Raízes da África

Mulheres negras trazem na alma a geografia da luta delineada pela fome voraz da conquista. Sem fronteiras!

Mulheres negras têm fome plural. A fome por uma cidadania completa, verdadeira. Cidadania carregada de dignidade e oportunidades igualitárias. Cidadania que cotidianamente é estuprada pelo racismo metódico e intransigente.
Mulheres negras exigem muito mais do que uma cidadania ficcional.
Mulheres negras contemporâneas buscam a partir da geração de uma memória visceral, a legitimidade de ser pessoa, no país encrespado por uma miscigenação utópica.
Mulheres negras vão bem mais além do universo internalizado da mucama, da negra boazuda, da mulher parruda e de tantos outros axiomas sociais. O Brasil consolida imagens reprodutoras de uma existência colonizadora, de uma a sociedade eurocêntrica e de relações pessoais de submissão: Õ essa nega fulô!
Mulheres negras trazem na alma a geografia da luta delineada pela fome voraz da conquista. Sem fronteiras!
Mulheres negras vivem grávidas da experiência que combina existência humana com resistência. Resistir a dura e rígida hierarquia da sociedade escravista, machista e patrimonial.
Mulheres negras são guardiãs de segredos ancestrais!
Somos mais de 41 milhões de mulheres que se auto-declararam negras, aproximadamente a metade da população negra brasileira é composta de mulheres.
O registro da pele preta é o renascimento da consciência étnico-político de um gênero muitas vezes sem rosto, inominável, com traços semi-invisíveis, coadjuvantes no protagonismo social, subalternizadas no universo feminino.
Mulheres negras são mais fortes que seus destinos traçados na cartilha das perversas teorias do eugenismo social.
Mulheres negras são sinônimos de ruptura e antônimos das muitas e diversas possibilidades humanas.
Mulheres negras ainda são donas de uma cidadania inconclusa.
Esse é o caráter mal disfarçado do racismo brasileiro nos cem anos do dia internacional das muitas mulheres.

 

É inaceitável, que o pensamento dos Senhores de Engenho se expresse em atitudes no Parlamento Brasileiro.

Em nome de uma cultura de gênero em que direitos e oportunidades sejam iguais , socializamos a Carta de Repúdio das Conselheiras e Conselheiros do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - CNPIR

Carta de Repúdio

Nós, Conselheiras e Conselheiros do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - CNPIR vimos através desta, repudiar a opinião expressada pelo excelentíssimo senador da república sr. Demóstenes Torres, Presidente da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania do Senado Federal, no seu pronunciamento durante a Audiência Pública no Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), no dia 03 de Março de 2010, que analisava o recurso instituído pelo Partido Democratas contra as Cotas para Negros na Universidade de Brasília.
Na oportunidade o mesmo afirmou que: as mulheres negras não foram vítimas dos abusos sexuais, dos estupros cometidos pelos Senhores de Escravos e, que houve sim consentimento por parte destas mulheres. Na sua opinião: Tudo era consensual!. O Excelentíssimo Senador da República Demóstenes Torres, continua sua fala descartando a possibilidade da violência física e sexual vivida por negras africanas neste período supracitado. Relembra-nos a frase: Estupra, mas não mata!!!.
O Excelentíssimo Senador Demóstenes aprofunda mais ainda seu discurso machista e racista, quando afirma que as mulheres negras usam de um discurso vitimizado ao afirmarem que são as vítimas diretas dos maus tratos e discriminações no que se refere ao atendimento destas na saúde pública. Que as pesquisas apresentadas para justificar a necessidade de políticas públicas específicas, são duvidosas e que nem sempre são confiáveis, pois podem ser burladas e conter números falsos.
Enquanto o estado brasileiro reconhece a situação de violência física e sexual sofrida pelas mulheres brasileiras, criando mecanismos de proteção como a Lei Maria da Penha, quando neste ano comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, o excelentíssimo senador, vem na contramão da história e dos fatos expressando o mais refinado preconceito, machismo e racismo incrustado na sociedade brasileira. Por isso, vimos através desta carta ao Povo Brasileiro repudiar a atitude do excelentíssimo senador Demóstenes Torres.
Ao tempo em que resgatamos a dignidade das mulheres negras e indígenas, que durante a formação desta grande nação, foram SIM abusadas, foram SIM estupradas, foram SIM torturadas, foram SIM violentadas em seu físico e sua dignidade. Aos filhos dos seus algozes, o leite do seu peito, aos seus filhos, o chicote. Não nos curvaremos ao discurso machista e racista do Senador! É inaceitável, que o pensamento dos Senhores de Engenho se expresse em atitudes no Parlamento Brasileiro.

