“Titanic”, “O Senhor dos Anéis”, “Alien”, “King Kong”, “O Exterminador do Futuro”. Os homens por trás desses sucessos, James Cameron e Peter Jackson, estão entre os reis dos efeitos especiais dos filmes modernos, fazendo avançar a tecnologia em imagens geradas por computador, captura de movimento e 3-D.

Eles se encontraram sexta-feira (24) no Comic-Con – o festival de cultura pop que segue até este domingo (26), em San Diego, Califórnia – para um debate de uma hora moderado pela revista “Entertainment Weekly” sobre o futuro do cinema. Compartilharam detalhes sobre seus projetos mais recentes e suas esperanças na alta tecnologia. Mas não deixaram de enaltecer o intocado deslumbramento que só histórias originais, centradas em personagens, podem causar.
 
Também trocaram afagos – um se inspirou no outro, ambos asseguraram. Cameron contou que foi o uso artístico de um humanóide gerado por computação gráfica em “Senhor dos Anéis” – ele se referia ao inesquecível Smeagol/Gollum, em especial – que o fez se debruçar sobre o projeto de "Avatar", com estreia prevista para 18 de dezembro. Jackson retribuiu a gentileza contando que a tecnologia que empregou nasceu do trabalho de imagens geradas por computação gráfica (CGI) em “O Abismo” e em “Exterminador do Futuro 2”.

Ambos são entusiastas das possibilidades dos filmes em três dimensões e planejam converter seus maiores sucessos, “Titanic” e a trilogia “o Senhor dos Anéis”, para esse formato. Ao tocar nesse tema, lamentaram a falta de telas 3-D nos cinemas. “Haverá muito mais telas 3-D quando souberem que ‘O Senhor dos Anéis’ estará disponível”, arriscou Cameron. A indústria do cinema precisa do 3-D, diz ele, para inspirar a originalidade e bombar seus lucros. Um “ecossistema 3-D” poderia ser consolidado com a conversão de grandes produções para esse formato.

“Se ‘Senhor dos Anéis’ e ‘Titanic’ ficarem disponíveis em 3-D, isso vai mandar um sinal para toda a cadeia produtiva no caminho de volta até as fabricantes de produtos eletrônicos de consumo: produza as telas, produza DVD players modificados para a tecnologia Blue Ray de modo que todos tenham acesso aos filmes em sua própria casa”, avaliou Cameron.

Isso tudo poderia revigorar as vendas declinantes de DVDs, o que daria aos estúdios a flexibilidade financeira para assumir mais riscos em material original e de vanguarda, teorizam.

“A indústria cinematográfica está nessa condição estranha de bilheteria em queda, ou assim avaliam os estúdios; os DVDs estão em baixa, há a pirataria online, há um estado geral de fragilidade”, Jackson emendou. "O que parece é que toda a indústria está jogando na defensiva no momento.”

Atrações fora da telona

Ambos continuam em busca de realizações high-tech fora do circuito cinematográfico. Jackson está desenvolvendo uma atração para os parques temáticos da Universal em torno de King Kong: os visitantes serão cercados por imagens e efeitos 3-D. Oito projetores vão emitir imagens em telas gigantes circundando o parque. O chão vai tremer quando Kong lutar com o Tiranossauro rex, por exemplo. A atração deve ser inaugurada no próximo verão (no Hemisfério Norte).

Enquanto isso, Cameron está desenvolvendo uma empresa para expandir o emprego de tecnologia de captura de movimentos, fotografia 3-D e projeção digital de eventos esportivos e musicais. “Isso pode modificar a forma como absorvemos música”, aposta.

Amor pelo cinema

Mas o primeiro amor dos dois são os filmes, mesmo sem toda a parafernália tecnológica. A mídia, repetem, é “infinitamente superior a todas as outras” por causa de seu âmago emocional – e não por causa de sua roupagem bacana, prega Jackson.

“A questão do futuro do cinema e tecnologia, para mim, é uma imensa cortina de fumaça, porque o que importa nos filmes é a história e o personagem”, disse Jackson. "Os bons filmes têm sido assim desde sempre e isso é tudo de que precisam.”