Raízes da África

A Miscigenação brasileira misturou etnias e segmentou a riqueza dos direitos humanos

 
Segundo Mir; (2004,p. 490): violência é o uso extremo de força com intenção deliberada de causar dor ou dano corporal, psíquico, emocionais ou culturais a uma pessoa ou coletividade. Pode ser direta, quando afeta de maneira imediata o corpo e a consciência dos seres humanos ou indireta, quando se faz por meio de estruturas de empobrecimento ou de privações de direitos fundamentais.
Durante três séculos e meio, em nome da ideologia escravocrata que concebia a inferioridade humana como característica do povo negro, o estado brasileiro promoveu estupros em série (senhores donos-da-casa regalavam-se com os corpos das mulheres escravizadas e estas dando luz a milhares de outros pequenos explorados, surgindo assim a tão decantada miscigenação), torturou sem piedade homens, jovens, velhos, mulheres, validou o seqüestro de milhares de crianças, promoveu a exploração sexual infantil;agrediu física e moralmente o povo africano. Privações, modo de vida inadequado, grotões de miséria e a opressão estrutural do estado estabeleceram as bases corrosivas do racismo e da intolerância humana.
120 anos pós-libertação persiste o desafio do estado brasileiro de criar espaços estruturais para a promoção da igualdade social, dentro das especificidades étnicas e éticas. Faz-se necessário abrir caminhos para o enfrentamento do problema. Faz-se necessário a construção de vozes sociais mais participativas e dialógicas. A omissão é fundadora das ideologias esdrúxulas. A sociedade contemporânea se exime do racismo evocando o estado miscigênico, incorporando a exclusão social da população negra como produto da condição econômica e não étnica. A correlação esquemática entre negritude e pobreza estabelece consensos sociais e minimiza discussão sobre racismo.
A construção fenotípica estabelecida por essa mesma sociedade -é fato- limita as possibilidades de ascensão social, condiciona lugares, opções econômicas, segmenta espaços. O racismo dá chancela para a perpetuação da miserabilidade africana em território brasileiro, que ultrapassou gerações e hoje atinge os afros descendentes.
Há enormes desafios a serem transpostos. Trabalhar a identidade negra delineada sob a ótica da opressão do escravismo brasileiro significa o reconhecimento político da existência de um país etnicista e ao mesmo tempo urge pela legitimação dessa positividade para adoção e execução de políticas públicas diferenciadas. Políticas públicas que quebrem essa lógica cruel da desigualdade entre iguais( segundo a Carta Magna todos e todas somos iguais perante a lei).
Trabalhar a violência do racismo e a equidade na divisão de bens e riquezas sociais é promover a incorporação de raciocínios que não camuflem as diversas etnias no contexto histórico-construtor da identidade nacional. É retirar as capas híbridas, os personagens e as inúmeras interpretações que o racismo veste para não dizer o seu nome. Mesmo diante dos avanços políticos o processo social brasileiro, ainda é limitante para ascensão da população negra nas linhas demarcatórias da cidadania.
O edifício social brasileiro é invenção do escravismo. Marcou seu território, os espíritos e determina, ainda hoje,as vias de acesso social e econômico deste país. A territorialização continua seletiva: os recursos nacionais são utilizados a serviço de determinados grupos sociais; as migalhas para a maioria da sociedade (Santos,2000)
O Brasil tem uma lealdade personalista com a versão européia da história brasileira.
 

A CONSCIÊNCIA DO 20 DE NOVEMBRO


Pessoas são estrelas brilhantes.
Não me falem da beleza da “raça morena”,
Minha beleza é negra.
Como negra é minha etnia.
Que a consciência negra não seja só minha
Que ela esteja nos olhos azuis, nos cabelos
loiros, na pele clara dos que me rodeiam.
A consciência negra é meu discurso político.
Qual é o teu discurso social? Podes me responder agora?
Sabes do concreto?
Concreto é o preconceito que sinto.
É o racismo a flor da pele.
É a intolerância social.
Somos 50% da população brasileira
Transportando um quilombo de sonhos.
Palmares mora em mim/
Dandara/Aqualtirene/ Zumbi renasce todos os dias
Nas aspirações de liberdade/
Na busca do respeito à diversidade étnico-racial brasileira.
Que me venham pessoas azuis, negras, brancas, indígenas, ciganas
Quem sabe não virão as encarnadas?
Quero pessoas roxas de muito querer viver,
assim feito feto nascido prematuro e insistindo na querência do estar/
Rasgando a voz em choro de conquista
Que nenhuma sociedade, nenhum país, ou quiçá um continente, possa ser alijado do direito a Educação.

Pessoas são broches raros/
Desses herdados à tardinha quando a esperança ousa fechar olhos para o pôr do sol.
Pessoas são como pássaros/
Voam à cata da felicidade.
Felicidade tem cor/
Ou é puro sabor da partilha?
Vamos fazer da escola um espaço comprometido com a vida/
Com o prazer, o respeito às diferenças.
“Somos diferentes, não desiguais”
Escola teu nome é “transformação”
Teremos um dia essa escola?
Deixo para vocês o exercício da dúvida?
Abenção,minha mãe África!
 

