Raízes da África

SEPPIR solicita que vítimas de discriminação por prática religiosa entrem em contato com Ouvidoria

O Ministério Público Federal acatou denúncia feita pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) contra suposta prática de racismo e discriminação nos aeroportos do Rio de Janeiro e de Salvador por agentes da Polícia Federal, em razão da condição religiosa dos viajantes.
A subprocuradora-geral da República Gilda Pereira de Carvalho solicitou, no último mês de dezembro, que a SEPPIR informe, além dos casos já relatados pela Secretaria, a existência de novos registros de reclamações contra agentes da Polícia Federal envolvidos em possíveis casos de racismo e discriminação contra muçulmanos ou praticantes de religião de matriz africana. A SEPPIR está fazendo um levantamento, e pede que as vítimas entrem em contato com a Ouvidoria pelo telefone (61) 3411-3695 ou e-mail seppir.ouvidoria@planalto.gov.br.
Histórico - Os casos denunciados pela SEPPIR ao Ministério Público e que envolvem agentes federais ocorreram nos anos de 2006 e 2007. Em outubro de 2006, ao passar pela porta magnética para chegar até a sala de embarque do aeroporto internacional de Salvador, um muçulmano teria sido intimidado a retirar a takia (gorro). Segundo o denunciante, o policial, que se identificou como evangélico, foi arrogante, indelicado e disse que se ele não retirasse o objeto -mesmo depois de ter passado pelo detector de metais sem problemas-, não embarcaria. Em maio de 2007, uma viajante chorou pela forma como abordada no aeroporto do Galeão (RJ) por um policial por causa do ojá, adereço típico das autoridades religiosas dos cultos de matriz africana.
Comunicação Social da SEPPIR /PR
http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/seppir/noticias/ultimas_noticias/racismo_aeroportos/


Humberto Adami
Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial
Presidência da República
Esplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º Andar - 70.054-906 - Brasília (DF)
Telefone: (61) 3411-3695/4978
 

O JOGO DA IDENTIDADE NA DIVERSIDADE:QUEBRA-CABEÇA GIGANTE

Essa idéia surgiu, em setembro de 2006, quando Eu e Ana Márcia Cardoso pensamos em criar novas propostas de alfabetizar meninos e meninas com a ótica da diversidade étnica, embasada na Lei nº 10.639/03. O jogo foi aplicado em uma escola da capital a receptividade foi positiva, afinal usamos a brincadeira do montar quebra-cabeça. Após a realização fizemos algumas observações para adaptá-lo. Segue a sugestão. Se servir como objeto de estudo em sua sala de aula, que bom, e caso o faça não deixe de nos enviar suas considerações.

Justificativa:
Esta oficina se justifica pela necessidade de discutirmos as questões étnico-raciais que estão intimamente relacionadas às questões sociais. Buscando, a partir da reflexão da nossa origem, a construção/valorização da nossa identidade, enquanto povos miscigenados, para o respeito às diferenças.
A oficina será desenvolvida a partir das vivências criadoras de meninos e meninas, ampliando laços afetivos e enredamento com uma nova postura social onde todos (as) e cada um (a) têm direito a construção da auto-imagem positiva que evidenciem a identidade cultural, a interação entre diferentes e participação solidária e cooperativa na comunidade, na verdade criaremos um grande espaços físico e emocional para que meninos e meninas possam partilhar seus saberes com elaboração de falas e textos, em condição de igualdade na coletividade. Utilizaremos a linguagem das artes para contar, pintar,dançar,expressar-se na promoção de dinâmicas de sensibilização e integração grupal.
Na entrada vamos plantar a árvore de expectativas. Cada menina/ menino terá a sua disposição um pedaço de papel e caneta onde escreverá ou verbalizará uma palavra que expresse sua expectativa e colará na árvore-mural.
Objetivo:
Trabalhar a questão da miscigenação do povo brasileiro, enfocando a chegada de vários povos durante o processo de colonização;
Enfocar a questão dos negros/ quilombos durante esse processo, em especial o Quilombo dos Palmares.

Materiais necessários:
Quebra-cabeça: folhas de papelão com cores variadas (ou pintadas no verso com giz cera, para não misturar as peças dos mapas); mapas (África, Europa, Brasil e Alagoas); cola; tesoura; lápis; borracha; envelopes ou caixinhas para cada quebra-cabeças.
Móbiles: bonecos plásticos; cordão; cola, tesoura; tintas (preta, branca, marrom); retalhos de tecidos ou TNT.

Como confeccionar:
Em virtude da oficina está direcionada para crianças, algumas delas sem jamais ter freqüentado o ambiente da escola, vamos confeccionar os quebra-cabeças previamente.
O primeiro passo é colar os mapas nas folhas de papelão. No verso (com cores diferentes) traçar as linhas, formando as partes do quebra-cabeça. Por último, recortar as partes e guardar no envelope/caixa.

