Raízes da África

A verdade dói, machuca e provoca a inquietação de quem não quer ser incomodado.

O  José Abelha , assim como eu, participa  da lista <3setor.yahoogrupos.com.br>. E ao me deparar com esse artigo do Abelha achei importante compartilhar e surge  a pergunta que não quer calar: afinal, você tem medo de quê??

EU ESTOU COM MEDO!

José Flávio Abelha

Quando tentaram impedir a sua posse, Juscelino foi curto e grosso: Deus me poupou o sentimento do medo!
Sou mineiro mas não sou Juscelino, razão bastante para estar com medo.
Não aquele medo da antiga Namoradinha do Brasil, divulgado à exaustão pela Vênus "foliada" a Platina, expediente bizarro sem qualquer efeito na eleição de Lula, salvo, a saia justa e o ridículo.
Não ha razão para que eu possa ter medo da Presidenta Dilma, aquela mocinha que, segundo seus adversários, bem nascida, foi para o asfalto lutar contra a ditadura então instalada no Brasil, ao contrário de gente fina que preferiu fugir, preferiu o exílio tranqüilo e rendoso.
O meu medo não é da Presidenta Dilma e sim da sua periferia. Dilma não é anciã grega que joga ostra no pote, mas, alguém do seu núcleo duro o faz com mestria, transformando uma das reservas morais do PT, Patrus Ananias, num verdadeiro Péricles, impondo-lhe o ostracismo.
O meu medo é do recente, é do atual. Do contemporâneo!
Fico pensando qual será a reação de um país, outrora o xerife do mundo, quando sentir que não manda em mais nada, que não era amado, odiado sim pelo medo que suas armas impunham, embora nunca tenha, de fato, ganhado uma guerra, saindo derrotado de umas, empatando outras e aliando-se no final aos países combatentes e saindo-se bem nas fotos.
Isso mesmo! Refiro-me aos EUA, com a sua grandiosa esquadra que, agora, ainda tenta policiar os sete mares, uma força aérea impensada por qualquer outra nação, um exército com as armas mais sofisticadas do mundo e que não conseguem dominar os seguidores do senhor Bin Laden, impor "sua" democracia em um Iraque destroçado e, agora, vendo escorrer por entre os dedos os amigos no Oriente médio.
É onde mora o perigo. Somos um pedaço do mundo ligado geograficamente a eles, lá em cima, sem o prestígio adquirido após o entrevero de 39/45 e nós, cá em baixo, lutando para nos firmar como nação próspera, pacífica e independente.
O que farão os EUA , e não demora muito, com as suas armas e suas bombas sem portos amigos para ancorar suas cidades flutuantes que acharam dificuldades quando da visita ao Rio em fundear na Guanabara, e, muito menos, passarem sob a ponte Rio-Niterói?
Vejo com temor as pedras do dominó africano eretas na cabeceira daquele continente, as quais, com os atuais ventos fortes, vão cair umas sobre as outras, ventos que desfraldam bandeiras muçulmanas pedindo a derrubada dos ditadores e a implantação da honestidade e da volta dos costumes que lhes são caros. Seus costumes não são os nossos e eles não aceitam a ocidentalização, como aconteceu com a derrocada do Xá da Pérsia que desejou implantar uma democracia ocidental no Irã e se deu muito mal, ao ponto de, literalmente, não ter onde cair morto.
Considerando que petróleo é combustível violento, não posso imaginar a reação dos EUA e seus aliados que andam pedindo ajuda para a sustentação da ditadura egípcia. Deve o mundo esclarecido, democrático,progressista, estar de barbas de molho, quando vêm países que ajudaram a derrubar a ditadura de Sadan, pedindo sustentação para o ditador egípcio, uma caricatura de Ramsés 2º.
Receio pela sorte dos nossos conterrâneos que estão no Haiti fazendo o papel de xerifes da região, principalmente agora que por lá aportou fagueiro, elegante, milionário, ar despreocupado, fornido, aquele que atende pela alcunha de Baby Doc que me venderam como um assassino de seu povo, ladrão dos cofres nacionais, vivendo nababescamente na Europa. Pelo que sinto, a triste figura não é nada disso que os jornais diziam, visto que um país europeu lhe deu asilo sem qualquer protesto de uma nação sequer, sorte que não teve um guerrilheiro italiano, dez anos asilado tranqüilamente na França sem grandes protestos e, agora, hospede da Papuda, em Brasília, por crimes que ninguém prova que cometeu, salvo uma delação premiada do seu próprio líder que, tirando o ron-ron-ron da seringa, apontou o amigo e companheiro como autor de assassinatos, enquanto o bem fornido Baby surge onde governou com mão de ferro, tontons macutes e vudus, e ninguém protesta. Nem protestou antes e nem protesta agora. Afinal, onde fica o Haiti?
Pelo andar da carruagem nossos conterrâneos estão garantindo a ordem em um país cujo maior desordeiro chega de supetão, não diz a que veio e, num piscar, pode transformar-se em candidato a presidente, o pacificador.
Também sinto uma ansiedade fundamentada pela região onde resido, muito machucada pelas chuvas e pelo descaso.
Quem circula pela estrada da Cachoeirinha vê uma obra mas não acredita. Um barranco sendo contido, uma obra para segurar moradias que estão lá em cima e, penso eu, seus moradores se negam a abandonar suas casas.
Uma placa indica o preço de uma obra que deve ser a que se vê: R$31 milhões. Essa quantia daria para custear a aquisição de uns 400 apartamentos, retirando do topo do morro aqueles moradores, dando-lhes uma moradia digna, segura, e na encosta ameaçadora, uma plantação de pés de bambus, erva cidreira e outras árvores que tenham raízes que se alastram, fazendo um tecido seguro. No interior de Minas Gerais, todos sabem que é assim que se evita esses desbarrancamentos, essas tragédias. E é bom lembrar que o antigo DNER ao construir a nova Rio-Bahia nos tempos de Jango, usou deste expediente, com sucesso.
De vários outros medos uma preocupação me domina ao sair de uma agência bancária, quando vejo a calçada desguarnecida de um segurança enquanto no interior da agência guardas armados fazem o seu papel. Tenho medo de perguntar: segurança de quem, se o assalto é na saída, na calçada?
Tenho medo! Medo de dizer a verdade porque a verdade dói, machuca e provoca a inquietação de quem não quer ser incomodado.


