Raízes da África

Biografia do músico e ativista nigeriano Fela Kuti ganha edição nacional.

Recebemos de Calos Moore, de quem me tornei uma discípula incondicional:
Arísia:como é que vai, minha irmã querida? Eu também estou com muitas saudades de você. Minhas lembranças de Palmares ficarão para sempre associadas a ti, irmã. Te sou grato por esse momento de reencontro com os meus que já se foram, deixando trás si um troço de história heróica, Carlos


Biografia do músico e ativista nigeriano Fela Kuti ganha edição nacional
Carlos Albuquerque

RIO — O nome de batismo era Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti. Mas para os amigos, as 27 mulheres e os muitos inimigos, ele era apenas Fela Kuti. Maior nome da música africana, criador do afrobeat, visionário e transgressor, amado e perseguido até a morte, por Aids, em 1997, aos 58 anos, ele viveu uma história de excessos, que se refletia não apenas em suas hipnóticas canções de mais de 20 minutos, mas também na relação com o público e as autoridades do seu país, a Nigéria.
Essa trajetória, que poderia render em Hollywood um épico sobre poder, racismo, sexo, violência e espiritualidade, gerou, em vez disso, uma fantástica biografia — “This bitch of life”, escrita pelo cientista político e escritor cubano Carlos Moore —, um musical de sucesso na Broadway — “Fela!”, produzido pelos astros Jay Z e Will Smith — , e um processo entre eles. Nessa ordem de entrada em cena.
— O que acontece é que fizeram o musical inspirado no meu livro e só quando ele ficou pronto é que vieram entrar em contato comigo, pedindo autorização — conta Moore, radicado há dez anos em Salvador, na Bahia, onde supervisiona a edição em português do livro, que chega às lojas em junho, com o título “Esta puta vida” (Editora Nandyala). — Acho que pensaram que eu estava morto ou esquecido em algum lugar. E, claro, não concordei com a forma como isso foi conduzido, nem aceitei o dinheiro que me ofereceram para um acordo forçado.
Com prefácio de Gilberto Gil, “Esta puta vida” narra a trajetória de Fela na primeira pessoa, pelas suas próprias palavras. Isso foi o resultado das mais de 15 horas de entrevistas e conversas entre o autor e o músico, tanto na República Kalakuta — a desafiadora co$alternativa criada por ele em Lagos, onde vivia com seus amigos, músicos e esposas — como em Paris, onde os dois se encontraram durante uma excursão de Fela, em 1981.
— Conheci Fela em 1974, quando fui convidado para organizar um festival de música, que teria Stevie Wonder como atração — lembra Moore. — Desde então, cobrava dele essa biografia, para que sua trajetória fosse conhecida. Mas ele sempre foi relutante. Dizia que só queria falar para o povo africano, que não tinha interesse no Ocidente. Ele acreditava que sua música falava por ele. Era muito oral, na tradição do continente, e prezava apenas a mensagem da boca para o ouvido. Nada mais.
Duelos constantes com as autoridades
No começo de 1981, porém, quando morava e lecionava em Paris, Moore foi surpreendido por telefonema de Fela, dizendo que estava, finalmente, pronto para falar.
— Ele me disse para pegar o próximo avião e encontrá-lo em Lagos. Foi o que fiz. Quando cheguei lá, encontrei Fela completamente deprimido com a morte da mãe, a ativista Funmilayo Ransome-Kuti, que tinha sido jogada da janela durante uma invasão da Kalakuta pela polícia, algum tempo antes. Ele achava, com razão, que os militares, que já o tinham aprisionado várias vezes, queriam matá-lo e estava se tornando obcecado com isso. Segundo ele, foi a própria Funmilayo quem apareceu em um sonho e disse para ele tornar pública a sua história.
Moore passou, então, semanas com Fela, que tinha se tornado ainda mais desafiador das autoridades, tendo reconstruído a comunidade, dessa vez em pleno gueto, além de ter tentado se candidatar à presidência do país. No local, teve contato direto com o mundo à parte em que o músico vivia.
— Diferente da primeira Kalakuta, que ficava numa área remota, a nova ficava no centro do gueto, como se fosse dentro de uma favela, de modo que se os militares $uma nova invasão, teriam que passar pelo meio do povo, que idolatrava Fela — explica Moore. — Ali, ele criou um país à parte, cujas leis eram feitas por ele. Fela era um idealista, mas era ingênuo também. Acreditava que os espíritos iam ajudar o povo africano a se levantar contra os governos corruptos. Só não conseguia dizer como isso ia acontecer de fato. No lugar, ele também guardava todo o seu dinheiro, já que não queria contribuir para um governo que considerava, com razão, corrupto e autoritário. Aliás, um dos motivos dos ataques a ele feitos pelos militares era roubá-lo
As mulheres de Fela — que renderam um capítulo à parte na biografia, intitulado “Minhas rainhas” — foram entrevistadas pelo autor na segunda bateria de entrevistas com o músico, feitas em Paris, alguns meses depois.
— Todas elas ganhavam um salário e trabalhavam dentro da comunidade. Quando havia uma briga entre suas mulheres, ele mesmo fazia um julgamento e decidia quem era a culpada. Mas naquela época, ele já estava totalmente paranoico e com mania de perseguição. Não queria comer, nem beber nada no hotel em Paris e dizia que estava ouvindo vozes. Eu falei para ele procurar ajuda, mas Fela não me deu atenção.
Como recorda Moore, Fela contraiu Aids em 1986, durante um dos seus períodos na prisão, ao receber uma visita “íntima”.
— Ele pegou Aids quando quase ninguém sabia o que era isso, principalmente na África. Como era forte, passou anos sem apresentar sintomas. Quando eles finalmente surgiram, em 1995, ele desprezou o atendimento médico, já que acreditava que os espíritos iam protegê-lo. Fela tinha convicção de que era imortal e ver como sua obra entrou para a História quase nos faz acreditar nisso — afirma o escritor. — Ironicamente, quem anunciou sua morte ao público foi o seu próprio irmão mais velho, Olikoye Ransome-Kuti, que havia se tornado um ativista contra a Aids na África.

