Raízes da África

Poema encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de extermínio nazista de Auschwitz

Repassando o poema abaixo  para que possamos ler e refletir sobre o poder da fé que dá asas as palavras e a  nossa capacidade diária de reinventar  a dor,   diante  das tantas  e muitas intolerâncias humanas...
 

Amanhã fico triste
Amanhã!
Hoje não
Hoje fico alegre!
E todos os dias,
por mais amargos que sejam.
Eu digo:
Amanhã fico triste, hoje não

 

É sempre bom receber visitas.

Repasso nota solidária de Nivaldo Mota da Assessoria de Comunicação Social do vereador Ricardo Barbosa PSOL

Companheiros (as),

O camarada Marcos Biscoito está internado a mais de duas semanas no Instituto do Coração, Aptº 202, por traz do Arthur Ramos, na Gruta.
O camarada já vinha apresentando um problema na quinta vértebra, e depois de uma queda na rua, o quadro se agravou, sendo necessária uma cirurgia, e o camarada pode precisar de sangue.
Além disso, uma visita da juventude e dos que militam com ele (muita gente não sabe ainda da internação do camarada) vai mostrar a ele quanto ele é uma pessoa querida por todos nós, principalmente do Movimento Estudantil, sindical e político, onde ele dedica grande parte de sua militância.
Marcos é uma daquelas pessoas despossuídas, não tem interesses materiais, vive e sonha com a possibilidade da grande Revolução Socialista, prestista que é, tem em Luiz Carlos Prestes seu grande guia, nunca falem de mal do Prestes perto do Marquinhos, vai ganhar um adversário pelo resto da vida.
Conheci Marcos na década de 80, mas precisamente em 1984, ano das Diretas Já, na sede do DCE/UFAL, já militando sob a bandeira das posições de Luiz Carlos Prestes, Marcos Lucena, carinhosamente chamado de Biscoito, sempre foi um corajoso e honesto militante comunista, não conseguiu terminar Medicina na UFAL, foi para o Rio de janeiro assumir outras tarefas, na área sindical.
Em 1991, participando do Congresso da CUT em São Paulo, reencontro Marcos Biscoito, levando um manifesto da Professora Anita Prestes para ser lido na Abertura do Congresso. Era noite, quando chegamos ao nosso alojamento (hoje é Hotel cinco estrelas), não tinha nada para comer, estávamos cansados, literalmente mortos de fome, aí vem o Marquinhos dizendo que tinha um galeto na mochila, tinha trazido de ônibus do Rio, argumentara ainda que o galeto estava frio, mas dava para comer. Fomos todos ávidos para o quarto do Marcos, quando chegamos lá, e vimos o estado cadavérico do tal galeto, perguntamos a ele, cadê a assadura do galeto, e ele bem calmo, não companheiros, eu apenas fervi na água e no sal, mas tá bom podem comer, e comemos mesmos, sem olhar para a cor do galeto do Biscoito.
Hoje o companheiro participa das lutas sociais, é militante do setor previdenciário, mas é também um homem de partido, de concepções ainda comunistas, apesar de tanta gente passar de lado e se entregar aos encantos da burguesia decadente, o nosso querido Marcos continua firme em suas posições, avante camarada!
Muitos companheiros e companheiras não sabem quem é esta figura arretada, mas aqueles que já passaram muitas vezes pela porta da Biblioteca Pública, no barzinho do DCE, no Sindicato dos Petroleiros, no Bar Roberto Ladrão, no Bar do Zé Baixinho, nos debates acadêmicos, nos debates sindicais e políticos, nas ruas desta cidade participando de passeatas, protestando contra os abusos do capitalismo, com certeza se lembrará deste militante combativo e atuante. Vamos visitá-lo, é sempre BOM RECEBER VISITAS!
 

Ministro da Igualdade Racial, Elói Ferreira integra comitiva ministerial em missão oficial à Alagoas.