Como jogar:
A proposta desta oficina é trabalhar de uma forma extremamente lúdica. Cabe a quem for administrar o processo da oficina transformá-lo em momentos do ‘brincando e conhecendo” .
Teremos 04 jogos de quebra-cabeça gigantes. O primeiro representará um mapa do continente europeu, o segundo do continente africano, o terceiro o mapa do Brasil e o quarto o mapa de Alagoas. Para contextualizar usaremos móbiles dos povos originários destas localidades.
Uma das primeiras regras do jogo é a divisão das crianças em 04 grupos para que cada grupo selecione, e monte o quebra-cabeça. Aqui estaremos trabalhando a concentração mental dos maiores e a coordenação motora dos menores.
Após a montagem vamos novamente pedir a cada grupo que descreva o que foi montado, com perguntas simbólicas: o que lembra este desenho? Se ficar difícil algumas dicas podem servir de estímulo.
Chegamos ao mote de começar a trabalhar as diferenças conceituais: um estado é diferente de um país que se diferencia de um continente, portanto existem as diferenças em formas, tamanhos, espaços,pessoas.
Agora vamos conhecer os habitantes do continente. Vamos confeccionar os móbiles, pedindo aos grupos que descrevam como eles imaginam as características dos povos mostrados, para caracterizá-los.
No continente africano como vocês acham que são as pessoas?
No continente europeu/. No Brasil trabalharemos, principalmente, com a questão das três etnias, que deram origem a miscigenação e em Alagoas pontuaremos a origem dos quilombos.
Ao descrever os povos dos dois continentes faremos uma rota giratória, com as crianças representando móbiles vivos e falando do encontro das diferenças.
É a partir da brincadeira que buscaremos levantar os conflitos comuns, as diferenças, as limitações, criando uma base para formular conceitos sobre as diferenças entre as pessoas, mostrar que somos diferentes sim, afinal viemos de lugares diferentes, origens/famílias diversas, entretanto precisamos criar espaços, primeiro dentro da gente, para respeitar e amar as nossas diferenças e as que existem nas outras pessoas. Reforçar sentimentos como o compartilhar, a solidariedade e principalmente o respeito à humanidade contribuindo de uma forma lúdica para combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente crianças e jovens negros e negras, ao mesmo tempo preservando e promovendo a identidade étnica, os valores sociais e éticos.
Avaliação
Cada participante individualmente ou em grupo escreverá ou verbalizará uma palavra, em triângulos de papel, que possa definir seu sentimento ao final da oficina. Os sentimentos-palavras serão colados em um sol-mural e socializados.
Relatório
Um relatório final deverá ser apresentado com as observações-análise do oficineiro/oficineira

 

Discriminação é veneno

Escrevi esse texto em 2007 e dois alunos,Rildo e Maria da Escola Estadual Geraldo Melo foram os intérpretes. Depois de gravado nos estúdios do IZP foi exibido, nacionalmente, pela TV Cultura do Rio de Janeiro.
Aplicamos a proposta do poema falado em alguns espaços escolares e ao mesmo tempo que despertou o interesse pela arte cênica possibilitou a comunidade escolar uma reavaliação a partir da abordagem lúdica e crítica sobre ações discriminatórios ocorridas na escola. Abriu inúmeras veias de discussão para que o silêncio sobre o racismo fosse quebrado e caminhos de experimentação de novas propostas pedagógicas ocorressem...
 

Discriminação é veneno

1ª personagem: Discriminação é veneno. Veneno letal e veneno mata. Mata a margarida, terna menina negra que sonhava em ser princesa de conto-de-fada e a tia escolheu a Priscila, branquinha feita nossa cultura eurocêntrica. A tia atirou o pau no gato e o gato não morreu.
2ª personagem canta chorosa: Adeus Alagoas falada, terra da prosperidade, quem mora em Alagoas não passa necessidade...
1ª personagem:Trabalhar a diversidade étnico-racial é descobrir que feriado é dia de todo mundo, homem, mulher, menino, menina,não é só dia de branco.
Musica: (Minha terra é mais bonita, minha terra tem mais valor)
2ª personagem Estudar e aprender que é na magia da infância que construímos nossa identidade étnico-racial. Quantos heróis negros existem no livro infantil. Quantos, hein, hein? (Alagoanos dos meus sonhos, alagoano sim, senhor)
1ª personagem: Xô, estereótipos. Fora apartheid. Difícil é conviver com os preconceitos nossos de todos os dias.
1ª personagem fala a 2ª personagem de forma zombeteira: Ô, menina do cabelo de Bombril!São Jorge, coitado, arrebita o rabo do cavalo e diz:- Abenção meu pai Xangô.
2ª personagem canta: Adeus Alagoas falada, terra da prosperidade, quem mora em Alagoas não passa necessidade...
1ª personagem: De braços dados com questionamentos profundos lá vem a moçada agitando bandeiras: Somos diferentes sim, mas precisamos de direitos iguais. Criança negra, branca, indígena, cigana dar-te-ei o abraço em respeito a pureza que carregas. Xô, preconceito!
Música (Alagoanos dos meus sonhos, alagoano sim, senhor)
2ª personagem: A escola faz movimento de mudança.Vocês conhecem a Lei federal nº 10.639?
1ª personagem pergunta: Tia o que é ser negro?
2ª personagem elevando a voz: Beliscão na coxa do racismo: revolução!
1ª personagem: É preciso rever nossos conceitos e transformá-los a isso chamaremos: Educação!
1ª personagem e 2ª personagem cantam: Adeus Alagoas falada, terra da prosperidade, quem mora em Alagoas não passa necessidade..