Brasília, 05 de Março de 2010.

 

Um convite para quem está na lista.

A Fundação W.K. Kellogg convida lideranças e organizações do movimento negro, professores, lideranças políticas, pesquisadores, gestores, sociedade civil para a reunião "Discutindo a sustentabilidade da causa da equidade racial no Brasil", que acontecerá no dia 13 de março, sábado, das 08 às 17 horas, no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.
A reunião é mais esta etapa do Programa de Equidade Racial e Inclusão com o propósito de promover a devolutiva dos dados e a informação dos avanços da programação do mapeamento inicial de organizações, lideranças, políticas e iniciativas no campo da equidade racial. A pesquisa utilizou de uma metodologia participativa contribuindo para comunicar a proposta da Fundação W.K. Kellogg e realizar o mapeamento para orientar a programação e a construção do mecanismo. Em Alagoas o mapeamento ocorreu em 06 e 07 de julho de 2009.
O objetivo do Programa de Equidade Racial e Inclusão da Fundação W.K. Kellogg é apoiar a construção de um mecanismo de apoio à sustentabilidade da causa da equidade racial no Brasil.
Para garantir um momento de devolutiva ampliada, o Projeto Raízes de Áfricas, articulador local da reunião "Discutindo a sustentabilidade da causa da equidade racial no Brasil", convida pessoas e representantes de instituições participantes da primeira etapa do mapeamento e outras pessoas interessadas na temática para ampliação do conhecimento como instrumento de estímulo a produção de trabalhos científicos e processos inovadores que propulsionem a pesquisa e o desenvolvimento sustentável da comunidade negra.


