Raízes da África

Não foi só o terremoto que implodiu a ilhazinha dos pretos, o racismo metódico e cotidiano dá corpo ao genocídio sistematizado e previsível.


O Haiti é uma ilhazinha dos pretos. Dos pretos mais pobres da América. A ilhazinha é símbolo da resistência de um povo que ousou cultuar sua fé, a cultura.
Em 1804 a ilhazinha dos pretos tornou-se a primeira república negra e o primeiro país da América Latina a conquistar sua independência e até hoje paga um preço altíssimo Os pretos não se renderam à França, mas a metrópole européia buscou derrotá-los pela força do capital. A França cujo lema é Liberté, Égalité, Fraternité, ou seja, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, cobrou, durante 100 anos, uma indenização pelas terras e “escravos” perdidos com a independência.
20 bilhões de dólares foi o valor da quota dos pretos pago à metrópole européia para ter direito a “carta de alforria” e o mundo não interviu...
Na ilhazinha dos pretos o que mais se tem é preto. Na ilhazinha a língua falada é o Kreyòl. No último censo em julho de 2007, eram 95% de negros e só 5% mulatos e brancos. Território quase 100% africano, uma África por excelência, e, é interessante como a condição étnica da população da ilhazinha dos pretos é invisibilizada nas inúmeras reportagens pós-terremoto em que o Haiti, agora, é protagonista.
O terremoto humano no Haiti acontece faz tempo. A AIDS no Haiti é um tsunami. Já matou 24.000 pessoas. A hepatite e malária também matam. Com a violência das catástrofes.
Na verdade a ilhazinha dos pretos vive no olho do furacão: 52,9% da população é analfabeta, outra maioria vive abaixo da linha da pobreza, os índices de mortalidade infantil e maternal são extremamente altos e segundo a ONU 70% dos quase dez milhões de haitianos estão desempregados. Na época da revolução haitiana negros era constantemente assassinados e açoitados. Na ilhazinha atual pretos morrem cotidianamente submetidos à fome, as doenças, as tragédias ambientais, as invasões, à ditadura. A Metrópole Européia isolou a ilhazinha dos pretos do continente americano para forçar a desgraça humana. A Metrópole Européia isolou a ilhazinha dos pretos para sucatear sua identidade soberanamente africana. Ancestral!
A escravidão de pretos é tratada com naturalidade, porque é “natural” para “um” mundo racista que pretos sejam explorados e oprimidos, que o digam os pretos que cotidianamente são feridos em sua dignidade pela condição étnica..
A condição étnica do Haiti cria condições favoráveis para que queiram aboli-lo do planeta. O Haiti é preto e pobre, entretanto o cônsul do Haiti no Brasil é branco.
Quanto mais pobre for o Haiti mais fácil é derrotar a ilhazinha dos pretos. Foi lá que aconteceu a primeira revolução anti-escravagista e anti-colonialista da humanidade. Identidade e resistência. Lá também aconteceu uma invasão americana.
Á margem de uma extrema pobreza o “farol da liberdade do povo negro no mundo”,
vive só em sua busca de liberdade. No mercado de trabalho, segundo a UNESCO, a mão de obra do Haiti é a mais barata do mundo. Mão de obra escrava!
Mas, não foi só o terremoto que implodiu a ilhazinha dos pretos, o racismo metódico e cotidiano dá corpo ao genocídio sistematizado e previsível.
O terremoto em Porto Príncipe não é pior crise humanitária em décadas, como arvoram as “autoridades’. A pior crise é o escombro moral provocada pela política utilitária de ocupação da ilhazinha dos pretos. Há séculos..
Se a infraestrutura do Haiti não fosse tão precária mais vidas poderiam ser salvas...
A democracia do Haiti é ferida constantemente, mesmo sem os desmontes da natureza. A ilhazinha possui belas praias, curte jazz e Hip-Hop. Localizada na entrada das Américas, mesmo combalida, quase exterminada, buscará caminhos para manter a soberania e a dignidade de seu povo.
É urgente que a missão humanitária internacional, inclusive o Brasil, de forma organizada e racional ajude o Haiti, hoje, a sair do caos e lenta mais persistente na construção do projeto de identidade nacional da ilhazinha dos pretos: a liberdade como condição de cidadania!
A Gigantesca ilhazinha dos pretos têm um lema em kréyol na língua dos “escravos” em contraponto ao Liberté, Égalité, Fraternité que diz: “bite n´bite nous pas tombe”, ou “seja tropeçamos, mas não caímos”.
A ilhazinha dos pretos renascerá!


