Raízes da África

A família de Abdias Nascimento e o Ipeafro e o 13 de novembro.

A família de Abdias Nascimento e o Ipeafro e o 13 de novembro

A família de Abdias Nascimento e o Ipeafro, instituição que ele criou, marcaram o dia 13 de novembro para realizar o desejo dele, expresso em vida, de suas cinzas serem levadas à Serra da Barriga, local histórico da construção da vida em liberdade dos africanos e seus descendentes no Brasil e nas Américas.
Durante o velório, recebemos a proposta do movimento negro e da sociedade civil a proposta de se erguer um marco no local e de se plantar um pé de baobá. Na missa de sétimo dia rezada pela Ordem Terceira Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Salvador, surgiu a idéia de se plantar também um pé de iròkò. Nosso desejo é acolher essas sugestões.
Pessoas representativas de todos os setores do movimento social negro e de outras instâncias da sociedade civil manifestaram o desejo de participar desse momento de depósito dos restos mortais de Abdias na Serra da Barriga. Para nós será um conforto estar com nossos amigos, amigas, companheiras e companheiros.
 

Pai, começa o começo!

Pai, começa o começo!

Belíssimo texto de autor desconhecido que pesquei da Ângela Guedes na página do faceebok.

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: - “pai, começa o começo!”.
O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.
Meu pai faleceu há muito tempo (e há anos, muitos, aliás) não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.
Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis...
O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levam a pedir ajuda a Deus, ou como quer que se o conceba, que nunca morre e sempre está ao nosso lado. O Pai do Céu é eterno e Seu amor é a garantia das nossas vitórias.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus: “Pai, começa o começo!”. Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.
Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente neste ano. Sei apenas que vou me garantir no Amor largo de Deus para pedir, sempre que for preciso: “Pai, começa o começo!”

 


 

Abdias não foi só grande para o Brasil, diz emocionado,Mestre Cláudio, e sim para o mundo todo.

 

O Ígbà- IV Seminário Afro-Alagoano: “Igualdade Racial é Para Valer? acontecerá nos dias 06 e 07 – Dia Nacional de Luta contra o Racismo, em União dos Palmares, Alagoas.
A proposta é reunir um público participativo, dentre eles 130 representações das comunidades quilombolas do estado de Alagoas e demais interessados, para não só discutir, como também consolidar um projeto de intervenção substantivo de formação e informação sobre políticas públicas, estimulando a participação social compromissada com o entendimento dos valores sócio-étnicos, identificando lembrando, discutindo, refletindo o 07 de julho de 1978-Dia Nacional de Luta contra o Racismo e associando o racismo como entrave no desenvolvimento sustentável do país.
Na programação consta uma homenagem especialíssima ao maior líder negro brasileiro do século XX, Abdias Nascimento.
E visando instancias e mecanismos que ampliem a participação dos diversos segmentos sociais no planejamento e execução do Igbà e a homenagem a Abdias, reunimos no dia 14 de junho, no auditório da FAPEAL instituições, que responderam ao chamamento ,e durante duas horas discutimos proposições e estabelecemos prioridades e responsabilidades para a plena execução da ação.
Hélia Coelho da Paz, Superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, representando Kátia Born, falou da importância para a Secretaria da Mulher de ser co-partícipe na construção de espaços onde a população minoritária de direitos tenha espaços de visibilidade.
Kátia Born, a Secretária da Mulher acrescenta que a Secretaria da Mulher está com as portas abertas para ajudar a consolidar um dos capítulos mais significativos da história do Brasil, que fala sobre Quilombo dos Palmares e seu povo contemporâneo e reforça:“Abdias Nascimento é um ícone dessa nossa história brasileira , portanto merece todas as honras”.
Samuel Gustavo, representando a Polícia Civil abriu sua apresentação afirmando que a Polícia Civil assume o compromisso de contribuir com ações específicas para atendimento às demandas do Ìgbà.
Marcílio Barenco, diretor geral da Polícia Civil, diz que: “a participação da PC nesse projeto e as ações realizadas são sementes que estão sendo plantadas. “É um desafio institucional que carece de uma mudança na cultura da sociedade do país”.
Cláudio Figueiredo, ou o mestre Cláudio representante do Escritório da Fundação Palmares em Alagoas lembra que estudou com Abdias Nascimento e Elisa Larkin e, percebe a homenagem a Abdias como instrumento de ação política de oportuno reconhecimento a um cidadão brasileiro que muito contribuiu para a construção de um olhar social positivo valorizando a cultura e história da população afro descendente. “Abdias não foi só grande para o Brasil, diz emocionado, e sim para o mundo todo, assim como o é a Serra da Barriga e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares”.
Mesmo não comparecendo a reunião, Paula Sarmento, Secretaria de Cultura do município de Maceió frisou que é uma firme parceira da ação, como também, assim asseverou o deputado federal, Maurício Quintella.
A Secretária de Turismo de União dos Palmares, Izabel Helena Padilha Maia reforça o interesse do prefeito, Areski Freitas, de estimular e consolidar um roteiro de valorização dos espaços negros, em Palmares.
Como apoiadora oficial permanente nas construções étnicas contamos com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.
Impossibilitada de comparecer a professora doutora Nanci Helena Rebouças Franco, professora adjunta da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) diz que: “reitero o meu compromisso com as nossas causas e me coloco à disposição para a próxima reunião’
A próxima reunião acontecerá dia 21 de junho, terça-feira, às 09 horas, no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas – FAPEAL, Rua Melo Moraes, 354, Centro, Maceió-AL.
Sinta-se [email protected]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Abdias não foi só grande para o Brasil, diz emocionado,Mestre Cláudio, e sim para o mundo todo.


