Nesta terça-feira (26), a Cooperativa Terragreste recebeu a certificação orgânica da Ecocert, uma certificadora francesa de produtos orgânicos, com sede em Santa Catarina. A solenidade de entrega foi em Arapiraca e reuniu cerca de 100 pessoas entre agricultores familiares, agrônomos, técnicos, professores e alunos da Universidade Federal de Alagoas.

Durante cerca de cinco anos, os associados receberam acompanhamento de consultores e capacitações para saírem da produção convencional e de fato passarem à produção orgânica. De acordo com Thércio Vieira Almeida, engenheiro agrônomo e consultor do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL), dois anos é apenas o tempo médio para que haja uma “desintoxicação” do solo e os novos hábitos sejam também implantados. 

“Este tempo é importante. O solo passou muito tempo recebendo produtos químicos e precisa passar por uma ‘espécie’ de porvil, além disso, os agricultores não devem mais usar agrotóxicos e quaisquer produtos de origem química para prevenir e eliminar pragas. Ações como construir uma cerca viva, sequência de plantas de porte pequeno ou médio, com o propósito para fazer barreira a fim de evitar qualquer contaminação por parte das propriedades vizinhas, utilizar torta de mamona e pó de rochas como adubo orgânico, são alguns dos recursos básicos utilizados na prática de produção de orgânico”, explicou Thércio.

O Selo da Ecocert atesta que a produção orgânica está sendo realizado de acordo com as regras determinadas pela Instrução Normativa 007/99 – MAPA e Lei 10.831/03 e tem validade de um ano. Após este tempo, a produção passa por uma nova “inspeção” para averiguar se a cooperativa continua atendendo aos padrões de produção de orgânicos, caso continue, a certificação é renovada por mais um ano. 

De acordo com Adriana Spenner, gestora do Arranjo Produtivo Local de Horticultura (APL), o selo de certificação é uma forma de garantir ao consumidor que o produto foi produzido de acordo com normas que regem a produção orgânica. “O selo dará mais visibilidade aos produtos porque é uma forma de assegurar que ele é de fato orgânico. Com certeza, também será uma ferramenta para conquistar novos espaços no mercado, alguns supermercados exigem este selo para que os produtos cheguem às suas prateleiras”, explicou a gestora.

O APL Horticultura foi lançado em outubro do ano passado e abrange sete municípios do agreste alagoano - Arapiraca, Feira Grande, Limoeiro de Anadia, Taquarana, São Sebastião, Lagoa da Canoa e Junqueiro - beneficiando cerca de 800 agricultores. O APL Horticultura integra o Programa de Desenvolvimento para Territórios e Arranjos Produtivos Locais de Alagoas (PAPL), desenvolvido pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan), SEAGRI e o Sebrae/AL.

“A entrega da certificação representa a formatura de um grupo que começou a trabalhar há muito tempo e hoje colhe frutos. Trabalhar com orgânico é uma nova forma de ver a vida e é isso que faz a diferença”, disse Renata Fonseca.

Para José Edson, presidente da Terragreste, o selo é uma forma de trabalhar com mais responsabilidade, mas segundo ele, chegar até aqui não foi fácil. “Precisamos passar por muitos cursos e consultorias para entendermos a necessidade da mudança de hábito. Mas, acredito que a partir de agora outros irão se interessar. Insisto na agricultura orgânica porque, acima de tudo, estou dando o meu ‘suor’ para a saúde de outras pessoas e a preservação do meio ambiente”, destacou Edson. 

Além da entrega da certificação à Terragreste, na oportunidade, foi realizado o lançamento do Projeto de Adequação de Produçãopara Certificação Orgânica de novos Produtores Rurais da Região Agreste de Alagoas. O projeto faz parte das ações do APL Horticultura e é uma realização do Sebrae em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura e Desenvolvimento Agrário (Seagri) e da SEPLAN, a Prefeitura Municipal de Arapiraca, contando com o apoio do Instituto Cooperforte, entre outros parceiros. Com esta ação serão beneficiados mais 20 produtores, com a certificação orgânica.

“O projeto é uma forma de repetirmos esta experiência exitosa com outros agricultores”, afirmou Rita de Cássia, superintendente de Assistência Técnica e Extensão Rural da Seagri.