O Corpo de Bombeiros localizou, agora há pouco em Cocal (PI), o corpo de José Francisco Alves dos Santos, 36 anos. É a quinta vítima da enxurrada causada pelo rompimento da barragem Algodões I.

Ele era morador da comunidade Angico Branco para onde o corpo será transportado. Com isso, diminui para três o número de pessoas desaparecidas. Até a noite de ontem, esse número era de 11 pessoas.

As últimas informações da Defesa Civil são que 2.853 pessoas foram atingidas pela enxurrada, sendo 2.000 desabrigados e 953 desalojados. Ao todo, 120 casas ficaram destruídas.

A enxurrada também provocou uma erosão nas cabeceiras da ponte sobre o Rio Pirangi, na rodovia BR-343. A água deixou ontem um rasgo de cerca de 50 metros nos dois lados da ponte. O local está a 5 quilômetros da cidade de Buriti dos Lopes e a 30 quilômetros de Parnaíba, deixando isolada toda a região litorânea do Piauí.

O acesso a Parnaíba e Luís Correia, no litoral do Estado, está sendo feito pela BR-222, que liga Piripiri a Tianguá (CE), de acordo com o chefe de Serviço de Engenharia da Superintendência Regional do Piauí, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Ismar Portela Santos.

Patrulheiros do posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-343, em Piripiri, estão orientando os motoristas a fazerem um desvio pela BR-222 em direção a Tianguá (CE), segundo Ismar Santos. De Tianguá, os motoristas devem seguir por estrada estadual cearense até Cocal (PI) e de lá, a Parnaíba.

Ismar Santos disse ainda que uma equipe de engenheiros e técnicos do Dnit está na região da ponte que teve as cabeceiras destruídas. Ele explicou que o trecho só poderá ser reconstruído depois que as águas baixarem. A previsão é de que esse trabalho comece domingo (31).

Segundo o governo do Estado, apesar de deixar cerca de 100 famílias da zona rural de Buriti dos Lopes isoladas, não houve registro de mortos. Buriti dos Lopes deve continuar sem fornecimento de energia elétrica pelo menos mais dois dias. A previsão foi feita pelo engenheiro eletricista Bernardo Teles, gerente regional da Companhia Energética do Piauí (Cepisa).

O motivo é que as obras de reconstituição dos postes, derrubados pela enxurrada, não podem ser iniciadas, porque em algumas regiões do município de Cocal ainda existe uma grande quantidade de água. Dezoito postes da linha principal de distribuição de energia elétrica foram derrubados pelas águas da Barragem Algodões I.

Inquérito
A presidente da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), Lucile Moura, informou que o governador Wellington Dias determinou a criação de um comitê técnico para avaliar o ocorrido na Barragem Algodões I, no município de Cocal. Segundo ela, foi determinado pelo governador que a Secretaria de Segurança instaure um inquérito para apurar as responsabilidades pelo desabamento.

A empresa responsável pela construção da barragem, a Getel, já foi notificada. De acordo com a Emgerpi (Empresa de Gestão de Recursos do Piauí), a barragem tinha 10 anos de funcionamento, mas a garantia prevista sem que ocorressem danos era de 15 anos.

300 famílias isoladas
Mais dois helicópteros, um do Maranhão e outro do Ceará, devem seguir hoje para Cocal para auxiliar no deslocamento das 300 famílias que estão isoladas. No município, já existem dez abrigos provisórios funcionando em escolas e ginásios de esportes, e dois helicópteros do governo estadual estão sendo utilizados no transporte de alimentos e no resgate da população afetada.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, já disponibilizou cestas e alimentos, material de limpeza e colchões, cobertores, travesseiros e filtros. Desde ontem, técnicos da órgão estão no Piauí para ajudar nas ações de retirada da população das áreas de risco e no levantamento dos danos materiais e humanos causados pelo rompimento da barragem.