*Mineiro, Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltd. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar .
Agora, agitante do blog JANELA DO MUNDO.

 

Você é livre?

Um pouco de Solano Trindade para gente sempre  lembrar que vida é sinônimo de liberdade.

Salve
Salve os que amam a vida
sem ter medo da morte
Salve os que amam a liberdade
sem ter medo de prisões e fuzilamentos

Por que a história continua
“devagar e sempre”
como diz um negro velho
meu vizinho...

(Solano Trindade – Poemas antológicos de Solano Trindade – Nova Alexandria – 2008 – p.55)

Comunidade quilombola presta homenagem ao presidente do Sistema Fiea

Notícias do SENAI sobre a homenagem prestada a um dos grandes parceiros do Projeto Raízes de Áfricas, Dr. José Carlos Lyra.

Inclusão social
O presidente do Sistema Fiea, José Carlos Lyra de Andrade (foto), recebeu o Troféu de Honra ao Mérito Guerreiro Quilombola, em solenidade nesta semana (31/1), em Maceió. A iniciativa destaca os parceiros do Projeto Raízes de África, além da comunidade de remanescentes quilombolas Pau D’Arco, localizada em Arapiraca.
Para Andrade, é impossível pensar no desenvolvimento do país sem antes solucionar os problemas advindos da discriminação racial. "A raça negra está presente em todos os setores da vida, participando, cooperando e influindo nas grandes decisões. Creio que o Brasil somente será economicamente forte quando prevalecer uma real política de igualdade social. Necessitamos todos pensar o Brasil como um conjunto único e indivisível, sem segregação, sem desigualdades e sem discriminações."
A coordenadora do Projeto Raízes de África, Arísia Barros, destacou a sensibilidade do empresário José Carlos Lyra na defesa da igualdade racial e social. "A Fiea tem dado uma contribuição sólida e concreta para que possamos trabalhar em busca de uma sociedade mais justa e igualitária." A solenidade, que ocorreu durante o II Festival das Palavras Pretas, que teve a presença do ator Milton Gonçalves, também prestou homenagem a outras personalidades do estado.