 

No sábado, 09/01 a Lei nº10. 639 completa 07 anos.Há razão para festa?


Construir uma identidade negra positiva em uma sociedade que, historicamente, ensina ao negro, desde muito cedo, que para ser aceito é preciso negar-se é um desafio enfrentado pela metade da população brasileira, ou seja, a população negra.
Será que a sociedade-escola, está atenta a essa questão?
Ana Laura tem 02 anos e é o seu primeiro dia na creche. É o início da socialização entre seus pares, outras crianças-bebês como ela. Lúcia ,a mãe produziu o cabelo da menina com muitos tererês e pequenas tranças.
Ao chegar a creche, Ana Laura, uma bela menina negra, é recepcionada pela tia-professora que em arroubos emocionais quase que grita: mãezinha como ela está bonita!
Que cultura sexista é essa das escolas infantis que faz com que nós, mulheres percamos a identidade do nome para ser reduzidas a simples “mãezinhas?
Entre o texto e o contexto novas crianças vão chegando, umas cabisbaixas, outras competindo com a resistência dos tecidos das saias e equilíbrio emocional das mães. Chega Maria Clara, uma bela criança loira, olhos claros e como Ana Laura recebeu a recepção da-tia professora. Agora o adjetivo é ampliado, torna corpo. Ao ver Maria Clara a tia explode: Mãezinha como ela está lindaaaa! Ana Laura, a menina primeira não entende o que é adjetivo, mas sente que entre o "bonita" e o "lindaaa" há entraves, contrastes e diferenciações.
Nenhum discurso é neutro. Os arroubos emocionais e diferenciais da professora da creche no comparativo entre as duas crianças uma negra,outra branca é o reflexo dos conceitos absorvidos e naturalizados sobre o bonito e o feio, o negro e o branco,o Brasil Colônia dos brancos e a senzala periferia dos ditos “escravos”. A escola ao omitir-se contribui para intensificar o preconceito.
Observando a diferença de demonstrações afetivas da tia-professora a pequena, Ana Laura menina negra já começa a descobrir a desvantagem do ser diferente e que ter pele clara e “cabelo liso” traz privilégios!
A Lei Federal nº 10.639/03 surgiu há sete anos na busca de construir e consolidar movimentos permanentes para a promoção da abolição de idéias, conceitos, preconceitos que interferem na construção do ideário social, refletido nas salas de aula. Movimentos que busquem inserir e consolidar no contexto/currículo educacional, o real conhecimento da história e dos parâmetros que a moldaram, impulsionando a leitura das conseqüências perversas do racismo que submete o ideário social/escolar aos conceitos escravizantes e hegemônicos, desrespeitando a diversidade/pluralidade cultural e étnica das povos/nações.
Como incorporar o “diferente” sem mexer na estrutura ideológica do currículo escolar? Como promover a ruptura com o previsível conhecimento dos lugares estigmatizados da escola, em cheiros de diferentes gentes, em sentimento de pertencimento? Em som e movimentos que construam sentidos para crianças e jovens excluídos social e racialmente? Como promover outro gênero de gente? Gente que não seja ninguém. Como provocar impacto nos silêncios sociais ultrapassando os limites do “cordial” racismo à brasileira?
Segundo Diva Moreira, especialista do PNUD em desigualdade racial “Analisar o racismo institucional é perguntar: \'olha, o que está acontecendo nesta instituição, quais são os mecanismos através dos quais os serviços que ela oferece para a população branca são diferenciados em relação aos oferecidos para a população negra?\' Isso é da maior relevância. Sem isso você não pode discutir com os servidores públicos. Quando você vai discutir o racismo institucional, as pessoas negam, de pés juntos, dizem que seguem rigorosamente o código de ética. E na verdade é só retórica, que encobre realidades .No que diz respeito à escola, isso é gritante. Já existe muito mais acúmulo na área da educação, há um tratamento grosseiro, discriminatório, de piadas, de apelidos infames que as crianças negras recebem dentro da sala de aula. O que leva em conseqüência às taxas elevadas de repetência, de faltas, de evasão escolar”.
Experiências de oficinas realizadas no SEBRAE/AL, dia 25 de abril de 2006, com a participação de profissionais de educação nos mostra caminhos de mudanças possíveis .
