Mais de 2 mil pessoas participaram, na manhã deste domingo, em Curitiba, de uma passeata em homenagem às vítimas do acidente envolvendo o deputado estadual Fernando Carli Filho (PSB). Na colisão, os jovens Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida morreram na hora. Concentrados na esquina das ruas Monsenhor Ivo Zamlorenzi e Paulo Gorski, local exato do acidente, os manifestantes, liderados pelos familiares dos dois rapazes, cobraram justiça e pediram punição ao deputado, que ainda não foi indiciado.
No último dia 7, o carro dirigido por Carli colidiu, em alta velocidade, com outro automóvel em que estavam os jovens. Na segunda-feira, foi divulgado o resultado do exame de dosagem alcoólica que comprovou que o deputado estava embriagado na madrugada do acidente.
Após um minuto de silêncio em memória das vítimas, os participantes da caminhada depositaram rosas em um poste na esquina do acidente e partiram, cantando músicas religiosas, em direção ao Parque Barigui. Lá, Cristiane Yared, mãe de Gilmar Rafael, subiu ao carro de som para agradecer e fazer um apelo aos curitibanos. "Vamos mudar a história desse país. Conscientizem os teus que dirigir bêbado é crime", declarou. "Não estamos querendo vingança. Estamos querendo Justiça, verdade", prosseguiu.
Cristiane voltou a falar sobre ameaças que têm recebido de autoridades estaduais para não ir tão fundo contra o deputado. "Essa é uma caminhada difícil, contra os poderosos. Mas não vão me calar com recados ou telefonemas. Nós somos os patrões desses poderosos", declarou a mãe da vítima, que anunciou que iniciará um movimento por um projeto de lei de iniciativa popular para reduzir a imunidade parlamentar.
Quem explicou melhor a idéia foi o advogado da família, Elias Mattar Assad. "Imunidade parlamentar é para assegurar a independência do detentor do mandato, para que ele não sofra pressão, para que possa expor suas idéias e projetos com segurança. Mas para crimes como esse, essa imunidade vira impunidade. Temos que restringir a abrangência dessa imunidade. Um parlamentar que dirige bêbado e mata dois, tem que ser punido igual ao cidadão comum", declarou.
Assad disse acreditar que não será necessário o projeto de iniciativa popular. "Claro que teria um peso muito grande, se conseguirmos mais de um milhão de assinaturas para propor o projeto, mas acredito que as autoridades já estão atentas a isso e a iniciativa pode partir do próprio parlamento", declarou.
Assad também informou que, a partir da notícia da melhora do estado de saúde do deputado, que já foi transferido para um quarto do Hospital Albert Einstein,