A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nota nesta segunda-feira na qual admite a relação institucional de empresas com partidos mas negou a suspeita de distribuição de recursos a políticos citada na Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal.
A operação deflagrada na semana passada investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e remessa ilegal de recursos para o exterior --estimado em R$ 20 milhões-- por parte de funcionários de alto escalão da Camargo Corrêa e doleiros cariocas.
A operação também investiga desvio de recursos repassados à construtora para obras do governo federal, como a Refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco, e a suposta contribuição ilegal para campanhas políticas nas eleições municipais de 2008.
Escutas telefônicas apontam que a empreiteira fez doações ilegais a partidos, segundo a polícia. O relatório da PF cita PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PMDB e PP, que negam caixa dois. A Fiesp é apontada na investigação como intermediária das doações da empresa a políticos.
Na nota, a Fiesp nega, "de maneira enérgica e definitiva", qualquer hipótese de envolvimento em "distribuição de dinheiro para funcionários públicos", "pagamentos por fora" e "obtenção de benefícios indevidos em obras públicas". "Isso, definitivamente, jamais ocorreu", diz a entidade.
A Fiesp ressalta ainda que "tem mantido" um "transparente diálogo" com parlamentares "de todas as correntes ideológicas" e que não está impedida de, "num ato legal e legítimo", "observadas todas as exigências e formalidades jurídicas, promover relações institucionais entre empresas e partidos políticos".
"A Fiesp esclarece que não contribui com nenhum tipo de recurso, financeiro ou de qualquer outra espécie, para partidos políticos e/ou candidatos", afirma.
Guilherme Cunha Costa, um dos funcionários da Camargo Corrêa citados na decisão da Justiça que deflagrou a operação, atuou como assessor especial do presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Segundo a PF, Skaf seria o "suposto intermediário" da empreiteira com os partidos políticos que receberam doações financeiras da Camargo Corrêa. A relação com Costa se iniciou bem antes de Skaf assumir a presidência da Fiesp, em 2004.