Raízes da África

Um diálogo imprescindível: I Ciclo de Conversas Negras

Um diálogo imprescindível: I Ciclo de Conversas Negras
A experiência do diálogo é fundamental, ainda mais quando tratamos de questões como a insistente manutenção de tetos de vidros que impedem o empoderamento de parte expressiva da população do país. Um dos países mais pretos do mundo, fora do continente africano, mas que tem problemas com seu reflexo: vê o que não existe, uma cara que não a sua.
Lembrando a fala da professora Selma Maria da Silva, do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial e Coordenadora do Comitê Estadual Etnicorracial da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, estamos visíveis, mas não somos percebidos. De fato.
Ao defendermos a primeira tese sobre invisibilidade às questões étnicorraciais no mundo das comunicações no 31º Congresso Nacional de Jornalistas da Fenaj, na Paraíba, em 2006, o caos parece ter se estabelecido: por que falar disso? Não há racismo no Brasil, ou melhor, Racista é o vizinho, não eu. Entretanto, muita água rolou por baixo desta ponte. Muitas discussões aconteceram, estratégias traçadas, corações conquistados, avanços expressivos ocorreram e continuam a acontecer.
E estar no I Ciclo Nacional de Conversas Negras foi um destes avanços. Com todas as dificuldades, que certamente existiram e ainda persistem, o processo foi desencadeado.
Não há como dizer, pare as máquinas, não vamos rodar o jornal. Agora não dá. A rotativa já rodou milhares de exemplares e caminhões partiram rumo às bancas.
As conversas se multiplicam e as palavras vão se avolumando em um vozerio interessante: o prenúncio do efetivar de propostas enunciadas e de mais marcos legais.
E, certamente, a nossa proposta é a convicção de que podemos lutar por um jornalismo comprometido com a justiça social e respeito à diversidade étnicorracial, conforme pensamento de nossa querida Valdice Gomes, presidente do sindicato dos jornalistas alagoanos, da Cojira-AL e Conajira/FENAJ.
A Carta de Maceió foi embasada nos documentos legais assinados pelo Estado Brasileiro. Ou seja, o que queremos é o cumprimento dos compromissos oficiais. Como disse Arísia Barros, se no início a impressão era limitante, a conversa tomou outros rumos: ampliou-se, deu eco. Piracicaba que nos aguarde.
Saúde e Luz
Sandra Martins – jornalista Cojira-Rio
 

Morreram em posição de rendição. Mãos na cabeça. Tiros certeiros.

Eram jovens não-brancos moravam no alto de uma grota.
Eram sobreviventes de uma vida maculada pela ausência do bem estar coletivo.
Eram quatro adolescentes pobres. Entraram na mata à procura de madeira para fazer cercas para jardim, afirmou o pai de um deles.
Não usavam drogas eram apenas cuidadores de flores. Cercavam os jardins da invasão e da maldade humana.
Entraram na mata e perderam a vida.
Hoje são vítimas fatais! Cadáveres!
Morreram em posição de rendição. Mãos na cabeça. Tiros certeiros.
Foram chacinados. Amputados da sensação da primeira namorada, conclusão de estudos, primeiro emprego.
Foram trucidados!
Eram quatro jovens, assim no passado. E, no futuro não ficarão velhos. A morte, no presente, rompeu o fluxo natural e contínuo da vida.
Como não eram nossos filhos, filhos de autoridades ou filhos de alguém famoso, serão apenas mais uma fria estatística nos jornais. Ególatras que somos viramos a página. Afinal não gostamos de notícias tristes!
Ninguém além da família (que tem medo) chorou por eles. Não haverá festas em túneis ou a solidariedade constante da mídia. Nem passeata de protestos ou solidariedade da sociedade civil organizada. A solidariedade humana é solidária ao “status” social da vítima.
Foi esquecida a lição de solidariedade que o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mockus trouxe da Colômbia para fazer escola em Alagoas. Alguém lembra?
Faz tempo a violência seqüencial inaugurou uma nova fase: os pais enterram cada vez mais os filhos, mortos por essa arquitetura estatal de espaços construídos sem planejamento,sem um conjunto de políticas de curto, médio e longo prazo que gerem desenvolvimento humano.
A gente não quer só casa na periferia. A gente quer casa, trabalho, escola, segurança, saúde, diversão e arte.
A gente quer a verdadeira Paz das políticas públicas realmente instituídas.
Quatro jovens mortos.
Os pais não vivenciarão a passagem da adolescência para vida adulta: troca de alianças, casamentos, nascimento do primeiro neto.
Quatro descendências amputadas!
A probabilidade de um jovem negro ser assassinado é 2,6 maior que um adolescente branco.
Segundo Rachel Willadino- Coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens do Observatório da Favela/RJ, o perfil dos diferentes estudos sobre violência é quase unânime: Quase todos homens. Quase todos negros. Quase todos moradores das favelas e periferias.
Maceió é a capital com o maior índice no Brasil de adolescentes assassinados.
Alagoas é o segundo menor estado da federação, entretanto o índice de assassinatos em Alagoas é o maior do país. Assim diz o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Resta agora a família dos quatro jovens suportarem, vida a fora,o peso dos corpos mortos dos filhos.
Quem sabe um dia a dor cicatriza.
Quem sabe.
E fim!
 

