Geraldo de Majella

Querem acabar com o carnaval de Maceió

 

“ Você diz que o carnaval é uma besteira

Que prefere descansar até quarta-feira

Não quer saber do frevo nem por brincadeira

Você não quer meu bem, mas tem quem queira

Você não quer meu bem, mas tem quem queira”.

(Edécio Lopes e Marcos de Farias Costa)

 

            O carnaval é a principal festa popular do Brasil há mais de um século em todas as cidades, por maior que seja a crise econômica. O povo, com uma alegria contagiante, se fantasia e vai às ruas sambar e dançar o frevo. Esses dois gêneros são os que mais atraem as massas, mas há outros que as animam em todas as regiões do país.

            As festas em todos os lugares do mundo são caminhos certos de atração de renda, de riquezas, além, óbvio, de prazer e alegria. Com o carnaval não é diferente. Mas parece que em Maceió estão – e não é de hoje, faz já bastante tempo − querendo cristalizar uma mentira: a de que a cidade durante o carnaval é um balneário e, portanto, um refúgio para os que não gostam ou não desejam se divertir no carnaval.

             Essa posição vai de encontro à dinâmica econômica e social do restante do Brasil. Os apelos publicitários têm sido veiculados cada vez mais pelas agências de turismo, pelos governos e pelos empresários das cidades e estados onde o carnaval atrai milhões de pessoas (consumidores). Em Alagoas há um movimento em sentido contrário: empresários da hotelaria e até, pasmem, secretários de turismo de Maceió e do estado, em coro dizem o mesmo: “Maceió é um destino consolidado para o turista descansar no carnaval”.

As prévias carnavalescas vêm crescendo a cada ano. Antes, na cidade tínhamos os famosos banhos de mar à fantasia, sempre no domingo que antecedia o sábado de carnaval. Blocos animando milhares de foliões que, frevando no asfalto da avenida da Paz e na areia branca da praia, se esbaldavam. O poder público apoiava, mas era a espontaneidade do povo que alegrava e abria triunfalmente o carnaval de Maceió.

A Liga dos Blocos, entidade presidida pelo jornalista Edberto Ticianeli, mantém a extraordinária façanha de organizar o Jaraguá Folia com 170 blocos, desfilando pelas ruas do bairro de Jaraguá. Esse trabalho é pouco valorizado, quando não incompreendido pelo poder público, tanto o municipal como o estadual.  

A racionalidade econômica diz que os empresários deveriam ser os principais interessados na oportunidade de geração de empregos diretos e temporários. Os hoteleiros podem ampliar ainda mais os seus negócios, assim como os distribuidores de bebidas e refrigerantes, água mineral, sucos, os varejistas de um modo geral, os supermercados, o setor de transporte e os taxistas etc. 

            O antropólogo Edson Bezerra, irresignado com a atitude passiva do poder público diante do lobby, que não oferece as condições básicas para que haja carnaval de rua em Maceió, disse: “Por trás da não existência do Carnaval de Rua, o trade turístico está ainda mais apartando a cidade de uma grande alegria”. E concluiu: “o jornalista Ticianeli, pelo trabalho desenvolvido através da Liga dos Blocos, merece uma estátua em praça pública”. Com o que eu concordo e assino em baixo.

            A luta pela ressureição do Carnaval de Rua em Maceió terá de partir da sensibilização dos empresários do comércio e da indústria alagoana. Esse papel pode e deve ser deflagrado pelo presidente da Liga dos Blocos e por intelectuais e membros e dirigentes de Escolas de Samba de Maceió.

O capitalismo prima pela geração de riqueza e pela obtenção de lucros, mas em Alagoas esse princípio é esquecido completamente, pois em determinados setores da economia alagoana essa possibilidade é desdenhada. Ao contrário de Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia e agora São Paulo, que têm se superado na organização do Carnaval de Rua. São Paulo é o principal polo industrial do carnaval brasileiro e em breve será também um polo importante de Carnaval de Rua.

 

Evoé.

