Raízes da África

Abertas até 15 de junho inscrições para seleção de estagiários na ONU

Repassando nota da Secretaria de Políticas de Promoçaõ da Igualdade Racial-SEPPIR

 


A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
(SEPPIR) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), abrem de 1º a
15 de junho de 2010, o 2º processo de seleção para 3 estudantes
( negros(as), pretos(as) e pardos(as)) cursando mestrado ou doutorado
na área de Ciências Humanas ou Sociais, interessados em estagiar na
Delegação Permanente do Brasil em Genebra, Suíça e acompanhar as
atividades do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas
(ONU).

O estágio terá duração de três meses (ano de 2011), não será
remunerado e está inserido no Programa de Formação Complementar e
Pesquisa na Área de Direitos Humanos da Agência Brasileira de
Cooperação, que oferecerá os recursos para passagem, hospedagem,
alimentação e transporte dos candidatos selecionados. A análise dos
currículos será realizada por Comissão Científica composta por
representantes dos Ministérios proponentes e da Sociedade Civil.
Os pré-requisitos para as vagas são:
* Ter idade máxima de 35 anos;
* Ter concluído ou estar em vias de concluir pós-graduação
("stricto sensu") em área conexa aos temas abrangidos pelo programa de
formação complementar e pesquisas humanas e sociais;
* Ter domínio comprovado da língua inglesa;
*Ter disponibilidade de dedicar-se em tempo integral.

Para candidatar-se ao programa, o estudante deverá enviar até
dia 15 de junho o currículo pelo e-mail: seppir.onuestagio@ planalto. gov.br
Comunicação Social/ SEPPIR
MAGALI NAVES
Chefe da Assessoria Internacional-Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. SEPPIR-PR
Fone:(61)3411-3665-Fax(61)3226-5625
Esplanada dos Ministérios - Bloco A - 9º andar
CEP: 70054-906 - Brasília - DF - Brasil

 

Entre ser mulher, negra e deficiente, sinto que sou mais discriminada nos bancos pela cor da minha pele.


Diversidade é o discurso contemporâneo da legitimação do diferente. A consciência do SER profundamente enraizada na cultura do direito individual, como bem social e coletivo. Equidade!
Desde o Brasil colônia o povo negro foi estigmatizado com o inadequado sentido da “coisificação” assumindo o incomodo lugar movediço de mero objeto produtivo. Era preciso produzir para ter serventia e negros doentes eram “produtos” desqualificados.
Apesar dos 122 anos que nos separam da abolição inacabada, o imaginário social cristalizou, como se fosse uma imagem geracional, a falsa e racista concepção da inferioridade étnica da população negra.
Estigma que funciona como instrumento de controle social para desvalorizar, desacreditar e marginalizar uma população que na atualidade ainda sofre o emprego ideológico da história que alicerçou memórias segmentadoras.
Como é ser negro e deficiente no Brasil?
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (2004) existem quase 25 milhões de deficientes físicos no Brasil, 47% dos quais são negros (11.649.256)
No tocante à distribuição geográfica as regiões Norte e Nordeste têm 16,1% e 16,7 % dos deficientes ao passo em que 12,9% estão no Sudeste.
Quais são os estudos existentes no Brasil sobre as características estigmatizadas – ser negr@ e deficiente físico?
Qual o lugar social do personagem de Monteiro Lobato, Saci-Pererê, um deficiente negro?

A deficiência como hiato racial entre negros e brancos.