LISTA DE PARTICIPANTES ALAGOAS

NOME                                         INSTITUIÇÃO
1 Adalberto Tavares                           UFAL
2 Admar Gomes Estudante               IAENE
3 Adriana F. H. Lira                       Comunidade Sabalongá
4 Alessandra Bertulino                       E. E. A. T.
5 Allex Sander                              Pastoral da IBP
6 Álvaro José de Oliveira                 IFAL/CEFET-AL
7 Ana Cristina dos Santos            Com. Tabuleiro dos Negros
8 Ana Margareth                                 AMUNEAL
9 Ana Paula Quintella                          SEADES
10 Ana Paula Santos                          SEADES
11 Anderson da Silva                          Associação
12 Antônio Carlos dos Santos                SEFEN
13 Antônio Nascimento                       Fund. Kellog
14 Aristéia Nascimento da Silva          SEMED – Campo Alegre
15 Brenda O. M. S.
16 Caroline A. Toledo                          SEMCDH
17 Cássia Nicândio                             ANAJÔ
18 Ciléia da Silva E. M. Pedro Calmon  /Viçosa
19 Clara S. Fernandes                         NEAB/UFAL
20 Cláudia Puentes                               FADE
21 Claudiano dos Santos Castro          Ass. Quilombola
22 Cremilda Ermínia Máximo                APM
23 Daniel Barros M. S. (Manoel S.)
24 Dayse Karoline P. Andrade              Sec. da Mulher
25 Dênio Pereira                                    ESAMC
26 Denison Costa                                Quilombo/Capoeira
27 Eliseo Lopes                                    SEMCDH
28 Emílio Quilombola
29 Eriton                                           Abaça de Angola Oyá-Balé
30 Eudson S. Santos                                NEAB
31 Fatumata B. Djelo                                 UFAL
32 Feme Yara R. da Silva                Ass. Afro Brasileira Ofá-Omi
34 Flaubert Torres .                                    Viçosa
35 Flora Regina Costa                                  SEE
36 Francisco M.                                         Agnus Dei
37 Givanildo de Lima                                   AHBT/BSA
38 Hallbate Barbosa Crima                           UFAL
39 Helciane Angélica S. Pereira               Cojira/ANAJÔ
40 Helcias Pereira                                         ANAJÔ
41 Heloisa Lima de Carvalho                 Esc. Alberto Torres
42 Irani Neves                                     GEERG/SEE/AL
43 Ismael N. D. Gomes                                 UFAL
44 Jacira Maria dos Santos                             APM
45 José Ferreira Santana
46 José Leonardo SESI
47 José Sandro Santos                        Quilombo Tabuleiro dos Negros
48 José Wagner UFAL
49 José Xxx.                                           Associação de Quilombos
50 Joseane Gomes da Silva                          Agrucenup
51 Joselene A. Lima                                 Secretaria da Mulher
52 Karinne Dantas                                            SEMCDH
53 Kátia
54 Kelly Maria                                                       CUFA
55 Larissa Lima Pessoa Veiga                           SEADES
56 Léa Alves Martins                            Secretaria Municipal de Educação
57 Linderberg Farias                                             Agnus Dei
58 Luzenida Santos                                    Comunidade Sabalongá
59 Margarida Félix da Silva                  Comunidade Paus Pretos Quilombola
60 Maria Aparecida N. da Silva                   SEMED – Campo Alegre
61 Maria Graciela da Costa Cá UFAL
62 Maria José da Silva Santos              Movimento de Lésbicas de M. Dandara
63 Maria Ieda da Silva                             Comunidade Sabalongá
64 Maria Lúcia da Silva                            E. M. São José/Viçosa
65 Maria Neide Vítor Silva                        Esc. Est. Maria Amália
66 Maria Quitéria Pereira Matias                Associação
67 Marilene Luiz Santos                            Campo Alegre
68 Marilene Machado de Araújo              Sec. Mun. de Marechal Deodoro
69 Marinete Andrade SMCDH
70 Maristela Pozitano MOVPAZ/              Maceió Voluntário
71 Nadja Cristina da Silva Dias
72 Newman Kátia O. do Nascimento       Escola Moreira e Silva
73 Rabelo                                                  Pref. Viçosa
74 Roberval Souza                                   CUFA-AL
75 Rodrigo Mero S. da Silva                     IFAL/CEFET/AL
76 Rosália Santos                                     A. S. S. Q. S. T. A.
77 Rosário de Fátima da Silva                  NEDER/SEMED
78 Roseane M. Lima Silva                         CUFA-AL
79 Sannhab Cá Manuel                              Esc. Téc. S. Bárbara
80 Tainá Puentes                                        UFPE
81 Tatyana A. Carvalho                              Sec. da Mulher
82 Tereza Nelma                                      Câmara dos Vereadores
83 Thácia Simone                                      Comunicação Viçosa
84 Tatiane Santos                                      Unegro/Muzenza
85 Valdice Gomes                                      Sindjornal/Cojira
86 Vânia Carlos da Silva                            Esc. Est. Maria Amália
87 Vicente Rodolfo Cezar                           IF/AL
88 Vilma da Silva Aldeia Wassu Cocal
89 Veronildes R. da Silva                            (Mãe Vera) Abaça de Angola Oyá-Balé
90 NÃO DÁ PRA LER NOME
91 Wedna Miranda                                       SEMCDH/AL
92 Zenaide de Almeida                                 Ag. Cultural
 

 

 

No sítio do Picapau Amarelo todos os negros são escravos, descobre o menino-leitor do alto dos seus dez anos. Com licença Seu Lobato!