 

Seja Mais Negra é a música de Camila como atestado de que a roda da vida sempre pede continuidade de ações...

Camila Carnaúba inscreveu sua inédita composição afro-musical no primeiro Festival de Música – FEMUFAL, promovido pela UFAL., entre 12 a 15 de novembro de 2009.
Mesmo não classificada entre as três primeiras (ficou em quarto lugar) a música “Seja Mais Negra” interpretada por Jenilza Pereira fará parte do CD que a UFAL lançará contendo as 20 músicas selecionadas.
O FEMUFAL foi idealizado pela Pró-Reitoria Estudantil através de sua Coordenação de Política Estudantil criando e propondo novos espaços de fortalecimento para produção artístico-musical dos três segmentos que compõem a comunidade acadêmica: estudante, professor e técnico.
Encontro acadêmico-universitário o FEMUFAL , revelou, promoveu e deu publicidade à produção artística e às habilidades culturais dos estudantes, professores(as) e funcionários(as) no campo da música, como , também, proporcionou à Comunidade acadêmica momentos de grande interação e interlocução cultural.
A música da jovem Camila Carnaúba tem inegável importância cultural na medida que sinaliza para novos caminhos que agregam valores e despertam idéias, mentes e corações para novas e outras idéias.
Interpretada pela universitária de pedagogia Jenilza Pereira,“Seja Mais Negra” é a música de Camila como atestado de que a roda da vida sempre pede continuidade de ações...

Seja mais Negra!
(Letra/Música: Camila Carnaúba)

Sorriso iluminado;
Olhos pérola negra;
Estrela da noite.

Orelha de argola;
Na cabeça, um lenço;
Decote de rasta.
Arrasta a saia;

Esse teu riso pega;
Abraço cheio de graça.
Roda essa saia;

Abre roda da ciranda,
samba e coco-de-roda.

Cor-de-preto
Cor-de-preto da cor-de-irmão.
"Ei, Neguinho!"
De Neguinho, chamo o meu amor!

Ah, se faltasse um colo de neném!
Ah, se faltasse um canto
de origem negra!

Ah, se faltasse a arte de fazer rir!
Ah, se faltasse a garra!
Seja mais negra!”

 

 

 

 

Uma Carta para Camila Carnaúba


Conheci Camila Carnaúba em um dos encontros afro-alagoanos de educação na época promovido pelo então Núcleo Temático Identidade Negra na Escola, da SEE/AL.
Camila deveria ter entre 17 e 19 anos, linda menina de pele muito clara e de uma perspicácia e humildade contagiantes. Tinha terminado o 2º grau e estava muita disposição para aprender.
Os encontros afros eram momento de encontros e reencontros na busca de construir pontes sociais nas relações raciais. Na abertura dos encontros para estabelecer um clima de convivência humanizadora buscávamos sempre fazer uma apresentação dos mais novos participantes. Camila Carnaúba resumiu assim sua participação: soube do encontro por um jornal local, achei interessante e vim o mais rápido possível: ainda posso me inscrever?
Atualmente, Camila faz a Faculdade de Psicologia, em Palmeira dos Índios, interior de Alagoas e reproduz as teorias dos encontros afros na prática do trabalho/estágio em uma comunidade quilombola.
Finalzinho de 2009 recebi um e-mail de Camila Carnaúba que me fez ficar orgulhosa da “aluna”:

“Arísia!
A música "Seja mais negra" - de minha autoria e interpretada por Jenilza Pereira, foi selecionada para gravar o cd do Festival de Música da UFAL (FEMUFAL). Dia 12, no Posto 7, serão as apresentações e a gravação do cd.
Arísia, a composição dessa música é produto dos encontros e debates proporcionados por você, além dos livros (aqueles que você me deu). Cada verso da música tem um significado e uma vivência minha. E ela já está fazendo seu papel: emancipando o orgulho negro das pessoas que a ouvem (independente da cor/etnia).
Um grande abraço!
Obrigada pela inspiração que tem sido para mim.
Camila Carnaúba