Muita gente apresenta certo “desconforto’ ao compartilhar o espaço com uma pessoa deficiente, e se o deficiente for negr@...
“B. foi contratada por uma instituição financeira dentro da cota para deficientes exigida pela lei. Logo nos primeiros dias de trabalho, ela sentia os olhares atravessados e a cara fechada das pessoas, principalmente no elevador. Uma gestora que trabalha no seu departamento nem a cumprimentava, mesmo após os insistentes “olás” de B. Daí para as piadinhas racistas foi um passo.
“Até o dia que me irritei e cobrei o fim das piadinhas de negro. Exigi respeito e, a partir do momento em que as pessoas me viram andando com o pessoal do Sindicato, as piadinhas pararam”, conta.
B. é a única negra no seu departamento. Segundo o Mapa da Diversidade, o número de bancários negros representa menos que 3% da categoria. “O número de negros é extremamente baixo e talvez isso reforce o preconceito.
Entre ser mulher, negra e deficiente, sinto que sou mais discriminada nos bancos pela cor da minha pele”, diz B.
A síndrome Down pode não fazer distinção de cor antes do nascimento, mas há fará alguns anos depois. Um estudo realizado em 2001 pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos concluiu que, em média, brancos com a síndrome vivem o dobro do tempo que os negros. Como especialistas ainda não sabem explicar o porquê de tamanha disparidade, o assunto ainda merece mais pesquisas. (Paulo Alberto Otto, da Universidade de São Paulo (USP).
Porque os/as pesquisadores não despertaram para o território de investigação sobre a mortandade de downs negros?
Segundo um site na internet: “É fundamental deixar claro que entre os surdos há uma série de subgrupos: ser surdo negro não é o mesmo que ser surdo branco ou rico ou pobre ou mulher”
Nada é mais eficiente em sua deficiência do que o racismo brasileiro!

 

Secretaria de Educação Especial/MEC propõe diálogo ampliado sobre negritude e deficiência.

Recebo na manhã do dia 01 de junho um telefonema de Misiara Oliveira- chefe de gabinete da Secretaria de Educação Especial, Ministério de Educação nos falando sobre a leitura do artigo que publicamos neste blog, dia 31/05 sobre o título:” A construção das relações de poder na educação segrega as pessoas diferentes, tornando-as desiguais”.
Misiara reafirma a importância do convite a SECAD/MEC para a indicação de 02 representações do movimento negro (Alagoas e Bahia) para participação no Seminário Internacional:“A Escola Aprendendo com as Diferenças” e continua: “o convite visava justamente isso: possibilitar a reflexão extra-grupo sobre os limites e possibilidades da educação inclusiva, o que pressupõe entender, explicar, pensar e contextualizar a diversidade como um permanente processo de ensino-aprendizagem”.
Entusiasta Misiara reafirma o compromisso da SEESP/MEC na perspectiva de consolidar a implementação da “educação inclusiva como um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à idéia de eqüidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola” e propõe a realização, o mais breve possível, de uma escuta nacional sobre a temática: “negritude e deficiência” , novos caminhos para o estudo da Lei Federal nº 10.639/03 e outras questões pertinentes.
Pessoalmente fico feliz com a positiva repercussão das proposições do blog Raizes de África junto à SEESP, como também da maturidade política apresentada pela gestão da Secretaria Nacional (não é todo dia que a gestão estatal responde de pronto e positivamente), ao perceber nossos argumentos como um olhar contributivo para o desenvolvimento de uma política macro que invista, sem as estereotipadas barreiras sociais, em um processo de humanização na construção da identidade étnica do deficiente.
Nos apressamos, através de uma ligação telefônica em levar ao conhecimento de Leonor Araujo, coordenadora geral de Diversidade/SECAD/MEC as proposições da SEESP.
Leonor demonstrou uma enorme satisfação e referenciou positivamente a Secretaria de Educação Especial pela iniciativa de pensar políticas que se inter-relacionam e estabelecem a interação entre atrizes/atores estatais constituindo assim uma abrangente rede de trabalho sobre deficiência e educação das relações étnicorraciais.
Elói Ferreira, ministro-chefe da Igualdade-racial foi enfático: é uma nova frente que se abre de combate ao racismo.
 

Tempos de Casa-Grande é uma afronta oportuna ao mito da democracia racial.

Reproduzimos a opinião de Maria Luiza Tucci Carneiro - Universidade de São Paulo]   sobre o livro  Tempos de Casa-Grande, de Silvia Cortez Silva, que já publicou inúmeros artigos em revistas e livros, analisando temas como livros proibidos, intelectuais e antissemitismo.
O lançamento do livro acontecerá terça-feira, 08 de junho, às 19 horas, na Livraria Cultura, Paço Alfândega. Rua: Madre de Deus s/n. Lojas 135/135/229. Recife/PE
Fone: (81) 2102-4033

 