RELAÇÃO DE FILMES SOBRE NEGROS

01- Dança Negro-13min. - Fita e DVD

02- Além de Trabalhador Negro – 35 min. - Fita e DVD

03- Marcha Zumbi contra o racismo, pela cidadania e a Vida – 15 min. Fita e DVD

04- De volta pra casa – 28 min. Fita e DVD

05- Mãos e Cérebros Negros – 25 min. Fita e DVD

06- Candeia 100% Capoeira – 1h e 20min. – Fita e DVD

07- Andar Com Fé – 10 min. Fita e DVD

08- Sincretismo Baiano – 10 min. Fita e DVD

09- Comum. Negra Malhadinha – 25 min. Fita e DVD

10- A lenda do Pai Inácio – 28 min.Quilombo – 1hr e 40 min. Fita e DVD

11- Carnaval Afro 12 min. Fita e DVD

12- Trajetória da Cultura Negra no Carnaval Baiano– 12 min. nFita e DVD

13- Barra Vento – 1hr e 30 min. Fita

14- Os Negros Querem Falar – 13 min. Fita e DVD

15- Dias ou Zumbi 16 min. - Fita

16- Debate sobre Cotas (TV Cultura) 45 min. Fita

17- Compadre de Ogum – 45 min. Fita

18- Filhos da África – 13 min. Fita e DVD

19- Vista a minha Pele – 48 min. - Fita e DVD

20- Herdeiros de Zumbi – 15 min. - Fita e DVD

21- Achados e Perdidos 12 min. – Fita e DVD

22- Cabra Macho – 12 min. - Fita e DVD

23- Independência Ou... 10 min. – Fita e DVD

 


01- Dança Negro-13min. - Fita e DVD

02- Além de Trabalhador Negro – 35 min. - Fita e DVD

03- Marcha Zumbi contra o racismo, pela cidadania e a Vida – 15 min. Fita e DVD

04- De volta pra casa – 28 min. Fita e DVD

05- Mãos e Cérebros Negros – 25 min. Fita e DVD

06- Candeia 100% Capoeira – 1h e 20min. – Fita e DVD

07- Andar Com Fé – 10 min. Fita e DVD

08- Sincretismo Baiano – 10 min. Fita e DVD

09- Comunidade Negra Malhadinha – 25 min. Fita e DVD

10- A lenda do Pai Inácio – 28 min.Quilombo – 1hr e 40 min. Fita e DVD

11- Carnaval Afro 12 min. Fita e DVD

12- Trajetória da Cultura Negra no Carnaval Baiano– 12 min. nFita e DVD

13- Barra Vento – 1hr e 30 min. Fita

14- Os Negros Querem Falar – 13 min. Fita e DVD

15- Dias ou Zumbi 16 min. - Fita

16- Debate sobre Cotas (TV Cultura) 45 min. Fita

17- Compadre de Ogum – 45 min. Fita

18- Filhos da África – 13 min. Fita e DVD

19- Vista a minha Pele – 48 min. - Fita e DVD

20- Herdeiros de Zumbi – 15 min. - Fita e DVD

21- Achados e Perdidos 12 min. – Fita e DVD

22- Cabra Macho – 12 min. - Fita e DVD

23- Independência Ou... 10 min. – Fita e DVD

 


01- Dança Negro-13min. - Fita e DVD

02- Além de Trabalhador Negro – 35 min. - Fita e DVD

03- Marcha Zumbi contra o racismo, pela cidadania e a Vida – 15 min. Fita e DVD

04- De volta pra casa – 28 min. Fita e DVD

05- Mãos e Cérebros Negros – 25 min. Fita e DVD

06- Candeia 100% Capoeira – 1h e 20min. – Fita e DVD

07- Andar Com Fé – 10 min. Fita e DVD

08- Sincretismo Baiano – 10 min. Fita e DVD

09- Comunidade Negra Malhadinha – 25 min. Fita e DVD

10- A lenda do Pai Inácio – 28 min.Quilombo – 1hr e 40 min. Fita e DVD

11- Carnaval Afro 12 min. Fita e DVD

12- Trajetória da Cultura Negra no Carnaval Baiano– 12 min. nFita e DVD

13- Barra Vento – 1hr e 30 min. Fita

14- Os Negros Querem Falar – 13 min. Fita e DVD

15- Dias ou Zumbi 16 min. - Fita

16- Debate sobre Cotas (TV Cultura) 45 min. Fita

17- Compadre de Ogum – 45 min. Fita

18- Filhos da África – 13 min. Fita e DVD

19- Vista a minha Pele – 48 min. - Fita e DVD

20- Herdeiros de Zumbi – 15 min. - Fita e DVD

21- Achados e Perdidos 12 min. – Fita e DVD

22- Cabra Macho – 12 min. - Fita e DVD

23- Independência Ou... 10 min. – Fita e DVD

 