Obrigada, digo eu, querida Camila Carnaúba pelo presente.
Só agora agradeço com a delicadeza da cumplicidade. Agradeço a curiosidade que a fez desembocar em quase todos os 33 encontros afros, ações de formação que visavam qualificar pessoas para discutir os embates entre o racismo e a sociedade escolar. Mesmo não estando no contexto da educação você foi além. Fez da palavra instrumento. São múltiplos os caminhos possíveis de reinventar as relações raciais, a música é um deles. Você e a sua música como produto final são reflexos reais da importância de encontros permanentes onde criamos possibilidades únicas de juntar gentes e pontos de vistas. Gentes e reflexões sobre o que é ser humano e ir além, atravessando cachoeiras e precipícios.
Obrigada pela partilha do talento, generosidade, força de vontade, seriedade e compromisso.
Mais do que uma letra musical, minha linda Camila, a sua composição decompõe a utópica igualdade da mestiçagem brasileira, afirmando a mulher negra pela diferença de sua identidade étnica. Ser mulher e ser negra ainda é exílio no Brasil. Hiatos e lacunas na pontuação do discurso libertário.
É preciso enfatizar sim, que ser mulher negra é ser bonita buscando romper com os jogos de aparências sociais que dão sustentação as veladas doutrinas racistas de que ser negro é um erro no ponto de vista estético.
“ Mulheres negras continuam sendo mulheres negras muito mais, ainda, pelos atributos físicos reinventando o colonialismo masculino da “mulata brasileira” da ‘escrava-utilidade”, do que como “ legitima cidadão brasileira”.
Obrigada, Camila por ter exposto sua arte em um festival universitário, o palco das gentes-coletivas expandindo não só as possibilidades da criação como também promovendo a oblíqua travessia entre a desconstrução e a recombinação. Você silenciou a monoconversa, sem esquecer que o racismo é portátil.
Hoje, Camila Carnaúba, você me permite ter certezas. Uma delas é que a realização dos 33 encontros afro-alagoanos de educação, em 04 anos fez a história sair da invisibilidade e ganhar o olho do furacão, cravando sílabas, palavras e grafando bem, todos os acentos tônicos: somos racistas,sim!
Você não se limitou a ser uma mera espectadora, transformou palavras em falas, falas de efeito multiplicador com o poder criativo da juventude experimentando a plataforma do discurso musical, construindo pontes entre o hiato do racismo e o grito silencioso das multidões. Recuperando jeitos, detalhes significativos das andanças nos encontros afro- alagoanos de educação para colocá-las em acordes musicais no presente.
Obrigada, Camila Carnaúba por sua música ter ocupado a praça na voz da negra intérprete e inundado de orgulho o coração dessa tua “pretensa mestra”.
No final dessa empreitada sobram companheirismo, respeito e o espírito da partilha.
A roda da vida continua girando. Ainda, bem!
 

Ao não estabelecer a política sócio-étnica como política de estado o governo institui a segregação dos diferentes e daí nasce o racismo institucional