 

 

 

 

 

Meu primeiro carnaval

Meu primeiro carnaval é o título do CD do poeta, livreiro e compositor Marcos de Farias Costa, onde se apresenta cantando frevo alagoano de corpo e alma. Marcos é um intelectual multifacetado, um tipo raro na atualidade, que surpreende a todos, inclusive aos amigos mais próximos. 

Desta vez ataca de intérprete das suas músicas, os frevos. Marcos é autor de dezenas de composições e tem parceria com compositores e músicos, como Edécio Lopes, Ibys Maceió, Gustavo Gomes, Stanley de Carvalho, Juvenal Lopes, Robson Amorim, Tânio Barreto, Wellington Pinheiro, José Gomes Brandão e com o seu irmão, Marcondes Costa, o mais constante entre os seus parceiros.

        Mas afinal o que significa frevo alagoano? É o frevo composto a partir de temas e motivações alagoanas. Onde a cultura, o povo e os costumes são traspostos para as músicas. Em resumo: a identidade alagoana. Não se trata de mudanças melódicas. Pode parecer pouco, ou mesmo um detalhe, mas é a essência do que somos, a alma, a nossa identidade a ser preservada e perpetuada através da música, e nesse caso em particular, do frevo que arrasta multidões.

Isso não significa transformar o frevo feito em Pernambuco ou em qualquer parte do Brasil em alvo da nossa rivalidade. Não é isso e nem de longe se pode pensar tão pequeno. O frevo alagoano que Marcos e muitos outros compositores alagoanos querem e vêm fazendo é o caminho da afirmação de uma identidade, é a produção de um ritmo musical com o sotaque e o selo de Alagoas, nada mais que isso.

        O frevo de Marcos de Farias Costa, Stanley de Carvalho e Edécio Lopes, este último nascido em Pernambuco, trata de motivações, retrata pessoas e temas locais que exaltam as nossas tradições e riquezas culturais.

        O Moleque Namorador, folião notável, imortalizado e lenda dos antigos carnavais de Maceió, é um dos personagens homenageados por Marcos e Stanley de Carvalho num dos frevos, que tem o insuspeito título de “Moleque Namorador”:

 

“Bumbo, surdo, caixa e tarol

Arrocha os metais em bemol

O frevo promete

Azeita o moleque

Que diz que é namorador (Bis)

Enquanto eu me aqueço

Esquenta essa troça

Que na Ponta Grossa

Eu sempre arranjo um amor

Eu sou enxerido

E já na sexta-feira

A minha nega sabe como eu sou

Eu sou sempre moleque

Criança ainda

Na quarta-feira de cinzas

Volto e dou meu alô” (Bis)

 

Evoé, Marcos de Farias Costa.

       

 

Jayme Miranda, um revolucionário brasileiro

 

Jayme Amorim de Miranda (1926-1975), jornalista, advogado e dirigente comunista, nasceu em Maceió, no bairro do Poço, no dia 18 de julho de 1926, filho do casal Manoel Simplício de Miranda e Hermé Amorim de Miranda, o segundo de uma família de dez filhos. São eles: Haroldo (1925-1988), Jayme (1926-1975), Valter, Edvar, Zenaide, Wilton (1931-2006), Nilson (1933), Neiza, Hélio, Manoel − Manelito − Amorim de Miranda.
Casa-se com Elza Rocha de Miranda e constituem uma família de quatro filhos.Dois nasceram em Maceió e dois no Rio de Janeiro: Olga Tatiana (1960) e Yuri Patrice (1961), são alagoanos; os outros dois, Jaime (1965) e André Rocha de Miranda (1970), são cariocas. 
Em 1974 e 1975 Jayme Miranda foi, também clandestinamente, a Moscou. A rota é pela Europa, passando pelo aeroporto de Orly em Paris, onde é vigiado pelo serviço secreto francês, como consta do seu prontuário. Essa foi, sem que ele pudesse supor, a sua última viagem internacional. 
No dia 4 de fevereiro de 1975, no Rio de Janeiro, é sequestrado pelo Doi-Codi. Até hoje não apareceu, nem as forças armadas entregaram seus restos mortais. Jayme Amorim de Miranda é um dos “desaparecidos políticos” brasileiros. 
Hoje, faz 40 anos que Jayme Miranda foi sequestrado e o Estado brasileiro continua sem informar a família e a nação para onde os facínoras do aparelho de tortura da ditadura militar levaram Jayme Miranda e os demais “desaparecidos políticos".