Tempos de Casa-Grande, antes de ser polêmico, é um livro corajoso por colocar em cena uma faceta pouco conhecida de Gilberto Freyre: a de intelectual racista e, em particular, antissemita. Integra-se ao conjunto de estudos que, nestas últimas décadas, têm revisitado o pensamento do grande "Mestre de Apipucos".
Silvia Cortez Silva não se furta de reconhecer uma das marcas mais importantes da obra freyriana e que, muitas vezes, foi eclipsada pela força do mito da democracia racial. Demonstra como o racismo e o racialismo foram acobertados por interpretações do próprio Freyre que, em Casa-Grande & Senzala, insiste na idéia de que a mestiçagem é o principal traço da identidade brasileira. Ao analisar os textos de Freyre, a autora traz uma contribuição especial: instiga-nos a reavaliar uma das mais importantes interpretações sobre o Brasil na década de 1930. Se Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, é um "divisor de águas" na história do livro e da cultura brasileira, Tempos de Casa-Grande, de Silvia Cortez Silva, é um marco na historiografia brasileira. Através de uma linguagem perspicaz inspirada na mitologia grega, a autora realiza uma verdadeira arqueologia do saber construído por Freyre. Tarefa difícil, apesar do tempo de Silvia ser outro, distanciado dos "tempos de Freyre", tempo morto, tempo de aprendiz, tempo de intolerância, tempo de integralismo e autoritarismo. Inquieta diante da força dos mitos, a autora não tem medo da fúria de Éolo. Este livro é uma afronta oportuna ao mito da democracia racial que, assim como a Fênix, renasce das cinzas.
 

Clínica da Bahia pratica racismo contra ativista do Instituto Búzios

"O racismo percorre tantos itinerários que em muitos momentos torna-se maior que um tumor maligno.
Na verdade o racismo é uma grande metástase que se manifesta e gradativamente vai ocupando terrenos e se impõe como um gigantesco e crescente corpo social.
O racismo como elemento ideológico é determinante para asfixiar e poldar existências que poderiam ser comuns.
O racismo marca a superficialidade da humanidade contemporânea pela seleção natural, o jogo das aparências. É um estado de estagnação que em muitos momentos marca a solidão de ideais. Qual a interpretação que damos ao comportamento deste profissional da medicina que fez o juramento de Hipocrates? De salvar vidas.
O racismo tem , estabelecido, apesar de todas as lutas dos movimentos sociais uma resistente queda de braços. É preciso que nós, do movimento social negro, aprendamos a difundir estratégias de coesão à luta em torno do cotidiano seqüestro social da nossa identidade étnica.
É preciso difundir o respeito a nossa história já nas plataformas dos candidatos/candidatas as próximas eleições.
Somos tant@s e muit@s e nossas memórias pessoais ousam gritar por palavras que emancipam.
Nenhuma abolição será completa se continuarmos a viver a mercê de parâmetros tão devastadores a nossa auto-estima e a nossa história.
É hora de reagirmos. Ainda temos o poder da consciência ! ( Arísia Barros)
"

Abaixo a nota de repúdio de Valdisio Fernandes, Instituto Búzios.

No dia 18 de Maio de 2010, a ativista negra e feminista do Instituto Búzios, formada em administração de empresas, Eva Bahia foi vítima de racismo praticado pelo Dr. José Nunes Sarmento, médico da Clínica Delfin de Salvador - Bahia.
Comparecendo a esta Clínica para fazer um Raio-X, posteriormente foi ao médico que assinaria o laudo e este lhe fez de forma sarcástica o seguinte questionamento: “A Senhora veio tirar raio-x do crânio ou das tranças?!”. Atônita, Eva disse que não havia compreendido o questionamento, e sem nenhum acanhamento ele repetiu a mesma pergunta depreciativa e logo em seguida afirmou que não tinha como emitir um laudo das tranças e para finalizar complementou que não poderia emitir o laudo “disso...”. Indignada, Eva dirigiu-se a Drª. Clarissa Sarmento (provavelmente parente do médico) da administração da clínica para prestar queixa, esta disse que levaria o caso à coordenação e emitiu o laudo citando que artefatos (mega-hair) na cabeça prejudicaram a avaliação das estruturas.
A situação revela o comportamento racista a partir da identificação dos traços fisionômicos do povo negro. O tratamento discriminatório, ofensivo e injusto é inquestionável, é contundente, de forma a revelar a tentativa de colocação do negro em situações inferiores, subalternas e não dignificantes. Contando com a orientação jurídica do Aganjú - Escritório de Apoio Jurídico Aos Afrodescendentes, Eva entrou com uma representação no Ministério Público contra o ato racista, conforme o relato do fato.
O Instituto Búzios, dirigentes e militantes do movimento negro emitiram na forma de abaixo-assinado uma Nota de repúdio à prática racista do Dr. José Nunes Sarmento, Médico da Clínica Delfin. Solicitamos a toda a militância negra a subscrição da nota e a ampla divulgação na mídia, sites, blogs e listas de discussão.