O professor descreveu o processo de construção de um “Mascote” para um complexo escolar da capital alagoana, a partir de oficinas, nas quais os próprios alunos confeccionavam bonecos para uma futura escolha do mascote, o professor observou que vários bonecos tenderam para características negras estereotipadas, dos 10 bonecos confeccionados, 08 tinham características afros e 02 européia (loiros). Para sua surpresa os 08 bonecos de características afros foram rejeitados. Nesse momento, o professor se deparou com uma situação de trabalho que demandava discutir conceitos e paradigmas, visto que, essa situação expressava o poder/influência da cultura negra, contudo, de forma estereotipada e preconceituosa. Logo, iniciou um trabalho de reflexão, a partir de questionamentos sobre os conceitos de belo e feio, cultura (cultura de massa, popular, erudita etc.), dentre outros. Durante esse trabalho, o professor discorreu sobre a origem do povo brasileiro, considerando a contribuição do povo africano, europeu, asiático e do povo indígena, evidenciando que há visibilidade em nós, de cada uma dessas origens. Nessa discussão foi colocada à questão religiosa, uma vez que, em quase todas as escolas encontramos imagens de santos católicos. Se realmente dermos a real importância a todos os povos que originaram a nação brasileira as escolas deveriam ter imagens e símbolos da religiosidade das 04 origens. Concluíram que não precisavam criar arquétipos: africanos, indígenas, europeus ou asiáticos, era preciso reconhecer sua importância para a consolidação de novos valores, novos princípios que valorizem a diversidade, criando uma identidade nacional onde o ser diferente não denote ser desigual em direitos e oportunidades. Lembrando que muitas vezes não são as características físicas que determinam uma identidade, pois em alguns casos a cor da pele não é negra, porém, o indivíduo se considera negro por herança cultural, se reconhece culturalmente, ou seja, há pessoas que se consideram negras e tem características negras visuais e outras não e vice-versa. “O professor finalizou a sua fala dizendo que o Brasil precisa criar essa identidade, se reconhecer culturalmente, valorizando a diversidade do país”.
É urgente que a questão do estudo das africanidades brasileiras conquiste a dimensão política e institucional, traduzida na acepção das bases jurídicas (leia-se Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL), tendo como objetivo fazer valer direitos anunciados e formalmente ignorados no cotidiano sócio-escolar.
É preciso que as Universidade brasileiras tomem para si a tarefa de formar professores e professoras sob a ótica da Lei Federal nº 10.639/03 e Lei Estadual nº 6.814/07/AL, para que o atual despreparo dos profissionais da educação seja revertido em multiplicação de conhecimentos que assegurem uma abordagem crítica contínua e transversal,promovendo assim a legalidade dessas políticas públicas.
A Pesquisa Científica de Márcia Cristiane da Silva e Alexandre Gomes Galindo, classificada em 1º Lugar na Sessão de Painéis do II Colóquio Etnicidades Internacional Brasil x África: Artes, cultura & Literaturas- Projeto Raízes de África – Maceió-AL- Nov. 2009, com o nome de “Implementação da Lei 10.639/03 no município de Santana-AP: Um Diagnóstico de Como as Questões Etnicorarciais estão sendo abordadas nos sistemas Municipal e Estadual de Ensino”, nos permite vislumbrar caminhos para que os Fóruns Permanentes de Educação e Diversidade Étnico-Raciais, as instituições ligadas as academias realizem pesquisas de caráter exploratório para mapear e consolidar a aplicabilidade da referida legislação federal e assim exercer controle social sobre a ação do Estado, especialmente no tocante às obrigações previstas em lei e, não raro, ignoradas pelos dirigentes públicos.
A pesquisa apresentou os seguintes tópicos: identificar o grau de conhecimento da sociedade sobre a implementação da Lei; identificar como os docentes das escolas estão implementando a Lei na sua prática de ensino; identificar quais e quantas escolas possuem Projeto Político Pedagógico formalizado e implementado dentro da perspectiva da Lei; analisar como as escolas, que possuem o PPP formalizado e implementado conforme a Lei 10.639/03 desenvolvem suas ações educativas referentes às relações etnicorraciais.
Com um mapeamento registrado e os números socializados saberíamos se o dia 09 de janeiro de 2010,que marca os 07 anos da lei nº 10.639/03, uma demonstração contundente da ampliação da consciência social de direitos, tem razão para festa.


