O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou enfaticamente ontem em
Pequim a possibilidade de disputar um terceiro mandato, diante da
eventual inviabilidade da candidatura presidencial da ministra da Casa
Civil, Dilma Rousseff, por conta de seu estado de saúde. "Eu não
discuto essa hipótese. Primeiro, porque não tem terceiro mandato e,
segundo, porque a Dilma está bem", afirmou Lula pela manhã, pouco antes
de deixar a China rumo à Turquia.
Lula disse que conversou ontem
à noite com o médico da ministra, Roberto Kalil, e foi informado de que
as dores haviam passado. "Foi uma reação à quimioterapia e os médicos
disseram que não tem nenhum problema", observou. "A Dilma vai fazer a
quimioterapia dela, mas ela está totalmente curada. Não tem problema."
A
ministra foi internada na madrugada de terça-feira no Hospital Sírio
Libanês em São Paulo com fortes dores na perna, efeito colateral da
quimioterapia a que ela se submete. Dilma teve alta ontem, mas deve
reduzir seu ritmo de trabalho.
Mesmo com as declarações
enfáticas de Lula em Pequim, em Brasília, a parte da base aliada ao
Planalto que defende mais uma reeleição para o presidente não se
desarmou no Congresso. O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) continuou
ontem a coletar assinaturas para sua proposta de emenda constitucional,
que se aprovada possibilitará a Lula a sexta candidatura consecutiva
desde o fim da ditadura militar.
"Já tenho 178 assinaturas de
apoio ao projeto e um monte de gente querendo aderir", disse Barreto,
que pretende apresentar a proposta no fim do mês. Já o deputado Devanir
Ribeiro (PT-SP) informou que não mais apresentará seu projeto de
convocação de plebiscito para a população decidir se quer ou não um
terceiro mandato para Lula. "Ele me desautorizou a continuar. Então,
não existe mais nenhum projeto Devanir Ribeiro."
Mesmo com as
advertências de Lula, e com a desistência de Devanir, o deputado Carlos
Willian (PTC-MG) faz clara defesa de um terceiro mandato para todos que
encontra, assim como Fernando Marroni (PT-RS).
Para completar
o pacote, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentou ontem projeto
que muda a Lei Eleitoral e reduz de um ano para seis meses o prazo para
a troca de partidos. Assim, em vez de todos se definirem até setembro,
como determina a lei, poderiam fazer as mudanças até abril.
"O
que quis foi dar uma chance a todos para que possam optar pelo partido
já bem próximo da eleição", explicou Cunha. Na prática, serviria, por
exemplo, para uma hipotética mudança de partido por parte do governador
de Minas, Aécio Neves, caso seja preterido pelo PSDB para disputar a
Presidência.
NA LINHA DE FRENTE
Jackson Barreto (PMDB-SE)
Prepara uma emenda constitucional que autorizaria o presidente Lula a disputar um novo mandato
Devanir Ribeiro (PT-SP)
Primeiro a defender a ideia, nunca chegou a apresentar a emenda constitucional que poderá dar ao presidente condições de
concorrer novamente
Fernando Marroni (PT-RS)
Vem defendendo publicamente mais um mandato para Lula, mas foi desautorizado por colegas de partido
Carlos Willian (PTC-MG)
É outro que propaga a necessidade de dar mais um mandato para o presidente Lula
Lula descarta tese do 3º mandato, mas aliados se movimentam no Congresso
21/05/2009, 18:17 - Política
Por gilcacinara
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