Diretor de "Proibido Proibir" (2006) e "A Cor do Seu Destino" (1986), o chileno radicado no Brasil Jorge Durán pode até ser considerado um cineasta bissexto. Mas, ultimamente, esse consagrado roteirista tem caminhado para superar essa marca.

Conhecido por roteiros como "Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia" (1977), "Pixote, a Lei do Mais Fraco" (1981) e "O Beijo da Mulher-Aranha" (1984), todos de Hector Babenco, ele se prepara para lançar seu terceiro trabalho na direção, "Não se Pode Viver Sem Amor".

O filme, em fase de montagem, não é um projeto recente. O argumento foi escrito em 1999 e ganhou um prêmio do Ministério da Cultura. Quase dez anos, vários roteiros e uma longa dirigido depois, Duran pode retomar o projeto, que inicialmente se chamava "À Sombra do Edifício". "Contei com a colaboração de Dani Patarra (roteirista de "Batismo de Sangue") para transformar esse argumento num roteiro. Foram vários tratamentos, até chegar num ponto que eu considerava maduro para filmar", contou o cineasta de 67 anos, há quase 36 no Brasil.

Com um elenco que inclui jovens talentos, como Cauã Reymond ("Divã"), Simone Spoladore ("O Primo Basílio") e Fabiula Nascimento ("Estômago"), e veteranos como Rogério Fróes ("Vestido de Noiva"), "Não se Pode Viver Sem Amor" narra algumas horas na vida de um grupo de pessoas, pouco antes de uma ceia de Natal. "É um filme sobre pessoas e sentimentos à flor da pele. Ficamos mais sensíveis no final do ano, quando fazemos um balanço de nossas vidas. É quando afloram conflitos, a solidão fica mais evidente", descreve.

Pela primeira vez, Durán fez um filme em digital. No começo, admite que estava receoso. "Fiz as contas e, para fazer em película, sairia muito mais caro. Eu tinha medo de filmar em digital porque o resultado final nem sempre corresponde ao esperado. Mas foi um aprendizado e uma surpresa. Gostei muito e agora só pretendo trabalhar com essa tecnologia", empolga-se.

Embora não haja finalizado "Não se Pode Viver Sem Amor", ainda sem distribuidora nem data de lançamento definidas, Durán já tem uma ideia para seu próximo filme, novamente como diretor. Pretende contar uma história que se passa no deserto do Atacama, no Chile, região onde mora sua filha. "Será sobre um brasileiro fora de seu contexto. Ele tem vocação para a literatura, mas é um mecânico. Longe de casa, terá muitas experiências de vida", antecipa