 

Violência emocional não resulta na morte do corpo, mas na morte da alma

Os seios ainda eram só um desenho, púberes não dizia sua idade, entre 10 e 13 anos. Talvez menos ou mais. Independente da idade exata das personagens a cena era surreal. Menina ainda abraçava com lascívia e senso de sexual pertencimento o corpo de menino quase da mesma idade. Eram dois corpos cobertos de farrapos. Ambos negros. Ambos franzinos. Ambas as crianças envoltas em sono acompanhado pelas últimas estrelas incensadas com a eufórica irmandade do primeiro dia do ano. Ano novo!
Ali entrelaçados na vegetação de um grande hotel local como se adultos fossem, eles se pertenciam e se protegiam. E eram invisíveis. Crianças negras, em muitas e muitas situações não são sujeitos de direitos e, por vezes, nem mesmo de piedade.
Era grande o circular de transeuntes uns ainda na virada da festa, outros em caminhadas matinais traçando planos e sonhos para o ano nascido a pouco.
Muitos passantes que literalmente atravessavam a rua com a marcha costumeira da indiferença contemporânea, observavam a realidade focada neles próprios e seguiam adiante.
Crianças e adolescentes negros expostos as cancelas sem proteção das ruas, são nossos semelhantes?
No desconexo do sono ali embaixo do sol quase escaldante, das 6 horas da manhã,na praia de Jatiúca, em Maceió, ela se apertava ao corpo dele na busca de agasalho. Era o primeiro dia de 2010, mas para eles não houve o brinde com sidra do feliz ano novo.
Apesar do cenário do dia universal da paz não combinar com a pressa contemporânea, a pressa ali se fez como a impor a distância não comprometedora com os materiais expostos na grama do hotel; adolescentes,negros,pobres e descartáveis.
O caos do abandono da nossa infância abre lugar para tradução de uma realidade marcada pela indiferença estrutural, ausência de valores e o individualismo nosso de cada dia.
A história do abandono da infância e adolescência das duas crianças negras, sexualmente adultas e de milhares de outras é um retrato sufocante do mundo contemporâneo marcado por um modo de produção excludente, de concentração de renda,racismo, e, conseqüentemente das tramas do poder.
Crianças condenadas a incorporar eternos personagens coadjuvantes na escala das prioridades sociais. Crianças que sofrem com a ausência da família, de condições mínimas de sobrevivência, a perspectiva de futuro.
Segundo Bruce D.Perry “a mais destrutiva das violências não quebra ossos, mas quebra as mentes. Violência emocional não resulta na morte do corpo, mas na morte da alma”.
Muitas almas infantis continuam a ser violentadas. E o que cada um de nós tem feito para desarmar os preconceitos e aproximar nossos e novos passos para inventar um final feliz para as histórias reais das crianças sem infância?

 

Projeto Raízes de Áfricas realiza Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ.

Acontece a partir desta segunda-feira, 04 de janeiro a “Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana", com o objetivo de promover a qualificação de jovens do COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ para o exercício da cidadania plena e a conscientização política como agentes multiplicadores para a eleição de 2010. O Seminário está sendo coordenado pelo Projeto Raízes de Áfricas e desenvolverá diversos temas como racismo, eleição 2010, democracia e políticas sócio-étnicas para a juventude,entre outras.O Seminário contará com a participação especial de diversos parceiros.
Criado em 21 de dezembro de 2009, o COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ representado por diversos segmentos da juventude alagoana, tem como objetivo valorizar as experiências positivas do passado, visando a aquisição do conhecimento histórico, técnico e prático, como instrumento de transformação social para despertar o interesse, intervenção e a participação da juventude alagoana na construção política do estado brasileiro e no combate a naturalização da corrupção. No exercício da cidadania a participação do jovem amplia os espaços públicos estabelecendo agrupamentos sociais como força de mobilização.
Do COLETIVO ORIÓKÀN E OMÓDÈ participam várias entidades representativas da juventude alagoana, dentre eles jovens da religião de matriz africana, alunos das escolas estaduais e municipais de Maceió, do município de União dos Palmares, Palmeira dos Índios e Universidade Federal de Alagoas, CESMAC,etc.

Operação Memória-Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana

A primeira conversa política Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana acontece dia 04 de janeiro, na Rua Nadir Maia Gomes Rego- Stela Maris e será coordenada pelo professor Luis Sávio de Almeida e traz como tema “Experiências e Memória da História Alagoana’.
A segunda rodada terá a participação da vereadora Heloisa Helena e ocorrerá dia 11 de janeiro, das 09 ás 11 horas, na Federação das Indústrias, e terá como tema: Democracia , Políticas Sócio-Étnicas e a Eleição de 2010. Em que avançamos?

Serviço:
O Quê: Operação Memória - Seminário de Qualificação Política para Juventude Alagoana
Quando: 04 e 11 de janeiro
Onde: Rua Nadir Maia GomesRego- Stela Maris-Maceió-Alagoas
Federação das Indústrias do Estado de Alagoas,Farol
Realização: Projeto Raízes de Áfricas
Informações: (82)8815-5794


 

Em 2010 que tenhamos diante dos sonhos uma idade indefinida.