É formada Comissão Nacional para Organização do II Ciclo Nacional de Conversas Negras, em Piracicaba.

Republicado por conter incorreções.

Na ocasião do encerramento do I Ciclo Nacional de Conversas Negras: "Agosto Negro ou que a História Oficial Ainda Não Conta”, ocorrido no período de 24 a 26 de agosto, em Maceió/AL foi formada a Comissão Nacional responsável pela organização do II Ciclo Nacional de Conversas Negras, que será realizado em Piracicaba, São Paulo.
A Comissão é composta por representantes de instituições não governamentais e governamentais.
A Comissão Nacional é assim formada:
Projeto Raízes de Áfricas (Alagoas),
Coletivo de Entidades Negras -CEN (Pernambuco)
Instituto Mídia Étnica-(Salvador-BA),
Assessoria Especial de Políticas da Igualdade Racial (Goiânia),
Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Etnicorracial da Federação Nacional dos Jornalistas,
Rede de Desenvolvimento Humano ( Rio de Janeiro)
Comissão dos Jornalistas pela Igualdade Racial (Rio de Janeiro, Alagoas, Distrito Federal, São Paulo),
Coletivo de Clubes Sociais Negro ( Rio Grande do Sul),
Secretaria Municipal de Reparação ( Salvador/BA),
Instituto Magna Mater (Alagoas).
Uma das primeiras demandas da Comissão é promover uma visita in loco a cidade de Piracicaba para conhecer os espaços possíveis para a realização do II Ciclo.
A visita deverá ocorrer na segunda quinzena de outubro. O II Ciclo está previsto para acontecer nos dias 25, 26 e 27 de agosto de 2011.
 





 

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.


 Em época de decisão política vale a pena ler o texto abaixo. Afinal quando o futuro de Alagoas está sendo decidido pelo próximos quatro anos e com ele o nosso direito de ir e vir, não dá para ficar indiferente.
Não basta só, de uma forma individualista e ególatra, garantir o auto-bem estar com um cargo ou coisa e tal e /ou o bem estar da família.
Existe uma comunidade de cerca de 3.156.108 habitantes que precisa, mesmo que não em sua totalidade ,ver seus direitos sendo exercidos . Direitos humanos. Espaços igualitários: trabalho, educação, saúde, segurança e Direitos Étnico- humanos. Sempre
!

Antonio Gramsci

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.
A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar.
A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso.

Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então se zangam, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis.
Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.
A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são, todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.
Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir o pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.
Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.

CRÉDITOS
Primeira Edição: La Città Futura, 11-2-1917
Origem da presente Transcrição: Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci"
Tradução: Pedro Celso Uchôa Cavalcanti.
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de: Fernando A. S. Araújo
 

São Paulo sediará o II Ciclo Nacional de Conversas Negras,2011.