O Flamengo perde e só a macumba explica?


A assertiva, extremamente válida e pertinente é de Humberto Manoel, graduado em História / UNIJORGE e diretor da Questão Racial do Sindicato do(a)s Trabalhadores em Correios e Telégrafos - Sincotelba-BA, e por acreditar em posturas afirmativas para encabular racismo e racistas, socializamos...
Ah! antes que esqueça: Quantos e quais são os jogadores negros que compõem a equipe do Flamengo?

Mesmo sendo o futebol algo tão fútil, e que o nosso país dá tanta importância, e que chamamos de paixão nacional, é ridículo a forma que os flamenguistas se dirigiram aos baianos no sitio da globo.com, e o mais abominável é a globo.com deixar que este comentário seja publicado e mantido em seu sítio. Precisamos denunciar e lutar para que isto acabe, para que essa elite branca nos trate com respeito.
Enquanto o futebol for mais importante que a educação, este vai ser o retrato da sociedade. Ainda dizem que o racismo não existe:
Chega de Hipocrisia
Segue o trechos do texto no blog e o 
link: http://globoesporte.globo.com/platb/arthurmuhlenberg/
"Só mesmo na Bahia, a África dos brasileiros, poderia ter rolado um jogo como esse de Domingo, onde o Flamengo perdeu a cem porcentualidade de aproveitamento no Brasileiro. Por favor, vocês que entendem de Flamengo muito mais do que eu, me ajudem. Alguém pode me explicar como é que o Mengão conseguiu não ganhar? Um jogo que tava na mão, molinho, com o adversário pedindo pra ser finalizado acabou de maneira ridícula, quase vexatória. Só a macumba explica.
Extra campo foi um belo espetáculo, com a torcida adversaria comprovando a fama de ter bala na agulha e lotando o Pituaçu, em tupi-guarani Pitu grande, o que faz do estádio o precursor na exploração de naming rights no país dos cachaceiros...
...A semana que se inicia não vai ser fácil. “Vamos ter trabalhar bastante a defesa e o ataque para descontar os vacilos cometidos contra o Bahea em cima da gambazada.”