Que venha 2010!
Com uma consciência ampliada do mundo entre a crítica e a construção. Nada da inveja humana desagregadora. Que tenhamos diante dos sonhos uma idade indefinida.
Que deixemos de lado o jogo cênico da convivência humana. Que possamos ser sinceros na medida em que a sinceridade não ofenda princípios e comícios e não coloque nossas vidas na ponta da flecha. Precisamos da coerência. Que não tenhamos idéias simetricamente uníssonas, mas que aprendamos a lidar com as diferenças de nossas idéias e nossas próprias diferenças.
Que não esqueçamos que vivemos em permanente transição e essa transição vai além do novo ano. Uma transição casuísta entre o bem e o mal, o possível e o que não pode ser. Somos arquitetos e arquitetas de outra história e histórias não se fazem de repente. Elas se fazem ao longo de muitos natais e vários e curtidos anos. Que possamos na nossa vida cotidiana conjugar questões essenciais sem desaprender o sorriso, a lembrança, as pessoas especiais. Contemporaneamente o tempo é nosso pior inimigo. Não temos mais tempo. Só para o trabalho e a família. Amizade hoje é artigo descartável Que nossa vontade de compartilhar vidas e conhecimento seja andarilha, ampliando o alcance da melodia renascida pela presença “transitória?” do novo ano.
Que possamos apreciar, de verdade, a mistura de gentes sem esquecer nosso verniz pessoal.
Que possamos escrever no caderno-diário a meia dúzia de sonhos simples(sem envolvimento do crescimento financeiro), que a escassez de tempo nos permite ter. Somos mimetizados pela urgência. Não nos preocupamos mais em desapontar pessoas. O que nos importa verdadeiramente é garantir o futuro. Somos, hoje, antropofágicos de um tempo em sintonia com o supérfluo das relações humanas e nos entregamos a uma desenfreada autodissolução de valores e laços afetivos até que a morte nos puxa para valoração do momento presente.
Essa é à hora, ou metaforicamente, de cantarolar as músicas frescas com tantos e tantas que habitam a memória de nossas histórias. O individualismo nos abraça com uma intimidade avassaladora e fragmenta o continente de possibilidades de parcerias no jogo dos reflexos humanos. Estabelecemos uma comunicação meticulosa e introspecta com um número seletivo de amigos/amigas cúmplices do nosso mimetismo relacional.
Que não nos contentemos com o estado mínimo de direitos. Precisamos dos bastantes, numa justa fruição de legado do representante político eleito por nós. Vejam, somos nós que os/as elegemos! Homens e mulheres que só comem panetone no Natal. Precisamos de bastante respeito à pessoa humana. Precisamos começar a decidir o nosso destino político.
Que nossas teorias e reflexões tomem corpo e espírito e transformem-se em atitudes. Precisamos estabelecer, novamente, a interação com o outro ou outra que habita nesse conglomerado mundo de meu Deus, Olorum, Tupã e aí formar redes, alem da internet.
Precisamos voltar a cultivar a delicadeza de ser humano eliminando monólogos e estimulando o agrupamento e interlocução de novos protagonistas, sem arredar pé do idealismo que faz do universo um ponto de encontro entre o sonho, esperança e as possibilidades de mudança. Ok! O primitivo e o civilizado fazem parte da essência humana.
É preciso que prestemos atenção ao silêncio do nosso grupo social que em muitos reflete a nossa contemporânea omissão cidadã .
Estamos muito silenciosos diante das caminhadas contemporâneas? Somos uma sociedade participativa, agregadora?
É preciso que tenhamos tempo para compreender a verdadeira dimensão do ano que sem subterfúgios rompe parecido com tantos outros nascimentos, portanto é urgente que inventemos encaixes diferenciais para desfrutar a delícia e o desafio de um novo ano.
E que possamos vivencias nossas raízes africanas. Sem preconceitos!
Seja bem-vindo 2010!

 

Mensagem da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre Luta contra a Discriminação

