Três pessoas foram presas pela Polícia Federal em Goiânia por suspeita de falsificar documentos em uma agência de turismo de fachada para agilizar vistos para a América do Norte. O grupo conseguiu retirar crianças do país ilegalmente, segundo a PF. As prisões foram feitas nesta quarta-feira (24).

Pelo menos dois irmãos, um menino e uma menina, com menos de 12 anos, viajaram para os Estados Unidos com o próprio dono da agência, que fingiu ser pai das crianças, diz o delegado da PF Luciano Dornelas. Além do dono da agência, foram presos o contador e uma funcionária.

Há indícios de que outras seis crianças tenham deixado o país. Elas estão na lista de pessoas que pediram visto por meio da agência e ainda não foram encontradas no Brasil, de acordo com o delegado.

Segundo ele, as crianças podem ter sido levadas a parentes que vivem ilegalmente nos Estados Unidos, encaminhadas para adoção ou vítimas de tráfico de órgãos. Essa última hipótese é considerada porque o nome delas não foi encontrado em nenhum programa assistencial ou escola americana.

Pelo pacote completo de documentos falsos encaminhados às embaixadas, a agência cobrava em média R$ 2.000 aos clientes, segundo a PF. A quadrilha forjava CPFs, carteiras de identidade, autorizações de viagem para menores e extratos bancários.

A investigação começou a partir de informações da embaixada americana, que constatou documentos falsos em 41 solicitações de visto encaminhadas pela agência de fachada. Outros 40 pedidos com documentos falsos foram feitos pelo grupo à Embaixada do Canadá, diz a PF.

Os presos devem responder por crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e retirada ilegal de crianças do país. Segundo a PF, a pena pode chegar a 15 anos de prisão. A Folha não conseguiu localizar ontem advogados dos suspeitos detidos.