A morte de quatro pessoas do Rio é um exemplo de como a vida pode ser completamente imprevisível, para o bem ou para o mal. Até quinta-feira passada, Luciana Seba e seu marido, Paulo Valle, não sabiam que iriam a Paris. A viagem foi um presente surpresa do pais de Paulo, o engenheiro Francisco Eudes Valle e a arquiteta Maria de Fátima Valle. O grupo seguiria para a capital francesa para encontrar a irmã de Paulo, Juliana. Ela, que mora em Pequim, estaria em Paris com o marido, que participaria de um congresso. A reunião familiar com a filha que mora do outro lado do mundo acabou não acontecendo.
"Ela estava muito feliz com a surpresa. Eu nunca imaginei viver isso com alguém tão próximo de mim. Por mais que eu sofresse ao ver esse tipo de notícia, era uma dor sem rosto", disse Roched Seba, primo de Luciana.
Paulo, de 30 anos e Luciana, de 31, estavam casados há três anos e planejavam para breve o primeiro filho. Ela é filha única no médico Osvaldo Seba e da pedagoga Laís Seba. Luciana é de uma família tradicional de Niterói e seu avô, Roched Jacob, foi diretor durante 42 anos do Instituto Vital Brazil.
Ela trabalhava como
psicóloga da Santa Casa da Misericórdia e estava montando um
consultório próprio na Barra, onde morava com o marido. Luciana também
era professora num curso preparatório para concursos públicos. Paulo e
o pai eram sócios da TLW Combustíveis, no Centro do Rio. Nenhum
funcionário da empresa quis falar sobre o acidente. Roched foi
escolhido pela família como porta-voz. Especialista em terapia
cognitiva, Luciana se formou na Universidade do Estado do Rio de
Janeiro e estudou no Colégio São Vicente de Paula. Passou a vida em
Niterói e só saiu de lá quando se casou.
"Luciana
adorava viajar. Ela estava num momento muito especial de sua vida,
cheia de planos", diz o primo Mario de Seba, padrinho de casamento dos
dois.
Francisco Eudes tinha 58 anos e era de Reriutaba,
Ceará. Radicado no Rio há pelo menos 30 anos, dirigia a transportadora
de combustíveis TLW junto com o filho. Uma prima de Eudes, a professora
Isabel Mesquita da Costa, que mora no Ceará, diz que Paulo não queria
viajar. "Ele só foi por insistência dos pais e da irmã", diz Isabel.
Paulo alegou que tinha problemas a resolver no trabalho, mas acabou
cedendo. Eudes planejava passar mais 10 dias em Paris de férias com a
mulher depois de encontrar a filha. Juliana, que buscaria a família no
aeroporto, só soube da tragédia quando chegou ao Charles de Gaulle.