 

 


 

A construção das relações de poder na educação segrega as pessoas diferentes, tornando-as desiguais.

Após a participação no Seminário Internacional: “A Escola Aprendendo com as Diferenças”, “VI Seminário do Programa: Educação Inclusiva: direito à diversidade, da Secretaria de Educação Especial/Ministério de Educação, ocorrido no período de 24 a 27 de maio, em Brasília, ousamos “hipoteticamente” criar um saudável confronto entre as formas e significados sociais no, ainda, eterno ciclo de dominação europeu em território brasileiro visando a ressignificação da identidade étnica-positiva no contexto negritude e deficiência.
Como criar pontes de conversação no claustrofóbico mundo em que a deficiência física se embrenha com a negação étnica?
Como dialogar com o racismo enquanto ideologia socialmente determinante que acomoda imagens grudadas no imaginário da população estabelecendo a sutileza da não existência? Como substantivar a linguagem-social da compaixão em relação às limitações físicas?
Como emancipar conceitos da resistência de memórias institucionais?
Durante todo Seminário ouvimos os “discursos fortemente consolidados nas resistências pessoais” de que o espaço do Seminário não era apropriado para discutir concepções sobre o racismo, e da existência de um plano de ação que vem sendo construído a cerca de “anos”. Estabeleceram o “seqüestro” do quesito “flexibilidade” na arte de educar e impuseram a linguagem sublimar da segregação pedagógica.
Como pensar a elaboração compartilhada de planos de ações que traduzam em fortalecimento,autonomia e o empoderamento dos negros -deficientes?
Como pensar o deficiente físico sem o “status quo” da beleza?
Quanto maior o potencial de beleza-padrão à la brasileira: “branca, cabelos lisos e feições européias”, maior o grau de unanimidade do discurso: Ah! coitadinha,mas é tão bonita!
A acidez social desumaniza a geografia do respeito à diversidade.
É preciso que segmentos organizados apreendam a divisão do silêncio, mexendo em pilares hermeticamente construídos visando somar forças sem perder marcas específicas de lutas.
A coesão dessas forças resulta numa aprofundada discussão sobre a multiplicidade de vozes que se entrecruzam, se confundem e como numa energia muda expõe discursos referenciais que possibilitem o diálogo com a produção do ser pessoa no mundo contemporâneo.
É preciso revê parâmetros e pontificar questões essenciais, todavia “naturalizadas” pelo nosso jeito europeu de pensar o Brasil:
Se a atriz que fez a tetraplégica Luciana da novela global “Viver a Vida”, fosse uma mulher negra com os belos cabelos carapinha de Áfricas faria tanto sucesso, na “democracia racial” brasileira, desbancando até a protagonista da novela uma atriz branca?
Se a Clarinha – personagem da menina Joana Mocarzel, na novela de Manoel Carlos, ‘Páginas da Vida’ fosse negra o tal do marketing social não seria mais legítimo para desmistificar , discutir e visibilizar a pessoa negra com síndrome de down ?
Pessoas negras com síndrome de down tem 50% a menos de tempo de vida em relação as brancas. A escola sabe do por quê?
E se a Clarinha fosse negra viraria boneca?
A educação “especial” como instrumento formador comprometido com populações marginalizadas poderia adotar como princípio macro a partilha de informações/formações do fazer pedagógico com o olhar das ciências, inclusive da psicologia sobre questões invisibilizadas, abrindo leques para discursos mais flexíveis na “feitura” de renovadas leituras/ consciências de tantos/tantas/diversos/diversas e diferentes protagonistas.
A construção das relações de poder na educação brasileira permanece estabelecendo espaços hierárquicos que ao segregar os diferentes, os torna desiguais no processo da inclusão-excludente.
 