Evoé, Ovo da Madrugada

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O carnaval no interior de Alagoas tem ressurgido das cinzas, depois de quase ser sepultado, os foliões com apoio institucional ou não, retomaram a tradição de organizar blocos de ruas.

A cidade de Penedo é um desses casos onde um grupo de foliões persistiu na organização de um bloco carnavalesco, o Ovo da Madrugada.  

O Ovo da Madrugada é um caso de sucesso e há sete anos anima a cidade colonial ribeirinha arrastando milhares de foliões pelas ladeiras mais bonitas e bucólicas de Alagoas.

O batismo feito em praça pública pelos dirigentes do  Pinto da Madrugada, irmão mais velho, Eduardo Lira, Marcos Davi e Braga Lira, a cerimonia aconteceu ao som das orquestras de frevos de Penedo e Traipu.

O hino do bloco é uma composição de Luiz Paulo Galvão e os principais organizadores foram e continuam sendo Betinha e Alcides Galvão e Júnior Dantas. A tradição está sendo construída ano após ano.

Os bonecos gigantes são dez e foram confeccionados pelo artista plástico Tadeu dos Bonecos, um pernambucano que adotou a cidade de Penedo há vários anos para viver e trabalhar.

O carnaval no interior de Alagoas vem ganhando novos brilhos e cores. A bola fora de 2015 ficou por conta da prefeitura de Marechal Deodoro que havia criado o Bloco Ninho do Pinto, mas na última hora, o Prefeito anunciou que o Bloco não iria sair, com a alegação de que o município vive uma crise financeira.

Ora, vejam bem: Marechal Deodoro é a cidade alagoana onde há o maior número de músicos e de orquestras, são cinco. E todas de alto nível. Mas quando falta boa vontade tudo é pretexto.

Vamos brincar o carnaval em paz.

Evoé!

 

Revolução se faz com ideias, líderes e a massa – III (Final)

 

O sociólogo argentino Julio Jacobo Waiselfisz criou o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, trabalho que se tornou uma ferramenta para os estudos da violência no Brasil. Os indicadores dão o estado de Alagoas, de 1991 a 2014, como a unidade da federação que se destaca com o crescimento da violência homicida em todos os grupos estudados.

Esse fenômeno tem sido tratado por Julio Jacobo e outros pesquisadores como uma epidemia, mas as autoridades responsáveis pela segurança pública dos governos anteriores pouco se importaram no sentido de estabelecer estratégias de enfrentamento do problema crescente.

        A epidemia tem impactado diretamente a escola pública e privada. Nem mesmo assim a Secretaria de Educação tem se mobilizado no intuito de pensar sobre a realidade que lhe bate à porta e tem adentrado no ambiente escolar.

O estado catatônico em se encontra a rede pública de educação tem relação direta com a incompreensão dos gestores e dos governadores. A reação esperada talvez seja o encaminhamento da discussão do problema e os seus reflexos devastadores em sala de aula, na gestão das escolas e nas famílias.

As marcas da devastação no ambiente escolar e social podem ser lidas através das estatísticas policiais. Os homens são as principais vítimas de crimes violentos letais intencionais; entre janeiro e outubro de 2014, o percentual foi de 93,7% (homens) e 6,3% (mulheres).

As crianças, adolescentes e jovens lideram o ranking dos crimes violentos letais e intencionais, nas duas faixas etárias: de 12 a 17 anos são 12,8%, e de 18 a 29 anos o percentual sobe para 48,3%. O somatório dos dois grupos alcança 61,1% dos homicídios em Alagoas. A totalidade dos homicídios, nesse período, 82,1%, foram praticados por armas de fogo.

