras e, evidentemente, pode enfraquecer a empresa". Mas disse que, ao final do processo, a companhia "sairá fortalecida".

UOL - Qual a expectativa do senhor em relação à CPI da Petrobras?

José Sergio Gabrielli -
A Petrobras está preparada para responder a todos os questionamentos da comissão com a máxima transparência e a máxima colaboração. Esperamos que essa CPI apresente, por seu lado, contribuições positivas para o setor.

UOL - Por que uma investigação da Petrobras por meio de CPI não seria bom para o país?

Gabrielli -
A CPI é um instrumento legítimo da democracia, mas existem regras a serem cumpridas. A CPI deve se concentrar em fatos determinados, que são a razão de sua instalação. Uma Comissão sem foco determinado e sem clareza sobre o que será investigado é inadequada e pode ser prejudicial à Petrobras. Pode afetar a reputação da Companhia.

Temos um plano de negócios a ser executado, que prevê investimentos da ordem de US$ 174,4 bilhões para os próximos cinco anos nas áreas de Exploração e Produção, Refino, Gás e Energia, Petroquímica, Distribuição e Biocombustíveis.

É evidente que a CPI deslocará a atenção da Petrobras e da opinião pública em relação à companhia, de modo que o ritmo das atividades da empresa poderá ser impactado. Estamos tentando separar bem os empregados que estão se dedicando integralmente à CPI do restante, para que as operações da empresa sejam preservadas e continuem da forma prevista.

UOL - A imagem da Petrobras está sendo ou corre o risco de ser arranhada em decorrência da CPI?

Gabrielli -
A CPI pode afetar a reputação da Petrobras e, evidentemente, pode enfraquecer a empresa. Não é possível prever o grau de enfraquecimento antecipadamente.

Volto a dizer que a CPI deve investigar apenas os fatos que embasaram sua criação. Razões e interesses políticos devem ficar de fora para evitar mais denúncias infundadas e irresponsáveis, como tantas que já foram publicadas.

De nossa parte, daremos o máximo de contribuição à CPI, respondendo a todas as questões que foram colocadas. A Petrobras comprovará a correção de seus procedimentos e sairá fortalecida ao final dos trabalhos da Comissão.

É bom lembrar que este ano, entre outros prêmios e reconhecimentos, a empresa passou do vigésimo para o quarto lugar entre as empresas mais respeitadas do mundo, segundo pesquisa divulgada pelo Reputation Institute (empresa privada de assessoria e pesquisa, com sede em Nova York). O ranking relaciona 200 grandes empresas do mundo e é realizado anualmente desde 2006.

Em 2008, a Petrobras e seus dirigentes receberam 20 prêmios de transparência, sustentabilidade, reputação, entre outros. E assim foi em anos anteriores. Certamente isso nos dá segurança. A Petrobras é uma empresa mundialmente respeitada, merecedora de dezenas de prêmios no Brasil e no exterior.