O Seminário Internacional foi um exercício de escuta com outros saberes

Durante o período de 24 a 27 de maio estivemos participando em Brasília ,do Seminário Internacional: “A Escola Aprendendo com as Diferenças”.
A iniciativa do convite para que representando o movimento negro alagoano pudéssemos intervir com um novo olhar dentro do universo da educação especial partiu da Secretaria Nacional de Educação Especial  a SECAD/MEC, e nos possibilitou ampliar a discussão, um tanto sistêmica, que reside na importância de fundamentar a educação como instrumento –elo que garanta oportunidades efetivas e eficazes de enfrentar situações de preconceitos e discriminação , como também de afirmar a identidade étnica .
Em 25 de maio- Dia da Libertação de África, das 15 as 17 horas foi realizada, com especialistas nacionais e internacionais, a mesa redonda: “Formação de professores na perspectiva de educação inclusiva: a escola aprendendo com as diferenças”, e durante o debate fizemos uma explanação de fatos que criminalizam e expulsam a criança negra da sala de aula e as conseqüências, tais como: a menina que toma água sanitária para ficar branca, o menino que abandona a escola porque a escola professa uma fé única, e da menina que não fez sua formatura porque os meninos da escola não quiseram dançar a valsa com ela que era negra, feia e tinha cabelo pixaim e diante de tais fatos questionamos aos/as especialistas quais foram os conceitos que subsidiaram a formulação da diversidade em estudo , se a Lei nº 10.639/03 não foi citada em hora alguma, nem mesmo quando se foi falado em diversidade na escola.
Como acreditamos que cidadania é a ação de unir o discurso a mobilização das palavras, buscamos aos longo de 04 dias aprender e contribuir, com e para construção da ampliação e o aprofundamento do debate, como também para um melhor entendimento sobre educação especial , seus efeitos e suas relações com a afirmação identitária (educação anti-racista) e da legitimação da Lei nº 10.639/03.
Durante nossa participação na plenária questionamos a coordenação do Seminário sobre o porque da participação de quatro pessoas de uma mesma instituição, Escola da Gente/RJ , explanando sobre um tema tão complexo e diverso : Políticas da Juventude na Perspectivas da Educação Inclusiva.
Uma pena que aliado ao convite de participação ao movimento negro, não tenha sido convidada instituições do Brasil que promovem produtivas experiências de inserção social para jovens negros. Na plenária conhecemos uma representante de Angola que foi convidada para “ouvir” nossas experiências em diversidade.
O Seminário Internacional: “A Escola Aprendendo com as Diferenças” foi o primeiro passo, ainda que tímido,para  o exercício de escuta com outros saberes e novas alternativas de ação para que as deficiências humanas ( físicas) possam ser tratadas além da compaixão.


 

Alagoas e Bahia representam o movimento negro em Seminário Internacional

O Seminário Internacional “A escola aprendendo com as diferenças”-VI Seminário Nacional do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade- reúne desde a segunda, 24 a 27 de maio, em Brasília cerca de 700 representações de diversos segmentos tendo como objetivo o debate sobre os rumos e uma nova dinâmica para o trato da diversidade de uma forma mais abrangente.
Na abertura o Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Especial – SEESP, em conjunto com a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura – OEI e apoio do CONSED /UNDIME e patrocínio da Fundação MAPFRE entregaram as escolas vencedoras o Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas: a escola aprendendo com as diferenças.
Em seu discurso Ministro da Educação, Fernando Haddad falou da importância do referido Seminário que contou com a participação de Álvaro Marchesi, Secretário Geral da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, Ciência e Cultura - OEI.
De acordo com Misiara Cristina Oliveira, chefe de gabinete da Secretaria de Educação Especial-SEESP-Brasília: o Seminário Internacional “A escola aprendendo com as diferenças , que acontece na Academia de Tênis, tem como objetivo ao propor o debate aproximar o discurso político dos segmentos sociais do fazer pedagógico, buscando assim uma unidade de trabalho que atenda especificidades de cada um.
Misiara chamou a atenção para a integração demonstrada pelos representantes dos movimentos sociais na aprovação de propostas para o plano nacional da educação inclusiva, na CONAE/2010, dentre eles o movimento negro, explicando assim o convite feito a SECAD/MEC para indicação desses representantes  visando a atuação no Seminário Internacional.
O MEC/SECAD indicou os nomes dos representantes do movimento negro do estado de Alagoas (Arísia Barros/Projeto Raízes de Áfricas) e da Bahia (Adenilton Souza Lopes/Fórum Permanente de Educação e Diversidade Étnico-Racial).
Segundo Leonor Araujo, coordenadora geral de diversidade do MEC, durante quatro dias de debate, Alagoas e o estado da Bahia buscarão criar caminhos de possibilidade para uma construção coletiva que compartilhe as experiências da militância negra com o desenvolvimento de processo de integração pedagógica inclusiva, estabelecendo frentes para a Lei Federal n 10.639/03.
Vasti Gonçalves, técnica pedagógica da Secretaria Municipal da cidade de Vitória do Espírito Santo referiu-se a proposta da Secretaria de Educação Especial: “como um novo olhar que tem todas as possibilidades de dar certo”.