O Ígbà- IV Seminário Afro-Alagoano: “Igualdade Racial é Para Valer? acontecerá nos dias 06 e 07 – Dia Nacional de Luta contra o Racismo, em União dos Palmares, Alagoas.
A proposta é reunir um público participativo, dentre eles 130 representações das comunidades quilombolas do estado de Alagoas e demais interessados, para não só discutir, como também consolidar um projeto de intervenção substantivo de formação e informação sobre políticas públicas, estimulando a participação social compromissada com o entendimento dos valores sócio-étnicos, identificando lembrando, discutindo, refletindo o 07 de julho de 1978-Dia Nacional de Luta contra o Racismo e associando o racismo como entrave no desenvolvimento sustentável do país.
Na programação consta uma homenagem especialíssima ao maior líder negro brasileiro do século XX, Abdias Nascimento.
E visando instancias e mecanismos que ampliem a participação dos diversos segmentos  sociais   no planejamento e execução do Igbà e a homenagem a Abdias,  reunimos no dia 14 de junho, no auditório da FAPEAL instituições, que responderam ao chamamento ,e durante duas horas discutimos proposições e estabelecemos prioridades e responsabilidades para a plena execução da ação.
Hélia Coelho da Paz, Superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, representando Kátia Born, falou da importância para a Secretaria da Mulher de ser co-partícipe na construção de espaços onde a população minoritária de direitos tenha espaços de visibilidade.
Kátia Born, a Secretária da Mulher acrescenta que a Secretaria da Mulher está com as portas abertas para ajudar a consolidar um dos capítulos mais significativos da história do Brasil, que fala sobre Quilombo dos Palmares e seu povo contemporâneo e reforça:“Abdias Nascimento é um ícone dessa nossa história brasileira , portanto merece todas as honras”.
Samuel Gustavo, representando a Polícia Civil abriu sua apresentação afirmando que a Polícia Civil assume o compromisso de contribuir com ações específicas para atendimento às demandas do Ìgbà.

Marcílio Barenco, diretor geral da Polícia Civil, diz que: “a participação da PC nesse projeto e as ações realizadas são sementes que estão sendo plantadas. “É um desafio institucional que carece de uma mudança na cultura da sociedade do país”.

Cláudio Figueiredo, ou o mestre Cláudio representante do Escritório da Fundação Palmares em Alagoas lembra que estudou com Abdias Nascimento e Elisa Larkin e, percebe a homenagem a Abdias como instrumento de ação política de oportuno reconhecimento a um cidadão brasileiro que muito contribuiu para a construção de um olhar social positivo valorizando a cultura e história da população afro descendente. “Abdias não foi só grande para o Brasil, diz emocionado, e sim para o mundo todo, assim como o é a Serra da Barriga e o Parque Memorial Quilombo dos Palmares”.
Mesmo não comparecendo a reunião, Paula Sarmento, Secretaria de Cultura do município de Maceió frisou que é uma firme parceira da ação, como também, assim asseverou o deputado federal, Maurício Quintella.
A Secretária de Turismo de União dos Palmares, Izabel Helena Padilha Maia reforça o interesse do prefeito, Areski Freitas, de estimular e consolidar um roteiro de valorização dos espaços negros, em Palmares.
Como apoiadora oficial permanente nas construções étnicas contamos com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.
Impossibilitada de comparecer a professora doutora Nanci Helena Rebouças Franco, professora adjunta da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) diz que: “reitero o meu compromisso com as nossas causas e me coloco à disposição para a próxima reunião’
A próxima reunião acontecerá dia 21 de junho, terça-feira, às 09 horas, no auditório da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas – FAPEAL, Rua Melo Moraes, 354, Centro, Maceió-AL.
Sinta-se [email protected]
 

