O pequeno número de defensores públicos existentes
A avaliação é da Associação Paulista dos Defensores Públicos (Apadep), entidade que acompanhou mutirão realizado ontem (19) pela Defensoria Pública do estado de São Paulo. Segundo a Apadep, há 400 defensores trabalhando em 22 das 360 comarcas do estado.
Com isso, a proporção é um defensor responsável por defender até 58 mil pessoas que não conseguem pagar por um advogado para resolver questões relacionadas a pensão alimentícia, direitos do consumidor e até casos criminais.
O mutirão da defensoria foi realizado na estação Sé do metrô e, segundo a Apadep, cerca de três mil pessoas foram atendidas. “A maior parte da população brasileira tem perfil para ser atendida pela Defensoria Pública, que é a carreira pública com o menor número de integrantes. É um paradoxo”, disse a defensora Franciane de Fátima Marques.
Franciane Marques participou hoje do primeiro dia de outra atividade da Defensoria Pública, uma força-tarefa, que terá duração de um mês, no Centro de Detenção Provisória (CDP) III de Pinheiros. O objetivo é prestar assistência jurídica aos 1.433 presos do presídio e tentar reduzir a lotação da unidade prisional que, segundo números da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), tem capacidade para 512 presos.
“O objetivo do mutirão é levantar o caso desses presos e a situação jurídica deles e prestar, primeiramente, um atendimento urgente e, depois, os demais atendimentos jurídicos”, esclareceu a defensora.
De acordo com dados da secretaria, o estado tem, atualmente, 147,5 mil pessoas nas 146 unidades prisionais paulistas. Para atender a toda essa população carcerária, a Defensoria Pública tem, hoje, 35 defensores trabalhando na execução penal.
Segundo a presidente da Apadep, Juliana Belloque, o número insuficiente de defensores pode demonstrar dois grandes desequilíbrios. “O primeiro, que o rico está alcançando a Justiça muito mais do que um pobre. O pobre está sendo excluído desse sistema e é quem mais precisa defender seus direitos. Também há um outro desequilíbrio entre o Estado que acusa o pobre e que coloca o pobre na cadeia e o Estado que o defende”, afirmou.
Para ela, o ideal seria que o número de defensores no estado fosse relativamente igual ao de promotores de Justiça, responsáveis pela acusação. Hoje, há 2 mil promotores
“Aqui
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria de Justiça respondeu que o número insuficiente de defensores no estado justifica-se pelo pouco tempo de atividade da Defensoria Pública, criada em