No dia seguinte ao anúncio da segunda morte pela nova gripe em Osasco, na Grande São Paulo, alguns moradores da cidade decidiram usar máscaras para ir às ruas. O G1  esteve no Centro do município no início da tarde desta sexta-feira (17) e encontrou pessoas assustadas que optaram por proteger o rosto com medo da contaminação.

“Eu estou com medo”, admitiu o supervisor Vanderlei Zandonadi Júnior, de 27 anos, que circulava com máscara por uma rua de comércio do município. Ele começou a utilizá-la na manhã desta sexta, após a confirmação da segunda morte. “Foi difícil [encontrar a máscara], fui a umas 10 farmácias e só encontrei em uma loja de cosméticos”, afirmou.

A farmacêutica Estela Ferreira confirma que a procura por máscaras aumentou muito nesta sexta-feira. “Vendi muito, hoje especificamente. Acho que umas 20 a 25 unidades”, afirmou ela, que trabalha em uma farmácia no Centro de Osasco. Segundo Estela, ainda há muitas máscaras no estoque do estabelecimento comercial.

O office-boy Daniel Blanco, de 26 anos, também circulava com o rosto protegido. “Dizem que usar máscara ajuda. Quando o Exército vai a hospital é porque a coisa não está boa”, disse, em referência ao anúncio feito nesta quinta-feira (16) pelo prefeito do município, Emidio de Souza. Tendas serão erguidas nos estacionamentos de hospitais públicos, com ajuda do Exército, para a triagem de pacientes com suspeita da doença.

Blanco disse que teve uma prima contaminada pela doença em uma viagem ao Rio Grande do Sul. Segundo o office boy, ela recebeu tratamento e passa bem. Esse é mais um motivo para a decisão de usar máscara tanto em lugares abertos quanto fechados.

O vendedor José Niton Jesus, de 19 anos, também optou pela proteção. “Eu fui ao médico por causa de uma gripe [comum] e ele me indicou usar máscara”, contou. Ele usa o acessório há três dias e admite o medo de pegar a doença. “Já morreram duas pessoas em Osasco, estou demais [com medo]”, disse.
A infectologista Marília de Deus Dias Vieira, que trabalha na Secretaria de Saúde de Osasco e no Hospital Emílio Ribas, diz que não é necessário usar máscara em ambientes abertos. “Na rua, você não precisa, não estamos em uma situação que precise usar máscara. Se quiser usar em um lugar fechado, que não tenha ventilação, é um excesso de cuidado que você pode ter”, afirma.

Casos em Osasco

Um rapaz de 21 anos e uma menina de 11 morreram no município vítimas da nova gripe. O jovem morava na cidade e fazia cursinho na capital paulista, de acordo com a prefeitura do município. Ele procurou atendimento, foi internado em 1° de julho, e morreu no sábado (11), com um quadro de pneumonia. Durante o período, não foram levantadas suspeitas de relação entre o quadro do paciente e a nova gripe.

A Secretaria de Saúde da cidade resolveu reavaliar o motivo da morte após ser confirmado, no dia 10 de julho, que a menina de 11 anos havia morrido por causa da doença. Ela deu entrada no Hospital Sino-Brasileiro em 30 de junho com infecção generalizada. A criança chegou a ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu a uma parada cardíaca.

O caso da garota, no entanto, só foi descoberto depois que o irmão, de 7 anos, apresentou sintomas da nova gripe durante o velório dela, levantando suspeitas da família. Até a quinta-feira (16), Osasco tinha 79 casos suspeitos da doença, 18 confirmados e 32 em monitoramento. Duas pessoas estavam internadas com a nova gripe, sendo uma em estado grave no Hospital Regional de Osasco.