 

Comandante escreve carta a mãe de motoboy assassinado pela polícia

O Comandante da Polícia Militar do estado de São Paulo,Álvaro Batista Camilo, em carta publicada na imprensa e socializada na web- Lista Discriminação Racial, pela militante negra, Deise Benedito, pede desculpas  à mãe do motoboy assassinado por  políciais  que fizeram o juramento de "defender a sociedade com o sacrifício da própria vida". Ei-la:

SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO

                                                                        São Paulo, 23 de abril de 2010
Senhora Elza,


Quero não como Comandante Geral da Polícia Militar, mas como Álvaro Camilo, dirigir-me à Senhora e pedir desculpas pelo que, a princípio, pessoas insanas e desumanas fizeram à sua família.
Coloco-me, como pai que sou, a lamentar este ato inconcebível desses homens que, até hoje, envergaram a farda da Polícia Militar, mas que se esqueceram do juramento feito de "defender a sociedade com o sacrifício da própria vida".
Essa tenho certeza, não é a formação dada nas escolas militares, aliás, muito pelo contrário, lá se ensina a prática do bem e do caminho das coisas certas.
Abominável conduta desses homens que se dizem defensores da lei e da ordem. Não sabemos por que essa conduta. Pode ser que a justiça venha a descobrir, mas suas posturas demonstram que andavam no caminho do mal.
É evidente que nada apaga a dor da ausência e nenhuma palavra trará seu filho de volta, porém é necessário que firmemos a convicção da fé de que buscaremos a justiça de toda forma.
Como cristãos sentimo-nos tristes, pois o ensinamento de Jesus Cristo, sempre nos norteou a "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos". Próximo como o Eduardo que foi desprezado pela consciência desumana e irracional de seres que talvez não sejam classificados como humanos.
Agora, como comandante desta instituição de mais de 100 mil homens e mulheres, afianço à senhora que a Corregedoria da Polícia Militar trabalhará permanentemente para descobrir e punir severamente os autores deste inescrupuloso crime, afim de que outras famílias não passem o que a senhora está passando.
Adotei como ordem solicitar que um Promotor de Justiça acompanhe as apurações e as investigações de maneira de que tudo seja o mais transparente possível e que toda a sociedade possa acompanhar o caso, naquilo que for possível.
Coloco a Polícia Militar à sua disposição para acompanhar todos os passos do processo e a convido a vir ao Quartel do Comando Geral para que eu possa mostrar que a Polícia Militar de São Paulo não se resume nestes malfeitores.
Que Deus lhe conforte e ilumine neste momento de dor e sofrimento.
Álvaro Batista Camilo

 

O racismo é como a bomba de Hiroxima.Mata. Fere. Destrói!

