Tanto quanto homenagem a dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança, a missa
celebrada nesta tarde, na Igreja do Carmo, pelo cardeal arcebispo do
Rio de Janeiro, dom Orani
Tempesta, foi uma oportunidade para que nobres e monarquistas
brasileiros lamentassem a perda de uma liderança jovem, que consideravam capaz de conduzir a luta pela restauração da
monarquia no Brasil.
Na
igreja, lotada por cerca de 600 pessoas,estavam o chefe da Casa
Imperial de Orleans e Bragança, dom Luiz, o
príncipe imperial, dom Bertrand, os pais do jovem, dom.Antônio e dona
Christine, e seus irmãos dom Rafael, dona Amélia e dona Maria Gabriela.
O príncipe Pedro Luiz, de 26 anos, foi uma das vítimas do voo 447 da
Air France, que caiu no Oceano Atlântico quando fazia a rota Rio-Paris.
A missa de sétimo dia foi encomendada pela avó paterna, dona Maria
Elizabeth, de 95 anos, conhecida como Maria da Baviera, por sua origem
alemã. Era em sua casa, no bairro da Lagoa, que o príncipe costumava
se hospedar no Rio de Janeiro.
"A perda de dom Pedro Luiz é enorme,
proporcional à expectativa depositada nele. Tinha perfeita noção da sua
responsabilidade, no caso da restauração da monarquia no Brasil. Era
muito bem preparado. Formou-se com louvor, fez
pós-graduação e estava trabalhando e estudando em Luxemburgo, graças ao
tio dom Henrique, irmão de dona Christine, grão-duque da casa reinante
naquele pequeno país”, disse a vice-chanceler do
Diretório Monárquico do Brasil, Maria da Glória do Nascimento Souza.
A maioria dos monarquistas presentes à missa está no Rio para o encontro anual de junho,
em que se comemora o aniversário do chefe da Casa Imperial. Embora dom Luiz more em São Paulo, é na antiga capital
do império que os monarquistas se reúnem para analisar a situação política, econômica e social do Brasil. Da mesma
forma, fiel à tradição, a missa foi celebrada na recém-restaurada
Igreja do Carmo porque lá dom João VI foi aclamado rei do Reino Unido,
em 1818, depois da morte da mãe, a rainha Maria I, a Louca. No
Carmo, também, foram coroados os imperadores Pedro I e seu filho Pedro II.
“Os monarquistas em todo o país estão mobilizados para
a coleta das 100 mil assinaturas exigidas pela legislação eleitoral
para a criação de um partido político que os represente”, disse Maria da
Glória, ao lembrar que, no plebiscito de 1993, para escolha
da forma de governo, a república recebeu 44,5 milhões de votos e
a monarquia, 6,8 milhões. “Mais
do que o suficiente para fundarmos nosso partido. As pessoas em geral
pensam que os monarquistas não vivem na realidade, mas isso não
corresponde à verdade. Nós trabalhamos e cumprimos nossas obrigações,
como todo mundo na sociedade”.
A
curta vida de
Pedro Luiz de Orleans e Bragança parece confirmar as palavras de Maria
da Glória. Filho e neto de
nobres que sempre tiveram de trabalhar, também ele estudava e era
empregado num banco luxemburguês, até morrer em um acidente aéreo,
quando
voltava para a Europa depois de passar uns dias com a família em
Petrópolis. Seu pai, dom Antônio, é filho de dom. Pedro Henrique
(falecido), que veio da Europa com a esposa, Maria da Baviera,
fugindo do nazismo. Com a ascensão do nacional-socialismo na
Alemanha, primeiro eles foram para a França, mas, com a guerra e a
ocupação alemã, vieram para o Brasil. Com as economias de que
dispunham,
estabeleceram-se em Vassouras, no interior fluminense, e mais tarde
também no Paraná.
Dom Pedro Luiz foi substituído na linha
sucessória pelo irmão mais novo.Rafael, de 23 anos, que, a exemplo
dos nobres europeus, também tem estudo e preparo para enfrentar as
obrigações nobiliárquicas. No encontro anual monárquico, é ele quem
deve fazer o discurso em nome da família. Na missa, recebeu com toda a
solenidade, ao lado dos pais, as condolências do embaixador e do cônsul
belgas, dos parentes da mãe, os Ligne, dos monarquistas e de amigos,
como Lily Carvalho, viúva do jornalista Roberto Marinho, que fizeram questão de comparecer à Igreja do Carmo.
Missa por dom Pedro Luiz reafirma valores da monarquia brasileira
10/06/2009, 21:18 - Brasil/Mundo
Por gilcacinara
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