Em 2013, os homicídios nos dois grupos de 12 a 17 anos, 12,52%, e de 18 a 29 anos, 49,73% dos homicídios, o que equivale a 62,25% dos homicídios, somados. São números espantosos em quaisquer circunstâncias, até quando se trata de uma guerra convencional.

Esses dados estão disponíveis no site da Secretaria de Defesa Social (SDS) e fazem parte do trabalho do Núcleo de Estatísticas e Análise Criminal (NEAC).

O avanço do tráfico nos bairros de Maceió e nas cidades do interior há muito tempo é percebido pelas famílias e pela polícia. As populações pobres que vivem em áreas vulneráveis da periferia da capital e nas cidades do interior de Alagoas são vítimas do tráfico e do Estado que, ausente, permite o domínio do território e dos equipamentos públicos pelos traficantes e seus aliados.

        A escola é um dos ambientes usados pelo tráfico para recrutar crianças e adolescentes, tornando-os consumidores e varejistas das drogas, entre elas o crack.

        A Revolução a ser realizada na educação pública terá de ter um foco nessa questão, por meio da Secretaria de Educação, da Defesa Social e das demais.

        A violência, o tráfico e a exclusão são matrizes da evasão, da desestruturação das redes de ensino e provocam o pânico entre os funcionários e as famílias. É a causa do império da “lei do silêncio” nas escolas.

        Aguardemos o secretário Luciano Barbosa tornar públicas as ideias que irão transformar a educação em Alagoas nos próximos quatro anos. Há uma expectativa positiva, pelo menos de minha parte, na implantação de um projeto sério na educação. Nenhum povo merece viver no obscurantismo ou ser condenado à miséria.

         O povo alagoano tem sobrevivido na exclusão e historicamente segregado; a libertação só acontecerá através da educação de qualidade.

Revolução se faz com ideias, líderes e a massa − II

 

O secretário de Educação Luciano Barbosa é a maior aposta do governo Renan Filho, pelos laços políticos que os une e por ser entre os secretários o que tem a mais larga experiência em administração pública. Exerceu nas três esferas do Poder Executivo funções relevantes: foi ministro de Estado, secretário do estado de Alagoas, secretário municipal e prefeito de Arapiraca.

        A proposta para mudar a educação, que o governador anunciou como sendo uma Revolução, ainda não foi apresentada. Aguarda-se. A ideia central me atraí: “a escola será o principal equipamento público deste Estado nos quatro anos que começam hoje”. Essa fala terá consequências.

        A luz jogada sobre a escola é carregada de simbologia e é o ponto de partida do processo. Tudo me faz deduzir ser a determinação para a Secretaria de Educação e para as demais secretarias. A leitura que faço é a de que o secretario de Educação exercerá poderes nunca antes vistos na administração estadual. Entendo ser um fato positivo por ser a educação a área impulsionadora do governo e de onde germinará a principal politica pública.

        As dificuldades financeiras do tesouro estadual foram anunciadas como graves, o que amplia ainda mais as dificuldades técnicas e a complexidade da pasta. A pasta da Educação é detentora de um passivo histórico que se agravou mais ainda na última gestão, das três em que Divaldo Suruagy governou Alagoas. 

Há um cipoal de problemas internos e externos desafiadores que, se contornados ou superados em parte ou por etapas, podem transformar-se num fator impulsionador da Revolução na educação alagoana.

        A experiência administrativa do secretario é um indicativo que pode conduzir a uma boa relação com as prefeituras e entre elas, as prefeituras com os piores índices de violência. Esse caminho, estado e municípios deverão fazer juntos, para ampliar as chances de sucesso.

A complexidade de uma “revolução” é para ser pensada em todas as suas variantes, com e por múltiplos atores. O “andar de cima” em geral comunica-se com o “andar de baixo”, através de decretos e memorandos. Inverter essa lógica talvez seja o início do processo de construção de consenso interno.

