O segundo semestre de 2009 deve representar um marco para a produção
audiovisual alagoana. É quando estão previstos para serem rodados os
primeiros filmes produzidos pelo Núcleo de Produção Digital do Olhar
Brasil Alagoas (NPD-AL). A intenção desse projeto, idealizado pelo
Ministério da Cultura e que tem como proponente local a Secretaria de
Estado da Cultura (Secult), é fomentar o desenvolvimento de
profissionais na área, para que, futuramente, possa ser criado um polo
cinematográfico por aqui.
Para isso, o NPD-AL promoveu, somente no ano passado, 14 oficinas de
roteiro, produção, direção e desenho de som, com a finalidade de
democratizar o segmento audiovisual no Estado. Participaram, em sua
maioria, estudantes e profissionais de Maceió, mas as ações também
foram estendidas para as cidades de Boca da Mata e Arapiraca, sendo que
esta última apresenta-se mais desenvolvida que as demais do interior
alagoano por contar com jovens que começam a descobrir seus talentos
para a área, alguns já encaminhados profissionalmente. São os casos de
William Manoel e Claudivan.
William Manoel Bezerra é um dos jovens participantes de oficinas do
Olhar Brasil em Arapiraca. A história dele serve como exemplo para
outros tantos que queiram ingressar e avançar na área do audiovisual.
Desenhista e apreciador de histórias em quadrinhos, ele passou a
frequentar aulas no estúdio multimídia da ONG Candeeiro Aceso, com sede
em Arapiraca, onde teve seus primeiros contatos com filmadoras, ilha de
edição e todos os equipamentos necessários para produções na área,
mesmo que amadoras.
Depois vieram as oficinas do Olhar Brasil — linguagem cinematográfica,
animação, processos de produção. Surgiu então a confirmação de que
pretende seguir na área e, quem sabe, produzir e dirigir seu próprio
filme. Mas antes disso acontecer, William Manoel decidiu levar adiante
seus aprendizados e partiu para a conquista de bolsa de pesquisa do
CNPq. Resultado: atualmente, ele ensina processos de filmagem e edição
para jovens de comunidades carentes de Arapiraca, na mesma ONG onde ele
teve aulas.
“Essas oficinas do Olhar Brasil foram muito importantes para mim. Foi
onde eu tive um interesse maior ainda pelo cinema. Gosto de filme
nacional e acho que nós temos potencial para fazer bom cinema. Agora é
partir em busca de apoio e esperar pelo edital, para que eu possa
participar ou até mesmo realizar meu próprio filme. Por enquanto, sigo
com minhas aulas como bolsista do CNPq e atento para novas oficinas e
cursos que surgirem por aqui”, declara William Manoel.
Claudivan Santos é outro jovem envolvido com o audiovisual em
Arapiraca. Ele também adquiriu as primeiras noções e tem ampliado seus
conhecimentos com a participação em cursos - em Alagoas ainda não há
faculdade de cinema. O primeiro aconteceu na cidade de Aracaju, há
aproximadamente 3 anos. Depois passou por oficinas na Bahia e em
Alagoas, no projeto Olhar Brasil. Mas é na prática diária que ele tem
mostrado seu talento e imprimido sua marca como produtor e editor em
trabalhos já reconhecidos pelo público, a exemplo dos documentários
Mulher, que faz parte do acervo do Memorial da Mulher de Arapiraca e o
filme da VI Cavalgada de Nossa Senhora do Bom Conselho, gravado em 2008.
Dinâmico, Claudivan tomou a decisão e partiu para a profissionalização.
Depois de ter trabalhado em uma produtora local e ensinado audiovisual
também como bolsista do CNPq no projeto Casa Brasil, ele abriu a
própria empresa, onde tem conquistado reconhecimento em Arapiraca e
conseguido se firmar neste mercado bastante concorrido e com
profissionais qualificados.
“Tenho alguns vídeo-documentários lançados, mas espero um dia poder
assinar um filme autoral e mostrar meu trabalho em festivais pelo
Brasil. Sei que o desafio é grande, mas acho que a vida é feita de
superações”, considera Claudivan.
Enquanto eles aguardam por novas oportunidades, a coordenadora do
NPD-AL, Lis Paim, anuncia para breve o lançamento de edital, para a
produção de cinco curtas, projetos selecionados entre os alunos dos
cursos do Olhar Brasil em Alagoas. Ela avisa, entretanto, que este
primeiro processo de seleção vai estar aberto apenas para quem passou
por uma das 14 oficinas do projeto em Alagoas, como forma de
consolidação e incentivo à formação profissional dos participantes.
“Agora, as pessoas estão ansiosas pela produção. O Olhar Brasil vai dar
toda a estrutura técnica, profissional e de equipamentos, além de todo
o apoio logístico, para que esses filmes aconteçam. Isso vai ser feito
através de edital público”, informa Lis, destacando que os recursos
para as produções vêm do Ministério da Cultura e da Secretaria de
Estado da Cultura, proponente do programa em Alagoas.
O próprio secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, confirmou a
continuação das ações do Olhar Brasil para este ano, que contarão com
recursos de R$ 100 mil, segundo ele. Este valor deve ser utilizado para
a realização dos cinco curtas. Para ele, esta ação vai contribuir ainda
mais para fortalecer o projeto de formação de um polo audiovisual em
Alagoas.
Jovens do interior são atraídos pela produção audiovisual
13/04/2009, 20:48 - Municípios
Por redação
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