Sim, sou oportunista!


Um cara, ou uma cara que não conheço o rosto , nem RG, CPF, estado civil, ou  trajetória de luta me manda um recadinho, anonimamente anônimo, afirmando que sou oportunista.
Eu quero confessar: sou!
Se oportunismo é aproveitar o espaço do balão vazio para consolidar a invisível história do povo de pele parda preta, pode assinar embaixo, senhor/senhora anônima :sou sim,  oportunista!
Afroabraços.

As cinzas de Abdias Nascimento serão depositadas na Serra da Barriga, em Alagoas.

Recebemos de Elisa, esposa de Abdias Nascimento.

 

Rio de Janeiro, 09 de junho de 2011.
A Sua Senhoria, a Senhora
ARÍSIA BARROS
Coordenadora do Projeto Raízes da África
Maceió, AL
Senhora:
Agradecendo a sua correspondência e o seu convite, venho por meio de esta confirmar
minha presença e a presença do professor doutor Roberto Borges, secretário da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e de Hilton Cobra, coordenador do Fórum Nacional de Performance Negra no evento previsto para o dia 07 de julho no alto da Serra da Barriga.
Será uma honra participar de esta homenagem marcando os trinta dias do falecimento de meu marido e companheiro Abdias Nascimento e o Dia Nacional de Luta contra o Racismo, aniversário do histórico ato público em que nós participamos em 1978 nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo.
A família e o Ipeafro, instituição que tive a honra e o prazer de ajudar Abdias a criar e que hoje dirijo, pretendemos realizar a intenção dele, expressa em vida, de levar os seus restos mortais à Serra da Barriga. Estamos prevendo o dia 13 de novembro para esse ato e já recebemos a manifestação de entidades e personalidades do Brasil e do exterior no sentido de apoiar e participar desse momento. No velório aqui no Rio de Janeiro nos dias 26 e 27 de maio, representantes do movimento social negro do Brasil sugeriram plantar-se um pé de baobá e um pé de iroko e erguer-se um marco identificando o local. A realização dessas intenções depende, evidentemente, da colaboração e da participação do movimento social negro de Alagoas e das autoridades locais e estaduais, bem como dos órgãos oficiais de apoio à cultura negra e às políticas de igualdade racial. Sou profundamente grata a Vossa Senhoria e ao Projeto Raízes de Áfricas pela iniciativa de estender a mão e expressar a sua solidariedade conosco neste momento.

O Ipeafro pretende realizar um encontro de pensadores, ativistas a artistas nos dois dias
anteriores. Trata-se um momento de reflexão sobre o legado de Abdias nas diversas áreas em que atuou, retomando o colóquio internacional “Ancestralidade Africana e Cidadania: O Legado Vivo de Abdias Nascimento”, que o Ipeafro realizou no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro em 2004 por ocasião de seus noventa anos. A atividade irá realçar e enriquecer a fundamentação do significado da ida de suas cinzas à Serra da Barriga. Lembro que, em 1980 e em 1983, eu mesma participei em seminários realizados pelo Memorial Zumbi em parceria com a Universidade Federal de Alagoas e nas suas dependências em dias anteriores à ida à Serra da Barriga. Ficamos honrados e contentes com o pronto acolhimento de nossa ideia que Vossa Senhoria manifesta no seu ofício. Entendemos que, na qualidade de realizador do encontro, o Ipeafro irá definir o seu título e a sua programação em consulta com as entidades e os órgãos que o apóiam.
Tenho certeza de que nossa colaboração neste objetivo irá dar ricos frutos no sentido de
reforçar e reafirmar os objetivos do movimento social negro nacional e internacional, ao
mesmo tempo projetando a importância histórica da Serra da Barriga para o Brasil e para o mundo.

