O Chile aguarda uma explicação das autoridades brasileiras depois da recomendação feita a seus cidadãos para evitar viagens a Chile e Argentina, devido ao contágio da gripe suína, disse nesta quinta-feira (25) o diplomata Alberto van Klaveren.
"Francamente esperamos que estas recomendações feitas pelo ministro da Saúde brasileiro sejam objeto de alguma explicação", afirmou o diplomata.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, recomendou na tarde de terça-feira (23), quando esteve em São Paulo, que sejam adiadas as viagens para países com risco de contaminação pela gripe suína, entre eles Argentina e Chile.
Segundo Van Klaveren, o embaixador do Chile no Brasil, Álvaro Díaz, expressou a autoridades brasileiras a "preocupação" causada no governo chileno com essa recomendação do ministro.
No Brasil, a gripe suína --a chamada gripe A (H1N1)-- já contaminou 452 pessoas, segundo o boletim desta quinta-feira (25) do Ministério da Saúde.
O Chile teve, até domingo, 5.186 casos de gripe suína confirmados e um número indeterminado de casos sem confirmação, além de sete mortos. A Argentina soma 21 mortos, 1.391 casos positivos e 967 em testes.
Os dois países enfrentam o início do inverno austral, que favorece a propagação do vírus e de outras enfermidades respiratórias.
Fronteira
Como forma de combater a gripe suína no país, as ações de controle em fronteiras do Sul com a Argentina estão sendo intensificadas.
Fiscais da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) passaram a controlar agora também a chegada de caminhoneiros ao Brasil. Anteriormente, o foco era apenas os passageiros de ônibus.
O órgão diz também que é prioridade cadastrar os passageiros de ônibus para facilitar a localização de quem viajou em poltronas próximas a pessoas que desenvolveram sintomas da gripe.
Sintomas
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).