A escola deveria ser um grande porto/porta para um mundo novo repleto de sons, cores e experiências cotidianas.
Mais do que caminhos, a escola deveria também apontar atalhos que desemboquem em trilhas de recomeço.É assim que se constrói novos mundos.
Os exercícios escolares bem que poderiam ter o ritmo contagiante de quem ensina e de quem aprende. Ritmo marcado pela cadência da legitima troca de saberes.
A escola é um lugar de transformações. Na teoria e na prática.
É certo e mais que urgente que a escola estabeleça um consenso entre o “certo” e o “errado”, refletindo sobre o interesse individual e coletivo.
O nome escola deveria rimar com encaminhamentos e possibilidades. As possibilidades da igualdade entre diferentes. A alquimia da mudança.
Escola é bem mais do que a soma de números que estabelecem a quota que aprova e a outra que massacra os diferentes tempos de aprendizagem.
Se escola é troca porque só reprova aluno/aluna?
Escola é o espaço das muitas linguagens, de muitos e diversificados sujeitos sociais. Identidade e alteridades.
Escola é referência para a construção de identidade. Descobertas!
No sítio do Picapau Amarelo todos os negros são escravos, descobre o menino-leitor do alto dos seus dez anos. Com licença Seu Lobato!
Um bom ensinamento para a escola é ensinar o "saber do fazer" ou o "fazer-sabendo". Como a conta dos nove fora ou o “somos diferentes, mas merecemos direitos iguais”.
Tia, porque dói tanto ser negro? Pergunta outro menino da escola.
O que responde a escola?
 

Estratégia de Mudança: Equidade Racial e Inclusão Social no Estado de Alagoas.

Em 2008 a Fundação Kellogg iniciou o Programa de Equidade Racial e Inclusão Social no Nordeste com o propósito de construir um mecanismo de sustentabilidade da causa. Para a implantação da programação foi desenhado um modelo que articula diferentes ações em três fases como estratégia de mudança.
No final de 2009 várias metas da primeira etapa da programação foram alcançadas: o mapeamento realizado pelo CEAFRO, o desenvolvimento de idéias por meio de contatos reuniões, seminários e articulações com outros doadores, apoio a projetos estratégicos, elaboração de um programa de capacitação/formação de lideranças e fortalecimento de organizações do movimento negro. Todos estes processos desencadearam novos processos de continuidade.
Um dos objetivos mais importantes desta fase foi o de iniciar a criação de uma ambiência para a construção do novo mecanismo. Neste período foi constituído o Comitê Programático com o papel de assessorar a programação e a responsabilidade de construir o novo mecanismo reunindo e agregando todas as contribuições geradas no processo de desenvolvimento de idéias, do qual o mapeamento ocupa lugar central; o Comitê Financeiro responsável pelo aspecto financeiro da constituição do mecanismo, no âmbito da FUNDEP, também já esta em funcionamento.
O CEAFRO foi a instituição responsável por realizar em 2009 o mapeamento de organizações, lideranças, políticas e iniciativas no campo da equidade racial nos nove estados do Nordeste. A pesquisa utilizou de uma metodologia participativa contribuindo para comunicar a proposta da Fundação e realizar o mapeamento para orientar a programação e a construção do NOVO MECANISMO. Um dos compromissos assumidos durante o mapeamento foi a devolutiva dos dados e a informação dos avanços da programação.
Para dar os passos que devem articular a primeira fase da programação com as fases seguintes e atender os compromissos assumidos durante o mapeamento, estamos organizando uma série de reuniões, em cada um dos Estados do Nordeste.
No estado de Alagoas, o Projeto Raízes de Áfricas, sob a coordenação da professora Arísia Barros é o articulador/responsável para promover a mobilização de lideranças, organizações do movimento negro e sociedade civil em todas as fases do processo.
No Estado de Alagoas os trabalhos serão desenvolvidos na programação do II Encontro Etnicidades Nordeste: Promoção da Igualdade Racial em Alagoas: Teoria e Prática, sob a coordenação do Projeto Raízes de Áfricas.
Aos participantes será entregue um CD com o relatório do Estado e o Relatório geral do CEAFRO.

Serviço: I

I Encontro Etnicidades Nordeste: ‘Promoção da Igualdade Racial, em Alagoas: Teoria e Prática”
Dia: 13 de março 2010
Local: Auditório Antônio Cansanção -Federação das Indústrias do Estado de Alagoas- Av. Fernandes Lima, 385-Farol( a confirmar)
Informações e Inscrições: 8827-3656/8815-5794
Será servido almoço aos participantes
Inscrições limitadas. Não haverá inscrições no dia do II Encontro.

Sueli Carneiro, uma das ativistas mais importantes do movimento social negro brasileiro participa, no Mês da Mulher, do II Encontro Etnicidades Nordeste.