01- Dança Negro-13min. - Fita e DVD

02- Além de Trabalhador Negro – 35 min. - Fita e DVD

03- Marcha Zumbi contra o racismo, pela cidadania e a Vida – 15 min. Fita e DVD

04- De volta pra casa – 28 min. Fita e DVD

05- Mãos e Cérebros Negros – 25 min. Fita e DVD

06- Candeia 100% Capoeira – 1h e 20min. – Fita e DVD

07- Andar Com Fé – 10 min. Fita e DVD

08- Sincretismo Baiano – 10 min. Fita e DVD

09- Comunidade Negra Malhadinha – 25 min. Fita e DVD

10- A lenda do Pai Inácio – 28 min.Quilombo – 1hr e 40 min. Fita e DVD

11- Carnaval Afro 12 min. Fita e DVD

12- Trajetória da Cultura Negra no Carnaval Baiano– 12 min. nFita e DVD

13- Barra Vento – 1hr e 30 min. Fita

14- Os Negros Querem Falar – 13 min. Fita e DVD

15- Dias ou Zumbi 16 min. - Fita

16- Debate sobre Cotas (TV Cultura) 45 min. Fita

17- Compadre de Ogum – 45 min. Fita

18- Filhos da África – 13 min. Fita e DVD

19- Vista a minha Pele – 48 min. - Fita e DVD

20- Herdeiros de Zumbi – 15 min. - Fita e DVD

21- Achados e Perdidos 12 min. – Fita e DVD

22- Cabra Macho – 12 min. - Fita e DVD

23- Independência Ou... 10 min. – Fita DVD

24 Quesito Cor VHS e DVD 13 Min.

25- Promovendo equidade na Saúde-20min.Fita/DVD

26-Comunidade Negra Malhadinha-TO


 

Auxiliar negro é atacado por estudantes

 

Ribeirão Preto/SP - O auxiliar de produção Geraldo Garcia, 55 anos , foi atacado na manhã deste sábado (12/12) pelos estudantes de Medicina Abrahão Afiune Júnior, 19 anos, Emílio Pechulo Ederson, 20 anos, e Felipe Grion Trevisani, de 21 anos, que o chamaram de “negro”, enquanto o espancavam.

Garcia estava numa bicicleta e transitava pela Avenida Doutor Francisco Junqueira, em Ribeirão Preto. “"Eu estava indo trabalhar e de repente ouvi eles gritando ‘ô seu negro, ô seu negro’ e senti algo em minhas costas", afirmou.

O auxiliar de produção sofreu pequenas escoriações nas mãos ao ser derrubado da bicicleta. "Isso nunca me aconteceu, estou triste, frustrado. Eu não perturbo ninguém, não fiz nada com ninguém, estava indo trabalhar, isso é o fim do mundo", desabafou.

Em flagrante

Os agressores foram presos sob acusação de injúria e discriminação racial, depois que testemunhas chamaram a Polícia. O delegado Mauro Coraucci disse que a agressão foi seguida de ofensa e ficou caracterizada também injúria e discriminação racial. “Ao desferir a pancada o chamaram de negro, o que já evidencia o racismo”, afirmou a autoridade.

A prisão em flagrante dos três agressores só ocorreu porque o motorista Adilson Castro de Morais, de 31 anos, e outros seguranças que estavam no posto em frente ao local da agressão, conseguiram alcançá-los na Avenida 9 de Julho, parando o veículo. "Nós fomos atrás deles e conseguimos fechar o carro. Depois, seguramos os meninos e chamamos a polícia", contou Morais.
 

Prêmio Políticas Públicas e Equidade

Objetivos

O concurso Políticas Públicas e Equidade: avanços práticos têm como objetivos:

Premiar ensaios que identifiquem, avaliem e discutam experiências de ação pública que contribuam efetivamente para a redução das desigualdades econômicas, sociais, políticas, de gênero e de raça/etnia;
Estimular a produção de jovens pesquisadores/as sobre estudos aplicados no campo interdisciplinar da equidade;
Contribuir para a construção de conhecimentos práticos que possam ajudar as organizações públicas brasileiras a cumprir com maior eficácia às obrigações constitucionais explicitadas no art. 3 inciso III e IV da Constituição de 1988.

Quem participa do concurso?

O concurso Políticas Públicas e Equidade é aberto aos estudantes de Mestrado e Doutorado e recém mestres e doutores dos cursos de Administração, Antropologia, Ciência Política, Direito, Psicologia, Saúde, Arquitetura, Urbanismo, Serviço Social, Educação, Sociologia ou áreas afins.
Podem inscrever-se brasileiras/os e estrangeiras/os que tenham residência permanente no Brasil.

Inscrições

As inscrições deverão ser feitas por meio de fi cha de inscrição em 4 (quatro) vias impressas e uma versão digital (CD), em formato “doc”. A ficha, deverá ser encaminhada para a Coordenação do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo pessoalmente ou pelo correio, com data de postagem até 13 de abril de 2010.

Envie para “Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas. Avenida Nove de Julho, 2029 – 11º andar. São Paulo – SP, cep: 01313-902

Critérios de avaliação

Para avaliar os trabalhos serão observadas:

Originalidade;
Qualidade e coerência do texto;
Adequação e atualização da bibliografia citada;
Desenvolvimento e elaboração da questão/problema;
Adequação metodológica à proposta do trabalho;
Clareza na descrição e análise de casos e exemplos inovadores;
Contribuição ao conhecimento sobre o assunto ou tema.

Prêmios

Os prêmios serão patrocinados pela Fundação Ford no valor de:

Prêmio para mestrando ou mestre:
Ganhador/a: R$ 3.000,00.
2 Menções honrosas: R$ 1.000,00 (para cada um).

