“A agência era obrigada a cuidar de minha neta. Não podia ter deixado viajar”, comentou. Amparada por outros parentes, a dona de casa disse que, apesar da indignação, ainda não pensou em processar os possíveis culpados pela morte da neta. “Nós [família] ainda não pensamos nisso. Não estamos com cabeça para isso”, completou.
A avó também reclamou do suposto descaso por parte da companhia
aérea responsável pelo retorno da jovem ao Brasil. Conforme
Neide, os pais de Jacqueline não foram procurados e ficaram
aguardando no saguão do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na
Grande São Paulo, a chegada de Jacqueline. “Meu filho e minha
nora que tiveram de ir atrás de informação [sobre a chegada da
jovem].” Segundo a dona de casa, os pais só souberam do que
aconteceu com Jacqueline quando procuraram a companhia aérea.
Procurada, a Copa Airlines, responsável pelo voo,
disse que entrou em contato diretamente com os tios da
passageira. Na lista de contatos da jovem havia o número dos
pais, mas, devido à gravidade do que aconteceu, a companhia
preferiu contatar outros parentes.
A Tia Augusta Turismo, empresa que levava a jovem,
informou que iria emitir uma nota à imprensa ainda nesta segunda
sobre o assunto. No domingo (2), a assessoria de imprensa da Tia
Augusta informou que a menina passou mal em Orlando durante a
viagem, apresentando sintomas de gripe, como náuseas.
Segundo a empresa, ela foi levada ao Celebration
Hospital, em Orlando, onde foi medicada e testada para verificar
se estava com a nova gripe. Entretanto, o teste foi negativo e
ela foi liberada pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos
para viajar, de acordo com a empresa.
Voo
Durante o voo, colegas de excursão chamaram a jovem, que não respondeu. Além do silêncio, o aspecto pálido que sua pele adquiriu chamou a atenção também da tripulação, que pediu auxílio para médicos que estivessem no avião.
Ao se voluntariar, o cirurgião Irineu Raseira Jr., 41 anos, foi socorrer a jovem. “Ela já estava em parada cardiorrespiratória”, contou. Com auxílio de outro médico que estava a bordo, o oftalmologista Aníbal Fenelon, 58 anos, tentou reanimar a jovem.Assustados com a movimentação, os outros passageiros foram acalmados pela tripulação. “Levamos a garota ao fundo do avião, onde preparam os alimentos, e tentamos novamente reanimá-la”, afirmou Fenelon. Em vão. “Às 5h05, constatamos que ela estava sem pulsação, com as pupilas dilatadas e fria”, acrescentou.