O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, disse nessa quinta-feira que prefere que o governante deposto Manuel Zelaya não retorne ao país, para evitar assim um "derramamento de sangue".

"Para a tranquilidade e a paz do país, eu preferiria que ele não voltasse. Não quero que haja uma gota de sangue derramada em nosso país", disse Micheletti em entrevista.

Zelaya anunciou que voltará a Honduras, com o respaldo da comunidade internacional, após ter sido derrubado no domingo pelos militares e levado à Costa Rica.

"Todos que acompanharem o presidente deposto serão recebidos com todo carinho, e ele também, porque é um irmão, mas ele tem alguns crimes pelos quais tem de pagar", reiterou o novo líder.

O Ministério Público acusa Zelaya de quatro crimes relacionados a uma consulta popular com a qual pretendia instalar uma Assembleia Constituinte, e que foi declarada ilegal por diversos órgãos do Estado. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chega amanhã a Tegucigalpa para se reunir com as autoridades do Poder Judiciário e do Ministério Público.

A OEA ficou um prazo de 72 horas a Honduras para restituir Zelaya na Presidência. Mas Micheletti reiterou que o governante deposto "não pode voltar ao comando da República", e que o Parlamento o nomeou para completar seu mandato de quatro anos, até 27 de janeiro de 2010.