O ministro da Igualdade Racial, Elói Ferreira estará em Alagoas, nesta segunda-feira, 5 e terça-feira 6 de julho, participando de missão oficial com o objetivo de assegurar, em conjunto com outros ministérios e o governo do estado, o incremento de investimentos para as famílias vítimas da situação de calamidade e emergência, ocasionadas pelas fortes chuvas,ocorrida no mês de junho.
Da missão ministerial participam ainda os ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rômulo Paes de Sousa e o Ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas.
Na agenda de visita de Elói Ferreira e dos ministros constam visitas a algumas cidades alagoanas atingidas pelas águas das chuvas e reunião no Palácio República dos Palmares,com representantes dos governos estaduais, municipais e da iniciativa privada
Por telefone, o ministro Elói nos diz que como representante da pasta da Igualdade Racial é de suma importância para ele visitar “os quilombolas que ficaram perdidos pendurados em uma jaqueira”. São símbolos de uma luta e resistência que vão além da história, complementa o ministro. O Ministro faz referência aos quilombolas de Muquém/União dos Palmares.
Como parte da agenda da missão oficial o Ministro da Igualdade Racial, Elói Ferreira fará visita a Comunidade de Remanescentes do Muquém, em União dos Palmares.
Ainda segundo o ministro, por determinação do presidente Lula, a sua participação na Comitiva ministerial é assegurar uma ampla rede de proteção social que atenda as demandas específicas das comunidades de remanescentes quilombolas, em Alagoas, dentre elas os desabrigados das enchentes.
A Comitiva oficial visitará os estados de Alagoas e Pernambuco.


Visita de Reconhecimento

Por determinação do Ministro Elói Ferreira, em 25 de junho, Alexandro da Anunciação Reis , representante das Políticas para Comunidades Tradicionais, do Ministério da Igualdade Racial, esteve em visita a Gurgumba , comunidade dos Remanescentes dos Quilombos, localizada em Viçosa, verificar in loco as conseqüências das enchentes, no território quilombola.
Em visita a Alagoas Alexandre participou de reuniões de trabalho com a Secretaria da Mulher Direitos Humanos e Cidadania, Marluce Caldas e o Prefeito de Viçosa Flaubert Filho para estabelecer coletivamente as prioridades.
Segundo Alexsandro Reis: “As demandas foram discutidas com o Ministro Elói Ferreira surgindo daí um planejamento de ações estratégicas e em parcerias que visam a recuperação das comunidades em questão e sustentabilidade das Comunidades de Remanescentes Quilombolas em Alagoas.”
 

Essa mulher educou, até o ano de 1969, milhões de negros americanos. Tornou-se o símbolo da educadora mundial.

Fatos assim nos dão a sensação de que a essência do ser humano é ser humano...