A revolução terá grande chance de ser vitoriosa, no médio e longo prazo, mas será obra não de um secretário e sim do conjunto do governo, centralizado nas políticas e descentralizado com o monitoramento das ações e o envolvimento concreto da prefeitura de Maceió e das demais prefeituras. Refiro-me a Maceió por ser a capital onde será dado início ao processo de implantação de Escola em Tempo Integral e onde vive 1/3 da população de Alagoas e estão os maiores contingentes de estudantes das duas redes de ensino.

O Estado não poderá realizar a sua “revolução” em detrimento dos municípios; não creio ser este o melhor caminho. Os alunos do ensino fundamental são originários das escolas municipais que seguirão para o ensino médio, de responsabilidade estadual. Esse caminho terá de ser bem pavimentado, sem interesses menores.

O líder desse processo tem de ser o construtor de pontes, não as da engenharia civil, mas o construtor do diálogo entre as diferentes partes e níveis, sendo considerado pela sociedade como um condutor do processo que inspire respeito e credibilidade.

A divisão de responsabilidades é norma legal. Mas a integração das ações e a sua potencialização dependerão de intenso trabalho de sedução, o que é mais que convencimento. Mais que dinheiro. Porque o dinheiro virá com boas ideias materializadas em projetos.

Alagoas não precisa de “mais do mesmo”. As obras físicas, em piores condições políticas e econômicas, o governo estadual realizou; no entanto, agora a palavra de ordem é a Revolução na educação, e para ser levada ao pé da letra, os parâmetros terão de ser outros. Não basta ter escolas recém-construídas ou reformadas, merenda para todos os alunos e de boa qualidade.

As mudanças são necessárias, mas nem sempre são pacíficas; por isso a construção de um ambiente de discussão a partir de uma ideia básica formulada pela gestão é fundamental. Os indicadores de eficiência e promoção têm de ser criados, antecedidos de discussão com os trabalhadores em todos os níveis − funcionários, diretores, professores, alunos e as famílias.

Luciano Barbosa terá a sua capacidade de liderança testada diante desses desafios. O secretário tem todas as condições para ser o líder dessa revolução, isso é inegável. 

 

 

 

Revolução se faz com ideias, líderes e a massa - I

 

O governador Renan Filho declarou considerar “a Educação o motor da mudança, o impulso e a alavanca para o grande salto que precisamos dar, rumo ao desenvolvimento econômico e social do Estado.

“Por isso meu governo não faz por menos: a meta é fazer uma revolução na Educação de Alagoas.

“Já disse, e repito aqui, que a escola será o principal equipamento público deste Estado nos quatro anos que começam hoje.

“A primeira providência neste rumo já foi tomada. E ela tem, além do propósito prático, um sentido simbólico.

“A Secretaria da Educação terá em seu comando o vice-governador, empossado ao meu lado nesta solenidade”.

Os sinais emitidos a partir da posse são os melhores possíveis. A escolha do vice-governador Luciano Barbosa, para assumir a Secretaria da Educação, na atual circunstância não poderia ser melhor. É um político experiente, menos pelos seus vínculos com a educação e mais pela sua trajetória de gestor.

Os “segredos” dessa área já foram descobertos, mas falta quem os revele aos funcionários, alunos, professores, diretores e à sociedade alagoana, sem demagogia e/ou promessas inverossímeis.

Há, entre os funcionários da Secretaria Estadual de Educação, bons técnicos comprometidos com o serviço público; muitos, senão a maioria, estão com a estima em baixa, não sem razão, diante das interferências nada republicanas ou da falta absoluta de compromisso dos governadores, inclusive o último, Teotônio Vilela Filho, que transformou a educação em objeto de negociação a mais rasteira possível.

“Revolução” foi uma das expressões mais usadas pelo governador no discurso de posse. A repetição não foi gratuita, teve um propósito, o de ser um dos enunciados da carta de intenções da sua gestão. Tanto melhor para os alagoanos que desejam e merecem serviços públicos dignos, educação que eduque e forme cidadãos com capacidade intelectual para ajudar a transformar a dura realidade alagoana através do conhecimento.

