Os pais dos alunos que passaram mal na quarta-feira (25) ao chupar balas com vestígios de cocaína em uma escola municipal de Santo Antônio de Posse, a 138 km de São Paulo, continuam sem saber como a droga foi parar no doce. Nesta segunda-feira (30), eles se reuniram com autoridades do município, médico, diretora e professores da escola, mas saíram do encontro com dúvidas.
Para a doméstica Maria Aparecida Correia, de 54 anos, as perguntas ao término da reunião eram as mesmas de quando ela havia chegado à escola. “A gente quer saber até o final de onde veio a bala? E o que tinha na bala? A gente se preocupa e por isso merece uma explicação”, criticou.
O filho dela, de 14 anos, passou mal ao chupar uma bala que
dividiu com um amigo. O adolescente teve de ficar internado,
tomando soro, até a manhã do dia seguinte, quinta (26). “Ele me
disse que no começo tinha gosto de mel, mas que no final (da
bala) parecia remédio”, contou a doméstica.
“A gente sempre fica um pouco preocupado. Por mais
que a gente oriente aos filhos para não aceitar nada de
estranhos, é difícil evitar. Mas o problema desta vez é que
aceitou a bala de alguém conhecido, né?”, afirmou, antes da
reunião, o porteiro Roberto Rodrigues de Azevedo, de 34 anos e
pai de um adolescente de 14 anos.
Segundo ele, o filho, que chupou apenas uma bala, vomitou, teve dor de cabeça e tonturas. “Ele me disse apenas um pouco diferente o sabor, mas nada que dê para perceber que havia algo de errado. E parece que a quantidade de cocaína encontrada não é suficiente para fazer alguém passar mal. O jeito é esperar as investigações e ver se a pessoa [o jovem que levou as balas] não teve qualquer outra intenção”, contou Roberto.
Cocaína
Na
sexta-feira (27), peritos do Centro de Controle de
Intoxicações da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
confirmaram que foram encontrados vestígios de cocaína em
três das setes balas recolhidas pela polícia para que
fosse feito a análise de sua composição, mas que a quantidade da
droga era ínfima. No exame de sangue e de urina das crianças, no
entanto, nada foi constatado.
O delegado Ânderson Cassimiro de Lima, titular do
DP da cidade, disse que ainda não recebeu o laudo da Unicamp,
mas que a análise das balas pela Instituto de Crminalística (IC)
de Campinas já está pronto. No entanto, o material foi remetido
para o IC de São Paulo, para uma comprovação do resultado.
“Estou aguardando este laudo, que deverá sair
nesta semana, para saber que providências tomar. Dependendo do
resultado, posso chamar as pessoas para depor ou então
encaminhar o caso para a Vigilância Sanitária”, disse. O
delegado não participou da reunião com os pais dos alunos que
passaram mal porque, segundo ele, não teria sido convidado.
Laudo
Na reunião com os pais, o secretário de educação do município, Achille Nicola Fosco, disse que o laudo da Unicamp “é muito importante, mas estão falando muita coisa errada”, tentando tranquilizá-los quanto ao resultado do exame. Ele explicou que a quantidade de droga nas balas era insuficiente para causar qualquer dano mais a saúde.
"Mas solicitamos à polícia que seja feita uma investigação a fundo e que as providências sejam tomadas. O que houve foi muito sério e não pode ficar sem uma resposta, principalmente para os pais”, afirmou Fosco.Além disso, a médica que atendeu aos alunos no hospital explicou aos pais que eles não apresentavam sintomas de quem havia consumido cocaína. “As balas tinham vestígios da droga, mas os sintomas que eles apresentavam é de quem consumiram algum produto estragado ou vencido”, disse Dianora Santos da Cunha, que atendeu as crianças. Segundo ela, alguns adolescentes chuparam a bala e não passaram mal.