Uma americana, Mary Jane Mac Leod Bethune, começou a educar crianças num depósito de lixo. A lei da segregação racial nos Estados Unidos era muito severa contra os negros. Ela era negra, havia ganho uma bolsa de estudos de uma costureira quaker, e, ao se formar não tinha alunos. Quando foi nomeada não havia escola. Ela então reuniu três caixões vazios de cebola, colocou-os embaixo de uma árvore, num depósito de lixo, convocou três descendentes de escravos e começou a ensinar-lhes a ler e escrever
Oportunamente, quando Henry Ford foi a Osmond, uma praia da Califórnia, ela foi visitá-lo. Ao chegar à porta, foi barrada, porque, no hotel, negro não podia entrar, somente na condição de serviço. Ela subiu a escadaria de incêndio de nove andares, saltou a janela, tocou a campainha da porta, e, quando o mordomo veio abri-la, disse-lhe: Quero falar com Mr.Ford. O mordomo, que também era negro, respondeu: Mas ele não recebe negros! E falou-lhe baixinho: Como você se atreve a vir aqui? Ela reagiu bem alto: Eu tenho uma entrevista marcada com Mr. Ford, que assinalei por telefone. Eu sou Mary Jane.
Ouvindo-a, Mr. Ford redargüiu: Entre, senhora.
Quando ela se adentrou, ele, que era humanitário, exclamou, surpreso: Mas eu não sabia que a senhora era uma negra!
Ela sorriu, elucidando: Não totalmente. Eu duvido que o senhor conheça dentes mais alvos e um olho mais brando do que o meu.
Ele a adorou, porque uma mulher que era superior a essas mesquinharias humanas merecia respeito. Perguntou-lhe:
O que a senhora deseja de mim? - Desejo que o senhor me ajude a construir a minha escola, a ampliá-la. Gostaria de levá-lo ao meu terreno, a fim de que o senhor construa comigo a escola dos meus sonhos. Ele aquiesceu. Desceu com ela pelo elevador por onde não pudera subir. Quando ela passou pela porta e o atendente a viu, ela ainda, só para surpreender, pegou o braço de Mr.Ford, com a maior intimidade. Sentou-se num carro coupé aberto, desfilando pela cidade de Osmond e olhando para todo mundo. Isso há mais ou menos sessenta anos. Era muita coragem!
Levou-o ao seu terreno. Quando chegou ao depósito de lixo, disse-lhe:
É aqui, senhor, que eu quero construir a minha escola.
Ele, surpreso, retrucou:
Aqui? E onde está sua escola?
Ela apontou:
Ali.
- Senhora, ali é um depósito de lixo.
Eu sempre me esqueço dos detalhes! Em verdade a minha escola está aqui na cabeça. Eu quero que, com o seu dinheiro, o senhor arranque daqui (apontou a cabeça) e a coloque ali. Ele deu-lhe, então, vinte mil dólares.
Essa mulher educou, até o ano de 1969, milhões de negros americanos. Tornou-se o símbolo da educadora mundial.
Quando o presidente Franklin Delano Roosevelt cancelou as subvenções por causa da guerra, ela lhe pediu uma entrevista na Casa Branca, e disse-lhe:
O senhor não vai cortar as subvenções das minhas escolas.
Ele redargüiu:
A senhora não se esqueça que eu sou o presidente.
E ela repostou:
Nem o senhor esqueça que eu sou eleitora, e eu vou me lembrar.
Ela sentou-se. E a sua foi a única rede de escolas que não teve as subvenções canceladas naquele período.
Certa feita, ela estava numa cidade do Sul, onde a intolerância racial era muito grande e teve uma crise de apendicite. Foi levada de emergência ao hospital e colocada na mesa cirúrgica. Quando os médicos entraram e a viram, disseram: "Operar uma negra?" E saíram da sala. Ela pôs a mão no lugar dorido, olhou para a janela e orou: "O Senhor deve estar brincando comigo. Acho que o Senhor só me deu essa apendicite para me desafiar. Porque se o Senhor me ajuda a sair desta mesa, eu Lhe prometo que, na América, onde o Senhor me pôs na Terra, nunca mais morrerá ninguém de apendicite pelo crime de ser negro, porque eu não deixarei.
Levantou-se e ergueu uma Faculdade de Medicina. É uma das histórias mais lindas do século, mas, infelizmente, desconhecida dos brasileiros.
Quando estourou a guerra da Coréia, ela já era um vulto venerando no mundo. Foi conselheira da UNESCO e da ONU para assuntos raciais.
Outra vez, ela vinha atravessando o corredor para negros, no aeroporto de uma cidade do Sul. Um rapaz branco saltou a cerca, abraçou-a e chamou-a de mamãe. Então o colega reagiu: É louco? Como pode abraçar esta negra?
Ele explicou: É por causa desta negra que eu vou dar a minha vida na Coréia. Quando eu fui convocado para a guerra, em um país que jamais eu havia ouvido falar o nome, fui ao meu professor de geografia e perguntei: Onde é que fica mesmo essa Coréia? Ele mostrou no mapa uma região miserável, perdida, que eu não sei quem estava lá. E eu vou prá lá, porque me disseram que eu vou salvar a democracia, que eu aprendi com esta negra, que ama a todos os homens, sem perguntar o nome, a cor, a raça ou a crença.
Ela escreveu mais tarde: Eu poderia ter morrido naquele dia, porque minha missão, na Terra, havia acabado.

 

Capitães das seleções lerão declaração contra discriminação antes de jogo

Mais ações contra o racismo e todas as formas de discriminação merecem ser vivenciadas e multiplicadas... A Copa do Mundo é um evento significativo para  a criação de mecanismos  de diálogo ampliado contra a intolerância humana...


