O Ministério Público Estadual denunciou a vereadora Fátima Santiago por crime eleitoral e formação de quadrilha. Ela e mais 13 pessoas foram alvo da ação da Promotoria Eleitoral da 54ª Zona de Maceió com base em um inquérito policial aberto pela Polícia Federal. Foram feitas gravações e a apreensão de um cadastro de eleitores que beneficiaria a campanha da vereadora. As investigações apontam a existência de um esquema para compra de votos na região do Tabuleiro durante a campanha de 2008. Por cada voto era paga a quantia de R$ 30.

A promotora de Justiça Norma Tenório de Melo explicou que todos foram denunciados no artigo 299 da Lei 4.737/65, que instituiu o Código Eleitoral. Nele está previsto que é crime “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”. Eles podem pegar até quatro anos de reclusão, além do pagamento de multa.

Segundo a denúncia, a vereadora Fátima Santiago contratou pessoas de confiança para selecionar eleitores e produzir listas com cadastros de possíveis vendedores de votos. Essa ação era efetuada ao lado de Luiz Henrique dos Santos, Silvana Maria dos Santos, Lucilene de Oliveira e Adenilson de Carvalho – que foram denunciados por formação de quadrilha. E foi a própria Silvana Maria dos Santos quem procurou a Justiça Eleitoral para denunciar o esquema – já que não teria recebido o valor acertado pela prestação de serviço na campanha da vereadora, e que vinha sendo ameaçada por eleitores por não ter repassado o dinheiro prometido pela venda dos votos.

PROVAS - Inclusive a Polícia Federal apreendeu várias fichas cadastrais relacionadas à candidata Fátima Santiago, contendo dados pessoais de inúmeros eleitores, acompanhadas de fotocópias dos títulos eleitorais. A PF também apresentou no inquérito uma gravação onde a combinação de venda de votos também é negociada por Lucilene de Oliveira, que se apresenta como assessora da vereadora. O levantamento aponta que um esquema parecido foi utilizado na eleição de 2004, quando a vereadora foi eleita.

Também foram denunciados por venda de votos: José Fernando dos Santos Silva, Liliane dos Santos Silva, Edilene Gomes do Nascimento, José Martins Costa Filho, Luciano Juvino Oliveira dos Santos, Gedalva Maria de Carvalho, José Aldo da Silva Cordeiro, Elaine Cristina Carvalho de Freitas e Genilson Carvalho dos Santos. A maior parte deles apresentou uma versão fantasiosa para justificar o nome no cadastro da vereadora. Eles contaram que forneceram os dados para um cadastro de recebimento de casas populares. Este grupo não foi denunciado por formação de quadrilha.