A Revolução imaginada, seja na educação ou em qualquer outra área, não acontecerá como tantas obras físicas de governo, mas com um processo cumulativo de conhecimentos novos, a apropriação de tecnologias e ferramentas modernas, a mudança de paradigmas na formação dos professores e a participação ativa − nem sempre compreendida pelos “revolucionários” − da população.

O cidadão que tem historicamente os direitos fundamentais usurpados pelo Estado, terá de ser convocado; mais que isso, seduzido para ser um dos construtores do projeto revolucionário apresentado na sua versão inicial pelo novo governo.

Esse, para mim, é o nó górdio da questão. O governador quer realizar uma Revolução na educação, o secretario também quer, e é por força do cargo o responsável pela elaboração, coordenação e execução do projeto. É a situação ideal e o melhor dos mundos. O que falta, se todos querem?

Essa pergunta contém múltiplas respostas. Os princípios norteadores da Revolução não estão definidos, e se existem, não foram anunciados publicamente, mas serão em breve.

A Revolução só será realizada com ideias, líder e as massas. Isso pode ser no sentido figurado, se assim desejar, mas entendo como um fator essencial, o princípio básico.

As ideias que moverão as massas e o líder e seus diversos líderes intermediários devem ser reconhecidos pelas “massas”; no caso, pelos funcionários, professores, diretores, alunos, famílias e pela sociedade em geral, para se alcançar os objetivos e também quebrar o estado de desânimo, inércia  e baixa estima dos reais condutores da Revolução.

Admitamos que os desígnios revolucionários, sejam sérios, bons e factíveis. Mesmo assim falta dialogar com as outras partes constitutivas do processo revolucionário.

Esse diálogo é essencial para se construir o caminho ou os caminhos da Revolução; se não for assim, travando as batalhas no campo e nas condições em que a realidade se apresente, pode mais uma vez, como os decretos governamentais emitidos de cima para baixo, não prosperar.

A história tem mostrado que projetos nesse campo e de cima para baixo não logram êxito, pois caso os funcionários, os professores, os alunos, as famílias e o restante da sociedade alagoana não se envolvam, tudo não passará de uma boa intenção sem resultados práticos e, menos ainda, com efeitos transformadores.

Essa Revolução não deve ser datada, assim como a nova Emancipação de Alagoas. Entendo-a como expressão de retórica, entusiasmo do momento. Os dias que se seguem são para refletir e agir. A Revolução na educação não tem e não terá caminho único. Mas para existir só será possível com ideias. O exemplo do cineasta Glauber Rocha, que dizia ter “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, pode servir como estímulo. Mas a Revolução na educação em Alagoas deve ter muitas ideias na cabeça e no papel, e entusiasmo e liderança para realizá-la.

O poeta e ex-presidente de Angola, Agostinho Neto, disse certa vez que: “Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós”. Não tenho nenhum motivo para desacreditar das intenções dos governantes que acabam de ser empossados.

O que os alagoanos querem é ter escola de qualidade e um horizonte para romper com o círculo perverso da miséria e da dominação política e econômica de uma elite bárbara.

Sinceramente, desejo-lhe todos os êxitos, Luciano Barbosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Nova Emancipação de Alagoas

O governador Renan Filho, no discurso de posse, foi enfático ao dizer que: “o chamado à união, fraternal e sincero, eu o faço em nome de um valor humano, o mais alto deles, a maior conquista do mundo civilizado – a democracia.

“Se ela é o primado da maioria, é também, e principalmente, o respeito à minoria.

“Mais do que respeito, o que fica pactuado aqui, ao estender minha mão e pedir que Alagoas caminhe unida, é a igualdade de tratamento para todos, sem discriminações”.

         O longo discurso nesse trecho, para mim o mais significativo: trata-se, quero crer, do princípio norteador do seu governo e enunciado da carta de intenções apresentada aos alagoanos.

         A construção do processo democrático é obra coletiva e vai para além da conquista do voto universal. A democracia reivindicada nas ruas e pelas redes sociais é o aprofundamento e a ampliação horizontal das conquistas sociais consignadas na Constituição Federal.