Sueli Carneiro é uma das ativistas mais importantes do movimento negro brasileiro. Filha de uma ex-costureira e de um ferroviário é dona de uma negritude ativista e empreendedora. Feminista e intelectual, Doutora em Educação pela Universidade de São, fundou o Geledés - Instituto da Mulher Negra, primeira organização negra e feminista independente de São Paulo e atualmente faz parte da Coordenação Executiva da instituição.
*Sua militância política faz parte do cenário espacial, político e geográfico do movimento social negro contemporâneo
Sueli Carneiro é pioneira. Criou o único programa brasileiro de orientação na área de saúde específico para mulheres negras. Semanalmente mais de trinta mulheres são atendidas por psicólogos e assistentes sociais e participam de palestras sobre sexualidade, contracepção, saúde física e mental na sede do Geledés.
Sueli Carneiro é Literatura. Foi uma das biografadas na Coleção Retratos do Brasil Negro,da Editora Selo Negro: Biografias, Diários, Memórias e Correspondências, tendo Rosane da Silva Borges como autora.
Doutora em Filosofia da Educação, Sueli Carneiro tem mais de 150 artigos publicados em jornais, revistas e livros e é organizadora de três obras. “Seus textos traduzem o engajamento político, a critica conseqüente e a polêmica externa e interna aos movimentos”, conclui Rosane, a autora da biografia.
Dia 13 de março, Sueli Carneiro participa do II Encontro Etnicidades Nordeste: “Promoção da Igualdade Racial, em Alagoas - Teoria e Prática”, coordenado pelo Projeto Raízes de Áfricas, sob patrocínio da Fundação W.K. Kellogg e Federação das Indústrias do Estado de Alagoas.Durante o II Encontro Etnicidades Nordeste a Fundação W.K. Kellogg e o Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO da Universidade Federal da Bahia (UFBA) CEAFRO.

O Que é o II Encontro Etnicidades Nordeste: “Promoção da Igualdade Racial, em Alagoas - Teoria e Prática”.

Dia 13 de março de 2010, a Fundação Fundação W.K. Kellogg e o Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO da Universidade Federal da Bahia (UFBA) CEAFRO, com a articulação local do Projeto Raízes de Áfricas e apoio da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e Polícia Civil estarão apresentando às lideranças locais, professores, pesquisadores, acadêmicos, gestores e profissionais e interessando na temática, o resultado do mapeamento das ações de promoção para a Equidade Racial e Inclusão em Alagoas, (abordagem de implementação da LEI Federal nº 10.639/03), como também a troca de experiências e idéias para a construção de Marco de Referência, mecanismo de apoio à sustentabilidade da causa da Equidade Racial, como resultado da pesquisa participativa realizada em julho de 2009. O mapeamento surge como instrumento de estímulo a produção de trabalhos científicos e processos inovadores que propulsionem a pesquisa e o desenvolvimento sustentável da comunidade negra alagoana.
Sueli Carneio faz parte do Comitê Programático da ação conjunta.


Serviço: II Encontro Etnicidades Nordeste: ‘Promoção da Igualdade Racial, em Alagoas: Teoria e Prática”
Dia: 13 de março 2010
Local: Auditório Antônio Cansanção -Federação das Indústrias do Estado de Alagoas- Av. Fernandes Lima, 385-Farol( a confirmar)
Informações e Inscrições: 8827-3656/8815-5794
Será servido almoço aos participantes
Inscrições limitadas. Não haverá inscrições no dia do II Encontro.


*Com informações da web
 

Alagoas é um estado cuja sociedade/poder público ainda percebe a questão racial como um tema delicado.


