O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fez duras críticas nesta quarta-feira, dia 27, a parlamentares da chamada bancada ruralista no Congresso. Durante um discurso em um ato que reuniu cerca de quatro mil pessoas ligadas a Confederação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contag), na Esplanada dos Ministérios, Minc, segundo a rádio CBN, chegou a chamar os representantes dos médios e grandes produtores de vigaristas e afirmou que é preciso uma aliança entre agricultores familiares e ambientalistas.
"Não podemos criminalizar a agricultura familar. Hoje em dia quem ameaça os nossos grandes biomas é o latifúndio, é quem tem 100 mil, 200 mil hectares. Monocultura, queimada, agrotóxico, acaba com o Serrado, acaba com a Caatinga, acaba com o que restou da Mata Atlântica. Nós temos que ter uma mão pesada com os grandes desmatadores e ter um olhar de solidariedade com quem tem menos meios, menos terra e produz 70% dos alimentos que vão para a mesa do trabalhador brasileiro", afirmou Minc.
Com um boné da Contag, uma das entidades que organizam o Grito da Terra, Minc afirmou que tem uma “ligação histórica” com a reforma agrária.
"A boa aliança é com o meio ambiente, com a preservação. Os ruralistas encolheram o rabinho de capeta e agora fingem defender a agricultura familiar. É conversa para boi dormir. Não se deixem enganar. Não é a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) que fala em nome da agricultura familiar, é a Contag e outros movimentos sociais", afirmou.
Os agricultores familiares cobram do governo federal uma pauta de reivindicações com mais de 260 itens que foi entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mês passado. Um dos pontos mais importantes é o aumento das áreas destinadas à reforma agrária e a agilidade na liberação de verbas para as cidades atingidas pelas enchentes no Norte e Nordeste e pela seca no Sul do país. Eles também pedem mais crédito para a produção de uma política de preços que garanta renda ao produtor.
Minc anunciou que o presidente Lula vai assinar no dia 5 de junho um projeto que garante pagamento por serviços ambientais aos agricultotres. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, devem receber os trabalhadores ainda nesta tarde.