FONTE:SENAI HOJE 01/02

"Nós não vamos brincar de fazer educação".

Paulo Bandeira é símbolo de educação que rompe convenções, um revolucionário, que nem é citado nos compêndios da história alagoana.
Paulo Bandeira, o professor, era combativo e investia nas possibilidades de mudanças na terra das Alagoas cujo índice de analfabetismo total e funcional é como uma metástase que corrói o presente quase sem futuro de tantas e muitas crianças.
O professor Paulo acreditava em políticas estruturantes que fomentasse o descrescimento da exclusão educacional em Alagoas, o mais pobre entre os pobres do Brasil.
Por acreditar em educação como parenta do acúmulo de conhecimento, o professor alagoano, Paulo Bandeira foi seqüestrado, torturado e queimado vivo.
A Escola Paulo Bandeira , que leva o nome do professor, está localizada no bairro periférico do Benedito Bentes, cujo índice de pobreza e desigualdade social transforma  um número incontável de meninos e meninas reféns das iniqüidades sociais.
A gestora da Escola Paulo Bandeira acredita que a educação é uma ferramenta de incomensurável valor na vida de tantos e muitos.
Para ela o poder público não pode fazer da educação um faz-de-contas ou contar anêmicas e quilométricas histórias para fazer boi dormir.
O descaso com a reforma da Escola Paulo Bandeira no bairro pobre e periférico do Benedito Bentes, caracteriza a brutalidade do estado como forma coerciva de estabelecer espaços de poder, apartando os desiguais.
A direção da Escola Paulo Bandeira e seu corpo funcional trazem o predicado moral de lutar por qualidade de ensino e fazem  greve por condições dignas de trabalho e aprendizado.
O SINTEAL, o Ministério Público Estadual e a sociedade civil organizada e tantos que militam por uma educação de qualidade têm a obrigatoriedade de respaldar a iniciativa da Escola Paulo Bandeira e confrontar a neutralidade dos discursos oficiais..
A Escola Paulo Bandeira cerra as portas para que a educação praticada possa fazer sentido e produzir cidadania.
A Escola Paulo Bandeira reinventa a resistência aos dogmas impostos pelo estado, desconstruindo e desafiando a passividade anêmica e cúmplice da sociedade alagoana aos desmandos do poder público.
Nós não vamos brincar de fazer educação- diz a diretora  que acredita em uma sociedade baseada no respeito ao pluralismo, liberdade e igualdade, assim como pensava o professor Paulo Bandeira.
O revolucionário!

 

Sobre o II Festival Alagoano das Palavras Pretas...

Li no Blog de Kelma de Abreu (www.qualquerinstante.com.br) o  comentário  aseguir  sobre o II Festival Alagoano das Palavras Pretas, ocorrido dia 31 de janeiro,  no Teatro Abelardo Lopes, na Galeria Arte Center – Pajuçara.
e socializo com vocês.