Os capitães das oito equipes ainda vivas na Copa do Mundo lerão, antes das quatro partidas pelas quartas de final do torneio, que serão disputadas nesta sexta-feira e sábado, uma declaração contra todo tipo de discriminação no futebol e na sociedade. Desta forma, segundo a FIFA, as seleções “se unem para deixar uma clara mensagem contra o racismo e qualquer outra forma de discriminação”.
Durante os atos prévios ao jogo, as equipes também posarão junto aos árbitros da partida com um cartaz com a seguinte mensagem: “Diga NÃO ao racismo”. Desde 2001, a entidade organiza os Dias FIFA contra a discriminação durante seus torneios.
“Como parte integrante de nossa responsabilidade social, devemos aproveitar nossos torneios para sensibilizar as pessoas sobre os assuntos mais problemáticos da sociedade atual. A voz dos jogadores nos servirá para amplificar esta mensagem e para que a solidariedade, o respeito e o jogo limpo sejam levados em conta”, afirmou o presidente da Fifa, Joseph Blatter.
O líder sul-africano Nelson Mandela considera que “o esporte é capaz de gerar esperança onde antes só havia desânimo. Tem mais poder que os governos na hora de acabar com as barreiras raciais. O esporte ri na cara de qualquer tipo de discriminação”, completa a nota da Fifa.
“Este torneio uniu os sul-africanos para criar um legado que Nelson Mandela sempre desejou para este país. Apesar deste projeto por si só não solucionar todo o problema, ele envia uma mensagem de forma inequívoca de tolerância zero ante qualquer tipo de discriminação”, declarou Tokyo Sexwale, ministro sul-africano de Habitação.
O ex-jogador Anthony Baffoe, de Gana, afirmou que tem esperanças de ver a discriminação fora do esporte. “Se todas as pessoas ligadas ao futebol se unirem para condenar a discriminação e atuarem contra ela, há possibilidades de erradicá-la do esporte”, comentou.
 

Compartilhando o Ciclo de Conversas Negras...

Recebi esse e-mail da Vanessa faz um tempo  e só hoje resolvi partilhar, pois Vanessa será uma das convidadas  para expor  seu trabalho no I Ciclo Nacional de Conversas Negras: Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta" previsto para acontecer de 24 a 27 de agosto.

O I Ciclo Nacional de Conversas Negras: “Agosto Negro ou o que a História Oficial Ainda Não Conta” nasce de uma interlocução entre o Projeto Raízes de Áfricas e diversas instituições, dentre elas, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade/Ministério de Educação, Ministério da Igualdade Racial, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Braskem,Secretaria de Estado da Comunicação, Polícia Civil, Secretaria de Estado da Educação e do Esporte e tem como objetivo construir e consolidar movimentos permanentes para a promoção da abolição de idéias, conceitos, preconceitos que interferem na construção do ideário sócio-étnico.

"Boa tarde,

Gostaria de agradecer o convite. Participarei desse evento com muito prazer e sede de conhecimento, em especial nos âmbitos jurídico e social, não deixando de lado, É CLARO, o maravilhoso intercâmbio de culturas.

Professora Arísia, a Sra. ainda não me conhece (até já passou várias vezes por mim), mas gostaria muito que soubesse o quanto foi fundamental com seus artigos na elaboração da minha Monografia no curso de Direito, citei alguns dos seus comentários. O tema foi APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA IGUALDADE RACIAL NO BRASIL. Apresentei esse ano e, incrivelmente, marcaram minha defesa no dia 13 de Maio do corrente ano. EXCELENTE!

Foi um trabalho acadêmico de um ano e três meses. Cansativo, porém muito prazeroso. Tratei cada página como se fosse uma criança, com muito zelo. Coloquei na minha cabeça que meu trabalho ficasse marcado para minha Banca Exanaminadora e professores do CESMAC e graças a Deus e aos meus esforços ELE FICOU.

Era isso, só gostaria de agradecer.

Obrigada,

Vanessa Karoliny Galdino.

Carta aberta às/aos Colegas, companheiras e companheiros do Conselho Nacional de promoção da Igualdade Racial - CNPIR.

Socializando a carta aberta de Kabengele Munanga que nasceu na República Democrática do Congo, antigo Zaire, em 19 de novembro de 1942. Foi o primeiro antropólogo de seu país, saindo pela primeira vez para fazer mestrado na Bélgica. Chegou ao Brasil por convite de um colega, terminou seu doutorado, retornou ao Congo. Em 1980 veio para o Brasil, para assumir a cadeira de Antropologia na Universidade do Rio Grande do Norte. Depois de um ano muda-se definitivamente para São Paulo, tomando como sua casa a Universidade de São Paulo. Tem cinco filhos, dois belgas, dois conguianos e um brasileiro.
Na carta nos permite desenhar espaços de reflexão e aprendizado. É ainda temos muito que aprender...