Mais notícias sobre a realização do I Ciclo.

A cidade de Piracicaba, SP sediará nos dias 25, 26 e 27 de agosto de 2011 o I Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta”.
O anúncio foi feito na abertura do I Ciclo Nacional de Conversas Negras realizado em Maceió em 24 de agosto, no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas,pela idealizadora do encontro e coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas, Arísia Barros.
Ao formalizar o convite o representante da Câmara de Vereadores de Piracicaba ,jornalista Martim Vieira Ferreira,afirmou reconhecer o valor da iniciativa como também à necessidade de continuidade da ação.
A Coordenadora Geral de Diversidade/SECAD/Ministério de Educação palestrante no I Ciclo, Leonor Franco de Araujo, compartilha com Ferreira a idéia de sustentabilidade tendo como princípio a formação de uma comissão nacional a partir da ação de Maceió e complementa: “o convite da cidade de Piracicaba é reconhecimento ao trabalho que vem sendo realizado pelo Projeto Raízes de Áfricas, em Alagoas”.
Coordenadora Geral de Diversidade/SECAD , Leonor Araujo, ministrou palestra no I Ciclo sobre:” A importância da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro em Redenção - Ceará para construção das relações sócio-históricas do nordeste brasileiro com o continente africano”.
Segundo Arísia Barros:  Este convite da Câmara de Piracicaba é um sinal político importante que confirma a intenção de, a partir da formação de uma rede de instituições e pessoas verdadeiramente, atentas às necessidades específicas da população negra, ainda segregada, estabelecer espaços de consolidação de políticas públicas, dentre elas a implementação da Lei Federal nº 10.639/03 e otimizar ações do Estatuto da Igualdade Racial, recém aprovado pelo presidente da República. “


Sobre políticas afirmativas no município de Piracicaba/São Paulo

O município de Piracicaba é um importante pólo industrial de desenvolvimento industrial e agrícola estando situada em uma das regiões mais industrializadas e produtivas do estado de São Paulo.
Aliado ao desenvolvimento industrial o parlamento legislativo da cidade de Piracicaba busca estabelecer proposições que favoreçam a igualdade no desenvolvimento humano, da população local, estabelecendo políticas de ações afirmativas, a exemplo da reserva de 20% das vagas para afro descendentes no serviço público; 40% de participação da comunidade negra na publicação oficial; feriado municipal no dia 20 de novembro, em alusão ao líder negro Zumbi dos Palmares, além de outras iniciativas e programas sociais que evidenciam a comunidade negra piracicabana.
Segundo o jornalista Martim Vieira Ferreira:”A Câmara de Piracicaba investe nas perspectivas de propor políticas de inserção com o compromisso de subsidiar um bem estar social igualitário.


 

Apesar da miscigenação étnica o Brasil é racista. Os fatos insistem em afirmar

Desculpe-me os mais crédulos que ainda insistem em acreditar na falácia da miscigenação brasileira como pressuposto para acobertar um fato que é rotineiro e sistemático: a seleção natural por cor de pele que determina quem é superior na segunda nação mais negra do planeta.

Pastor detido por racismo diz que foi discriminado


O pastor evangélico Petrônio Alves Silva, que é negro e foi acusado de racismo por uma atendente da TAM Linhas Aéreas, na manhã de hoje (29), no Aeroporto Júlio Cezar, em Belém, afirma que teria sido vítima de discriminação por parte da funcionária. O crime de racismo ou discriminação é inafiançavel e pode render uma pena de até 5 anos de cadeia.
Blenda Ribeiro prestou depoimento à delegada Ana Guedes, que conduziu o caso na delegacia do aeroporto. Em seu depoimento, ela relatou que realizava o checking de Petrônio Silva para o vôo das 6h que faz a rota Belém-Brasília. Logo no início do atendimento, o pastor teria ficado visivelmente aborrecido, pois o documento que apresentou não era válida como identificação e deveria apresentar outro.
Quando a funcionária pesou a mala de Silva e constatou que o peso máximo permitido fora excedido e comunicou ao pastor que ele deveria pagar pelo excesso, Petrônio Silva se aborreceu mais ainda e teria chamado-a de “neguinha folgada”.
Blenda se sentiu constrangida e comunicou o fato à Polícia Federal, que deu voz de prisão ao pastor. Ele chegou a pedir desculpas à moça, mas ela não aceitou e decidiu realizar todo o procedimento previsto em lei.
ARREPENDIDO