 

 

 


 

Dez anos sem Mestre Pedro.

Um texto de Olegário Venceslau que desperta Pedro Teixeira nos caminhos  do folclore das Alagoas.

Dez anos sem Mestre Pedro

“Meu maracatu é da coroa Imperial, (bis)
É de Alagoas, ele é da Casa real...
Maracatu vamos embora, antes que o povo mande
Pegou fogo o tabuleiro de Campina Grande.”


Numa métrica incomum, há de poesias cantadas nos grupos folclóricos de Alagoas, esta se sobressai. Não simplesmente, pelo fato de exaltar o nosso Estado, mas também por ser criação de uma mente genial, chamada Pedro Teixeira de Vasconcelos (1916-2000).
A figura de Pedro dispensa apresentações aos que conhecem a cultura de nosso povo. O velho guerreiro, não utilizava as mãos apenas, como meio de transmitir seus ensinamentos. A prática, o incentivo, foi além das palavras. O filho de Seu Au,da Chã Preta,carregou consigo a paixão pelas mais belas tradições de nossa terra. Não obstante todos os grupos folclóricos criados por ele, desde o pastoril, passando por guerreiros, maracatus,baianas, negras da costa e reisado, o destino reservou-lhe algo mais.
O pupilo de Théo Brandão emprestou seu nome na fundação de algumas escolas em Alagoas: Colégio Cristo Redentor e Colégio Pio XII,ambas na cidade de Palmeira dos Índios. A Escola Técnica do Comércio de Viçosa, da qual foi diretor; o Colégio de Assembléia, onde lecionou Francês, Latim, Português e História do Brasil. Na sua terra,Pedro realizou o sonho de seus conterrâneos,criando a Escola Cenecista Professora Amélia Vasconcelos,onde lá, nasceram os grupos folclóricos,que em várias ocasiões representou o Estado,nos festivais de folclore,nas mais diversas unidades da federação.
Diante de tantos fatos, que permearam sua vida, Pedro encontrou tempo,para escrever algumas obras: A Lúdica Popular; Andanças pelo folclore; Gorjeios do Sabiá, Dança,Música e Torneio e Causos e Lendas do folclore alagoano. As palavras agora traduzem, ainda que superficialmente o sentimento de um homem, que se doou, por uma causa – a cultura popular. As velhas ruas da Chã Preta, dão um testemunho eloqüente, da grandeza de Mestre Pedro. Lá, onde ele fazia-se ouvir o som de seu apito, equiparando-se a batuta de um maestro, frente a sua orquestra. As noites natalinas eram uma demonstração de rara beleza, com a apresentação indescritível do pastoril. De um lado as pastoras de cordão azul, do outro,as do cordão encarnado,exibindo suas coreografias e a pompa do trajes enfeitados com reluzentes fitas.
Foi neste cenário um tanto quanto bucólico, que Pedro Teixeira viveu grande parte de sua vida. Desde a mais tenra idade, no antigo engenho Bonsucesso, as expressões populares acompanhavam-o. Ora nas cavalhadas de seu tio Antônio Teixeira de Vasconcelos (Titonho), ora no pastoril de Beatriz Vasconcelos, também sua tia. A genética folclórica, herdada por ele, é algo visceral, que o acompanhou desde Chã Preta,aos mais longínquos recônditos deste país. Suas apresentações nos palcos do festival Nacional de Folclore, em Olímpia/ São Paulo e palestras ministradas, em Universidades da America Latina e Europa, lhe renderam o título de mestre da cultura. Genuíno defensor da preservação artística e cultural, deixou um legado indelével às futuras gerações. Traduzia em si, o sentimento, quiçá de um Dom Quixote de La Mancha, nesta cruzada ferrenha, como em certa ocasião falara, sobre a árdua missão de manter viva as tradições, herdadas de seus antepassados.
Seu nome perpetuará, nos anais da história,as vezes que se observar os hinos dos municípios de Chã Preta, Quebrangulo, Santa Luzia do Norte e verem a epigrafe de Pedro,como seu compositor.
Na cristalidade dos seus gestos tão fidalgos, transbordava o manancial da sua generosidade,com a perfeição e amor.As intempéries da vida lhe bateram a porta.Os sofrimentos angustiaram o seu coração.As dificuldades da ordem de saúde,tolheram muitas vezes os seus passos cadenciados.A via da sua gloriosa existência que lhe cobria de flores,ficou muitas vezes salpicadas de espinhos perfurantes,que procuravam deter a marcha ascendente do seu triunfo. Esta via dolorosa, vivida por ele, teve seu fim, em 12 de junho de 2000,em um leito na Santa Casa de Misericórdia de Maceió.
O folclore alagoano ficou de luto. Os atabaques,agogôs,xequerês, emudeceram ,em reverencia a memória de seu grande mestre. A voz,rouca que comandava o guerreiro,calou-se para sempre. O mateu de reisado,como ele se declarava, perdeu sua alegria. A sua Princesa dos Montes,tão exaltada em suas poesias, agora recebe em seu seio, o seu filho mais ilustre.
Pedro partiu na certeza de dever cumprido. Como homem que honrou sua terra, e lutou para preservar, sua maior riqueza – a cultura de seu povo. Galgou os píncaros da glória, seu nome é reverenciado pelo Brasil, ao lado de grandes vultos do folclore popular: Luís da Câmara Cascudo, Roger Bastides, Théo Brandão, Mario de Andrade,Pierre Verger.
Sobre o morte de Pedro Teixeira, brilhantemente escreve um de seus mais fies discípulos, professor Ranilson França de Souza: “Partiu o último remanescente da escola de Viçosa”.