Prêmio para doutorando ou doutor:
Ganhador/a: R$ 5.000,00
2 Menções honrosas: 1.500,00 (para cada um).

Este concurso não se obriga a conceder prêmios para todas as categorias, caso a banca considere que os trabalhos recebidos não se adéqüem aos objetivos do Concurso.

Publicação

Os trabalhos premiados poderão ser publicados na revista CadernosGestão Pública e Cidadania da Fundação Getulio Vargas.
A publicação dos trabalhos nos Cadernos Gestão Pública e Cidadania estará condicionada à aprovação pelo processo de avaliação próprio da revista.


Para mais informações acesse os links abaixo:

Folder do Prêmio
Regulamento
Ficha de Inscrição
Ficha de autorização para publicação

 

 

 

 

Fonte: http://ww2.fgvsp.br/mktg/2009/ceapg/politica/index.html

Canto a Palmares

Após a aprovação do Projeto 6264/2005, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, pela Câmara dos Deputados, no dia 9/9/2009, fato que foi festejado por alguns setores do Movimento Negro e lamentado por outros, fomos confrontados por novas exigências e propostas de vetos do Senador Demóstenes Torres, relator do projeto que retornou ao Senado, numa fase em que só são admitidas emendas supressivas.
Eliminação dos termos raça, racial, raciais. dimensão racial
O parecer do Senador Demóstenes Torres é claramente inspirado no pensamento do grupo dos pesquisadores do Rio de Janeiro que vem lutando para derrubar, desde o projeto originário, o Estatuto da Igualdade Racial sob a alegação de que se trata de uma proposta racista, atribuindo ao mesmo a crença nas raças biológicas. No mesmo estilo, atribuindo ao Projeto de Lei 6264 o que ele não contém, o Relator propõe o veto em diversos artigos ao uso das palavras raça, racial, raciais. Contudo é evidentemente impossível para o relator manter a coerência: não ousou retirar o Racial do nome do Estatuto, nem pode eliminar tais palavras dos conceitos discriminação racial ou étnico-racial, e desigualdade racial mas pretende eliminar do conteúdo de tais conceitos. Assim, o Senador Demóstenes Torres, se arvora o direito de mutilar não apenas o projeto do Estatuto mas também a própria Convenção Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial: para ele raça não é um fator com base no qual ocorra a discriminação racial, já que ele insiste em utilizar uma definição genética de raça e geneticamente raça não existe.
Para ser coerente, o Senador deve propor o veto integral ao projeto, pois se trataria, segundo ele, de um projeto acerca de algo que não existe. Não há negociação possível neste caso. Sugere-se também que para manter a sua coerência ele deva propor que o Brasil cancele a sua adesão a todos os tratados, convenções, declarações e programas de ação das Nações Unidas que utilizam o conceito de raça, a começar pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Eliminação de referências à escravidão, reparação e compensação
O parecer veta a expressão derivadas da escravidão na frase: políticas públicas destinadas a reparar as distorções e desigualdades sociais derivadas da escravidão. Desta forma o Senador Demóstenes nega que a escravidão tenha produzido distorções e desigualdades sociais. Coerente com este pensamento (escravista?) o Senador Demóstenes elimina das diretrizes do Estatuto a reparação e a compensação das vítimas da desigualdade racial. Segundo ele, nunca houve no país segregação por causa da cor.
O Senador Demóstenes se opõe a um dos maiores avanços da Declaração e Programa de Ação de Durban: o reconhecimento de que a escravidão e o tráfico de escravos são um crime, imprescritível, contra a humanidade. E portanto, requerem reparação.
Veto às Ações Afirmativas
O Senador Demóstenes, coerente com o que tem feito no debate do projeto de Cotas para Negros nas Universidades Públicas, veta o preenchimento de vagas pela população negra porque o acesso à universidade e aos programas de pós-graduação, segundo ele, por expressa determinação constitucional, deve-se fazer de acordo com o princípio do mérito e do acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística segundo a capacidade de cada um. Ele obviamente supõe que não há mérito nos processos de seleção dos programas de ação afirmativa, mesmo que os alunos cotistas estejam atingindo desempenho comparável ou superior aos demais alunos.
O Senador Demóstenes veta incentivos fiscais relacionados à contratação de negros, porque segundo ele isso incentivaria a demissão de trabalhadores brancos. Portanto, o Senador Demóstenes está pouco se lixando se hoje as empresas não contratam negros por terem preconceito contra os negros, isso não é problema dele. E é verdade: é problema nosso, nós estamos por nossa própria conta, pois não podemos esperar nada de um Senador da República com a mentalidade de um senhor de escravos: segundo ele qualquer política que promova a igualdade no mercado de trabalho vai produzir rancor dos que vão perder os seus privilégios e portanto não devem ser aprovadas.
Eliminação das referências a plano de políticas nacionais de saúde integral da população negra
O Senador Demóstenes admitiu todas as referências a objetivos genéricos de uma política nacional de saúde integral da população Negra. Em contrapartida, o Senador Demóstenes vetou todas as referências específicas a um plano nacional que estabeleça e execute metas concretas para reduzir a mortalidade de mulheres negras, a mortalidade infantil de crianças negras, reduzir as mortes violentas de adolescentes e jovens negros, reduzir a mortalidade de adultos negros. Não parece inacreditável que alguém possa ser contra a redução da mortalidade de metade da população que enfrenta condições de grandes vulnerabilidades?
Não há possibilidade de negociação com quem quer que continuemos a desperdiçar vidas que se interrompem antes do tempo.
Diante dos raciocínios fraudulentos expostos no Parecer do Relator do Projeto 6264 no retorno ao Senado, parecem evidentes os motivos pelos quais se colocou nas mãos do principal inimigo dos negros a tarefa de proferir o parecer. O próprio Projeto 6264 já representa um processo de uma enorme mutilação ao projeto original que resultou da proposta inicial do Senador Paulo Paim enriquecido pelas contribuições dos setores mais experientes da militância negra brasileira.
É hora de perguntarmos publicamente aos parlamentares e setores do movimento negro que participam do processo de negociação: qual é o limite da negociação do projeto do Estatuto da Igualdade Racial? Já nos tiraram os dedos, as mãos, os braços, as pernas. Até onde irão recuar para atender à voracidade dos setores conservadores que querem nos impor termos indignos neste processo de negociação?
Lembremo-nos de Palmares. Há momentos em que somente a derrota pode nos salvar.
(*) Relatora Geral da III Conferência Mundial contra o Racismo, Membro do Grupo de Especialistas Eminentes Independentes para o acompanhamento do Programa de Durban
 