Antigas e novas formas de discriminação e intolerância continuam dividindo comunidades no mundo inteiro. Os sentimentos de xenofobia estão aumentando. Muitas vezes são manipulados para fins demagógicos ou mesmo em defesa de objetivos políticos sinistros. Dia após dia, os seus efeitos corrosivos põem em causa os direitos de inúmeras vítimas.
É por esta razão que hoje, Dia dos Direitos Humanos, a ONU está pedindo a todas as pessoas, em todas as partes do mundo, que apóiem a diversidade e acabem com a discriminação. A discriminação pode assumir muitas formas, dissimuladas ou gritantes, e pode manifestar-se na esfera pública ou privada. Pode surgir como racismo institucionalizado ou como conflitos étnicos ou manifestar-se em episódios de intolerância e rejeição que escapam a qualquer controle. As suas vítimas são os indivíduos ou grupos mais vulneráveis a ataques – todos aqueles que, devido à sua raça, cor, sexo, língua, religião, opiniões políticas ou de outra natureza, origem nacional ou social,posses,parentesco,estatuto,deficiências e orientação sexual são considerados diferentes.
A discriminação apresenta freqüentemente muitos níveis. Grupos que são
marginalizados com base em sua origem ou estatuto são também alvo de exclusão e privados do exercício de seus direitos, quando tentam obter o acesso que o direito internacional lhes confere à habitação, alimentação, cuidados de saúde e educação.
As pessoas com deficiência são a minoria mais numerosa e mais desfavorecida do mundo. Por exemplo, 98% das crianças com deficiência dos países em desenvolvimento não freqüentam a escola. Os povos indígenas representam 5% da população mundial, mas são 15% das pessoas mais pobres do mundo. As mulheres são responsáveis por dois terços das horas de trabalho no mundo inteiro e produzem metade dos alimentos do
planeta. No entanto, devido à discriminação e às definições estereotipadas de papéis em função do sexo, auferem apenas 10% do rendimento do mundo e possuem menos de 1% dos bens em nível mundial.
A história tem demonstrado repetidas vezes que, quando se permite que se implantem, a discriminação, a desigualdade e a intolerância podem destruir os próprios alicerces das sociedades e causar danos que perduram durante gerações. Se não forem controladas, podem ultrapassar fronteiras e envenenar as relações entre os países. A história tem igualmente demonstrado que estas práticas abomináveis não têm quaisquer aspectos benéficos. A discriminação mina a coesão social e econômica das sociedades. Depaupera seus recursos. Desperdiça talentos. Marginaliza indivíduos e grupos produtivos, jogando fora sua criatividade e iniciativa. Temos que combater o fanatismo e os interesses mesquinhos que geram discriminação, e temos conseguido fazê-lo. A visão dos defensores dos direitos humanos, a sua firme determinação e energia têm produzido resultados, sensibilizando o público e dado origem a uma série de tratados sobre direitos humanos, que contêm disposições destinadas a combater a discriminação e a promover a igualdade. Estes tratados constituem uma teia de obrigações de proteção que os Estados têm que respeitar. Restabelecem a dignidade anteriormente negada a milhões de mulheres, homens e crianças.
Com base neste acervo de normas, foi convocada, em 2001, em Durban, a
Conferência Mundial contra o Racismo a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Conexa, e, em abril passado, realizou-se a Conferência de Revisão, em Genebra, para examinar alguns dos aspectos mais insidiosos da discriminação. Esta última terminou com um amplo acordo, em que 182 Estados se comprometeram a prevenir, proibir e combater todas as manifestações de racismo e intolerância. A conferência de Genebra reforçou a determinação e o propósito, expressos em Durban, de erradicar o flagelo vergonhoso e tão antigo do racismo e proporcionou uma plataforma para relançar a luta contra a discriminação em todos os níveis.
É inegável que se têm registrado progressos extraordinários, mas não
devemos parar. A discriminação não vai desaparecer sozinha. Tem que ser permanentemente contestada. Temos que avançar – e rapidamente.
Nunca devemos perder de vista que o exercício dos direitos humanos
enriquece a todos. Inversamente, quando a dignidade humana é posta em causa ou negada através de violações dos direitos humanos, esses abusos afetam a todos. Isto é especialmente verdade em nossas sociedades, cada vez mais multiétnicas e multiculturais. É especialmente urgente combater a discriminação em tempos de crise, como a atual recessão econômica, já que as crises têm um impacto desproporcional nos meios de vida dos grupos mais vulneráveis e já marginalizados da sociedade, pois a competição por recursos cada vez mais escassos expõe as minorias a suspeitas e ataques.
Neste mesmo dia em 1948, a Declaração Universal dos Direitos do Homem afirmou inequivocamente que todos os seres humanos nascem iguais em dignidade e direitos. Passados mais de sessenta anos, essas palavras ressoam com a mesma acuidade. Tornemos os princípios da igualdade, liberdade e dignidade para todos consagrados na Declaração Universal uma realidade em toda a parte. A tolerância universal e o respeito
pela diversidade são nosso objetivo.

 Alta Comissária das Nações Unidas para os
Direitos Humanos, Navi Pillay

Panorama Político

O Presidente Lula e o Governador Sérgio Cabral já conversaram com prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. Ambos defendem que ele seja candidato ao Senado. As prévias do PT derrotaram a tese de candidatura própria e aprovaram a coligação com o PMDB. Mas como a votação foi praticamente meio a meio, há risco de uma ala do partido se sentir alijada do projeto vitorioso. Presidente eleito, o deputado Luiz Sérgio; tem agora a tarefa de unir os petistas. Por isso, seus aliados defendem que em nome da integração partidária se deve sacrificar a candidatura de Benedita da Silva.