Olegário Venceslau, acadêmico de Direito, poeta e Sócio da Academia Brasileira de Poesia- RJ.

Na sutileza da memória humana, negro e pobre está associado à lógica do escravismo.

 Era um corpo perplexo jogado na calçada. Um ser humano demolido da sua dignidade. Nos olhos lágrimas estupradas pela intolerância humana. Na roupa surrada pela ação do tempo, o apartheid da pandemia social de “sempre” vê-lo por entre olhares de soslaio da desconfiança secular. Na pele o crime perfeito: era/é negro!
Espalhados ao chão os produtos que havia comprado. Ao lado a nota fiscal. Acusaram-no de roubo. Pessoas ao redor se afastaram anônimas temendo o envolvimento com “problemas alheios”.
Homens transvestidos de autoridade abusavam da posição golpeando a auto-estima de um outro homem. Pessoas anônimas tornavam-se invisíveis e esquivam-se de “ver”. Era/é um homem negro, pobre e morador da favela. Veredicto: culpado!
Era/é um homem negro, pés sujos, roupas pinceladas com tintas do tempo, morador de uma das grotas de Maceió, com sangue escorrendo do nariz. E uma nota fiscal nas mãos.
O homem chorava, enxugando as lágrimas em mangas de camisa: Eu não sou ladrão! Só porque a gente é pobre eles acham que podem bater - completava com a alma combalida.
As “autoridades” justificavam a prática da violência arbitrária atribuindo a vitima, a “culpa” por desafiar o movimento da demarcação de espaços sociais.
Onde já se viu um morador da grota, pobre e negro com dinheiro para pagar compras? Na sutileza da memória humana, negro e pobre está associado à lógica do escravismo, da subalternidade, da dependência de outrem. São as cadeias invisíveis e históricas do preconceito que segregam e expelem o que não é igual.
Na lógica das “autoridades” de plantão isonomia é sinônimo de salário, nada a ver com princípios de igualdade humana.
Uma das autoridades abusadoras ainda afirmava: “Eu” ia lhe dar uma cesta básica e você vem aqui se alterar!
As benesses do poder.
O homem negro, pobre e maltrapilho chorava. A nota fiscal na mão.
Em nome de uma fictícia “segurança coletiva” o bom senso foi atropelado pela aceitação universal e tácita : até provar o contrário negro é sempre culpado.
A isso daremos o nome de segregacionismo social.
Ser branco no Brasil é ter privilégios já dizia uma mestra da geração em que o saber explodia na convivência diária e não em oficinas metódicas e emparedadas em conceitos não revisitados.
O homem negro, pobre e maltrapilho que chorava foi lesionado por ser homem negro, pobre e maltrapilho.
Ou o homem foi execrado porque era pobre?
Também! 