Por razões de força maior, não pude participar da 26ª reunião ordinária do Conselho. Mas Li o texto da minuta que me foi encaminhado por nossa querida Oraida Abreu e concordo integralmente com seu conteúdo. Creio que todas as lutas podem ter resultados positivos ou negativos, felizes ou infelizes. Durante quase dez anos de tramitação entre os órgãos legislativos, o Estatuto da Igualdade Racial foi constantemente bombardeado pelas mídias, pelos intelectuais ditos especialistas da questão racial. Estes chegaram até a organizar dois abaixo-assinados contra o estatuto e as cotas, sem contar os livros expressamente publicados numa corrida contra o relógio como "A Permanência da Raça" de Peter Fry - "Não somos racistas" de Ali Camel - "As Divisões Perigosas" de Peter Fry, Ivone Maggie et companhia - "Uma gota de sangue" de Demétrio Magnoli- etc. Os espaços da grande mídia para debater cotas e estatuto da Igualdade foram abertos principalmente para os detratores dos dois projetos de grande mudança que beneficiariam a população negra e afro descendente e fechados para os defensores das mudanças.
Como se não bastasse, o relator do processo, o Senador Demóstene, declarou abertamente diante das Câmaras e do mundo inteiro que no regime escravocrata não houve verdadeiramente estupro da escravizada negra, pois se algo ocorreu nesse sentido foi com consentimento das próprias estupradas. Declarou também que o tráfico negreiro não foi uma violência exterior, pois contou com a cumplicidade dos próprios africanos que comercializavam seus irmãos. Vocês imaginam o que aconteceria hoje com um Senador da República nos
Estados Unidos ou em qualquer outro país ocidental que se permitiria dizer tantas insanidades políticas? Mais grave ainda, esse Senhor é Presidente da Comissão de justiça e direitos humanos do Senado! Aqui nada aconteceu, pelo contrário,o Nobre Senador foi até defendido na grande imprensa pelo mesmo intelectual detrator das cotas!
Considerando todas essas dificuldades, penso que o resultado obtido pela aprovação deste estatuto que passou por numerosas negociações acompanhadas de modificações é muito significativo para uma luta feita com armas tão desiguais. Pensem que os africanos resistiram contra a invasão dos colonizadores ocidentais com arcos e flechas ou com fuzis de pólvora obsoletos contra as metralhadoras. Finalmente, perderam e suas terras foram ocupadas porque não houve equilíbrio das relações de força. Mas continuamos a defender nossa dignidade humana que foi coroada pelas independências. Estamos travando novas lutas para construir as nacionalidades, a democracia e o bem estar dos povos. É um longo processo cuja duração não podemos medir, mas que certamente terminará com a vitória.
No caso do Estatuto da Igualdade Racial, penso que não perdemos totalmente. Perdemos sim, parcialmente, por que não saiu com
as garantias que queríamos, mas todo não foi totalmente destruído. Mas creio que a luta continua até a vitória final que virá, penso eu, o dia em que seremos capazes de mobilizar politicamente mais de 50 % da população brasileira que carrega o sangue africano. O dia em que os políticos brasileiros tiverem a certeza de que não podem mais comprar o voto "negro" com migalhas ou com garrafa de pinga durante as campanhas eleitorais, as brincadeiras, farsas e humilhações como as do Nobre Senador não terão mais lugar.
Concluindo, li atentamente o texto da minuta que vocês conceberam. Em gesto de solidariedade e respeitando o voto da maioria do/as colegas e conselheiros e conselheiras, encaminho positivamente em favor da sanção do Estatuto pelo Presidente da República. Nada posso lhes ensinar, pois peguei o bonde andando quando vocês já estavam dentro. Vocês muito me ensinaram e continuarão a me ensinar, pois os fragmentos de reflexão desenvolvidos na Academia em grande parte com a ajuda de vocês não se comparam aos anos de luta e de militância herdadas de Zumbi dos Palmares que vocês acumulam. Se vocês me permitirem terminaria com uma pequena reflexão sobre a história dos caçadores coletores Mbuti da África Central, pejorativamente conhecidos na literatura como pigmeus.
São meses e meses que os caçadores estão na floresta para caçar um elefante, cuja carne alimentaria a população durante alguns meses. Infelizmente não tiveram o sucesso esperado e voltam para aldeia trazendo apenas três antílopes. Decepcionados e frustrados, as mulheres e os filhos se contentam desses pequenos animais cuja carne cobriria necessidades de poucos dias. Mas eles não culpam os caçadores, mas sim o Mulimo, Deus da caça, o único Deus que esse povo monoteísta conhece e cuja aproximação da esfera dos humanos afasta a caça e prejudica as atividades de sobrevivência. Daí a necessidade de lhe oferecer uma galinha preta para afastá-lo longe da esfera humana.
Moral da história: Creio que nossos negociadores parlamentares e políticos fizeram o melhor possível para trazer o elefante. Independentemente de sua vontade só conseguiram os antílopes. Agora vamos jogá-los em vez de aceitá-los e encorajar nossos caçadores para continuar a luta? Alguns sensíveis e emotivos como eu, encheram os olhos de lagrimas quando o Senador Paulo Pahim defendeu o Estatuto da Igualdade Racial na Audiência Publica sobre a constitucionalidade das cotas organizada pelo STF em março passado. Ele estava muito emocionado e não escondeu suas lágrimas que provocaram as nossas. Agora, por que não podemos abraçá-lo novamente e aplaudi-lo pelo que ele conseguiu? A luta deve continuar, segurando firmemente o pouco que já conseguimos.
Axé.
Kabengele Munanga/Conselheiro -CNPIR