(Comentário do internauta Rogério José)

Será que a Ex- Governadora Benedita da Silva ainda acredita que o PT tem algum respeito por ela? Ja não basta a quantidade de humilhações que ela passou e continua passando. O partido realmente conseguiu destruir a visibilidade e a força nacional que ela tinha. Veja só, uma mulher com dimensão politica dela não conseguir eleger o marido vereador. É um bom exemplo para refletir e pensar se as agremiações partidárias contemplam nossas questões. Muitos acreditam que sim e talvez estejam certos, mas sabemos que a forma como a Ex-governadora Benedita lidou com o PT lhe rendeu mas ônus do que bônus. A força masculina e branca no PT prevalece e atropela qualquer impecilho "à unidade do partido" leia-se negras, negros, deficientes fisicos etc. Quanto tempo levaremos para ter uma outra mulher negra com a mesma dimensão nacional que outrora teve a Benedita? Como chegaremos a tal unidade? Se chegarmos as siglas que aí estão será compativél com nosso projeto de país? Será que conseguiremos poensar um projeto para o Brasil que não esteja subordinado a branquitude e que seja realista, rico e agregador?
Duvidas e perguntas que assolam minha cabeça nesse final de 2009.
Um próspero 2010 para todos

Kwanzaa, uma celebração da cultura afro-americana ofuscada pelo Natal

Washington, 24 dez (EFE).- Quando as luzes do Natal se apagam e o Ano Novo se aproxima, muitos afro-americanos festejam o Kwanzaa, uma desconhecida celebração da cultura negra.

A festa mais familiar é o Natal e a mais famosa o Reveillon, mas para milhões de famílias negras dos Estados Unidos, o dia mais esperado é 26 de dezembro, quando tiram a poeira de um grande candelabro e colocam três velas verdes à esquerda, três vermelhas à direita e uma preta no centro.

Todas as manhãs, de 26 de dezembro a 1º de janeiro, as famílias acenderão uma delas, que representam os sete princípios do Kwanzaa, uma festa criada em 1966 pelo professor e ativista negro Malulana Karenga.

A tradição, cujo nome significa "primeiros frutos" em swahili, tentou reviver durante mais de 40 anos o sentimento da comunidade negra dos Estados Unidos em torno de suas raízes e a cultura da África.

No entanto, cada vez são menos as crianças afro-americanas escutam as histórias de seus pais sobre o significado das sete velas e sobre aquele continente distante de onde seus ancestrais vieram.

Segundo Keith Mayes, autor de um livro sobre a celebração, 2 milhões de americanos festejam hoje o Kwanzaa, uma proporção muito pequena comparada com os 40 milhões registrados no último censo como afro-americanos.

Não é segredo para ninguém, nem sequer para seus mais fortes seguidores, que a tradição viveu seu esplendor durante suas duas primeiras décadas, e que, desde então, os níveis de participação caíram substancialmente.

A chave do sucesso estava no movimento de libertação negra que tomou força na década de 70 e que serviu como motor para a celebração, criada expressamente para reforçar a identidade de uma comunidade em busca de progresso.

Mas a agitação foi se enfraquecendo e a decadência foi inevitável.

O profundo desconhecimento da tradição em nível mundial é refletido no documentário "The Black Candle", dirigido por M. K. Asante Jr, em 2008.

"Quando perguntei aos jovens de EUA, África, Europa e Caribe se sabiam o que era o Kwanzaa, as respostas iam desde \'é o Natal\' ou \'algo relacionado com o amor\' até \'não tenho nem ideia. O que é?", conta Asante em seu filme.

No primeiro natal da família do presidente americano, Barack Obama, cujo pai era queniano, o líder não celebrará o Kwanzaa, mas deve emitir uma mensagem por escrito simpática à tradição.

Obama não é o único afro-americano que tem orgulhos de suas raízes, mas que não abraça a tradição. Milhões de negros se negaram a celebrá-la, inclusive quando ele se tornou moda, indignados por seu caráter pagão ou pela controvertida figura de Karenga, seu criador, um radical ex-convicto.

Quando o Kwanzaa foi criado, Karenga costumava promovê-lo como uma alternativa ao Natal, qualificando o cristianismo de religião branca e convocando os negros a repeli-la.

No entanto, a celebração foi mudando na medida em que ganhou mais adeptos, e seus promotores afirmam agora que não se trata de uma tradição religiosa, mas cultural, e que não é, portanto, incompatível com o Natal ou com o Hannukah judeu.

Concorra ou não com o Natal, o Kwanzaa tem seu próprio "Papai Noel": o "Umoja", um contador de histórias que narra lendas africanas. Os presentes, por outro lado, continuam sendo responsabilidade do bom velhinho.

Quando a última vela é acesa, começa o esperado karamu, uma festa de Ano Novo que honra a memória dos escravos, com a exuberante gastronomia africana e o irresistíveis ritmos do continente.

 

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