As pedras no Palácio e a utilização dos moradores de rua como massa de manobra!

 Compartilho com o Átila a concepção de que atos em prol da democracia devem ter a regra da inclusão, e não criminalizar quem já vive tão a margem da sociedade.É um desabafo-defesa pertinente. Parabéns, Átila.

As pedras no Palácio e a utilização dos moradores de rua como massa de manobra!

Ao me deparar com a infeliz declaração do Presidente da CUT, sobre a origem das pedras que atingiram o Palácio do Governo, não poderia calar-me diante de tamanho ato de covardia.
Na minha militância no Movimento Estudantil secundário e universitário, desde a minha adolescência, participei de vários atos, inclusive com ações de ocupação, como do gabinete da então Prefeita Kátia Born (por razão do aumento das passagens de ônibus), o gabinete do secretário de Saúde (quando o DCE da UFAL prestou solidariedade a luta dos médicos em greve) , e por duas vezes a ocupação da extinta Delegacia do MEC, saindo só após uma semana, com a reintegração de posse e a presença ostensivo do Batalhão de Operações Especiais - BOPE.
Sempre assumi os meus atos e as conseqüências decorrentes deles. Não calarei agora. Aprendi com os Movimentos Sociais, porém, muito mais conhecimento e sensibilidade adquiri no contato diário, nestes últimos onze anos, como os moradores de rua. Devo a eles o ser humano que hoje sou.
Por isso, não permitirei a utilização dos moradores de rua, pelos canalhas da direita, nem tão pouco, por aqueles que se escondendo por trás de um discurso de esquerda e utilizam-se dos desfavorecidos para irem, até onde a sua covardia não permite.
Desculpem os possíveis excessos, os erros, mas aqui quem escreve é um EDUCADOR SOCIAL, que conhece o universo dos moradores de rua e tem a plena certeza de que eles nunca tomariam tal atitude, sem que para isso, fossem excitados e utilizados como massa de manobra por terceiros.
Sou solidário a luta dos funcionários públicos, participei e sempre participarei das mobilizações sociais, porém, meu espírito militante e socialista, não me permite aceitar nenhum ato de injustiça, seja praticado por quem quer que seja.
Desculpem o desabafo, mas é necessário,

Átila Vieira Correia
Educador Social
 

Excelência, se o povo gritar o senhor acorda?

A Terra dos Marechais é um território do nordeste brasileiro dividido em  estruturas sociais.
Estruturas sociais previamente arquitetadas pelos colonizadores e reproduzidas por seus herdeiros contemporâneos.
 De um lado encontramos a “alagoa do sul”, onde habitam pouquíssimos privilegiados os exclusivos donos da terra. No lado em que se amiúdam as oportunidades, riquezas, qualidade de vida, mora o povo ferido pela geografia do apartheid étnico e econômico. É a "alagoa do norte”.
Na alagoa do norte a dignidade da vida humana é diariamente, seqüestrada. Vidas roubadas.
Na alagoa do norte o sentimento de insegurança desenha a robustez das grades nas janelas e a insuficiência da solidariedade entre iguais, realimentando a violência.
Alagoa do sul já afirmou publicamente que alagoas do norte é terra de ninguém.
Vossa Excelência diz que não! 
Na alagoa do sul não é permitida a entrada de forasteiros, esses que levantam bandeiras por 20 “conto”. As portas dos prédios são emparedadas, após a abertura da última urna e a comprovação da vitória.
Na alagoas do norte o povo vive acossado pela crescente e contínua ausência da equação: educação x trabalho x saúde x segurança.
Na alagoa do sul o discurso de quase todos, homens, brancos, ditos católicos e heterossexuais é hegemônico. Retórica que interliga a sociedade escravagista a contemporaneidade.
Na alagoa do sul os indícios de prosperidade e desenvolvimento econômico são sempre visíveis. Como modelo social predatório predefinido que empobrece e destrói  o desenvolvimento sustentável  da alagoa do norte.
A alagoa do sul traduz o poder, como exercício de dominação das multidões anônimas, despolitizadas. Na sua grande maioria pobre, de pele preta e analfabeta.
No interior da alagoa do norte o povo, desterrado de suas casas pelas águas de junho de 2010, que não lavam o verão, ainda, mora em barracas sufocantes. Como retrato ¾, em preto em branco do ciclo invisível e programado da miséria alagoana.
A alagoa do sul ri da miséria da alagoa do norte e vai dormir em quentes lençóis.
Excelência, se o povo gritar o senhor acorda?
 