         O desafio para o governador é compreender que governar no presente não é manter-se atento apenas às reinvindicações corporativas dos entes estatais, mas negociar os conflitos sociais com os movimentos sociais tradicionais − sindicatos, associações, ONGS, etc. − e com os novos e difusos, fenômeno emergente.

         O governador pede que “Alagoas caminhe unida” e propõe que haja “igualdade de tratamento para todos, sem discriminações”. A união por Alagoas é uma figura de retórica interessante para quem inicia um governo.

A Alagoas pujante, das corporações de funcionários públicos bem-situados na máquina estatal (a minoria abocanha parte significativa da folha salarial), como se relacionará com a maioria dos funcionários que sobrevivem na penúria? Esse é um dos pontos do desequilíbrio do aparelho estatal.

Ao longo das últimas décadas esse problema tem se ampliado e tornou-se insolúvel. O andar de cima do funcionalismo público continua ampliando o poder e o desequilíbrio.

O exemplo típico é o da polícia militar, na qual o coronel, ganha R$ 16.510,68 e o soldado, R$ 1.304,14. A diferença é simplesmente de 12,66 vezes entre o coronel e o soldado.

         Os indicadores sociais, notadamente os citados no discurso, são possíveis de ser revertidos no médio e longo prazo, desde que se criem as condições.

A receita para equilibrar as contas públicas está pronta e já foi anunciada: “só há três maneiras de conseguir o equilíbrio: reduzir despesas, aumentar receita, ou a terceira, a mais eficiente: fazer as duas coisas. Milagre, nesse território, não existe”.

Tendo o discurso de posse como uma carta de intenções, resta-nos fiarmos na palavra do governador quando diz que: “a segurança, sem dúvida, é a área em que os números assustam mais, e mostram que o medo da população tem razão de ser.

“A média de homicídios no Brasil, já considerada muito alta pela ONU, é de 29 para cada grupo de 100 mil pessoas. Pois em Alagoas essa média foi de 64,6. De novo, mais que o dobro da média nacional.

“Todos sabem que Maceió tornou-se uma das capitais mais violentas do mundo. Aqui se morre de graça, e mata-se a qualquer pretexto”.

 Esse é o principal problema de Alagoas e requer empenho e a coordenação efetiva do governador.

Enfrentar e superar as adversidades será o desafio do governador Renan Filho, que para concretizá-lo invocou a possibilidade de fazer uma nova Emancipação de Alagoas.

Confesso que sou um otimista incorrigível mais não consigo imaginar a nova Emancipação e menos ainda com data pré-fixada, o dia 16 de setembro de 2017.  

Desejo êxito na sua missão, governador.

 

 

 

 

O Arquivo Público é um patrimônio de Alagoas

 

O Arquivo Público de Alagoas (APA), criado em 30 de dezembro de 1961, no governo de Luiz Cavalcante – portanto, com 54 anos de existência −, vivenciou altos e baixos, sendo por décadas esquecido pelos administradores. Esteve vinculado à Secretaria de Educação, à de Cultura, e atualmente está subordinado ao Gabinete Civil.

O secretário do Gabinete Civil, Fabio Farias, será o responsável pela concretização do trabalho de organização, estruturação e modernização em curso no Arquivo Público de Alagoas, que pertence à estrutura administrativa do Gabinete Civil.

O APA tem o mais significativo acervo de origem administrativa referente ao Poder Executivo de Alagoas; são  quatro séculos, desde a época em que o Estado ainda era uma comarca, e depois província, até os dias de hoje. O Arquivo ainda abriga o projeto “Memórias Reveladas”, que permite à sociedade o acesso a fontes, antes sigilosas, do período da ditadura militar, além do que restou do acervo da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops).

Todo esse acervo correu sério risco de ser perdido pelas péssimas condições de conservação e também pela falta de técnicos especializados na organização, conservação e restauração dos milhões de documentos fundamentais da história de Alagoas. São livros, fotografias, jornais, revistas e documentos de vários órgãos da administração pública.