À reportagem do DIÁRIO, Petrônio afirmou que estava arrependido de seu comportamento. Segundo ele, também teria havido discriminação por parte da moça, que estava atendendo-o de 'mal gosto'. “Ela sequer me deu bom dia”, reclamou. Ele nega, no entanto, que tenha ofendido Blenda, e afirma que testemunhas podem provar isso.
Um funcionário da companhia testemunhou a favor de Blenda. Dois passageiros que faziam checking para o mesmo vôo do pastor também confirmaram a versão da atendente, mas deixaram apenas seus contatos e não puderam testemunhar porque embarcaram no avião.
Petrônio Alves Silva foi autuado por crime de racismo e pode pegar de um a dois anos de prisão. Ele foi encaminhado ao Centro de Perícia Científicas "Renato Chaves" para fazer a exane de corpo de delito e depois seguirá para um presídio com cela especial, pois possui nível superior completo
A LEI
A Constituição de 1988, em seu art. 5º (inc. XLII), passou a considerar a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. Com alterações feitas em 1989 e 1995, a lei atual pune com penas de dois a até cinco anos de reclusão, além das multas, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, de cor, etnia, religião ou procedência nacional.

 

Fatos como estes não acontecem em Alagoas, porque em Alagoas não existe racismo.

Quais são os caminhos e as possibilidades que temos, hoje, para traçar paralelos para questão racial em Alagoas?
Que tipo de mobilização as lideranças, pesquisador@s, militantes das questões negras em Alagoas têm feito para elaboração de manifestos para serem entregues aos candidatos ao governo do estado visando a continuidade das parcas e "esquecidas" conquistas étnicas no estado? Silêncio nos quilombos! É, como em Alagoas não existe racismo, estamos conversados.Viva a negritude unida de Minas Gerais.


Hélio vai criar Secretaria da Igualdade Racial

Postado em 31/08/2010 por Equipe Hélio+Patrus


Candidato ganha apoio de entidades de promoção da cultura afro-descendente
O candidato ao governo de Minas pela coligação Todos Juntos por Minas (PMDB-PT-PCdoB-PRB), Hélio Costa (PMDB), recebeu na manhã desta terça-feira (31-08), na cidade de Uberlândia (Triângulo Mineiro), o apoio de diversas entidades que lutam pela promoção da igualdade racial. Em reunião com as entidades, ele comprometeu-se, a exemplo do que fez o presidente Lula, a criar uma Secretaria de Igualdade Racial para promover ações na área.
Infelizmente, o governo virou as costas para a igualdade racial. Nós aqui hoje estamos expressando ao Hélio Costa de que sua vitória representa a implementação de uma política afirmativa de igualdade racial. Queremos que o governo tenha um olhar social e vemos isso na sua proposta. E o atual governo, além de ser insensível é antidemocrático, não tem diálogo, destacou em discurso Gilberto Neves, do Movimento Negro de Uberlândia.
O candidato Hélio recebeu um manifesto em prol de melhorias nas políticas públicas de igualdade racial. O manifesto representa as propostas de Hélio e seu vice, Patrus Ananias (PT), de promover o desenvolvimento econômico com justiça social e igualdade de oportunidades. O presidente Lula criou uma Secretaria para a Igualdade Racial e nós vamos fazer o mesmo porque o atual governo tem uma dívida irreparável com os movimentos. Estou recebendo este documento com reivindicações e assino embaixo, frisou Hélio.
Guimes Rodrigues Filho, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Uberlândia, integra o Fórum de Promoção da Igualdade Racial de Uberlândia. Ele lembrou que a atual política voltada para o tema é frágil, especialmente no que diz respeito à lei 10.639, que determina o ensino das culturas afro-descendentes em escolas públicas. Além disso, ressaltou ele, o Estado de Minas Gerais é muito deficiente no cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Precisamos de ações afirmativas no país para reafirmar a igualdade racial. Hoje sofremos exclusão no mercado de trabalho, nas escolas, e o Estado de Minas até está sendo processado pelo Ministério Público porque não cumpre duas legislações: a lei 10.639 e o Estatuto da Criança e do Adolescente, lamentou Rodrigues Filho.
Outro ponto destacado na reunião com entidades do movimento negro referiu-se à falta de políticas de segurança pública. Esse modelo resolveu prender o criminoso, ao invés de evitar que o crime aconteça, infelizmente, este é o modelo de gestão em Minas Gerais, criticou Denílson Martins, do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais.
Infelizmente, o governo virou as costas para a igualdade racial. Nós aqui hoje estamos expressando ao Hélio Costa de que sua vitória representa a implementação de uma política afirmativa de igualdade racial. Queremos que o governo tenha um olhar social e vemos isso na sua proposta. E o atual governo, além de ser insensível é antidemocrático, não tem diálogo, destacou em discurso Gilberto Neves, do Movimento Negro de Uberlândia.
O candidato Hélio recebeu um manifesto em prol de melhorias nas políticas públicas de igualdade racial. O manifesto representa as propostas de Hélio e seu vice, Patrus Ananias (PT), de promover o desenvolvimento econômico com justiça social e igualdade de oportunidades. O presidente Lula criou uma Secretaria para a Igualdade Racial e nós vamos fazer o mesmo porque o atual governo tem uma dívida irreparável com os movimentos. Estou recebendo este documento com reivindicações e assino embaixo, frisou Hélio.
 


