Uma força-tarefa foi montada em Recife para identificar as vítimas do acidente com o Airbus A330-200 da Air France que caiu há uma semana no Oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo, sendo que 16 corpos já foram retirados do mar e chegarão amanhã ao arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

O grupo especial é formado por membros da Polícia Civil de Pernambuco e por papiloscopistas da Polícia Federal (PF).

A fragata "Constituição", que transporta os 16 cadáveres recuperados no fim de semana, navega hoje rumo a Fernando de Noronha e, a cerca de 300 quilômetros do arquipélago, transferirá os restos mortais a um helicóptero para agilizar o processo.

A demora no transporte se deve ao fato de que as operações de resgate, que se concentram na zona onde se acredita que o Airbus caiu, ocorrem a cerca de 700 quilômetros de Fernando de Noronha e a 1.296 quilômetros de Recife.

"Os corpos serão submetidos em Fernando de Noronha a um tratamento pericial inicial para serem transportados de avião até Recife", diz um comunicado conjunto da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha.

A nota esclarece que o número de cadáveres retirados do mar é de 16 e não de 17, como havia sido informado no domingo.

A correção ocorreu porque a fragata francesa "Ventose" recolheu ontem sete cadáveres e não oito, como foi relatado inicialmente.

Em entrevista coletiva hoje em Recife, os porta-vozes da FAB e da Marinha disseram que, de agora em diante, só contabilizarão os corpos que estejam a bordo de navios brasileiros e não divulgarão mais detalhes dos mesmos, tais como o sexo.

A identificação dos cadáveres está a cargo das autoridades brasileiras, enquanto que a investigação das causas do acidente corresponde à França, país ao qual serão entregues os restos da aeronave recolhidos do mar, entre os quais figura um pedaço da parte traseira do avião com as cores da Air France.

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que montou uma operação especial para que as tarefas de identificação que serão realizadas no Instituto Médico Legal (IML) de Recife possam ocorrer de forma mais ágil.

O IML da capital pernambucana disse que dispõe de 329 papiloscopistas, 105 médicos legistas e 167 peritos, sem contar com os oito especialistas enviados de Brasília pela Polícia Federal, para trabalhar na identificação.

A PF iniciou no último final de semana os trabalhos de coleta de amostras de saliva e de cabelo dos familiares das vítimas que viviam no Brasil para fazer exames de comparação genética que possam ajudar na identificação.

Uma equipe da Polícia Federal também foi enviada a Fernando de Noronha para assumir as tarefas de "catalogação" das vítimas.

Além disso, se estuda a possibilidade de pedir aos cerca de 30 países que têm cidadãos entre as vítimas do voo AF447 que enviem as impressões digitais dos mesmos e, se possível, amostras que permitam uma comparação genética.

As buscas por partes do avião e pelos corpos estão a cargo de 14 aviões, sendo 12 deles da FAB e os outros dois da França, assim como de cinco navios da Marinha e da fragata francesa "Ventose".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje em seu programa semanal de rádio "Café Com o Presidente" que o Brasil fará "todos os esforços a seu alcance" para resgatar todos os cadáveres.

"O Governo vai continuar fazendo o esforço, através da Marinha e da Aeronáutica, para que possamos encontrar, se possível, todos os corpos", afirmou Lula.