Histórico

Ao final do ano de 2005, um movimento liderado pela Associação Nacional dos Professores de História – ANPUH – Regional de Alagoas, que reuniu historiadores, pesquisadores, profissionais de arquivologia e biblioteconomia, além de outros segmentos envolvidos com a preservação da história de Alagoas, criou o Fórum Pró-Arquivos. O primeiro pleito foi sugerir ao Governo Teotônio Vilela a subordinação do nosso principal Arquivo ao Gabinete Civil, seguindo o exemplo do próprio Arquivo Nacional, que é subordinado à Casa Civil da Presidência da República.

Secretário Fábio Farias, venho a público defender o Arquivo Público de Alagoas e principalmente a politica de organização e modernização dessa importante instituição. Está sob sua responsabilidade a continuidade dessa importante obra cultural, e quero crer será dada continuidade e que em breve os pesquisadores de Alagoas e de qualquer parte do mundo poderão acessar as informações pela internet, como se faz em muitas instituições de pesquisa no Brasil e no estrangeiro.

Há dois marcos na história do APA: a sua fundação e esse período de modernização, no qual os documentos estão sendo e serão ainda mais disponibilizados ao público.

Êxito no seu trabalho.

Fonte: http://www.gabinetecivil.al.gov.br/arquivo-publico

 

Conselho e água benta só se dá a quem pede

 

A Secretaria de Cultura é historicamente a que dispõe do menor orçamento e uma das secretarias com possibilidades de gerar muita mídia espontânea para o governo de Alagoas. E quero crer que isso se repete nos demais estados.

A ex-prefeita de Piranhas, Melina Freitas, escolhida pelo governador Renan Filho para ocupar a pasta, assume sob protestos e contestações de intelectuais, acadêmicos e artistas de todas as áreas culturais.

        Os grupos constituídos formal ou informalmente – pelo menos nesse momento de crise terão a denominação de Movimento Cultural Alagoano (MOVA) − redigiram uma carta de repúdio e também estão nas redes sociais coletando assinaturas da população para em seguida o MOVA entregar ao governador como sinal da insatisfação.

        Esse é um aspecto que tem chamado a atenção geral dos formadores de opinião e dos intelectuais alagoanos. Não tenho nenhum conselho a oferecer à secretaria Melina Freitas, afinal, como dizia minha avó, “conselho e água benta só se dá a quem pede”.

        A Secretaria de Cultura, na gestão do professor Osvaldo Viegas, recuperou parte considerável do acervo do Museu da Imagem e do Som (Misa). Deveria ter avançado mais, essa é a minha opinião. Mas pelo menos o acervo não se perdeu e está acessível aos pesquisadores. É um ganho quando se trata do estado de Alagoas.

O acervo do Misa é constituído de milhares de discos de vinil e fotografias, dezenas de filmes, centenas de fitas com gravações de momentos significativos da história de Alagoas, além do acervo discográfico do radialista Edécio Lopes, entre outros bem valiosos e únicos da memória do povo alagoano.

Ainda na gestão de Osvaldo Viegas a Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos foi totalmente reformada, ampliada e modernizada. Esse equipamento é um símbolo para a Maceió e para Alagoas. O acervo é constituído de mais de 90 mil exemplares de livros, mapas e uma das mais significativas hemerotecas de Alagoas.

O Misa e a Biblioteca Graciliano Ramos precisam de técnicos que conheçam e se dediquem a manter a organização dos acervos ali confiados por muitos doadores de várias gerações de alagoanos e brasileiros. 

É importante que a secretaria tome conhecimento do que se faz e do que poderia ser feito a mais como ação cultural para o povo de Alagoas. Os artistas e os intelectuais vão continuar contestando pelo inusitado da sua nomeação; mas como gestora de uma área onde a senhora não tem maior trânsito, esse pode ser um caminho para a manutenção do que vem dando certo ou, pelo menos, do que não foi degradado como equipamento público de cultura em Alagoas.  

Essa é a minha sugestão, pois conselho e água benta só se dá a quem pede.

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