 

CÂMARA DE PIRACICABA ESTEVE PRESENTE NO I CICLO NACIONAL DE CONVERSAS NEGRAS, EM MACEIÓ

Mais notícias  positivas geradas pelo Brasil afora com a realização, em Maceió/AL do I Ciclo Nacional de Conversas Negras. O II Ciclo acontecerá em Piracicaba/ São Paulo e já tem data prevista 25,26 e 27 de agosto de 2011.

Com o objetivo de discutir a temática da identidade racial e a luta contra o racismo, o “Projeto Raízes de Áfricas” realizou na última terça-feira, dia 24, a abertura oficial do “I Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta”.
A próxima etapa do evento acontece em Piracicaba, na segunda quinzena de agosto, possivelmente nas dependências do Salão Nobre "Prof Helly de Campos Melges", que receberá delegações de diversos estados brasileiros.
O encontro em Alagoas teve apoio da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, se estendendo do dia 24 a 26, no auditório da Casa da Indústria. O ciclo foi uma iniciativa do movimento “Projeto Raízes de Áfricas”.
Estiveram presentes na abertura do encontro, a secretária de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, Marluce Caldas, e a superintendente de Políticas de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos, Josilene Lira, além do secretário de Estado Defesa Social, Paulo Rubim.
“A partir deste encontro, serão gerados frutos que terão como objetivo fortalecer e multiplicar o movimento no combate ao racismo. Temos que preservar e manter viva a história, a cultura e os valores sociais da identidade racial. A Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos estará sempre de portas abertas”, declarou a secretária Marluce Caldas.
O encontro nacional contou com a participação do Ministério da Educação e Cultura (MEC); Secretaria de Promoção das Políticas para a Igualdade Racial; Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Racial; Ministério da Educação; Polícia Civil de Alagoas; Secretaria de Estado da Educação e do Esporte; Secretaria Municipal de Educação;Secretaria de Educação de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social; Secretaria de Estado da Defesa Social; Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos; Polícia Militar de Alagoas; Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e faculdades particulares de Alagoas, além de representantes do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e do Coletivo Nacional de Entidades Negras e da ONG Águas Vivas.
A Câmara de Vereadores de Piracicaba esteve presente mediante a atuação do jornalista Martim Vieira Ferreira, que também participou do ciclo de palestrantes, coordenando diversas mesas temáticas, com destaque ao pioneirismo de Piracicaba na implantação de políticas de ações afirmativas, a exemplo da reserva de 20 por cento das vagas para afrodescendentes no serviço público; 40 por cento de participação da comunidade negra na publicação oficial; feriado municipal no dia 20 de novembro, em alusão ao líder negro Zumbi dos Palmares, além de outras iniciativas e programas sociais que evidenciam a comunidade negra piracicabana.
De acordo com a coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, o encontro é uma provocação positiva. Na oportunidade foi elaborada a “Carta De Maceió, de 2011 a 2014. Nela, constam as propostas que serão discutidas e apresentadas pela plenária no ciclo nacional.
