A cidade italiana de Áquila celebra nesta sexta-feira os funerais das quase três centenas de vítimas mortais do forte terremoto que sacodiu a região central do país na madrugada do dia 6. Segundo o último balanço divulgado pelas autoridades locais, 287 pessoas morreram na região, entre eles 20 crianças. Na noite de ontem, novos abalos sacudiram as áreas mais atingidas, dificultando ainda mais os trabalhos de resgatem que devem prosseguir até domingo.
Os funerais começaram às 11 hora locais (6 horas de Brasília), mas já nas primeiras horas da manhã desta sexta, milhares de familiares das vítimas chegavam à região de Abruzzo para participar da cerimónia celebrada pelo número dois do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone. Mais de 100 caixões foram dispostos um ao lado do outro, uma imagem triste da dimensão da tragédia que atingiu o país.
Quatro dias depois do sismo, o trabalho das equipes de resgate continua, mas a esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros é praticamente nula.
- As operações de busca prosseguem, pois há ainda várias pessoas desaparecidas. Os trabalhos deverão continuar pelo menos até domingo, até encontrarmos todos os desaparecidos - disse um bombeiro.
A prioridade do governo italiano, agora, é dar assistência aos mais de 1.500 feridos, uma centena dos quais se encontra em estado grave, e aos milhares de desabrigados. Segundo as autoridades, 28 mil pessoas ficaram sem casa. Mais de metade foi alojada provisoriamente em tendas, onde são falta comida, água potável e saneamento básico.
Só na quinta-feira, registaram-se dezenas de novas réplicas - uma delas de 3,7 graus de magnitude na escala Richter - que vão dificultar a reconstrução dos mais de 10 mil edifícios destruídos. Na noite anterior fora registrado outro movimento telúrico, por volta das 21h30 locais (16h30m de Brasília), de 4,9 graus, que também foi sentido
O tribunal de Áquila abriu na quinta-feira uma investigação para apurar as responsabilidades na tragédia. O reforço do controle sobre a aplicação das regras anti-sismicas tinha sido aprovado após um terremoto em 2005, mas a entrada em vigor da medida foi adiada para 2010 pelo governo Berlusconi.
De visita à região, o presidente italiano apontou pela primeira vez os culpados pela tragédia. Segundo ele, "todos os que não respeitaram as regras anti-sísmicas na construção de casas".