Talvez já estivesse envolvido no mundo das drogas, mas era um menino.

Ontem eu vi o menino. Ele separava a comida do lixo dividindo-a em porções , com a habilidade de quem aprendeu que na vida quase nada é supérfluo.
O menino retirava do lixo sanduíches quase inteiros, comidos “distraidamente” e jogados fora, e a cada “tesouro” encontrado os maxilares do menino, que retirava comida do lixo, se moviam numa alegria incontida.
A fome do menino desnudava a faceta trágica da indiferença humana.
O menino comia aos borbotões olhando de lado como a temer a concorrência de outros meninos e meninas, que como ele moravam na rua.
Era um menino, como esse que a gente tem em casa e chama de filho e ensina a rezar pedindo proteção para Deus livrá-lo desses meninos dos outros, os filhos da miséria. D’uma miséria socialmente programada.
Era um menino, entre 10 e 12 anos, confortável dentro da roupa que comportava toda sujeira do mundo . Seu corpo miúdo era infestado de hematomas e outras cicatrizes da vivência nas ruas.
Era um menino agressivo espalhando palavrões no espaço vazio entre ele e o povo que tropeçava no desconforto de assistir o flagelo humano do menino que mais parecia- meu Deus, um bicho. Como diria Manuel Bandeira.
Talvez já estivesse envolvido no mundo das drogas, mas era um menino.
E a alma da gente se cobre com tamanha sensação de impotência, ao lembrar que já não é mais permitido para muitas crianças pobres terem espaços para viverem a infância.
Boneca, bola de gude, corda e domingos na praça.
 

Recebemos da Ouvidoria do Ministério da Cultura

Prezada Sra. Arísia,

Acusamos o recebimento de seu e-mail e informamos que sua mensagem foi encaminhada diretamente para a Coordenadora da agenda da Sra. Ministra, Sra. Tânia Rodrigues.
Informamos ainda, que o convite será apreciado por aquele Gabinete.
Favor aguardar contato, daquela Coordenação.

Aproveitamos a oportunidade para comunicá-la que no site do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br) há um link para a Ouvidoria do Ministério da Cultura.
Por favor, solicitamos merecer sua gentileza de encaminhar novas mensagens por meio do canal indicado para que possamos tratá-la adequadamente.
Estamos à disposição para mais esclarecimentos e agradecemos por sua colaboração.


Atenciosamente,
Ouvidoria
Ministério da Cultura
Esplanada dos Ministérios, Bloco B, 4º andar
CEP 70068-900 - Brasília DF
http://fale.cultura.gov.br/sisouvidor/autoatendimento/cadastro/formularioMensagem.jsp?strSelecao=ouvidoria

 

Uma nota quem vem do Rio de Janeiro.