Arísia Barros informou ainda que a Carta de Maceió será encaminhada para o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira.
“É sempre boa a perspectiva de reunir diversos segmentos sociais no combate ao racismo. O nosso objetivo é trabalhar uma rede que não fique com as ações restritas a Alagoas, mas que ela se estenda para todo o Brasil. A mudança só ocorre quando as pessoas deixam o papel de expectador e assumem o compromissos de fazer a diferença”, acrescentou Arísia Barros.
No primeiro dia de trabalho, a secretária Marluce Caldas participou como moderadora em uma das conferências do evento. A palestra, que foi ministrada por Leonor Araújo (representantes do MEC) e pela vereadora de Aracaju, Rosangela Santana, teve como tema: “As perspectivas políticas para a população negra em 2011 – Ano Internacional dos Afrodescendentes, segundo a resolução A/64/169 aprovada pela Assembleia Geral da ONU - Sansão do Estatuto da Igualdade Racial”.
Na oportunidade, Leonor Araújo abordou a implantação do novo Programa Nacional de Ensino (PNE), que vai orientar as ações educativas no País no período de 2011 a 2020. “A comunidade escolar tem que estar qualificada com a temática das relações étnicas e raciais. Mais de 50 por cento do Brasil é formado por afrodescendentes”, frisou.
Já a vereadora Rosangela Santana aproveitou a temática para apresentar dados sobre a violência contra os negros no Brasil. Segundo levantamento, entre os anos de 1999 e 2005 foram assassinados no País 317.587 pessoas, sendo 118.536 brancas (37,3 por cento ) e 172.626 negras (54,4 por cento ). “É preciso ser feita uma reflexão sobre o tipo de segurança que estamos precisando”, frisou ela.
O II Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta, conforme deliberação da plenária será realizado na cidade de Piracicaba, em São Paulo, na segunda quinze do mês de agosto de 2011.

Fonte:
Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos
 

 

ASPPIR participa de debate sobre igualdade racial em Maceió

A realização do  I Ciclo Nacional de Conversas Negras tem produzido notícias  positivas  para Alagoas nas questões de promoção da igualdade racial

ASPPIR participa de debate sobre igualdade racial em Maceió

 

Representantes da Assessoria de Promoção de Políticas Públicas para a Igualdade Racial (ASPPIR) da Prefeitura de Goiânia participaram do I Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o Que a História Oficial Ainda Não Conta, evento realizado em Maceió (AL) de 24 a 26 de agosto. A proposta do encontro era a difusão do debate em torno do enfrentamento do racismo estrutural e as consequências dessa política.

 

Segundo Alessandra Macedo, assessora do titular da ASPPIR e representante do órgão no evento o objetivo é fortalecer as discussões e fomentar políticas públicas voltadas para a igualdade racial e os direitos humanos, dando assim continuidade a avanços obtidos durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos exemplos é a sanção do Estatuto da Igualdade Racial.

 

A professora e coordenadora do Projeto Raízes de Áfricas, Arísia Barros, diz que é preciso consolidar movimentos permanentes que combatam todo tipo de ideias, conceitos e preconceitos que interfiram na construção do ideário socioétnico. Segundo Barros, o ciclo de debates funcionou como espaço para o surgimento de novos olhares sobre conceitos velhos e estigmatizantes.