Comunicado dos Povos índigenas

  Nós povos indígenas aqui representados: Povo Kayapó das aldeias Kokraxmõr, Pykarãrãkre, Kikretum, Las Casas, Kriny, Moxkàràkô; Kayapó do Xingu, aldeia Kararaô; Xipaia, aldeia Tukamá, Tukaiá; Juruna, aldeia Paquiçamba, Km 17 Vitória do Xingu; Arara da Volta Grande, Terra indígena Wangã; Povo Arara, Cachoeira Seca; e povos de outras regiões: Yanomam; Guarani, de São Paulo, aldeia Krukutú, queremos comunicar o seguinte:

Excelentíssimos representantes do governo brasileiro e Procuradoria Geral da República,

Nós povos indígenas do Brasil preocupados com as ações que tem o Brasil direcionadas às populações indígenas e o desrespeito do governo com as referidas populações temos a lhes dizer que após o primeiro contato da chegada dos não índios neste país os povos indígenas foram massacrados e dizimados de forma brutal e ignorada pelos seus representantes. Tivemos perdas significativas das populações indígenas neste país. Onde em nenhum momento a sociedade tratou esses povos com devido respeito; que após 500 anos de contato com essa civilização os povos indígenas no Brasil só tiveram perdas: territoriais, culturais, vidas, desaparecimento de populações inteiras ao longo desse contato. Os povos que restam lutam por sua sobrevivência dentro de seus territórios com péssima estrutura, com alta precariedade, desrespeitados em seus direitos humanos, com falta de integridade moral para com os povos indígenas ainda existentes neste Brasil.

Senhores representantes do governo, nós povos indígenas aqui representados estamos denunciando para vosso conhecimento o desrespeito do Governo Federal para com as populações indígenas onde se trata especificamente de um projeto a ser executado na região de Altamira, Volta Grande do Xingu; projeto este destinado a aproveitamento hídrico, onde afetará às populações indígenas desta região e de toda a bacia hidrográfica do Rio Xingu.

Há vinte anos os povos indígenas desta região falaram em um Encontro no ano de 1989 e deixaram claro que esse projeto é inviável para ser implantado no Rio Xingu. Os povos indígenas em 2008 em outro Grande Encontro voltaram a falar e debater contra esse projeto que seria implantado nesta região e mais uma vez o governo desrespeita os povos indígenas desrespeitando a convenção 169 da OIT onde o governo brasileiro é consignatário.

Mais uma vez, estamos nós aqui povos indígenas em Brasília para falar sobre Belo Monte. Ao longo desses 20 anos a luta dos povos indígenas contra o projeto dessa UHE Belo Monte o governo teve tempo suficiente para apresentar propostas alternativas para as populações indígenas desta região e não o fez. Os povos indígenas cansados desta luta onde o governo só ouve aquilo que lhe interessa, estamos querendo por fim nesta história macabra para os povos indígenas.

Senhores representantes do governo brasileiro, nós povos indígenas representados neste comunicado estamos solicitando de vosso conhecimento para impedir que posições negativas possam vir a acontecer nesta região se o governo continuar nós desrespeitando como povo brasileiro, como povos indígenas e como primeiros habitantes deste país.