 

Prefeitura de Viçosa e Secretaria da Igualdade Racial se unem para atender quilombolas


 

O cenário é de tristeza e abandono

 


O prefeito de Viçosa, Flaubert Filho, e o subsecretário da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial(SEPPIR),Alexandro Reis, fizeram neste final de semana uma visita a comunidade quilombola do Gurgumba, que estava isolada desde o dia 18 de junho quando o Rio Paraíba arrastou a ponte que dava acesso ao povoado, e
constataram a situação de abandono dos remanescentes de Zumbi dos Palmares.
Saindo do Centro de Viçosa, a equipe passa pela comunidade quilombola do Sabalangá, segue pela estrada de barro até onde é possível, mas depois tem que seguir a pé porque não existem estradas de acesso até oGurgumba. Uma ponte improvisada de madeira permite atravessar as águas do Rio Paraíba. Foi por meio desta ponte que o Corpo de Bombeiros conseguiu entregar cestas básicas aos moradores durante a semana.
Para visitar as 22 famílias que residem às margens do Rio Paraíba, nas imediações da histórica Serra Dois Irmãos, onde Zumbi morreu, é preciso andar mais um bocado. Na chegada um carrinho de rolimã é logo avistado. Este é o meio de transporte da comunidade. O cenário é de tristeza e abandono.
Casas de taipa, condições impróprias para sobreviver. O acesso aos serviços de educação e saúde são comprometidos pela dificuldade de chegar ou sair daquele povoado. Benedita Chaves é uma das que ainda resistem aquele lugar de confinamento, ela diz que não tem vontade de sair do Gurgumba, mas descreve o lugar com um semblante de tristeza: “Aqui tá morto”.
José Fabiano da Silva tem seis filhos e é um dos cinco chefes de
famílias que viram sua casa arrastada pelas fortes águas do Paraíba mais uma vez. “Fiquei sem nada. Sem saber o que fazer. Só comi no dia seguinte porque a vizinha me deu. Já perdi a casa três vezes. Estou morando na casa de um amigo”.
A comunidade vive entre o Rio Paraíba e os trilhos da linha da rede ferroviária, que também foram afetados pela força da água. Um paredão de concreto foi erguido para proteger a rede ferroviária, mas não foi suficiente. As águas ultrapassaram o paredão e arrastaram os trilhos de ferro.
O prefeito Flaubert Filho se enche de esperanças ao receber o
representante da SEPPIR, porque entende que a complexidade da situação do Gurgumba não lhe permite resolver todos os problemas sozinho. “Precisamos unir forças com o poder Estadual e com o poder Federal para tiramos estas pessoas da vida de isolamento e proporcionar uma
qualidade de vida que hoje eles não têm. Temos que começar resolvendo a questão da acessibilidade. Viabilizando estradas, assim eles terão
educação de qualidade, saúde e vamos poder construir casas de
alvenaria para abrigar estas famílias, com acesso à água potável e saneamento”.
Flaubert Filho explica para Alexandro Reis que há mais de um ano tem o projeto de um posto de saúde para atender o Sabalangá e o Gurgumba, mas ainda não obteve êxito. Outro projeto do prefeito é implantar um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) para atender as cerca de 1100 pessoas que residem nestes dois quilombos.
Alexandro Reis comprovou in loco a necessidade de concentrar esforços para garantir a dignidade e o bem-estar daquelas pessoas. “Vamos fazer uma parceria entre o governo federal e a prefeitura para reconstruir as casas do quilombo, melhorar o acesso e instalar o CRAS que o prefeito apontou”.
O representante da SEPPIR disse que dentre tantas cenas fortes o que mais lhe chamou atenção foi: “a situação de confinamento, com pouco
espaço físico para sobreviver. Se houver nova enchente a situação vai ser ainda pior. As casas são de taipa e os moradores estão expostos a
doença de chagas. O governo Lula criou o Programa Brasil Quilombola para garantir a melhoria da qualidade de vida. Vamos lutar juntos para
solucionar estes problemas”.
Alexandro Reis garantiu enviar, em caráter emergencial, cestas de
alimentos para as famílias do Gurgumba e vai se esforçar para que esta assistência não seja apenas uma vez, passe a ser mensal se estendendo também para a comunidade do Sabalangá. A Prefeitura já trabalha no cadastramento destas famílias e prepara os projetos discutidos com a SEPPIR para acelerar o processo que visa a garantia de uma vida digna aos quilombolas viçosenses.
A visita do subsecretário da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Alexandro Reis, ao município de Viçosa de Alagoas foi viabilizado pela parceria com o Projeto Raízes de Áfricas. A coordenadora do projeto, Arísia Barros, acompanhou a visita.


