Investir na agricultura - principalmente na produção familiar - é a
chave para a redução da pobreza e pode ajudar a solucionar as crises de
alimentos, financeira e climática. A conclusão é do relatório Investir
na Pequena Agricultura é Rentável, divulgado hoje (30) pela organização
não governamental (ONG) britânica Oxfam. O documento traça um histórico
dos investimentos na agricultura e indica a necessidade de mais aporte
financeiro e apoio tecnológico para os pequenos produtores, em especial
nas áreas com maiores dificuldades de acesso e de produtividade.
De acordo com o texto, 75% das pessoas pobres que sobrevivem com um
dólar por dia trabalham e vivem em zonas rurais e a estimativa é de que
em 2025 esse percentual ainda seja de mais de 65%. "Não é possível
reduzir a pobreza, nem estimular globalmente a agricultura e os meios
de vida rural sem renovar o compromisso público de investir mais e de
forma mais inteligente - com pesquisa e desenvolvimento agrícola, assim
como em setores de apoio: saúde, educação, infraestrutura e meio
ambiente", sugere o relatório.
Entre o fim da década de 80 e o
início dos anos 90, a ajuda internacional para o desenvolvimento da
agricultura caiu 75% e desde então o montante de recursos repassados
tem se mantido baixo se comparado a períodos anteriores. Em 2007, por
exemplo, a União Europeia doou US$ 1,4 bilhão, mas investiu
"assombrosos US$130 bilhões" em seus setores agrícolas internos,
segundo a Oxfam.
Em 2008, de acordo com a ONG, apenas US$ 1
bilhão dos US$ 12 bilhões prometidos pelas nações ricas chegaram de
fato aos países pobres para lidar com a crise alimentar global. Outra
crise, a financeira, pode agravar ainda mais a situação, diante da
redução das reservas dos países e dos grandes aportes realizados para
salvar instituições e a oferta de crédito. "A comunidade de [países]
doadores está esgotando seus fundos, enquanto os governos nacionais
veem seus depósitos minguarem".
As soluções, segundo a Oxfam,
devem ser compartilhadas entre governos, empresas e o terceiro setor e
além de garantias de mais investimentos, passam por medidas como o
desenvolvimento de mercados locais de sementes e o fortalecimento de
organizações de pequenos produtores.
A ONG defende ações
prioritárias para os agricultores que vivem nas chamadas áreas
marginalizadas - ambientes remotos, com terras frágeis e degradadas e
sem acesso a serviços básicos como água, saúde e educação.
"Os
agricultores de zonas marginais são os que mais cuidam das terras mais
degradadas, conservam a biodiversidade agrícola e manejam alguns dos
solos mais frágeis do mundo. São aliados cruciais na luta contra as
mudanças climáticas".
O relatório também mostra a necessidade
de apoio a tecnologias de baixo custo, o fortalecimento dos direitos
trabalhistas, com legislações que garantam mais proteção aos
trabalhadores da agricultura, além de investimentos direcionados para
as mulheres.
O documento da Oxfam foi apresentado um dia antes
da Assembleia da União Africana, que começa amanhã (1º) na Líbia e terá
como tema principal o investimento em agricultura para garantir
segurança alimentar e crescimento econômico.
Relatório mostra que investir na agricultura é chave para reduzir pobreza
30/06/2009, 09:18 - Brasil/Mundo
Por gilcacinara
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