Cerimônia de 7º dia do falecimento de Abdias Nascimento


A família de Abdias Nascimento e o Ipeafro convidam para a cerimônia de 7º dia do falecimento do ex-senador que acontece hoje, 31/05, a partir das 17h, no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo e na sede da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e pela Vida, localizado na Rua Barão de Teffé, 75, Bairro Saúde, Zona Portuária do Rio.
A cerimônia contará com a participação do professor-doutor Molefi Kete Asante, da Universidade Temple, Filadélfia (EUA), que vem especialmente ao Brasil para a ocasião.
O 7º dia do falecimento do professor Abdias Nascimento no Rio de Janeiro será lembrado em dois momentos:

1) Às 17h, o Ato Interreligioso no Sítio Arqueológico do Cais do Valongo;
2) Às 17h30, Lembrança e Celebração da vida de Abdias Nascimento na sede da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e pela Vida.
Na ocasião, a atriz Lea Garcia, primeira esposa de Abdias, e o filho Bida Nascimento irão fazer a leitura de um dos poemas de Abdias, entre outras homenagens previstas.

Obs. O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo fica em frente à sede da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e pela Vida. A cerimônia interreligiosa terá início pontualmente às 17h.
 

Ministra Ana de Hollanda já não é hora de subir a Serra, em Alagoas?

Alagoas é quase do tamanho da República do Haiti, a “ilhazinha dos pretos” que ao incorporar os ecos dos ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, tornou-se o primeiro país latino-americano a declarar-se independente.
A primeira República Negra da história.
Como a primeira República Negra das terras de Cabral, Alagoas está exausta de ser personagem anônimo na história brasileira.
Aqui se escreveu um dos mais significativos capítulos da história do Brasil-brasileiro-além-do-navio-negreiro.
Alagoas é o segundo menor estado da federação tem sim, uma pobreza de marré, marré, marré deci, entretanto no contraponto, da história podemos falar de nossas riquezas e da alagoniedade altaneira, que vai além de uma coletividade anônima.
Somos o estado negro de Zumbi!
A primeira República negra do Brasil!
Alagoas é o segundo menor estado do Nordeste que se avizinha dos estado da Bahia, Pernambuco e Sergipe.
Alagoas é Palmares!
A Serra da Barriga está plantada em União dos Palmares localizada a cerca de 73 quilômetros da capital, Maceió, faz parte da microrregião Serrana dos Quilombos, e  limites com Santana do Mundaú, São José da Laje, Ibateguara, Branquinha e Joaquim Gomes.
Palmares serviu de berço para transformação da ideologia racista.
Palmares está no mapa iconográfico da história do Brasil.
Palmares possui hoje um espaço rico de experiências possibilitadas.
É o Parque Memorial Quilombo dos Palmares!
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares é projeto arquitetônico com feições bastante definidas. São espaços cheios de vida ancestral, com traços rústicos em íntima ligação com a grandiosidade pulsante da cultura deste pais, dito miscigenado.
O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, Excelência habita o coração da liberdade na Serra da Barriga, onde Zumbi, Aqualtune e tantos outros guerreiros e guerreiras deram o grito da “Independência ou Morte. Foi o nosso “Dia do Fico”. O nosso dia de resistência de um povo que até sofre, mas, não foge da luta.
O indefectível abandono político da Serra da Barriga- “A República dos Quilombos”- que consolida trilhas para nossa invisibilidade histórica, já é razão suficiente para que o estado de Alagoas receba uma visita oficial do Ministério da Cultura.
O Parque traduz as dobras da cultura negra, em Alagoas. É uma experiência única e para que seja bem sucedida, Excelência, é preciso que os órgãos responsáveis sejam federais ou locais saiam da inércia secular.
O estado brasileiro precisa, urgentemente, assumir suas responsabilidades e competências com a Serra da Barriga, tombada como patrimônio histórico nacional em 1985.
Em junho o estado de Sergipe receberá a visita oficial de Vossa Excelência. Os estados de Pernambuco e a Bahia, por três vezes, todos do Nordeste,já foram contemplados com a presença política do Ministério da Cultura, e como cidadã alagoana,ativista social, orgulhosa do pertencimento étnico, sem filiação partidária e sabedora da irrefutável importância da revolução social, ocorrida na Serra da Barriga, que hoje abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, o primeiro complexo arquitetônico de inspiração africana de todas as Américas e o único parque temático cultural afro-brasileiro do continente americano fica aqui o legítimo e urgente convite: Ministra Ana de Hollanda, já não é hora de subir a Serra da Barriga, em Alagoas?

 

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