Ao longo de 500 anos estivemos à mercê do governo servindo como massa de manobra, como soldados de proteção à natureza, onde nem sequer somos donos da terra que ocupamos. Nós povos indígenas como defensores da natureza estamos cansados de ver os não índios destruírem as nossas florestas com a conivência das autoridades governamentais e judiciária deste país. Vendo toda essa situação, nós tomamos a seguinte medida:

Nós povos Indígenas, não vamos sentar mais com nenhum representante do governo para falar sobre UHE Belo Monte; pois já falamos tempo demais e isso custou 20 anos de nossa história. Se o governo brasileiro quiser construir Belo Monte da forma arbitrária de como está sendo proposto, que seja de total responsabilidade deste governo e de seus representantes como também da justiça o que virá a acontecer com os executores dessa obra; com os trabalhadores; com os povos indígenas. O rio Xingu pode virar um rio de sangue. É esta a nossa mensagem. Que o Brasil e o mundo tenham conhecimento do que pode acontecer no futuro se os governantes brasileiros não respeitarem os nossos direitos como povos indígenas do Brasil

Brasília, DF

1º. de dezembro de 2009
 

Racismo na PUC-SP

Durante a tradicional cerimônia de formatura da PUC, onde o custo de participação é pago e altamente caro, formandos do curso de Geografia solicitaram participação na festa custeada por estudantes de História. O acesso para os demais participarem da cerimônia foi liberada, no entanto, vetando os demais de se expressarem através de falas no microfone por uma decisão unilateral de um reduzido número de alunos da organização. O que por si só já seria um absurdo, se tornou pior.
A estudante Ângela, do curso de Geografia, pediu a palavra e expressou sua felicidade diante de um diploma conquistado sobre todas as dificuldades impostas pelo preconceito e as demais dificuldades de acesso e permanência enfrentada pela juventude negra e trabalhadora, bem como no mercado de trabalho. Foi nesse momento em que Ângela e os demais estudantes negros foram hostilizados em meio à cerimônia pelo mesmo número determinado de alunos, dos quais se ouviram além de gritos como “sai daí negrinha!”, vaias e ofensas racistas. Não plenamente satisfeitas com a humilhação pública que pretenderam, três alunas da História, Giuliana Gasparrone, Camila e Maira (cujos sobrenomes não foram divulgados), ainda se prestaram ao trabalho de escrever uma carta enviada para o e-mail pessoal de Ângela (que, devido ao conteúdo, passou a circular em diversas listas da PUC e se tornou de conhecimento público) para hostilizá-la novamente, insinuado de
que Ângela não seria merecedora de estar presente na mesma formatura da qual esta estaria “de favor”, pois pertenceria a uma classe “de povo ‘inho’, de gente ‘inha’”.
Este comportamento praticado por uma clara minoria de alunos e alunas do curso de História possui conteúdo claramente racista e elitista e é uma perseguição não apenas à Ângela, mas a todas as estudantes negras e trabalhadoras que existem no curso de Serviço Social, assim como para todos os demais estudantes da PUC-SP. Acreditamos que esta manifestação é reflexo da enorme exclusão e elitismo fomentados de forma direta pela situação que passa o atual sistema educacional superior brasileiro, assim como seu conteúdo curricular racista e anti-democrático dos dias atuais. A mesma lógica de modelo universitário que possibilita ações como essa na PUC, possibilita a publicação de cartazes racistas na UFRGS em 2008; possibilita o crime racial praticado por três universitários que espancaram um trabalhador negro da USP de São Carlos; ou no assédio machista e perseguição moral praticada por alunos e pela direção da universidade contrauma estudante no caso da UNIBAN. E, precisamente por isso, não pode ser encarado como um problema específico da PUC-SP, nem muito menos do curso de História, mas como uma questão muito mais ampla e que demanda a necessidade imperativa de uma campanha contra a repressão a partir das universidades.
Por meio desta viemos expressar que esse acontecimento nefasto é de repúdio de todos os estudantes do Conselho de Centros Acadêmicos (CCA). Estaremos nos próximos dias solicitando assinaturas e a participação das demais entidades para a organização de uma Comissão Interna de Defesa no intuito de julgar este caso de racismo e exigir da direção da PUC-SP a devida punição aos praticantes de qualquer ato de racismo contra estudantes desta universidade, tendo como pena a cassação do diploma e banimento de todos os envolvidos da PUC-SP. Esta comissão deve estar aberta, assim como seus trabalhos a todas as entidades e organizações da universidade, assim como seus membros e base.
Desde o CCA, esperamos uma posição dos demais professores dos departamentos, assim como da direção da universidade. Consideramos que a PUC-SP, como universidade que reivindica e diz orgulhar-se de seu passado democrático, não deve tolerar o racismo e nem possibilitar a formação deste tipo de profissionais.
Quarta Feira, 16 de Dezembro de 2009.
Assinam:
Centro Acadêmico de Serviço Social
Centro Acadêmico 22 de Agosto
Centro Acadêmico Benevides Paixão
Centro Acadêmico de Relações Internacionais
Centro Acadêmico de Psicologia

O Racismo é um Sujeito Oculto.

