Pipoca, refrigerante e sessões de cinema. É desta forma que os psicólogos e acadêmicos de Psicologia do Hospital Escola Portugal Ramalho, ligado à Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), estão trabalhando, junto aos próprios pacientes, os transtornos mentais encontrados, mais comumente, entre os internos.
A mistura de ingredientes típicos da vida real e que até então estavam distantes do cotidiano de um hospital psiquiátrico recebeu o nome de Projeto Pipoca. O projeto-piloto, inicialmente programado para durar três meses, acontece sempre às quartas-feiras, pela manhã, em sessões que acontecem das 9h30 às 11h e reúnem profissionais do hospital, pacientes e seus familiares.
Através do Projeto Pipoca são exibidos filmes que abordam patologias e seus respectivos modos de tratamento. As sessões de cinema são apresentadas pelos acadêmicos de psicologia, sob a supervisão da psicóloga e coordenadora-geral de estágios do Hospital Escola Portugal Ramalho, Denyse Moura.
A cada semana, os acadêmicos de Psicologia decidem qual filme será exibido e se responsabilizam em providenciar a pipoca e o refrigerante que serão degustados pelos pacientes. Alíás, para os pacientes, a hora do lanche é tão importante quanto a exibição da trama cinematográfica. Cada um dos estagiários de psicologia fica responsável por cinco pacientes e seus respectivos familiares.
De acordo com a coordenadora-geral de estágios do Portugal Ramalho, Denyse Moura, o objetivo do Projeto Pipoca é trabalhar o paciente e o seu familiar no que se refere às patologias e aos cuidados necessários à continuidade do tratamento que o paciente deverá ter em caso de alta hospitalar.
“A continuidade do tratamento, a medicação, a alta e consequente ocupação do paciente são fundamentais. Tudo faz parte do processo terapêutico, ao qual o paciente precisa ficar submetido para garantir a sua saúde mental”, explicou a psicóloga Denyse Moura.
Após a sessão cinematográfica, pacientes, familiares e profissionais do Hospital Escola Portugal Ramalho, iniciam debates sobre o filme. O momento de reflexão sobre a história serve para discutir o comportamento dos personagens frente à patologia apresentada na trama e tirar dúvidas na interpretação do problema.
Projeto Pipoca
Na sessão desta quarta-feira, os profissionais, pacientes e seus familiares assistiram ao filme “Os Sem Floresta”. A trama se desenrola com a chegada da Primavera. Verne e seus amigos da floresta acordaram da sua longa hibernação para descobrir que uma coisa verde e alta apareceu misteriosamente no meio da casa deles.
É quando eles conhecem RJ, um guaxinim, que explica que o mundo além da cerca é “a passagem para uma vida maravilhosa” na qual criaturas peculiares chamadas humanos vivem para comer, ao invés de comer para viver.
Suspeitando e até com um pouco de ciúme de RJ, o cauteloso Verne quer manter a sua família a salvo no seu lado da cerca. Mas provando a tese de que a lixeira de um homem é o tesouro de outro homem — ou até animal — o manipulador RJ tenta convencer o bando da floresta que não há nada a temer e muito a ganhar dos seus novos vizinhos. Eventualmene, RJ e Verne se tornam amigos enquanto aprendem a co-existir e até explorar esse estranho novo mundo chamado subúrbio.
Projeto Caça-Talentos
Além do Projeto Pipoca, o grupo de acadêmicos de psicologia está realizando, desde o mês de junho, junto aos pacientes do hospital, a Oficina Caça-Talentos. Neste outro projeto, os pacientes revelam talentos e os ensinam aos demais pacientes.
Entusiasmada, a psicóloga Denyse Moura falou sobre a mais recente oficina realizada no hospital. Uma das pacientes, com habilidades artesanais, confeccionou objetos em diversas formas. Utilizando contas e pérolas, foram fabricados chaveiros, colares e outros bibelôs em forma de bichos, como coelho, cachorro e jacaré.