_______________________________________________________________
IPEAFRO – INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS
Rua Benjamin Constant, 55 /1101 – Rio de Janeiro, RJ – 20241.150 – Brasil
 

Carta Aberta da Organização do II Ciclo Nacional de Conversas Negras

 

 Decorrentes de fatores internos e externos à organização, projetos em desenvolvimento passam por alterações em seu contexto organizacional e exigem reestruturações profundas, mudanças não planejadas e nestas horas é preciso retroceder, reavaliando os impactos e resultados para poder avançar.
 O Projeto Raízes de Áfricas e apoiadores/parceiros do estado de Alagoas, como representantes da coordenação nacional, juntamente com segmentos sociais representativos do município de Piracicaba, dentre eles a Câmara dos Vereadores, parceiros para realização do II Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta”, que aconteceria em Piracicaba, de 25 a 27 de agosto de 2011 segundo a Audiência Pública de 04 de novembro 2010, (Requerimento (436/10), de autoria do então, presidente da Câmara Municipal de Piracicaba, José Aparecido Longatto, PSDB),visando fazer frente as situações dissonantes, ocorridas durante o processo organizativo que geraram uma certa instabilidade a idéia original do projeto, acordaram que:
 Considerando a proposta original do Ciclo Nacional de Conversas Negras como exercício político-não-partidário de interpretação da realidade e especificidades do racismo no Brasil, visando fomentar a discussão dos meios mais adequados e eficientes para a execução das políticas públicas, já sancionadas, para a população de pele preta ou parda;
 Considerando que a quebra de alguns paradigmas estruturais causa prejuízo ao principal diferencial estratégico do Ciclo que é a consolidação dos direitos humanos e dignidade da população de pele preta ou parda, enquanto elemento basilar para a cidadania plena;
 Considerando a necessária otimização de mecanismos e estratégias de aprimoramento para a legitima continuidade do projeto fica deliberado que a realização do II Ciclo, ocorrerá novamente em Maceió, nas Alagoas de Palmares, no período de 25 a 27 de agosto, tendo como local a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas; Av. Fernandes Lima, 385. Ed. Casa da Indústria, 5º andar - Farol 57055-902 - Maceió-AL
Os custos com a logística do II Ciclo Nacional de Conversas Negras serão de responsabilidade do Projeto Raízes de Áfricas, através dos apoiadores locais e nacionais.
Atentamos que as mudanças mencionadas não prejudicarão a participação de representantes de todo território brasileiro no diálogo iniciado em 2010, com o I Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta.”

Coordenação Nacional do Ciclo Nacional de Conversas Negras e apoiadores locais

O Estado só conhece uma lei: "Para cada ação uma reação...

Socializo texto extremamente coerente do Marcos Romão, brasileiro que mora lá para as bandas da Alemanha, para reflexão.


O Brasil, Dilma e Cabral precisam de bombeiros.