Em 1934, na cidade de Recife, Gilberto Freyre organizou o 1º Congresso Afro-Brasileiro.
Alfredo Brandão, alagoano do município de Viçosa, em ensaio, apresentado no Congresso Afro organizado por Gilberto Freyre, afirmou que em Alagoas “a história do negro quase que se deixou ficar em apagado”.
O pioneirismo do ensaio de Alfredo Brandão produziu não só inúmeras referências, como também um sem números de estudos e pesquisas relacionados ao tema.
Alfredo Brandão foi um arauto de seu tempo ao produzir a obra mais completa produzida por um alagoano sobre negros em Alagoas, caracterizando a procedência dos escravos, na sua grande maioria bantos, que foram trazidos para as bandas de cá.
Os bantos e negros de Alagoas foram contribuintes para o processo de civilização local. Alagoas é mais africanizada pela influência do povo banto. A África em Alagoas é “banteada”.
Estamos no ano de 2010, setenta e seis anos, que nos separam do ensaio do mestre Alfredo Brandão. Atualmente Alagoas é um estado cuja sociedade/poder público ainda percebe a questão racial como um tema delicado. Como despertar, em pleno século 21, a consciência na geração da alagonidade contemporânea, criando estratégias para a ruptura com o preconceito racial?
Como promover um novo ensaio, nos moldes de Alfredo Brandão, que promova a convergência da cultura-sócio-étnica alagoana, agora com novos signos, imagens e significados da arte afro-musical, afro-brasileira, afro-universal como ferramenta de comunicação para acender novos e diferenciais ritmos de consciências? Consciências que respeitem as diferenças. Consciências substantivas!
O Projeto Raízes de Áfricas entende que para promover uma mudança de mentalidade social é preciso estabelecer alianças de parcerias, com diversos segmentos sociais:, dentre eles governos, empresários,academias na execução de projetos que agreguem valor ao imaginário socialmente construído em relação ao “lugar” que ocupa o povo negro.
Projetos de intervenção que reafirmem o compromisso coletivo para a construção de uma sociedade onde a erradicação do racismo estabeleça princípios da igualdade e justiça social
Projetos de intervenção substantivos que estimulem o canto da igualdade compromissada com o entendimento dos valores sócio-étnicos, identificando lembrando, discutindo, refletindo e associando ao 21 de março- o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial , novas possibilidades de discussão e apreensão entre os pares e os ímpares sujeitos sociais,da afro-alagoanidade, que revise o passado na intenção de compreender o presente.
 

O desafio de promover a redução das desigualdades raciais deve ser política de estado ou a população negra alagoana precisa agregar valor ao voto na eleição de outubro.

O desafio de promover a redução das desigualdades raciais deve ser política de estado, portanto é preciso que setores sociais como os governos em todas suas esferas, a mídia, o corpo empresarial, a sociedade civil assumam suas responsabilidades estabelecendo estratégias de ação conjunta, que, entre outras iniciativas, vise criar condições favoráveis para positivar diagnóstico da qualidade de vida da população negra, que segundo, o jornalista Luís, Mir : As senzalas futuristas dão a medida mais visível da segregação; de 20 a 30% das populações de metrópoles brasileiras vivem em favelas. Em geral, num ambiente de ceticismo e hostilidade. Vivem como sempre viveram os pobres, negros, e marginalizados desde o Brasil colônia. Independência, império, abolição e República em nada mudaram o pensamento das elites governantes, que sistematicamente usaram a repressão e a violência para controlar os desiguais”.
Dia 13 de março de 2010, a Fundação Fundação W.K. Kellogg e o Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO da Universidade Federal da Bahia (UFBA) CEAFRO, com a articulação local do Projeto Raízes de Áfricas e apoio da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas e Polícia Civil, entre outras parcerias, estarão apresentando às lideranças locais, professores, pesquisadores, acadêmicos, gestores e profissionais e interessando na temática, o resultado do mapeamento das ações de promoção para a Equidade Racial e Inclusão em Alagoas, (dentre elas, a abordagem de implementação da LEI Federal nº 10.639/03), como também a troca de experiências e idéias para a construção do Marco de Referência, mecanismo de apoio à sustentabilidade da causa da Equidade Racial, como resultado da pesquisa participativa realizada em julho de 2009.
O mapeamento surge como instrumento de estímulo à produção de trabalhos científicos e processos inovadores que propulsionem a pesquisa e o desenvolvimento sustentável da comunidade negra alagoana. .
O Programa de Equidade Racial e Inclusão é uma iniciativa da Fundação W.K. Kellogg. Iniciado em 2008 tem o propósito de apoiar a construção de um Mecanismo no Nordeste do Brasil. Em 2009 o CEAFRO, em articulação com o Projeto Raízes de Áfricas, realizou um mapeamento inicial das organizações, lideranças, políticas e iniciativas no campo da equidade racial nos nove estados do Nordeste, dentre eles, Alagoas.
A desigualdade racial é uma política segregacionista e desumana que está se tornando impagável. É preciso que a sociedade alagoana desperte para a importância da igualdade racial e, conseqüentemente, possa cobrar resultados efetivos da máquina estatal.