Olá gente, Tudo bem?!!!!!
Ontem conferi a magia que foi o II Festival das Palavras Pretas, muito bem coordenador por Arísia Barros. Foi maravilhoso, mas não foi apenas mais um evento, foi algo inexplicável e de uma nobreza intensa.
Pode até parecer um paradoxo falar de nobreza em um movimento negro como o Projeto Raízes de Áfricas, mas é uma definição adequada, pois isso sim pode e deve ser considerado nobre, rico literalmente na ação e na reflexão.
Um presente para os que puderam estar no Teatro Abelardo Lopes, na Galeria Arte Center – Pajuçara.
Momento de unir forças e parcerias para ampliar debates e ações como estas. Reconhecer o valor de um parceiro de maneira tão singular com a colaboração valiosa da Comunidade Quilombola Pau D’Arco, de Arapiraca/AL, mostra a seriedade com que o trabalho é desenvolvido. Além das personalidades alagoanas, o evento contou com a presença o militante do movimento negro e ator Milton Gonçalves.
Parabéns Arísia Barros e a todos que de uma maneira ou de outra estão envolvidos direta ou indiretamente com a causa.

 

Como estabelecer a paz sem as políticas públicas essenciais à dignidade humana?

A presença da polícia é o antídoto para a violência- afirma o homem de pele preta – colhendo a visão utilitária e simplista do estado como verdade absoluta.
O homem de pele preta com a boca desdentada se arvora em frente às câmeras para exaltar os benefícios da “guerra santa” travada nos bairros periféricos, determinados campos de batalha, onde a inoperância do poder público decompõe a humanidade de muitos humanos.
O sistemático flagelo da violência, como a representar uma profecia social, para meninos entre 14 e 24 anos, que criminaliza os bairros periféricos, pobres e pretos da terra de Zumbi, naturaliza na cabeça do homem um modo de perceber as diferentes formas de opressão, como um privilégio.
O privilégio da lei para uma população despolitizada e desagregada, quase em frangalhos, pela ostensiva ausência de saúde, educação, transporte, emprego e renda.
Como estabelecer a paz sem as políticas públicas essenciais à dignidade humana?
A palavra farta do homem de pele preta emerge da necessidade cidadã de ter direito a liberdade.
Liberdade de circular por entre os espaços doentes e sem infraestrutura,mas repleto da fé cristã, como um redesenho de senzalas antigas renascidas estrategicamente para apartar os diferentes.
Gente desfigurada pela pauperização, fadadas aos seculares dados de descrescimento sócio-identitário.
Gente que traz na memória da história, a herança maldita de não ser reconhecida como cidadão.
Ao olhar mais uma vez para a vastidão da população anêmica de direitos, o homem é forçado a admitir: É a polícia pode ter afastado bandidos, mas não afastou a pobreza.
E assim caminha a humanidade com a histórica divisão do bolo, legitimando o apartheid nos espaços de poder: nós os vencidos. Eles os vencedores.
Até quando?
 

A África do Sul é a capital do estupro do mundo.

Recebemos da Avaaz e socializamos na busca de que cada pessoa possa aderir a essa causa do respeito a opção sexual de homens e mulheres.
A Avaaz é uma rede de campanhas globais de 5,6 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 13 países de 4 continentes, operando em 14 línguas.