Marcos Romão


A presidente Dilma ainda em campanha em Hamburgo 2009.
Conversei em Hamburgo semana passada, com um amigo ativista como eu, do movimento negro há mais de 40 anos. Sua filha de 23 anos, mãe de uma criança de 5 anos, foi executada com um tiro na cabeça em Salvador.
Aconteceu em plena luz do dia, 11 horas da manhã, 3 homens foram buscá-la em casa. Saíram sorridentes, disse uma testemunha.
O carro féretro percorreu 300 metros e parou em um terreno baldio, disse uma segunda testemunha, que reparou apenas que conversavam amigavelmente e seguiu adiante. Minutos depois viu o carro passar com apenas três ocupantes. Desconfiado foi até o terreno e encontrou a menina já morta com uma bala na cabeça.
As informações é de que ela andava com más companhias, traficantes talvez. Assunto encerrado para as autoridades.
Seu pai estivera um mês antes no Brasil, comprara um passagem para que ela viesse para a Europa. Pressentia o pior para sua filha.
Andou em más companhias, fez isto, fez aquilo é o que cada pai e cada mãe, de cada um dos 50 mil adolescentes e quase adultos mortos violentamente no Brasil, ouvem das autoridades.
O que era o chicote corretivo antes do Brasil correto é hoje bala de super trezoitão no Brasil democrático. O tratamento social de nossos jovens mudou de ruim para pior. Para todos os problemas a resposta é bala. O Estado só conhece uma lei: "Para cada ação uma reação e grito de passarinho se cala com tiro de canhão".
O pai da menina ainda não chorou. Ouvi pessoalmente relatos de vítimas do holocausto, que o absurdo da situação de extermínio era tão grande, que as lágrimas não estavam preparadas para responder com o choro.
Sei que ele talvez leve muito tempo para reaprender a chorar, para chorar a morte estúpida de sua filha. Eu chorei por ele.
Aprendi a chorar depois de velho, o choro indignado com a ignomínia e injustiça. Que bom poder me sentir vivo e não anestesiado pelo terror das milícias e corrupção generalizada, que nos atinge enquanto brasileiros a 12 mil Km de distância, como se eu estivesse andando em uma rua de Salvador.
Os conselheiros da presidente e dos governadores e autoridades de meu país precisam reaprender a chorar. Chorando talvez aconselhem melhor e parem com as truculências e as balas, e dêem exemplo aos nossos jovens, que é possível comportar-se de outra forma que não seja através da violência.
Em um ato talvez mal aconselhado o governador do Rio de janeiro reprimiu brutalmente os bombeiros de meu estado natal. Infelizmente ele não está sozinho em sua ação. Representou apenas os desmandos coronelistas que persistem e voltam a crescer em nossas cidades e no campo.
Precisamos de bombeiros em todas as instâncias de nosso país. Das escolas a alta magistratura, dos lares aos quartéis. Gente que converse e salve e que não mate.
A filha do meu amigo, meus filhos, os filhos e filhas de cada um vão nos cobrar um dia a nossa ignorância. Vão cobrar a nossa falta de sensibilidade para conversamos e darmos um basta na violação do mais intimo de nossas vidas, que é a nossa dignidade de ser humano. Ainda é tempo. Não é mais momento para trocarmos acusações, é momento para agirmos.
Marcos Romão
watch?v=fxWtWLo8Ax0&w=640&h=390

Cadê minha liberdade ?

Socializando...

“A resposta da Nega Fulô”

                         Beto Brito,


Sinhô! Sinhô
Era a fala da negá
Cadê a minha liberdade
A cama que nunca tive
Cadê minha virgindade
E os locais que nunca estive?
Cadê minha autoridade
Ah! Foi você quem roubou!
Ah! Foi você quem roubou!
Esse Sinhô!
Esse Sinhô!
Sinhô! Sinhô!
Devolva minha alegria,
Sinhô!
Nas correntes e no chicote
Foi lá que ficou
Em rubro sangue e lágrimas
E no suor do Sinhô!
Esse Sinhô!
Esse Sinhô!
Ó Sinhô! Ó Sinhô!
(era a fala da negá amaldiçoando o Sinhô)
Pra que Deus te mandou?
Pra que Deus te mandou?!
 

E assim falou FHC: Eu sou a favor da descriminalização de todas as drogas.

Lembrei dos meninos faz pouco. Foram meus alunos e afogados no pântano das drogas morreram na infância dos sonhos.
Eram meninos pobres da periferia e portavam no sorriso aberto a singeleza da felicidade gratuita: correr na praça, jogar bola, paquerar meninas.
Eram meninos com barba ainda por nascer. Rostos imberbes.
Viviam decorando a cartilha das descobertas. Ainda me lembro deles, mesmo fazendo tanto tempo. Fui sua professora.
Eram inocentes na sanha das descobertas e um dia descobriram o fruto proibido. Não era a maçã de Adão e Eva. Foi a tal da erva maldita, a “inofensiva” maconha.
Não era nada. Não era nada mais enviesou o caminho dos meninos para terrenos baldios, sem perspectivas.
Os meninos partiram cedo, pois avançaram na descoberta do proibido. Era apenas um cigarrinho que se tornou uma bomba relógio. E os meninos morreram.
No bairro da periferia de Maceió, com uma incidência alarmante de mortalidade, outros meninos e meninas seguiram o mesmo caminho. Partiram...
Segundo a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármem Lúcia que votou a favor da liberação da marcha da maconha "a democracia é generosa exatamente porque há liberdade de pensamentos.”
Os meninos não tiveram chance de descobrir a generosidade da democracia brasileira.
A sensação de liberdade os matou.
 

Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 [email protected]
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 [email protected]