O ministro José Temporão reagiu aos sindicatos que são contra o projeto que cria as fundações estatais de direito privado, feito para modernizar a gestão da rede de saúde e que permitiria a contratação de pessoal pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O projeto é do governo, mas enfrenta a resistência do PT.

Em entrevista a Evandro Éboli, publicada na edição deste sábado do GLOBO, o ministro diz que continua lutando pela aprovação da proposta. Ele admitiu, porém, que o projeto enfrenta muitas resistências no Congresso, e que a oposição a esse modelo de gestão é maior do que imaginava.

Para o ministro, o lobby de setores ligados às corporações profissionais contra o projeto tem base em argumentos "frágeis e incorretos", que sugerem que a proposta levaria à privatização.

- Há um baixo grau de compreensão do conteúdo do projeto e da importância dele. E precisamos esclarecer aos deputados que as críticas à proposta são frágeis e não têm sustentação. Há uma cruzada santa de entidades sindicais contra as fundações - disse Temporão.

O projeto de fundações estatais prevê definição de metas de qualidade no atendimento aos pacientes dos hospitais e permite a demissão de servidores por mau desempenho. Na quinta-feira, o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do ministério, Antônio Alves, comunicou ao CNS que, diante das resistências ao projeto, seria negociada proposta alternativa . Adson França, assessor de Temporão, anunciou que o ministro não brigaria mais pelas fundações.

- Houve um mal-entendido no conselho. Autorizei meus assessores a colocarem a questão do financiamento para a saúde (emenda 29) como absoluta prioridade - disse Temporão.