Millicent Gaika foi atada, estrangulada, torturada e estuprada durante 5 horas por um homem que dizia estar “curando-a” do lesbianismo. Por pouco não sobrevive
Infelizmente, Millicent não é a única, este crime horrendo é recorrente na África do Sul, onde lésbicas vivem aterrorizadas com ameaças de ataques. O mais triste é que jamais alguém foi condenado por “estupro corretivo”.
De forma surpreendente, desde um abrigo secreto na Cidade do Cabo, algumas ativistas corajosas estão arriscando as suas vidas para garantir que o caso da Millicent sirva para suscitar mudanças. O apelo lançado ao Ministério da Justiça teve forte repercussão, ultrapassando 140.000 assinaturas e forçando-o a responder ao caso em televisão nacional. Porém, o Ministro ainda não respondeu às demandas por ações concretas.
Vamos expor este horror em todos os cantos do mundo -- se um grande número de pessoas aderirem, conseguiremos amplificar e escalar esta campanha, levando-a diretamente ao Presidente Zuma, autoridade máxima na garantia dos direitos constitucionais. Vamos exigir de Zuma e do Ministro da Justiça que condenem publicamente o “estupro corretivo”, criminalizando crimes de homofobia e garantindo a implementação imediata de educação pública e proteção para os sobreviventes. Assine a petição agora e compartilhe -- nós a entregaremos ao governo da África do Sul com os nossos parceiros na Cidade do Cabo:
https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl
A África do Sul, chamada de Nação Arco-Íris, é reverenciada globalmente pelos seus esforços pós-apartheid contra a discriminação. Ela foi o primeiro país a proteger constitucionalmente cidadãos da discriminação baseada na sexualidade. Porém, a Cidade do Cabo não é a única, a ONG local Luleki Sizwe registrou mais de um “estupro corretivo” por dia e o predomínio da impunidade.
O “estupro corretivo” é baseado na noção absurda e falsa de que lésbicas podem ser estupradas para “se tornarem heterossexuais”, mas este ato horrendo não é classificado como crime de discriminação na África do Sul. As vítimas geralmente são mulheres homossexuais, negras, pobres e profundamente marginalizadas. Até mesmo o estupro grupal e o assassinato da Eudy Simelane, heroína nacional e estrela da seleção feminina de futebol da África do Sul em 2008, não mudou a situação. Na semana passada, o Ministro Radebe insistiu que o motivo de crime é irrelevante em casos de “estupro corretivo”.
A África do Sul é a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida na África do Sul tem mais chances de ser estuprada do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas são estupradas antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência), pobreza, ocupações massificadas, desemprego, homens marginalizados, indiferença da comunidade -- e mais do que tudo -- os poucos casos que são corajosamente denunciados às autoridades, acabam no descaso da polícia e a impunidade.
Isto é uma catástrofe humana. Mas a Luleki Sizwe e parceiros do Change.org abriram uma fresta na janela da esperança para reagir. Se o mundo todo aderir agora, nós conseguiremos justiça para a Millicent e um compromisso nacional para combater o “estupro corretivo”:
https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl
Está é uma batalha da pobreza, do machismo e da homofobia. Acabar com a cultura do estupro requere uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para a África do Sul e todo o continente. O Presidente Zuma é um Zulu tradicional, ele mesmo foi ao tribunal acusado de estupro. Porém, ele também criticou a prisão de um casal gay no Malawi no ano passado, e após forte pressão nacional e internacional, a África do Sul finalmente aprovou uma resolução da ONU que se opõe a assassinatos extrajudiciais relacionados a orientação sexual.
Se um grande número de nós participarmos neste chamado por justiça, nós poderemos convencer Zuma a se engajar, levando adiante ações governamentais cruciais e iniciando um debate nacional que poderá influenciar a atitude pública em relação ao estupro e homofobia na África do Sul. Assine agora e depois divulgue:
https://secure.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/?vl
Em casos como o da Millicent, é fácil perder a esperança. Mas quando cidadãos se unem em uma única voz, nós podemos ter sucesso em mudar práticas e normas injustas, porém aceitas pela sociedade. No ano passado, na Uganda, nós tivemos sucesso em conseguir uma onda massiva de pressão popular sobre o governo, obrigando-o a engavetar uma proposta de lei que iria condenar à morte gays da Uganda. Foi a pressão global em solidariedade a ativistas nacionais corajosos que pressionaram os líderes da África do Sul a lidarem com a crise da AIDS que estava tomando o país. Vamos nos unir agora e defender um mundo onde cada ser humano poderá viver livre do medo do abuso e violência.