 

O evento contou com a participação de representantes das esferas públicas e privadas de vários estados brasileiros, ampliando a reflexão em torno das ações afirmativas que dizem respeito à igualdade racial. Para a professora Selma Maria da Silva, do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial e coordenadora do Comitê Estadual Etnicorracial da Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro é necessário promover e criar condições para que sujeitos historicamente discriminados tenham condições de empoderamento. “É preciso perceber que as nossas diferenças nos tornam cada vez mais iguais”, alerta.

 

A coordenadora-geral da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, do Estado do Espírito Santo, Leonor Franco Araújo, considera que o Plano Nacional de Educação não contempla questões de diversidade. De acordo com ela, poucas pessoas conhecem a Resolução 01/2004 do Conselho Nacional de Educação Conselho Pleno, que defende a temática para todos os níveis de ensino e etapas. “Nós avançamos, mas nossos opositores também avançaram. Dizem agora que nós é que somos racistas. Mas não estamos numa democracia racial porque não temos as mesmas oportunidades.”

 

A ASPPIR aproveitou também sua participação no encontro para divulgar as ações concretas que têm sido realizadas no Município de Goiânia, dentre elas o Selo Milton Gonçalves, o Prêmio Milton Santos e a Feira das Nações. As iniciativas vêm sendo realizadas graças à colaboração, apoio e respaldo do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT).

 

Durante o evento, foi elaborada a Carta de Maceió. O documento será entregue ao ministro Elói Ferreira, em setembro, propondo ações concretas relativas à promoção da igualdade racial entre no período de 2011 a 2014. A ASPPIR foi uma das participantes do encontro a assinar a carta. A assessoria integrará a comissão organizadora do II Ciclo de Debates, será realizado em Piracicaba (SP) em agosto de 2011.


Abraços, Alessandra Macedo.

P.S.: Arísia ao ler esta notícia substitua a palavra evento por encontro...risos. E PALMAS PARA ARÍSIA BARROS.

 

 

O I Ciclo Nacional de Conversas Negras verbalizou as culturas das muitas gentes.

O I Ciclo Nacional de Conversas Negras verbalizou as culturas das muitas gentes, oferecendo uma maior compreensão de nossas próprias naturezas, reinventando nosso senso de pertencimento, a partir da afrobrasilidade.
Com tantas gentes de tantos lugares ficou mais fácil dialogar, encontrar saídas...
O Ailton Ferreira, Secretário de Reparação de Salvador/BA nos contempla com palavras revestidas de poesia que  “imodéstiamente” socializo:
Arizia ou Arísia,
Barro de chão puro
Feita da luta cotidiana.
Obrigado pelos dias de conversas negras e risíveis.
Obrigado pelas noites negras risíveis, alegres e ébrias.
Não deve ser fácil ser você aqui nas Alagoas.
Fico a imaginar, a partir de Salvador, onde também não é fácil.
Você empretece as Alagoas de luz.
Siga em frente clarão.
Siga Zumbi contemporânea.
Caneta em vez de espada,
Mas espada, se preciso for”.
O I Ciclo celebrou caminhos possíveis, desbravou cerrados ligando pontos estratégicos entre o verdejar do sol e o amanhecer das chuvaradas que fez florescer possibilidades no ‘antes’ descampado de pessoas.
O I Ciclo foi um cultivo de interesses e afetos, como nos remete a Sandra Martins, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial: “Olho no olho, orelha com orelha, ombro com ombro com conversas negras e momentos coloridamente fofos e aconchegantes. Saboreamos as energéticas conversas.”
De longe, lá de Goiás me vem Alessandra Macedo, Secretária Executiva da Assessoria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial/ASPPIR.
Alessandra não mediu esforços para ser presença participativa. Denominei-a “minha assessora de Goiás”.
Fato inesperado: no segundo dia do Ciclo uma surda-muda nos solicitou participação e na falta de intérprete de Libras, Alessandra se dispôs a fazê-lo. Eficiência, afetividade e muito profissionalismo, são adjetivos que descrevem essa mulher que literalmente me troxe o desejo da partilha como símbolo da ancestralidade do continente.
Obrigada Alessandra!
E ainda tem mais...
 

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