A jornalista portuguesa Paula Martinheira, do jornal português Diário de Notícias, teve de usar o direito de não produzir provas contra si para não ser obrigada pela Justiça daquele país a relevar suas fontes. A repórter foi citada como testemunha em processo resultante de mandado de busca e apreensão que ela havia adiantado em reportagem. Na condição de testemunha, o Ministério Público português quis obrigar Paula Martinheira a falar irrestritamente sobre a apuração e revelar o nome das fontes. As informações são do site Expresso.

Com a recusa da jornalista de revelar nomes, o Ministério Público lusitano a acusou de se negar a depor, em julho de 2003. Depois de quase seis anos, Paula Martinheira conseguiu escapar do processo ao provar que, se revelasse nomes como testemunha, cairia no crime de quebra de sigilo profissional. De acordo o site Expresso, a juíza Cláudia Tenazinha, do Tribunal Judicial de Faro, afirmou que a repórter não poderia depor como uma testemunha comum.  "A verdade é que para a arguida, a proteção das suas fontes se encontra umbilicalmente ligada ao exercício da sua profissão e aos princípios que a norteiam", decidiu a juíza.

Paula Martinheira havia publicado no periódico lusitano Diário de Notícias que a Polícia Judiciária estava investigando supostos crimes de corrupção na região de Algarve. Segundo uma fonte da jornalista, o Partido Socialista estaria envolvido na investigação. O partido teria distribuído gratuitamente centenas de bilhetes para concertos dos tenores Luciano Pavarotti, José Carreras e da banda de rock Scorpions, alguns no valor de £$ 200.