O confronto entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seguranças de uma fazenda no Pará provocou reações e levantou muitas perguntas. Poderia ser evitado? Houve negociação? A ocupação já durava dois meses, e os dois grupos estavam armados. Onde estava a polícia?
O Ministério da Justiça ofereceu reforço de tropas federais, mas a governadora Anna Julia Carepa ainda não respondeu se aceita. O Ministério da Justiça está pronto para enviar policiais federais, rodoviários e integrantes da Força Nacional de Segurança. Esta não é a primeira vez que a ajuda é oferecida ao governo do estado.
As cenas de violência na Fazenda Espírito Santo poderiam ter sido evitadas – foi o que afirmou o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva. Ele negociava a desocupação e conta que estabeleceu um acordo entre o MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) e os donos da fazenda ocupada.
“Nossa proposta consistiu
A vistoria não foi autorizada pelos donos. Um deles é o banqueiro Daniel Dantas. O confronto começou quando os sem-terra decidiram ir à sede da fazenda. Oito pessoas ficaram feridas no confronto entre seguranças e sem-terra.
Jornalistas foram impedidos de sair do local do tiroteio quando integrantes dos sem-terra teriam tentado invadir a sede da fazenda. Os fazendeiros tentaram justificar o uso de armas contra os invasores.
“Quando se contrata uma empresa de segurança é para que não aconteça coisa pior, porque você está sendo invadido”, afirmou Guilherme Minssen, diretor da Federação de Agricultura e Pecuária do Pará.
Em nota, o MST diz que seus integrantes foram vítimas de violência e que não fizeram reféns. O movimento justificou a existência de armas entre os manifestantes.
“Armas caseiras que os trabalhadores sempre utilizam para caça e ferramentas de trabalho. Esses são instrumentos nossos de trabalho, que o pessoal caracteriza como arma”, alegou Ulisses Manacás, representante da coordenação nacional do MST.
O MST foi criado em 1984 com o objetivo de lutar pela reforma agrária. Nos últimos anos, foram inúmeras invasões e conflitos com fazendeiros em várias regiões do país.
Em agosto de
Em fevereiro deste ano, quatro seguranças de uma fazenda morreram
“É preciso atender às reivindicações dos movimentos sociais, mas é preciso efetivamente cumprir a Constituição para defender a propriedade como direito assegurado no texto maior desta nação”, afirmou o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Vladimir Rossi Lourenço.
O secretário de Segurança Pública do Pará, Geraldo Araújo, informou que as propriedades invadidas estão sendo desocupadas, mas faltam condições necessárias.
“Nós não podemos atuar neste tipo de conflito com a polícia com armamento letal. Hoje, infelizmente, apenas Belém tem polícia especializada nesse tipo de ação”, disse o secretário Geraldo Araújo.
O governo do Pará não respondeu se aceita o reforço de segurança oferecido pelo Ministério da Justiça. A violência no campo preocupa as autoridades. Só no ano passado, foram 11 mortes em conflitos agrários.
O Conselho Nacional de Justiça já convocou juízes de todo país e representantes de entidades ligadas a questões agrárias para discutir o assunto.