A face oculta do racismo no Brasil reproduz e consolida o argumento da invisibilidade social de um povo participativo e arquiteto da história da naçã brasileira. Descontextualizando-o.
A sociedade contemporânea sabe da existência do racismo e traz consigo a consciência de que a discriminação racial cria não só o apartheid estético-midiático-imaginário como também divide o Brasil em distintas Áfricas.Negros são hóspedes,ainda incomôdos, para o segundo país mais negro do mundo, fora do continente africano.
Mesmo sendo flagrantemente racista, essa sociedade se acomoda ao não desafiar as normas atuais que imputam aos ditos diferentes um tratamento desigual valorizando a tendência de consolidação de mais e mais posturas discriminatórias e veladas.
O Projeto Raízes de Áfricas sabendo da sua quota de responsabilidade desenvolveu ao longo de 2009 ações pautadas na construção, reflexão e proposição de políticas públicas, visando a equidade social focada na igualdade racial.
Cerca de 2.000 ( duas mil pessoas) participaram de nossos encontros na multiplicação de idéias e valores igualitárias.
Realizamos inúmeras parcerias, sempre com o apoio da Federação das Indústrias e Polícia Civil.
Por acreditar que o racismo é um sujeito oculto, nos fizemos presentes na convocação de tantos e muitos para formação de uma rede de pessoas que acredita que outro mundo,sim, melhor é possível. E vamos a elas:

Ações desenvolvidas pelo Projeto Raízes de Áfricas.

06 de março 2009- Realização do almoço-homenagem: “08 mulheres da Diversidade” em comemoração ao dia internacional das mulheres.
27 de março- Realização do 1º Encontro Etnicidades/Brasil: “Brasil e República de Cabo Verde: Laços e Diferenças/Diferenças e Diálogos”. Lançamento do Blog: “Raízes D’Áfricas”, que já está no ar.
Membro da Comissão Organizadora Estadual da II Conferência de Promoção da Igualdade Racial
23 de abril- Palestra na Conferência Regional da Igualdade Racial, na cidade de União dos Palmares , com o tema: “Análise do impacto das políticas implementadas, para além fronteiras, como destaque na área das relações internacionais, para os protocolos firmados com os países do continente africano”.
06 de maio- Realização do Projeto “Mojubá Yèyé”- significado “Eu saúdo as mães”- homenagem a oito mulheres mães da diversidade: negras, indígenas e ciganas, símbolos do esforço e determinação, da pluralidade da beleza, da etnicidade e crenças, dos quais revelam a força da diversidade étnica do universo feminino.
21 de maio- Palestrante na II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (II Coepir), com o tema : “Análise do Impacto das Políticas Implementadas, para além Fronteiras, com destaque na área das Relações Internacionais, para os Protocolos Fir mados com os Países do Continente Africano”.
21 de maio - Facilitadora do Grupo Política Internacional na II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (II Coepir).
25 de maio- Articulação e organização da II Missa de Ação de Graças: Em nome do Pai e da Liberdade Guerreira- Um tributo à Liberdade da População Negra. Capela de São Gonçalo, bairro do Farol. Celebrante arcebispo de Maceió, Dom Antonio Muniz.
29 a 31 de maio de 2008-Participante como delegada eleita da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II Coepir),em Brasília.
16 a 20 de junho- Participante como membro-representante do movimento negro na Comissão Organizadora da Conferência de Segurança Pública - COE/AL do Curso Convivência e Segurança Cidadã, no Resort Starfish Ilha de Santa Luzia , Sítio Tingui, s/n, Praia do Costa - Ilha de Santa Luzia, Barra dos Coqueiros, Sergipe.
26 de junho- Proposição e Articulação para visita da delegação de Alagoas na II CONAPIR ao ministro do Supremo Tribunal Federal em Brasília, Joaquim Barbosa
24 de julho- III Encontro Etnicidades Brasil: "Cidadania em Gênero, Raça e Resistência!". Homenagem a 10 mulheres empreendedoras sociais, negras, alagoanas das bases populares com o certificado Tereza de Benguela.
Representante do movimento negro na Coordenação Organizadora Estadual da Conferência Estadual de Segurança Pública
6 e 7 de julho-Realização do Encontro Etnicidades Nordeste: “A Promoção da Igualdade Racial em Alagoas: Teoria e Prática”.
07 de julho- Realização da Conferência livre: A Segurança Pública e as Comunidades Quilombolas.
13 e 14 de agosto- Participação no Seminário de Capacitação de Representantes de Fóruns de Educação e Diversidade Etnicorracial/Natal Rio Grande do Norte/MEC/SECAD
20 e 21 de agosto-IV Encontro Etnicidades Brasil: “Negras em Movimento: Gênero, Raça e Religiosidade
27 a 30 de agosto- Participação como delegada representando o movimento negro alagoano da I Conferência Nacional de Segurança Pública,realizada em, Brasília.
18 de setembro- Seminário Temático de Avaliação “O Brasil Consegue?!?”, tema “Segurança Pública, a desmilitarização e o desafio da integração com a sociedade”
15 de setembro- Participação com palestra na Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente com o tema Promoção e universalização de direitos em um contexto de desigualdades”.
09 de outubro- Participante como moderadora da mesa temática Cidadania Direitos e Deveres1ª Conferência Metropolitana de Comunicação
30 de outubro de 2009 – Realização da Agenda Social de Diálogos Alagoanos sobre Segurança Pública e a Promoção da Igualdade Humana: Conseguiremos?!?
06 de novembro- Realização do II Colóquio Internacional Brasil x Áfricas: Artes, Cultura e Literaturas/IV Bienal Internacional do Livro.
07 de novembro de 2009- Promoção da Oficina: Eu, Meus Pais e Meus Avós
Projeto Um Dia de Graça no Terreiro-Centro Afro Cultural Abaça de Oxum Panda/Village Campestre II/Tabuleiro dos Martins-
24 de novembro- Visita do jornalista José Amaral Neto da Agência de Notícias Já. Com de Uberlândia/Minas Gerais para conhecimento e divulgação do Projeto Raízes de Áfricas.
26 de novembro- Articulação, como movimento negro para realização da Uma Missa em Nome da Paz pelo Respeito á Liberdade de Crenças e as Diferenças Humanas.Catedral Metropolitana de Maceió/Al
07 de dezembro- Promoção da palestra do ministro-adjunto de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira, com o tema ‘O Desenvolvimento Sustentável e a Política Proativa à Promoção da Igualdade Humana’.
14 a 17 de dezembro-Participante como delegada eleita representando o movimento negro alagoano, da articulação “Enegrecer a Confecom” na 1ª Conferência Nacional de em Brasília.
21 de dezembro- Realização do Encontro Erí-okán e Omòdé (Consciência e Juventude)
Que em 2010 possamos intensificar as ações conjuntas,substantivas e em parcerias para que novas caminhasa sejam estabelecidas.
Que Olurum nos conduza!
 