Motorista usa megafone em ofensa de trânsito e acaba vendo o jogo do Brasil na cadeia no Espírito Santo

VITÓRIA - Dia de jogo do Brasil, trânsito engarrafado. Em Vitória, no Espírito Santo, o motorista de um guincho acabou indo parar na cadeia, acusado de racismo. O homem vítima de racismo disse que o tráfego estava parado e o guincho estava atrás do carro dele. Ao passar, o motorista do guincho teria dito num megafone: "Só podia ser preto!"
- Eu ouvi, todo mundo ouviu - contou a vítima.
Um outro motorista afirma que, pouco depois, o motorista do guincho voltou a reagir a um xingamento dizendo: "Se eu fosse preto você teria razão".
" É repugnante, inaceitável usar de um microfone para ofender a dignidade e a raça de alguém "
Revoltados, outros motoristas perseguiram o guincho e conseguiram fazê-lo parar perto do Palácio do Café, na Enseada do Suá.
O rapaz ofendido disse que estava disposto a retirar a queixa se o motorista do guincho pedisse desculpa, mas ele se negou a pedir e negou que tenha feito qualquer ofensa.
- É repugnante, inaceitável usar de um microfone para ofender a dignidade e a raça de alguém - disse o delegado João Calmon.
O motorista do guincho segue preso por injúria racial. Somente um juiz pode estipular o valor da fiança para que ele seja solto. A pena para esse tipo de crime varia entre um e três anos na cadeia.

 

Empresa de Educação Profissional de grande porte está recebendo currículos

Empresa de Educação Profissional de grande porte está recebendo currículos de docentes autônomos/temporários (RPA) com perfil de educadores sociais para as seguintes oficinas:

 

Oficina: Português

Graduação: Superior em Letras com ênfase na Língua Portuguesa e Literatura Brasileira

 

Oficina: Matemática

Graduação: Superior em Matemática, Administração, Ciências Contábeis, Economia ou em qualquer área das Ciências Exatas

 

Oficina: Formação Social (Auto-conhecimento e Auto-desenvolvimento; Formação Cidadã; Emancipação Juvenil)

Graduação: Superior em História, Geografia, Psicologia, Ciências Sociais Aplicadas ou em qualquer área das Ciências Humanas

 

Observação importante para todas as oficinas e perfis: formações diferentes do perfil serão analisadas caso a caso.

 

Os currículos devem ser enviados no corpo do e-mail para sergiozarro@yahoo.com.br, citando no título a(s) oficina(s) que deseja(m) se candidatar.
 

Comercial (82) 3313.6040 (82) 99812.2189 comercial@cadaminuto.com.br
Redação (82) 3313.2162 (82) 99664.2221 cadaminutoalagoas@hotmail.com