Com esperança e determinação,

Alice, Ricken, Maria Paz, David e toda a equipe da Avaaz
 

Milton Gonçalves participa da Floresta da Fama


O ator Milton Gonçalves vai plantar uma árvore na Floresta da Fama, localizada no Parque Municipal de Maceió, na próxima segunda-feira.
Gonçalves vem à cidade participar do II Festival Alagoano das Palavras Pretas, que acontece dia 31, das 18 às 22 horas, na Galeria Arte Center, na Pajuçara, e, na ocasião, aceitou o convite da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente para plantar uma espécie da Mata Atlântica e contribuir com uma cidade mais arborizada.
A Floresta da Fama é uma das estratégias utilizadas pelo programa Maceió Mais Verde, que visa o plantio de um milhão de árvores na capital.
O espaço é uma área específica para o plantio de espécies arbóreas, realizado por celebridades artísticas, esportivas e culturais e identificadas por uma placa.
Dentre as celebridades que realizaram o plantio na Floresta da Fama estão Joelma e o cineasta Cacá Diegues,dentre outros.
II Festival Alagoano das Palavras Pretas,
O evento pretende reunir pessoas no entorno das palavras pretas: poesias e poemas, como fonte peculiar de encontros e descobertas. O Festival Alagoano das Palavras Pretas é na verdade uma provocação literária: juntar as muitas matrizes de pessoas: poetisas poetas, quem escreve sobre a temática negra, ou simplesmente gente que queira alimentar a alma com a catarse da palavra, quebrando os distanciamentos geográficos dos humanos com interesses, afetos e poesia.
As poesias pretas serão impressas e espalhadas pelos cantos, chão, cadeiras e recantos do Teatro Abelardo Lopes, na Galeria Arte Center, Pajuçara.
Além de Gonçalves, que é militante do movimento negro há mais de 50 anos, estarão se apresentando a cantora alagoana Pauline Alencar, o ator alagoano Chico de Assis, o Grupo Pérolas Negras, da Comunidade de Remanescente Quilombola Pau D’Arco de Arapiraca/AL, e do menino Guilherme, que na edição anterior do Festival deu show de palavra declamada.
A entrada é gratuita, mas é necessário fazer inscrição pelo e-mail raizesdeafricas@gmail.com ou pelo telefone: (82)8815-5794.
 

Fonte: Alinne Mirelle – 82 8804-0049

Militante do movimento negro e porta-voz das Diretas Já! recebe a Comenda Zumbi dos Palmares