O Desenvolvimento Social exige a Política da Eqüidade e a Responsabilidade Popular.

Existe uma política social em vigência, aquela que estabelece uma visível e discutível dependência do povo com o poder público como estratégia da sobrevida que assegure o pedaço de pão ao bocado de feijão e arroz, muitas vezes sem a mistura. Dependência tal e tamanha que vem criando um novos paradigma: o da tolerância permissiva aos descalabros do poder.
Barriga vazia, falta de moradia, condições de vida insalubres são ferramentas midiáticas utilizadas pelos diversos poderes políticos para afirmação da autoridade do Pai patrão junto ao povo que se sente contraditoriamente agraciado,culpado e indefeso e com a cumplicidade do toma lá da cá , fragiliza o seu real papel de controle social.
A pobreza segmenta, argumenta com as não-possibilidades, invade as periferias das histórias e torna uma enorme seqüela da população refém da outra parcela que detém o poder de vida e de morte, e novamente em nome da sobrevida cria-se novos códigos de convivência social.
As muitas ações em nome da paz com passeatas, cartas, manifestos, sem a adesão de políticas públicas conclusivas e afirmativas assumem um caráter da passiva neutralidade político-social. Bem típico desse indefinido tempo contemporâneo.
Adolescente do alto dos seus 15 anos, Jorge, jovem negro vaticina: “todo mundo fala em paz, mas ninguém nunca me perguntou o que acho disse. Só quem passa sabe o que é a gente lutar contra a guerra de não saber se haverá futuro. A gente vai pra guerra desarmado, sem escola, saúde e pior descalço e com fome. Um dia fui parado pela polícia como elemento suspeito. Porque sou suspeito?!”
Segundo Mir: Sem implodir a balcanização, refundar o Estado, construir a nação multiétnica e transferir poderes e rendas teremos uma nova farsa com 500 anos de legalidade e guerra civil permanente.
República, palavra derivada do latim "res publicae", quer dizer coisa pública, ou seja: coisa do povo e para o povo, como bem proferiu Cícero.
E essa república que deveria compartilhar poder com o povo inverte os papéis, tornando-o mero coadjuvante na arte da barganha: me dá teu voto que contigo dividirei meu ouro, ou um milheiro de tijolos.
Precisamos quebrar a frágil casca do ovo que vestimos. Não levantamos mais da cadeira, a passividade nos condiciona a ser vítimas e agressores pela omissão passiva “do que não tenho nada a ver com isso”. A nossa indignação virou coisa de novela, é por capítulos e extremamente fracionada. Estamos perdendo nosso caráter da imparcialidade e isso nos torna cúmplices do estado-mercadoria, que impõe a uma considerável parcela da população brasileira, com foco na população negra, condição de vida insalubre,com insuficiência de renda, agregada a má distribuição dos recursos existentes,vazia de oportunidades. Mais de 50% das crianças brasileiras com até dois anos encontram-se na linha da pobreza; negros e pardos representam 63% dos pobres do País.
A pobreza do povo negro é bem mais do que a simples condição econômica é estruturada nos pilares do racismo colônia-nacional que ao segmentar, exclui. Ao excluir estabelece as não-possibilidades de vida digna ou ascensão social e as não possibilidades escasseiam as oportunidades que por sua vez fragiliza a sobrevida da dignidade humana, expulsando-nos mais uma vez para periferia da história.
Quem vai querer ser negro no Brasil?!?
Este país precisa reinventar os políticos oportunistas. Os oportunistas do bem que saibam trilhar com compromisso e sabedoria política os caminhos criados com as ações afirmativas em busca de equidade social.
Nós, descendentes de Áfricas, tivemos e temos um papel fundamental na construção do Brasil, entretanto somos nós, os negros que estamos na dianteira dos que compõem o universo dos miseráveis, aqueles que vivem abaixo da linha de pobreza.Já não é hora de rever essa história?
O desenvolvimento social exige a política da eqüidade e a responsabilidade popular. A releitura das desigualdades às quais o povo negro é submetido é uma delas.

 

Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com