2009 foi o ano "profícuo" das conferências nacionais, precedidas das estaduais.
A II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Alagoas, com recursos parcos e muita inventividade foi realizada, em 21 de maio, e levou a assinatura institucional da Secretaria da Mulher, Direitos Humanos e Cidadania.
Numa análise crua e fria afirmamos que a ausência de uma ampla concepção de política estatal foi alterando, deformando e minimizando a real importância da conferência nos municípios e espaços políticos alagoanos.
Órgão governamental responsável em exercer o papel de fortalecer a articulação, o diálogo e a cooperação de promoção da igualdade racial entre outros órgãos do governo e municípios alagoanos, a Secretaria da Mulher, Direitos Humanos e Cidadania surgiu como agregadora dos projetos da defenestrada Secretaria de Defesa e Proteção das Minorias.
Incorporando quilométricas ações vinculadas ao bem comum e aos direitos sociais das ditas minorias, a Secretaria da Mulher, Direitos Humanos e Cidadania vai muito bem obrigada, nas páginas de noticiais institucionais do governo, no entanto se formos falar de execução, agendas, metas e planos de ação com vistas ao enfrentamento do racismo, nos temas de políticas públicas em educação, saúde, segurança pública, quilombolas,trabalho e renda dentre outros,com resultados concluídos ou em andamento nos depararemos com o equívoco da ausência do status político do referido órgão, dentro da estrutura do governo e na execução de política pública. Além de conviver com orçamento irrisório, número injustificável de recursos humanos especializados, dentre outras deficiências. O racismo institucional podem ser sentido e percebido na forma como se organiza e administra os Conselhos e as Secretarias existentes no interior das máquinas governamentais
Mir,Luís questiona: “Que papel o Estado teria que desempenhar,sobretudo no contexto de uma nova moldagem social e econômica? Essa nova competência não foi, todavia, compreendida e implementada corretamente pelos afro-brasileiros, mestiços, pelas etnias dominantes e pelo próprio Estado. Os grupos predominantes dentro dele não conseguiram desenvolver estratégias globais de superação do muro étnico e socioeconômico, pela total ausência de um quadro (político,econômico e jurídico) apropriado. Entre os vários obstáculos, um é ofensivo: as segregações praticadas pelas instituições públicas e privadas”
Ao não estabelecer a política sócio-étnica como política de estado o governo institui a segregação dos diferentes e daí nasce o racismo institucional que impede a garantia de direitos de uma significativa parcela da população negra alagoana.
Os avanços jurídicos em relação a decretos, leis ordinárias, complementares têm seu valor, entretanto precisam romper as fronteiras do simbolismo da conquista para insurgir-se como uma política de resultados, contra a hegemonia sustentada da elite alagoana.
Quais são os "Avanços e Desafios Étnico-Sociais Alagoanos” tema prioritário da Conferência Estadual? O que temos de resultados concretos?
É urgente o redimensionamento da participação social nos espaços de decisão política, afinal os esforços do governo alagoano devem ser direcionados para sua principal função que é o bem comum, atendendo as especificidades étnicas, regionais, etc., todavia em termos operacionais é urgente que a sociedade civil organizada estabeleça e assuma estratégias de fiscalização e cobrança, exerça o controle social.
De braços cruzados aceitamos pacificamente e naturalmente o retrocesso do desmonte político da então Secretaria de Defesa e Proteção das Minorias.
Discutir, redimensionar, avaliar as proposições políticas das gestões anteriores poderia ser um dos grandes motes para reestruturar e consolidar a proposta daquela que foi avanço político e a ação pedia continuidade. Que façamos uma mea culpa: nós permitimos...Estamos sendo engolidos pela nossa desmobilização cotidiana ao sermos condescendentes com a invisibilidade política da história alagoana fincada nos princípios da diversidade étnica?
Quais perspectivas e possibilidade teremos em 2010 para rever essa história negra alagoana que está sendo minimizada por outros assuntos mais urgentes.
E o Conselho Estadual de Combate à Discriminação sairá do papel antes das eleições?
Em 2010, ano de eleição, qual a garantia de previsão orçamentária, para assegurar a execução da Política interna de Promoção da Igualdade Racial.
Na região dos quilombos em Santana do Ipanema a Comunidade Quilombolas de Filús continua usando a água suja como liquido para matar a sede? Localizado no nordeste brasileiro os quilombolas de Filús sabe o que quer dizer “terra sedenta” e ‘água suja”.
Alagoas não pode falar em desenvolvimento econômico se a estrutura sócio-étnica está a beira do colapso, do apagão político. É preciso a pensar esse estado como “O” estado da diversidade étnica para que os projetos de mudanças possam ser realizados.
E por falar em proposições em que pé está a construção do Estatuto da Igualdade Racial em Alagoas sugerido e votado pela plenária geral da II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Alagoas? Quase um ano após E o que foi feito da intenção?
O descaso ao estabelecimento da política de estado para promoção da igualdade racial na terra que é referencial da primeira república negra no Brasil é um caso atípico?

 

A Revolta de Zanj. A Revolta dos Negros. O islamismo e a escravidão.

