Um ano depois de agentes militares colombianos disfarçados de funcionários de agências humanitárias terem resgatado Ingrid Betancourt das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), a ex-refém pediu nesta quinta-feira para que as autoridades não esqueçam das outras pessoas que continuam em cativeiro.

"Por ocasião deste feliz aniversário, desejo agradecer a Deus e prestar uma homenagem aos soldados que nos libertaram", afirmou.

Mas, segundo ela, "é preciso fazer mais".

"Pablo Emilio Moncayo e 21 outros de meus companheiros esperam milagres de nós. Não basta fazer o possível, é preciso ir além do possível".

Fabrice Delloye, pai dos filhos de Ingrid Betancourt, aproveitou a ocasião para responder às críticas de que sua ex-mulher não se interessa pelos reféns que ficaram na selva.

"Ela tem se mobilizado. Lembrem-se de que ela viajou por toda a América Latina para se reunir com os presidentes e tratar do tema", declarou.

Libertação

O Exército colombiano resgatou em 2 de julho de 2008 a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, três americanos e 11 militares que estavam em poder das Farc. Sequestrada em 2002, Betancourt era o principal "trunfo" dos guerrilheiros para negociações de trocas de prisioneiros com o governo.

No dia 17 de março deste ano, as Farc libertaram o sueco Eric Ronald Larsson, 69, o último refém estrangeiro que mantinham em seu poder. A guerrilha ainda mantém em cativeiro muitos colombianos.

Um deles é Pablo Emilio Moncayo, um soldado capturado pelos rebeldes há mais de 11 anos em um ataque a um posto militar localizado em montanhas remotas.

As Farc anunciaram em abril que planejavam libertá-lo. Na última segunda-feira, os guerrilheiros afirmaram que soltariam um outro soldado junto com Moncayo.

No entanto, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, recusou o pedido das Farc para que a senadora Piedad Cordoba, aliada do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, esteja presente em todas as libertações de reféns.

Uribe afirmou que aceitará apenas a Cruz Vermelha Internacional e a igreja católica como intermediários.

"Não entendemos porque o presidente Uribe não respeita a vida de Pablo Emilio", disse uma das irmãs de Moncayo, Tatiana, à agência de notícias Associated Press.

O soldado tinha 19 anos quando foi capturado. Ele é um dos últimos 23 militares e policiais que os insurgentes mantém em cativeiro.

Em um comunicado feito na última segunda-feira (29), as Farc ofereceram libertar um soldado que eles capturaram em abril, Josue Daniel Calvo, junto com Moncayo, e reiteraram que a senadora Cordoba deveria estar presente.

Mas Uribe prefere obter a liberdade de reféns através de resgates militares, e não por libertações unilaterais feitas pela guerrilha.

O presidente --cujo pai foi morto pelas Farc em 1983-- fez da derrota dos rebeldes um de seus principais objetivos enquanto estiver à frente do governo colombiano.

Ingrid

A franco-colombiana Ingrid Betancourt foi libertada pelas Farc em 2 de julho de 2008. Ela havia sido sequestrada em 2002 quando concorria às eleições presidenciais colombianas.

Segundo informações de ex-reféns, no cativeiro ela teria tido malária, hepatite do tipo B e leishmaniose, além de problemas de insuficiência cardíaca durante os anos que passou com as Farc.

A saúde de Ingrid Betancourt, cada vez mais preocupante, levou várias autoridades a se mobilizarem para libertá-la.

A França enviou uma missão humanitária à Colômbia, e o governo colombiano do presidente Álvaro Uribe aceitou suspender suas operações militares no sudeste do país para permitir o eventual envio de médicos.