Juvenal Machado é homem de mais de 50 anos; nasceu em Delmiro Gouveia, cidade do interior alagoano. Aos 15 anos foi para o Rio de Janeiro. Passou a cuidar de cavalos, e com pouco tempo já tinha aprendido a montar. Como numa história inacreditável, o menino nordestino se transformou no mais premiado jóquei do país. Levou cinco taças no Grande Prêmio Brasil. Era chamado de Garrincha do Turfe.

Essa breve história, verídica, foi contada pelo cineasta Hermano Figueiredo, outro alagoano. A trajetória de Juvenal Machado vai ser mostrada na tela, no curta “Lá Vem Juvenal”. Hermano tem muitos anos de produção audiovisual. Hoje, além das inserções pela Sétima Arte, ele é o coordenador nacional da Rede Olhar Brasil, do Ministério da Cultura (MinC).

Mas o que é o Olhar Brasil? É um projeto que tem como proposta lançar, em todos os estados do país, Núcleos de Produção Digital (NPDs). O programa tem a finalidade de democratizar o segmento audiovisual. Em Alagoas, as ações efetivas começaram em junho do ano passado. Já foram realizadas 14 oficinas, nas cidades de Maceió, Arapiraca e Boca da Mata.

Hermano dirigia o Olhar Brasil no Estado. Passados dois meses de atividades, Alagoas já se destacava entre os demais núcleos. A partir desse trabalho surgiu o convite para a coordenação nacional. O cineasta também ganhou visibilidade pela atuação na Associação Brasileira de Documentaristas e no Conselho Nacional de Cineclubes.

Atualmente, a coordenação estadual do Olhar Brasil está por conta da cineclubista Lis Paim. “Como não temos em Alagoas um curso de cinema, o Olhar Brasil tem um papel fundamental. Buscamos fazer um programa de capacitação, o mais amplo possível, com aulas de edição, roteiro, produção e som”, revelou.

A próxima etapa do programa em terras alagoanas será a fase de produção dos filmes. “Devemos lançar um edital para a gravação de cinco curtas. Poderão participar apenas alunos que já fizeram parte das nossas oficinas”, explicou Lis Paim. Os recursos para essa fase são do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), preponente do programa em Alagoas.

Para o secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, investir no Olhar Brasil é apostar na capacitação e formação continuadas dos profissionais locais para a produção de audiovisuais, na perspectiva da estruturação de um polo para o setor. Segundo Viégas, este ano, o programa tem continuidade com recursos na ordem de R$ 100 mil.

A publicitária Beatriz Nogueira está ansiosa para rodar o seu curta. Ela participou de cinco oficinas, todas na capital. “O Olhar Brasil é muito importante. Consegui ter aulas em diferentes áreas e me encontrei na edição. Antes dos cursos tinha feito um roteiro, mas só depois da oficina de janeiro consegui finalizar”, afirma.

O roteiro de Beatriz trata sobre a obsessão, com características do expressionismo alemão. “Quero produzir o quanto antes. O filme vai se chamar Roxo e deve ser gravado na cidade do Pilar. Estou aguardando o resultado de alguns editais”, conta.

Além de Alagoas, o Olhar Brasil atua no Acre, Goiás, Paraíba, Piauí, Pará, Paraná, Bahia, Aracaju, Ceará, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mais cinco estados encontram-se na posição de suplentes. A perspectiva da Secretaria do Audiovisual, órgão do MinC, é de que, até 2010, a rede chegue a todas as unidades da Federação.

Para saber mais

O que são os NPDs?

Os Núcleos de Produção Digital promovem diversas atividades de formação a exemplo de cursos, oficinas e palestras, estimulando o acesso ao conhecimento e aperfeiçoamento técnico. Também há a cessão de equipamentos para a produção independente, a partir da qual tem havido a coprodução de obras audiovisuais.
Mais informações: www.cultura.gov.br/blogs/rede_olhar_brasil/