O historiador não é um colunista que escreve para agradar os seus leitores. A função do historiador é retratar a verdade histórica independente que os agrade ou desagrade. Nós, pretos e pretas, esquecemos de uma boa parcela da nossa história porque ela não foi repassada totalmente através da tradição oral pelos nossos ancestrais ou não foi documentado por nós na diáspora, isto não quer dizer que estes fatos foram apagados, pois, as fontes primárias e secundárias estão sendo redescobertas e pesquisadas, aliadas as pesquisas arqueológicas e outras fontes de estudos como a oralidade afro-asiática e afro-americana.
A escravização dos africanos teve como algozes nações muçulmanas, cristãs e com importante participação ativa dos judeus, sempre é bom ressaltar que os judeus ao qual nós referimos, não são os hebreus. Os judeus são europeus askenazis e sefardistas que enriqueceram com o tráfico escravagista especialmente de hebreus na África.
Há muitos estudos sobre o tráfico transatlântico que analisam a rota maldita de homens, mulheres e criança, prisioneiros de guerras feitas no continente africano por cristãos e judeus. Novas descobertas surgem a todo o momento, outrossim, sabemos que muito há ainda de ser escrito porque há casos encobertos e manipulados. Especialmente no tráfico feito pelo Islã pela rota através do Oceano Indico. Alguns historiadores estimam que entre 11 e 18 milhões de escravizados africanos cruzaram o Mar Vermelho, Oceano Índico e o Deserto do Saaara ou mais de 9.4 a 14 milhões de africanos sequestrados para as Americas no Comércio escravista transatlântico.
Muitos escravizados africanos foram transformados em eunucos, uma violência dos árabes muçulmanos praticando a mutilação genital contra os homens pretos, castrando-os: The Islamic slave trade : the untold story - (part 3 of 5).
Conforme Bokolo de Elikia M\', abril 1998, Diplomatique do Le Monde:
“O continente africano foi sangrado de seus recursos humanos através de todas as rotas possíveis. Através do Saara, através do mar Vermelho, dos portos do Oceano Índico e através do Atlântico. Pelo menos dez séculos de escravismo para o benefício dos países muçulmanos (do nono ao décimo nono séculos).“ Continua: “Quatro milhões escravos exportados através do mar Vermelho, outros quatro milhões com portos Swahili do Oceano Índico, talvez tanto como nove milhões ao longo da rota da caravana transporte transariano, e onze a vinte milhões”
O racismo da elite muçulmana foi profundo e se agravou quando o império se tornou cada vez mais dependente do trabalho escravizado. Por exemplo, o famoso historiador muçulmano, al-Mas\'udi, afirma as dez qualidades dos africanos, deste modo: "sobrancelhas finas, cabelos carapinha, nariz largo, lábios grossos, dentes afiados, pele fétida, sem inteligência, mãos e pés deformados, pênis alongado e alegria excessiva, certamente a pessoa com tez preta (al-Aswad) é esmagada pela alegria devido à imperfeição de seu cérebro e, portanto, seu intelecto é fraco"
Ibn Khaldun, um dos mais proeminentes historiadores árabes, fundador da sociologia cinco séculos antes de Auguste Conte (1840), possuía preconceito contra os pretos africanos:
"Portanto, as nações de negros são, em regra, submissas à escravidão, porque [os negros] tem pouco [que é essencialmente humano] e têm atributos que são bastante semelhantes aos animais mudos.
No que tange aos prisioneiros de guerra feitos pelo islamismo as discussões são recentes e dificilmente analisada nos centros acadêmicos e no chamado Movimento Negro no Brasil. O Islã escravizou milhões de africanos especialmente hebreus na África e neste artigo iremos discorrer de uma das revoltas de africanos escravizados por muçulmanos, considerada como a maior. A rebelião Zanj, uma série de revoltas que tiveram lugar ao longo de um período de quinze anos (869-883 d.C), perto da cidade de Basra (também conhecida como Basara) na região do Iraque no dias atuais.
Em 868 d.C, o império islâmico Abássida teve a sua capital em Bagdá, durante mais de um século. Foi o momento na história islâmica, quando o Oriente Médio estava em evolução. O império abássida era o maior do mundo, indo da costa atlântica da África do Norte no Ocidente até as fronteiras da China no Oriente. Bagdá era uma metrópole de um milhão de pessoas, um centro inovador em ciências, filosofia, literatura e música.
Com todo o seu poder, o império abássida no século IX enfrentou um problema sério para se manter economicamente: recursos humanos. Assim, os turcos são trazidos como soldados, e milhares de africanos da África Oriental são raptados para o Oriente Médio como escravizados, oriundos do Quênia, Tanzânia, Etiópia, Malawi e Zanzibar (ilha ao largo da costa da Tanzânia continental Zanj que deu o seu nome).
Historiadores são incertos sobre quando e como o Zanj chegou pela primeira vez no Oriente Médio, mas ambos os poderosos impérios islâmicos que dominaram a região durante este período, o califado Omíada (661 - 750) e do califado Abássida (750 - 1258), foram conhecidos por terem reduzidos africanos a escravidão.
Escritores árabes chamaram a estes povos de língua Bantu da África Oriental do Zanj, que significa "negro". A visão negativa sobre os africanos é exemplificada na seguinte passagem do Kitab al-wah Bad \'-tarikh, vol.4 pelo escritor medieval árabe Al-Muqaddasi:
- "Quanto ao Zanj, são pessoas de cor preta, nariz achatado, cabelo crespo, e pouca compreensão ou inteligência." Al-Jahiz também afirmou em seu Kitab al-Bukhala ("avareza e dos avarentos") que:
