O senador Fernando Collor (PTB-AL) disse ontem ser necessário discutir a oportunidade do ingresso da Venezuela no Mercosul neste momento, quando o país é presidido por Hugo Chávez.

Collor afirmou que as palavras ofensivas ditas pelo presidente venezuelano em referência ao Congresso brasileiro não se coadunam com o nível de educação que devem pautar as relações diplomáticas.

 

No final de maio de 2007, Chávez disse que o Senado brasileiro agia "como um papagaio" do Congresso americano e que era mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que o seu governo devolver a concessão ao canal oposicionista RCTV.

 

"O Congresso brasileiro está agora subordinado ao de Washington", disse Chávez na ocasião. "O Congresso do Brasil deveria se preocupar com os problemas do Brasil. O Congresso é dominado pelos movimentos e partidos da direita, que estão tentando que a Venezuela não entre no Mercosul."

 

As declarações de Chávez, feitas em cadeia nacional de televisão durante assinatura de acordos com uma delegação do Vietnã, foram uma resposta ao requerimento aprovado pelo Senado brasileiro com um pedido para que ele devolvesse a concessão ao canal, que terminou e não foi renovada.

 

Collor também manifestou hoje preocupação com a situação de "instabilidade política" que se observa no entorno do Brasil, atribuindo a Chávez parte da responsabilidade por esse processo.

 

O presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores), senador Eduardo Azeredo, destacou que ainda não há explicações do presidente venezuelano às palavras ofensivas dirigidas ao Senado brasileiro.

 

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), por sua vez, defendeu que a decisão brasileira seja precedida de maiores reflexões, baseadas em informações sobre a Venezuela. Ele pediu que as discussões sejam racionais e desprovidas de ideologização.

 

Os senadores participaram ontem de uma audiência pública na CRE sobre o assunto.