Dois produtores de arroz garantem que estarão amanhã (1º) nas fazendas
que ocupam dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR). O prazo
dado pela Justiça para a desocupação termina hoje (30), mas os
agricultores insistem que não podem deixar a área porque ainda têm
colheitas pendentes.
“O arroz ainda não está no ponto para ser
colhido, só depois do dia 15”, afirmou o produtor Paulo César
Quartiero. Ele diz ter cerca de 400 hectares à espera da colheita na
Fazenda Providência. Ele não admite ser retirado da região com
truculência. “Estarei lá esperando. Se vier com ordem judicial escrita
e clara, eu saio, mas não vou sair na marra, só porque terão muitos
policiais”, afirmou.
A Fazenda Depósito, que também era ocupada
por Quartiero, teve sedes e galpões destruídos e ele poderá ser
responsabilizado criminalmente, pois a Fundação Nacional do Índio
(Funai) já depositou em juízo indenizações pela benfeitorias. “A
propriedade é minha e eu destruo da maneira que quiser”, argumentou o
rizicultor.
O outro produtor que ainda tem colheita pendente na
Raposa Serra do Sol é Tiaraju Saccio. Ele ainda teria 80 hectares
plantados na Fazenda Canadá e também está disposto a esperar pela
eventual desocupação forçada. “Vamos lutar pelo que é nosso. Plantamos
e temos direito a colher. O governo não tem nenhuma máquina para colher
arroz.”
Trezentos agentes da Polícia Federal (PF) e da Força
Nacional de Segurança estão mobilizados para participar da operação de
desintrusão a partir de amanhã. Segundo o superintendente da PF em
Roraima, José Maria Fonseca, os produtores de arroz deverão sair da
área sem resistir, “até porque o arroz deles já está embargado pelo
Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]”.
O órgão aplicou multas milionárias aos produtores por degradação ambiental.a
Dois produtores de arroz dizem que não vão deixar a Raposa no prazo dado pela Justiça
30/04/2009, 14:41 - Brasil/Mundo
Por carlinhos
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