O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou o golpe militar que tirou o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, do cargo, em junho, e acusou os Estados Unidos de patrocinarem os golpistas. O boliviano disse que "sobram documentos" relatando a intervenção americana em Honduras, por meio da atuação do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos.

"Talvez Obama não saiba isto, mas a estrutura do império continua em vigor. O que teria que ocorrer na Bolívia no ano passado, que foi um golpe civil, agora está acontecendo em Honduras. É uma agressão, uma provocação", disse ele, que realiza visita oficial ao Uruguai.

Ele e o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, assinaram nesta segunda-feira um documento pelo qual os dois governos não reconhecerão "nenhuma autoridade surgida da situação de ruptura da ordem constitucional [em Honduras]".

Nenhum país, até agora, reconheceu a legitimidade do governo interino, comandado pelo presidente do Congresso Roberto Micheletti. Contando com apoio internacional, Zelaya tenta então voltar ao poder, após ser expulso do país pelo Exército no último dia 28, com apoio da Suprema Corte e do Congresso.

Aliado de Hugo Chávez (presidente da Venezuela) e Evo Morales, Zelaya foi derrubado no dia em que planejava realizar uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição, que tinha sido declarada ilegal pela Justiça. Ele propunha a permissão ao segundo mandato de cargos eletivos, entre eles o de presidente --o que foi visto como uma forma de Zelaya se perpetuar no poder.

Os parlamentares hondurenhos disseram que Zelaya foi expulso do país por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições".

Nesta segunda-feira, Zelaya deu um ultimato ao governo interino do país para que o reemposse. Ele advertiu que, caso contrário, dará por fracassada a negociação mediada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Árias, e tomará "outras medidas".

Sem explicitar essas "outras medidas", ele exigiu que o "regime golpista" cumpra as resoluções da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o restabelecimento da ordem constitucional e sobre o seu regresso imediato à Presidência