- "Nós sabemos que o Zanj (negros) são os menos inteligentes e menos exigentes da humanidade, e os menos capazes de compreender as conseqüências de suas ações." Al-Dimashqi (Ibn al-Nafis), diplomata árabe, também descreveu os habitantes do Sudão e da costa Zanj: "... as características morais encontrados na sua mentalidade se aproximam das características instintivas encontrada naturalmente em animais."
Outro exemplo, o historiador egípcio Al-Abshibi (1388-1446) escreveu: - "Diz-se que quando o [preto] escravo está saciado, ele fornica, quando ele está com fome, ele rouba." A tática dos escravistas era que o povo Zanj não conhecia a língua árabe, e esta dificuldade tinha por objetivo particularmente de se tornarem dóceis. Isso também ocorreu nas Américas com os nossos ancestrais. Os Zanj em condições de extrema miséria foram obrigados a trabalhar no sul do Iraque, limpando o solo pantanoso de uma rocha dura de camada de sal em terríveis condições úmidas, com vários metros de espessura que cobriam a terra. Os fazendeiros árabes obrigavam o trabalho extremo da retirada de toneladas de sal antes que eles pudessem cultivar a terra, desenterrado camadas de solo arável e arrastado toneladas de terra para o trabalho intensivo de plantas de culturas como a cana de açúcar. Possuíam uma dieta alimentar pobre composta basicamente de tâmaras, semolina e pouca farinha, além da exploração do trabalho brutal e extenuante, inevitavelmente, conduziu os Zanj à rebelião, envolvendo 500.000 escravizados.
Esta Revolta não foi à primeira registrada na região do sul do Iraque: um escravizado negro, Rabah Shir Zanji (o "Leão do Zanj"), liderou uma rebelião em Basra, em 694-695 d.C. Revoltas armadas continuaram a entrar em erupção nesta parte do Golfo Pérsico, mas a rebelião Zanj do final do século nono estava em uma escala sem precedentes. Em toda história escrita pelos vencedores, existem relatos que precisam ser melhores investigados, de que um homem misterioso, foi aos escravizados Zanj e lhes prometeu uma vida melhor neste mundo, e no próximo. Dizendo que Deus lhe havia ordenado para liderar o Zanj na guerra. Seu nome era Ali Bin Muhammad e reivindica a linhagem do Profeta. Disse:
"Uma nuvem lançou uma sombra sobre mim e um trovão ressonou nos meus ouvidos e uma voz se dirigiu a mim. " A maior dessas revoltas durou quinze anos, 868-883, durante o qual os africanos derrotam após derrota infligida sobre os exércitos árabes enviou para reprimir a revolta. É importante ressaltar que as forças Zanj foram rapidamente aumentadas por grandes deserções em massa dos soldados negros sob o emprego do Califado Abbassida em Bagdá. Zanj infligiram derrotas severas sobre os exércitos do Califado. A revolta foi chamada de "revolta ou rebelião negros Zanj. Durante catorze anos, os Zanj venceram as batalhas e construíram a sua própria república, que incluíam no seu auge seis cidades, chegando a 70 quilômetros de Bagdá. Os historiadores árabes lembram o que chamam do dia "infame das barcaças", quando o líder Zanj apreendeu 14 navios. Os proprietários tentaram juntar os seus barcos, de modo a formar uma espécie de ilha, mas a liderança Zanj enviou reforços para garantir uma grande vitória. Eles dominaram os barcos, mataram os homens a bordo, libertaram os escravizados, tomaram tesouros cujo valor não pode ser estimado, e a luta ocorreu três dias seguidos, ocuparam a cidade matando muitos dos seus habitantes.
O povo Zanj construiu sua própria capital, chamada Moktara, significa "Cidade Eleita” que cobria uma grande área e floresceu durante vários anos. Eles ainda cunharam sua própria moeda e realmente dominaram o sul do Iraque.
O exército Abássida estava ocupado apagando incêndios em todo o império, mas naquele momento, o Zanj se tornou o inimigo número 1. O califa de Bagdá decidiu ordenar ao chefe do exército para concentrar o seu poder de fogo contra os rebeldes Africanos, e era apenas uma questão de tempo. A rebelião Zanj só acabou sendo suprimida com a intervenção de grandes exércitos árabes, inclusive através do reforço das tropas egípcias, e a lucrativa oferta de anistia e as recompensas para qualquer rebelde que optasse por se render. Não devemos esquecer que essas informações são de historiadores árabes.
O Exército cercou a capital da República Zanj e, no assalto final, os Zanj foram dispersos, e o líder Bin Mohamed Ali, morto, com a cabeça espetada num poste e os vencedores desfilaram pelas ruas de Bagdá. A derrota final da rebelião, não resultou na reintrodução da escravidão em massa, mas na integração dos rebeldes nas forças do governo central, na verdade a maioria dos escravizados foram mortos sofrendo imensas brutalidades. Estes eventos foram escritos por historiadores árabes, em particular al-Tabari, são relatos de vencedores que escrevem a história conforme os seus desejos. Os Zanj nunca contaram o seu lado da história. Os historiadores árabes consideram as rebeliões Zanj como subversivas, e são lembrados como “inimigos", Um dos líderes Zanj Ali bin Muhammad foi amaldiçoado e apelidado de "o abominável".
When "Negroes" dominated "Arabs" part 2 (Zanj revolt)
O povo africano sempre se afirmou no mundo conquistando a sua dignidade básica, defendendo e exigindo seus direitos humanos inalienáveis. O povo africano em todo o planeta nunca aceitou a escravidão e nem se humilhou aos seus opressores.

