Cerca de cinquenta artesãos foram cadastrados pela equipe técnica da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística (Sedec), nesta sexta-feira (26). O levantamento dos dados faz parte da realização do Censo dos Artesãos que tem o objetivo de identificar a situação da atividade no estado de Alagoas, sendo base para a criação de políticas públicas.

Os dados recolhidos também abastecerão o arquivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que detém o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), organismo executor direto do segmento na esfera federal. Além disso, os dados são utilizados para a confecção da Carteira do Artesão, documento que identifica o profissional, garantindo alguns direitos como a comercialização do produto com a isenção de ICMS.

A Sedec atua na área de artesanato por meio da Diretoria de Design e realiza parcerias com associações e instituições para o desenvolvimento e geração de postos de trabalho e renda. A ação desta sexta-feira ocorreu com o apoio da Agência de Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável de Coruripe (Adelisco), da cidade de Coruripe, que organizou a viagem dos artesãos a Maceió.

Para o presidente da Adelisco, Manoel dos Santos, a realização de parcerias é muito importante, “sem esta iniciativa a gente não sobrevive. Estamos com a Sedec há muitos anos”. Manoel considera que a pesquisa é fundamental para melhorar a vida do artesão, já que as informações servirão como base para criação de programas que beneficiem os profissionais. “O potencial existe, o que falta é a melhoria das condições de trabalho”, afirma o presidente, acrescentando que a mudança de postura do artesão também é questão fundamental no desenvolvimento do artesanato como atividade econômica: “Ele não colocou na cabeça que é um pequeno empresário, mas é”.

Desde os sete anos de idade, a artesã Leide Santana dos Santos maneja a palha de ouricuri para transformar em peças decorativas e acessórios femininos, como mandala, bolsa, frasqueira, porta-jóias, etc. Leide explica que a atividade recebe apoio, mas, a comercialização dos produtos somente ocorrem na alta temporada, com a cidade sem turistas “a gente fica sem vender”. “Nós não paramos a produção, mas o produto não tem saída”, lamenta a artesã.

Outra técnica desenvolvida pelos artesãos de Coruripe é com a fibra da bananeira. A presidente da Associação dos Moradores Vida Nova, Ezilda da Silva Tavares, explica as possibilidades de confeccionar diversos produtos com a fibra, como puff, bolsas, tapetes, jogo americano, almofadas, etc. Ezilda da Silva Tavares também fez questão de participar do cadastramento, já que, com a Carteira do Artesão poderá adquirir empréstimos para incremento dos negócios e também contribuir para o INSS, uma segurança para o futuro.