O pai era catador de café. Ele, o filho, recicla a palavra e ressignifica o ser negro.
É militante do movimento negro há mais de 50 anos e com 76 anos de historicidade afros brasileira. 76 anos de muitos ensaios, diálogos e memórias.
A mãe empregada doméstica legou ao filho o ofício da perseverança. Olhar de olho comprido para o futuro.
O filho, o brasileiro Milton Gonçalves herdeiro direto das aspirações políticas do líder negro Zumbi, constantemente desafiado pela idéia libertária de romper com tendência hegemônica de que os descendentes da rainha Nzinga devem habitar a periferia da geografia brasileira.
Para chegar ao futuro atravessou vários rios de aprendizados: Foi babá, depois aprendiz de sapateiro, aprendiz de alfaiate, gráfico, até que ao cruzar os caminhos da arte foi engolido por ela. Convicto pensou: “Eu posso. Eu também quero fazer isso”. Ganhou um papel na peça infantil chamada: “O Soldado de Chocolate”, escrita por Pernambuco de Oliveira.
Nasceu em Monte Santo, Minas Gerais, em 09 de dezembro de 1933, mas renasce cotidianamente em cada novela, filme, peça teatral em que atua com altivez dos que nasceram para bilhar, literalmente.
Uma composição política do homem negro permeada com da visão da ascensão social.
É diretor de cultura do PMDB-Afro.
É um ser político. Foi porta-voz das Diretas Já!, ao lado de Osmar Santos.
É religioso e freqüenta o candomblé.
Em sua estréia no teatro na peça “O dote” fez o papel de um escravo, pois como homem negro a cor da pele o denunciava. O talento o libertou dos estigmas.
Gianfrancesco Guarnieri ao vê-lo atuar descobriu o ator de mil faces, mil cores, que morava em Milton.
Casado há 33 anos com dona Oda, Milton Gonçalves tem três filhos.
Viajou o mundo todo e traz consigo a arte de transportar muita gente para muitos e outros mundos.
É cidadão convicto de sua participação na construção de uma nação mais justa e igualitária.
Foi operário, e,é negro.
E afirma: “Nós, negros brasileiros, não queremos esmola. Podemos e queremos exercer a nossa cidadania da mesma maneira que as pessoas de outras etnias. Além disso, sou um ativista ferrenho contra a corrupção”.
Segundo o “www.netsaber.com.br/biografias” atuou no “Teatro dos Novos Comediantes”e “Teatro de Arena”. E ingressou também no cinema. Sofreu, na época da Revolução de 64, e só não morreu, “porque Deus não quis”. Chegou a ser metralhado, quando fazia “Grandes Sertões Veredas”. Chegou a TV Globo quando essa era inaugurada. É ele umas das 50 pessoas que está lá, desde o início até hoje. Ganhou bons papéis. Aumentou os horizontes para os interpretes negros. Fez cada vez coisas mais ousadas. Fez: “Véu de Noiva”, “Um Homem que Deve Morrer”, “Selva de Pedra”, “Carga Pesada”, “A Grande Família”, “Baila Comigo”, “Pecado Capital”, “Irmãos Coragem”, “Anjo de Mim”, e muitos outros trabalhos, entre novelas, mini-séries e Casos Especiais. E não fez só papéis de “escravo” e “empregado”. Fez doutores, fez um médium, e coisas de muito gabarito. E também dirigiu. Desde o Arena estava apto para isso. Grandes novelas aconteceram com a sua batuta, entre elas: “Escrava Isaura”, novela que foi ao ar em quase todo mundo. Sempre respeitado e querido, ganhou muitos prêmios. No cinema, porém, é que foi mais premiado. Com o filme “A rainha diaba”, por exemplo, ganhou os quatro principais prêmios que existiam. O prêmio Air-France, inclusive. Fez ao todo, mais de cem filmes, com papéis grandes e pequenos. Participou também de Macunaíma, e contracenou com muitos artistas estrangeiros, como Jacqueline Bisset, Raul Julia e outros.
Considerando toda história de luta e de valorização da população negra,o Projeto Raízes de Áfricas encaminhou ofício em 28 de outubro de 2010, requerendo à Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas, no mandato do Deputado Judson Cabral, a outorga da Medalha de Honra ao Mérito Zumbi dos Palmares, para o militante do movimento negro, o ator Milton Gonçalves ,mediante a Resolução 396 de 09 de novembro de 1995.
A entrega da honraria legislativa acontecerá dia 31 de janeiro, próxima segunda-feira , das 18 às 22 horas, no Teatro Abelardo Lopes/ SESI- Galeria Arte Center, Av. Antonio Gouveia, 1113,Pajuçara, como parte integrante do II Festival Alagoano das Palavras Pretas.


 

Quintana, o poeta, me ensinou a mastigar a palavra com o caldo da emoção.


Escrever poesia é como colher estrela cadente
Pintadas com as cores do mar
Embriagadas com o brilho da lua cheia.
Escrever poesia é igualzinho a crer na essência da pessoa que anda ao nosso lado, sem a violação vilã da hipocrisia humana.
Quem escreve poesia- já dizia- o doce velhinho Mário Quintana - que os anjos tenham tecido para ele um cobertor com as notas do-ré-mi,
Transformando o “so” em sol que agasalhe neste andar debaixo as letras que Quintana bordou.
Na minha adolescência o poeta dormitava entre sonhos e a cabeceira da cama.
A poesia chegava serenamente simples afogando as contradições e inquietações juvenis.
A palavra de Quintana foi um dos meus versículos na construção das muitas e outras palavras.
Eu na vida passarinho.
Ave, ave poeta!
Quintana, o poeta, me ensinou a mastigar a palavra com o caldo da emoção.
Emoção como tsunami de letras partidas cunhadas em becos devassos.
Bom dia poesia!

 

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