 

Ser negro é maravilhoso!

Quando eu era pequena, sofria muito com o preconceito. Na infância, eu tinha vergonha de ser negra. Cresci totalmente sem identidade.
Nunca tive heróis negros. Todos os meus super-heróis eram loiros, de olhos azuis. Minhas bonecas também. Isso sem falar nos meus ídolos: Xuxa, Angélica e Eliana. Imaginava que ser branco era lindo, e ser negro, uma coisa feia. Isso fazia com que eu ficasse sem vontade de ir à escola, onde era chamada de pixaim, carvão, urubu. Só ia à escola para comer. Depois, pulava o muro e saía fora, porque não aguentava tanta pressão.Em casa, eu não tinha apoio, só apanhava.
Quando fui morar nas ruas, vivi um preconceito ainda maior. Apanhava só por ser negra. E, nas filas de adoção, todos preferiam as crianças brancas.Mas virei a página, saí da rua. E fui buscar livros que reforçavam o quanto a minha cor é bonita. Hoje, tenho um filho negro. Sempre o ensino a amar a si próprio, faço roupas africanas para ele e leio livros sobre a África. Percebo que ele gosta muito de ser negro. E uma coisa eu aprendi: ser branco é lindo, mas ser negro é maravilhoso.
 

Lição deve começar em casa

O preconceito, às vezes, começa em casa. O Jair é o meu melhor amigo, e eu sou o melhor amigo dele. Luis, 11, é branco; Jair, 11 é negro. Essa seria uma historia de amizade bacana se Luis não morresse de medo de seu pai descobrir que seu melhor amigo é negro.
O meu pai é superpreconceituoso. Se alguém o fecha no trânsito, ele fala: É coisa de preto. Se o porteiro do prédio faz algo errado, ele diz: Só podia ser preto. Por isso nunca tive coragem de levar o Jair em casa [eles se conhecem há seis anos]. Imagine se meu pai ofender ele? Não gosto nem de pensar, tenho vergonha. Na escola, os dois partem para a briga toda vez que Jair é xingado. Mas não criei coragem para enfrentar meu pai como enfrento meus colegas, conta Luis. A psicóloga Dnilda Côrtes Silva, 45, do Disque-Racismo do Rio, diz que ambos são vítimas do preconceito. Eles precisam da ajuda de um adulto. Não podem esconder essa amizade como se fosse uma coisa errada.

Discriminar

Inventar apelidos de mau gosto; fazer piadinhas sobre o cabelo crespo;
excluir a criança para participar do grupo de trabalho da escola;
rejeitar a participação de um colega numa brincadeira; evitar sentar ao lado na escola, no ônibus, na perua
Fonte: Eliane Cavalleiro, autora do livro o Racismo e Anti-Racismo na Educação (editora Summus).