Serviço:
II Encontro Etnicidades Nordeste:“Promoção da Igualdade Racial, em Alagoas - Teoria e Prática”.
Data: 13 de março, das 08 às 17 horas. Informações: (82)8815-5794
Local: Federação das Indústrias do Estado de Alagoas - FIEA.
Av. Fernandes Lima, 385. Ed. Casa da Indústria, Farol 57055-902 - Maceió-AL

 

 

Outra Nega Fulô

O racismo é uma situação limite. Negros, ainda, são hóspedes incômodos, no segundo país mais negro do mundo, fora do continente africano.
O segregacionismo social dá fôlego ao negacionismo do povo negro.
Na época Márcia tinha 10 anos, menina esperta estudava em escola da rede estadual. Um dia Márcia não foi a escola, nem no outro dia e mais dias registraram a ausência da menina. Quinze dias foi o tempo que a mãe de Márcia,excessivamente constrangida, foi à escola avisar que a filha estava no pronto-socorro e provavelmente não voltaria à escola. Márcia tomara água sanitária. Por quê? A menina encontrara um caminho para clarear a pele.
Um dia a tia falara sobre o poema "Essa Nega Fulô", de Jorge de Lima: “Ó Fulô! Ó Fulô!Cadê meu lenço de rendas, Cadê meu cinto, meu broche, Cadê o meu terço de ouro que teu Sinhô me mandou? Ah! foi você que roubou! Ah! foi você que roubou!”
A turma repleta de meninas e meninos de pele um pouquinho mais clara que a da menina, despertada pela história-memória da subordinação escravocrata do poema instintivamente apontou para Márcia e lançou o chicote feito palavras: Ah! foi você que roubou!
Qual é o negro que, ao escutar estas palavras, não percebe a memória consolidando a história do escravagismo, exclusão, da inferioridade étnica?
Como questionar a ordem escravocrata se no convívio social os conhecimentos das muitas literaturas são disseminados e aprendidos como interpretação única?
E a turma rindo e devastando, estuprando e maculando a alma de Márcia: A Márcia é a Nega Fulô! Nega Fulô é ladrona! E a gargalhada ecoou como açoite.
A escola é um dos ambientes em que as relações humanas são racializadas. São situações rotineiras, concretas e contextualizadas que definem a auto-negação do povo negro.
A tia energicamente pediu a turma para encerrar com a “brincadeira” e se omitiu e se esquivou de promover uma releitura a partir do poema como forma de revisar a experiência social de um povo transformado em uma massa de expatriados em terras da colônia brasileira . Se a tia conhecesse a Lei Federal nº 10.639/03 ou a Lei Estadual/AL nº 6.814/07 saberia quais são os mecanismos a serem utilizados como proposta pedagógica para positivar a diversidade étnica brasileira.
Segundo Savianni: “No Brasil, o tipo de racismo que se desenvolveu fez surgir uma situação bastante complexa e difícil de ser desconstruída. Diferentemente do que houve nos EUA e na África do Sul – países em que se desenvolveu um sistema de organização social explicitamente baseado na raça –, a miscigenação foi usada para escamotear o racismo e criar o mito da democracia racial brasileira. Esse mito é contrariado sistematicamente pela violência explicitada nas formas mais sutis das relações cotidianas (brincadeiras, piadas e apelidos de cunho racista, o conceito de beleza branca como universal, as formas de olhar a pessoa negra) e nas mais escancaradas práticas racistas (violência policial, tratamento desigual do aparelho de segurança do Estado, baseado na cor da pele).”
O preconceito racial muda a vida das pessoas de várias maneiras. Os estereótipos da escola interceptam a auto-estima de crianças e jovens em formação, esmagam a construção individual do ser pessoa. Não é fácil conviver com relações humanas tensas e conflituosas originadas pelo apartheid e por angústias hameletianas: ser ou não ser? Eis a questão.
As escolas brasileiras precisam promover o exercício da revisão histórica. E para tal apresentamos Oliveira Silveira com o poema Outra Nega Fulô. Um exemplo da reversão dos valores. Um poema que dá voz a mulher negra, não mais escravizada. Mulher altiva e consciente, dona de seus desejos e de seu direito de ser respeitada:
Outra Nega Fulô