O menino tinha 08 anos e a tez preta, cada vez que ele chegava à escola os coleguinhas o chamavam de neguinho da favela, e zumbizinho.
Zumbizinho , apelidio nascido de um imaginário sócio-colonial que imputa a população negra o conceito que atravessa gerações da submissão e servidão humana.
Dia 13 de maio, o menino chegou a casa com as lágrimas estuprando o caminho entre a alma e a dor que o enchia de constrangimento.
O que foi meu filho? Perguntou a mãe. E ele vestindo a envergadura que o isolava do pertencimento étnico indagou, buscando ouvir um não como resposta: Mamãe, eu sou negro?!
A mãe recusando-se a transmitir o fardo de sua biografia pessoal e dos conflitos exclusivos pela cor da pele , apesar do alto padrão econômico, para o pescoço infante do menino, seu filho, usou o discurso-padrão da miscigenação nas denominações descritas pelo IBGE como recurso bóia-auto-estima: Não, filho você é moreno!
Como também poderia ser moreno-fechado, morenão, moreninho, mulato, mulatinho, pardo, pardo-claro, pouco-moreno, queimado, queimado-de-praia, queimado-de-sol, amorenado, bem-moreno, bronze, bronzeado, bugrezinho-escuro, burro-quando-foge, caboclo, café, café-com-leite, cor-de-canela, cor-de-café, cor-firme, crioulo, escurinho, marron, meio-amarela, meio-branca, meio-moreno, meio-preto, mestiço, misto, moreno-bem-chegado,moreno-bronzeado, moreno-claro, moreno-cor-de-canela, moreno-escuro.
O menino, pequeno na sua ânsia de desvendar os mistérios do mundo respirou aliviado. Amanhã pensa ele - dirá aos colegas que não é negro, pois a mãe- sua senhora de todas as verdades - dissera que ele era moreno. E ser moreno não é ser negro,portanto...
Identidade genuinamente camaleônica e nacional que apóia princípios de que a pessoa que tem cabelos pretos é morena e se a tez for preta morena também o é.. Mas como funciona isso nos espaços de oportunidade social?
No dia seguinte o menino investido da sabedoria ancestral volta a escola com a certeza de que tais argumentos sepultariam as perversas “brincadeiras” dos seus colegas de turma.
Ao primeiro que o chamou de neguinho ele retrucou acobertado pelo poder materno: negro, não. Eu sou moreno, minha mãe que disse!
E o coleguinha da mesma classe social e do alto da sabedoria étnica decapitou a crença do menino com palavras que abrem feridas no âmago da auto-estima infantil: Além de ser negro é burro. Você é negro, porque todo negro é escravo, entendeu?
E quer saber sua mãe é tão negra quanto você!
Não o menino não entendera. O que mesmo dissera a mãe?
Em poucas palavras, o menino de pele clara, da escola seletiva, derrubou o argumento da tal democracia racial. O país dos miscigenados renega a cor do continente na pigmentação de peles alheias.
O país dos miscigenados alimenta o sectarismo na alma da infância no trato com as relações raciais.
Como estabelecer a adoção das Ações Afirmativas para a população negra do país em que tantos utilizam de uma constante reelaboração do olhar identitário para afirmar-se morenos?
Porque o caldeirão da cultura-miscigenação-brasileira não metamorfoseia brancos em meio-brancos,pouco-brancos,menos-queimado,sem-bronze,branco-claro,branco escuro,branco-cor-de-neve, leite-com-café e etc,etc,etc?
O território da escola de classe alta rejeita que o menino negro faça parte do percentual de negros com padrão de vida condizente com a riqueza, com posses materiais para impor-se nos espaços colonizados por idéias calcadas em superioridade étnica.
O menino não entende porque a turma o rejeita. Só um ou dois coleguinhas se aproximam, um tanto intimidados. Afinal o que tão diferente tem ele que causa esse distanciamento da turma. Será por conta da cor?
Um dia a tia chamou a atenção dos seus coleguinhas pelo tratamento que davam ao menino imerso na busca de uma dignidade de ser ele mesmo na construção da infância.
A tia falou e a turma se calou. A turma amava a tia, mas não amava o menino. O menino não era um deles.
Um dia a mãe do menino “moreno” foi à escola resgatar os documentos do filho "negro", porque a escola "branca" não soube trabalhar a diversidade propagada na Constituição do país "mestiço": Somos iguais?!
O menino decidiu que se a escola não o quer,ele também não quer a escola.
Evasão, repetência, distorção-idade-série? Eis uma boa maneira de exercitar a aplicabilidade da Lei nº 10.639/03 e Lei Estadual/AL nº 6.814/07.
O racismo é uma Hiroxima. Destrói!
“Pensem nas crianças mudas, telapáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres rotas, alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas”
Afinal, porque é tão difícil assumir a identidade negra no segundo país com o maior percentual de população negra do planeta?
Racismo é bullying?

 

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