Um estudo com estimativas para a safra 2009 do RN de arroz, feijão, milho e sorgo, que será concluído no próximo dia 4 de abril pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indica um aumento da produção em 30% em relação à colheita de 2008.

 Nesse cenário estimado, que dependerá do regime de chuvas até o final do inverno para se confirmar, o Estado teria um crescimento na área plantada da ordem de 10%, pouco superior à última estimativa de fevereiro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, que apresenta um crescimento de 10% da área a ser plantada.

No próximo dia 7 de abril, o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciará oficialmente os números estimados para a safra brasileira deste ano. O trabalho na Conab local será encaminhado três dias antes e será juntado aos números a serem anunciados pelo ministro”.

“Os números que indicam um crescimento de 30% na produção agrícola do RN é ainda uma estimativa que dependerá do comportamento climático e refere-se à área plantada e não a colhida”, explicou ontem  Luis Gonzaga Araújo e Costa, analista de mercado de produtos agrícolas da Conab no Rio Grande do Norte.

Pelo levantamento, ainda em fase de conclusão, a produção de arroz no RN saltará das 3.446 toneladas em 2008 para mais de 6 mil toneladas em 2009. O feijão, que no ano passado foi de 33.500 toneladas, poderá alcançar acima de 40 mil toneladas. O milho, que foi de 65.200 toneladas em 2008, pode bater a casa das 70 mil toneladas este ano. E o sorgo, que registrou 14.400 toneladas colhidas no ano passado, tem para este ano uma estima de 20 mil toneladas.

Atualizados, a safra 2009 estimada pela Conab, responsável pelos estoques reguladores e estratégicos do Governo Federal, poderá se concretizar em 135 mil toneladas para arroz, feijão, milho e sorgo. “A se confirmarem esses números, será uma safra excelente, uma vez que a do ano passado, mesmo com as chuvas, foi bastante satisfatória”, afirmou Luis Gonzaga.

Para a safra 2009, o documento da Conab estima uma área estimada de 2.200 hectares para o arroz; 80 mil hectares de feijão; 90 mil hectares de milho e 10 mil hectares de sorgo. Apesar das previsões favoráveis, elas não terão qualquer impacto sobre o preço dos alimentos no Estado. Segundo o analista da Conab, as produções de arroz, feijão e milho (este último insumo principal da avicultura) do Estado estão muito aquém das demandas internas.

O consumo do feijão, cuja produção é estimada em 40 mil toneladas, supera as 90 mil toneladas.

Consumidor quer mais espaço e opções

As panelas da dona de casa Maria do Rosário ainda não sabem, mas a agricultura do Rio Grande do Norte vive um bom momento. Dependendo do regime de chuvas, que este ano promete ser equilibrado até o final do inverno, a produção pode crescer 30% no campo em relação ao ano passado, quando fortes chuvas e inundações liquidaram lavouras inteiras pelo interior.

Não deixa de ser um período de recuperação para agricultura, cuja área plantada aumentou 10% em relação a 2008. Já para consumidores como Maria do Rosário, que aproveitou a última sexta-feira para abastecer a geladeira de frutas e hortaliças na Ceasa, este é um fim de mês como qualquer outro – de aperto.  Com um agravante: a maior central distribuidora de alimentos.

Segundo a opinião dos atacadistas, varejistas e público  que as vendas na Ceasa poderiam estar muito mais aquecidas se tantos interesses não estivessem concentrados em tão pouco espaço.

São 122 permissionários instalados no  espaço permanente; 216 instalados no mercado livre permanente; mais 87 no mercado livre – sem contar os 150 carregadores autônomos e outros 70 veículos autorizados  a se movimentar no local. Tudo em menos de 1,9 mil metros de estacionamento divididos entre três mercados livres e a administração, que toda boa parte da área central.

O resultado é a reprodução fiel de um mercado, onde as áreas são disputadas palmo a palmo por caminhões, caminhonetes, carros de passeio, carros de mão e pessoas. Fundada em outubro de 1976 para operar 3 mil toneladas por mês de produtos hortifruti, hoje a Ceasa comercializa mais de 21 mil toneladas numa estrutura que cresceu pouco e funciona no mesmo espaço há décadas. Isso agravou problemas crônicos de  logística, criando embaraços tanto para quem usa o atacado como para aqueles que se beneficiam dele, como o varejo. Para quem chega do interior e de outros estados com mercadoria na carroceria, a Ceasa do RN  é sinônimo de perda de tempo, ineficiência e dor de cabeça.

Para o consumidor comum, que busca simplesmente economia, o desconforto e a demora são um teste à paciência. Mesmo assim, Maria do Rosário nota diferença nos preços de alguns produtos e vai à luta, arrastando para a casa uma penca de sacos plásticos recheados de frutas e verduras. “Prefiro as terças-feiras para vir, mas hoje (sexta) acho os preços bem melhores”, comenta.

De fato, o melhor dia para comprar na Ceasa é também o pior – sexta-feira -, confirma Wanderley Jorge Barros, dono de restaurante na Zona Norte.

Enquanto confere o maço de dinheiro em um dos bolsos, ele diz  que duas vezes por semana deixa perto de R$ 800 reais com os varejistas – um dinheiro que ele considera bem pago não fosse o sofrimento de enfrentar as rotinas matinais de compra que podem durar horas.

“Meu carro está lá fora e dou muitas viagens com os braços cheios de mercadoria”, queixa-se. Mesmo assim, a Central recebe, em média, 71 mil carros de passeio por mês, registrados na guarita de entrada. Frequentemente, são pessoas que, impacientes, furam a fila e passam pela guarita sem pagar a permanência de R$ 1,00.

Na última sexta-feira, Maria Dalva e Francisco tostaram dentro de um Jeep 1961, enquanto aguardavam, pacientemente, que um caminhão com diferencial quebrado fosse empurrado, fazendo andar uma fila de veículos num dos corredores de acesso à Central.