O sinhô foi açoitar a outra Nega Fulo
Ou será que era a mesma?
A nega tirou a saia,
A blusa e se pelou
O sinhô ficou tarado,
Largou o relho e se engraçou.
A nega em vez de deitar,
Pegou um pau e sampou
Nas guampas do sinhô
Essa Nega Fulô !
Essa Nega Fulô !
Dizia intimamente o velho Pai João
Pra escândalo do bom Jorge de Lima,
Seminegro e cristão
E a mãe preta chegou bem cretina
Fingindo uma dor no coração
- Fulô ! Fulô ! Ó Fulô !
A sinhá burra e besta perguntou
Onde é que tava o sinhô
Que o diabo lhe mandou
- Ah ! Foi você que matou !
- É sim, fui eu que matou –
Disse bem longe a Fulo
Pro seu nego, que levou
Ela pro mato, e com ele
Aí sem ela se deitou
Essa Nega Fulô !
Essa Nega Fulô ! (CADERNOS NEGROS)

 

 

Foi preso em uma sexta-feira à noite porque é negro, ou não é fácil ser negro no Brasil!

Uma das grandes raízes da desigualdade social no Brasil é a desigualdade racial, alimentada e mantida pela elitizada e europeizada sociedade brasileira, como fórmula contemporânea de desenraizar modos antigos da subordinação humana.
O escravagismo ainda faz parte do repertório sócio-institucional.
Ele é jovem. Ele é negro. Ele tem cabelo black power e foi preso em uma noite de sexta-feira quando ia para balada com amigos, porque simplesmente é negro.
A escravidão contemporânea é hibrida, alimenta-se da estigmatização racial e religiosa para a reinvenção de fórmulas que subjuguem a população descendente de Áfricas.
O Brasil ainda não é um país de TODOS. Se o fosse já teríamos abolido o apartheid sócio-institucional que priva a população negra da liberdade étnica.É muito difícil afirmar-se negro/negra no Brasil!
Segundo o historiador e pesquisador Luís Mir, nós, o povo preto, ainda não desembarcamos do navio negreiro. Viemos por via marítima, desembarcamos,ficamos nas senzalas e agora estão confinados nas periferias das metrópoles.
Na verdade, nós vivemos a “sub-abolição.”
Sub-abolição é um arremedo de liberdade. É subjugar, inferiorizar, criar a vulnerabilidade étnica como é uma das fórmulas para dar continuidade a política tradicionalmente patrimonialista, uma ideologia resgatada e legitimada do Brasil Colônia.
Mais de um quarto da população brasileira é de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. São 50 milhões de jovens. Em 1991, os jovens negros representavam mais de 50% do grupo de jovens, sucedendo o inverso com os jovens brancos. A mortandade dos jovens negros no Brasil assume taxas alarmantes.
Segundo da Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, a chance de jovem negro ser assassinado é cinco vezes maior do que branco, entretanto a impessoalidade da lógica funcional da política contemporânea insiste em aplicar a universalidade das políticas para solucionar a realidade, ainda, caótica de uma população que ao longo de mais de 120 anos vem tentando soerguer dos mecanismos sociais e políticos que provocam segregações e marginalizaram grande parte da sociedade brasileira, dentre elas a população negra.
Afinal a quem serve as elites governantes?
Segundo a coordenadora nacional do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, Márcia Soares: “A maioria da população empobrecida é negra. Então, o risco de um negro ser abordado pela Polícia, nós sabemos disso, por uma questão histórica e social, é muito maior do que um branco. Portanto, o risco de morrer na mão da Polícia também é maior. São pessoas vulneráveis à violência”.
A polícia sabe quem é negro!

 

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