Em busca da identidade
Isabele, 9, luta contra a cor de sua pele. Não gosta de ser negra. Já pediu para a mãe comprar uma chapinha para alisar o cabelo. Pior: procura algum produto para deixar a pele menos escura. Já quis raspar a pele até ficar branquinha. A menina deve estar sendo agredida para desejar mudar de cor, afirma Sônia Maria Nascimento, coordenadora-executiva da ONG Geledés. A família e a escola têm de ajudá-la a elevar a auto-estima e a valorizar a sua identidade, diz. E o feriado do dia 20 é ideal para debater a questão racial
 

Amizade não tem cor

Sabe quando uma história é sussurrada no seu ouvido? Foi assim, meio em segredo, que crianças negras contaram histórias de preconceito racial que viveram. Elas só toparam falar sobre o assunto porque o combinado era não revelar a sua identidade. Assim, alguns nomes são de mentirinha, mas as histórias infelizmente são bem reais. Mas você já deve estar perguntando: o que é preconceito racial? O menino Anderson, 9, descobriu o que significa essa palavra de uma maneira bem triste. A primeira vez que ouvi essa palavra, preconceito, foi quando minha mãe ficou indignada porque contei que só usava o elevador de serviço. Por quê? As pessoas diziam que negro não podia usar o elevador social, conta. A ela me ensinou a dizer que eu tenho os mesmos direitos. Ana, 13, vive faltando na escola. Sempre dá uma desculpa para não freqüentar as aulas, pois está chateada com as piadinhas de alguns meninos. Eles ficam falando que sou uma bruxa por causa do meu cabelo, diz. As vezes, o preconceito começa no caminho da escola. Marco Aurélio, 11, conta que alguns colegas faziam piadas preconceituosas com o seu nome. Diziam que meu nome era só Macaco Aurélio, afirma. Já Jéssica, sete, era beliscada e cuspida por um colega da perua. O menino dizia que ela não podia sentar ao seu lado porque iria tingir seu corpo, por ser negra.
Samuel, 10, também sofre com o preconceito racial de outras crianças. Uma vez, na escola, um menino branco mandou eu sair da brincadeira porque eu sou negro. E falou: Aqui só tem branco, você não pode brincar aqui.E Samuel não disse nada. Ele só sai de perto.

Silêncio

O silêncio não é a melhor solução, ensina Eliane Cavalleiro, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.
Geralmente, a criança negra vive essa dor sozinha, porém deve pedir ajuda aos professores e aos pais. Ela também pode alertar o colega de que ele está sendo racista ou preconceituoso. E que racismo é um crime.

 

Comunidade negra do Distrito Federal terá agenda afirmativa em 2010

A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUS) do GDF lançará em 2010 a primeira agenda de políticas públicas de ações afirmativas para a população negra do Distrito Federal. O objetivo é criar mecanismos para a eliminação de comportamentos racistas no atendimento e na abordagem de pessoas negras nos serviços oferecidos pelo governo distrital.
A agenda foi elaborada pelo Conselho de Defesa dos Direitos do Negro (CDDN), com a participação de representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais. O conselho foi instituído pela Secretaria de Justiça do GDF, em novembro de 1997, com o propósito de implementar políticas públicas que favoreçam a população afrodescendente.
 

SEPPIR lança plano nacional de proteção à liberdade religiosa

A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) lança, no dia 20 deste mês, em Brasília, o Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa e de Promoção de Políticas Públicas para as Comunidades Tradicionais de Terreiro (PNCT). O evento antecipa as comemorações de 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Ainda para celebrar a data, a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Distrito Federal apresenta, em parceria com a SEPPIR, a publicação Inventário dos Terreiros do DF e Entorno – 1ª Fase.
A cerimônia será no Salão Negro do Palácio da Justiça (Ministério da Justiça, Esplanada dos Ministérios) e contará com a presença de representantes de comunidades de terreiros de todo o país e de autoridades diversas, como o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e o subsecretário de Políticas para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Alexandro Reis.
A programação inclui o Seminário sobre Regularização Fundiária e Proteção à Liberdade Religiosa, que será realizado de manhã. O lançamento do Plano e do Inventário será a partir das 14h30.
Histórico - O Brasil possui a maior população negra fora da África, um dos maiores contingentes de comunidades de etnia cigana do mundo e mais de 180 povos indígenas, mistura enriquecida com a contribuição de imigrantes de todos os continentes. No entanto, o país ainda convive com o racismo e a discriminação contra as comunidades tradicionais de terreiro.
O Plano Nacional –resultante de um conjunto de ações articuladas do Governo Federal para combater a intolerância religiosa– está em consonância com a Constituição Federal e com os acordos e convenções firmados pelo Brasil com o objetivo de assegurar a efetivação dos direitos humanos e, especialmente, o direito à liberdade de consciência e de crença.
 

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